Obama quer taxar ganhos financeiros para financiar programas sociais

Jornal GGN – Obama discursa no Congresso, apresentando as novas medidas redistributivas, que a oposição não está aceitando, e com proposta de aumento de impostos sobre os mais ricos para financiar programas voltados para a classe média, bem como expansão de direitos trabalhistas e investimentos em infraestrutura. Obama quer mais. Quer que o Congresso levante o embargo econômico a Cuba, mas quer também licença para usar força contra o Estado Islâmico. Leia a matéria do Estadão.

Presidente dos EUA, Barack Obama, discursa sobre Estado da União a um Congresso de maioria republicana

do Estadão

Desafiador, Obama discursa em favor da classe média

CLÁUDIA TREVISAN, DE WASHINGTON / CORRESPONDENTE – O ESTADO DE S. PAULO

Em discurso anual, presidente defende retomada de relações com Cuba e pediu autorização para uso da força contra radicais

WASHINGTON – Em seu primeiro discurso sobre o Estado da União a um Congresso controlado pelos republicanos, o presidente americano, Barack Obama, apresentou um pacote de medidas redistributivas que enfrentam forte resistência da oposição e propôs o aumento de impostos sobre os mais ricos para financiar programas em favor da classe média, a expansão de direitos trabalhistas e investimentos na combalida infraestrutura americana.

Na política externa, pediu ao Congresso que levante o embargo econômico a Cuba e anunciou que solicitará autorização dos parlamentares para o uso da força contra o Estado Islâmico -os bombardeios contra posições do grupo extremista iniciados agosto são feitos com base em legislação aprovada logo depois dos ataques de 11 de setembro de 2001.

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Obama defendeu sua decisão de retomar por decreto as relações diplomáticas com Cuba, encerrando um rompimento de 53 anos. “Nossa mudança na política para Cuba tem o potencial de colocar fim a uma herança de desconfiança no nosso hemisfério, remover uma falsa desculpa para restrições em Cuba, defender valores democráticos e estender a mão da amizade ao povo cubano”, afirmou.

No plenário do Câmara dos Deputados, o americano Alan Gross foi aplaudido de pé por democratas e republicanos. Preso durante cinco anos em Cuba, ele foi libertado em dezembro no âmbito das negociações que levaram à mudança na relação entre os antigos adversários da Guerra Fria. Apesar do gesto, a maior parte da oposição é contrária à revogação do embargo imposto em 1960.

Fortalecido pelos bons resultados da economia e o aumento de sua popularidade, Obama declarou vitória sobre a mais longa recuperação econômica dos EUA e propôs ontem ao Congresso “virar a página” da história dos últimos 15 anos, marcada pela guerra ao terror e a mais profunda recessão das últimas sete décadas. “A sombra da crise passou e o Estado da União é mais forte”, declarou Obama.

Apesar da aceleração no crescimento, a renda média dos americanos se mantém estagnada, enquanto os ganhos financeiros dos mais ricos sobem no ritmo das altas recordes da Bolsa de Valores de Nova York. “Nós vamos aceitar uma economia na qual apenas alguns se dão espetacularmente bem? Ou vamos nos comprometer com uma economia que gera crescentes rendimentos e chances para todos os que se esforçam?”, perguntou Obama, defendendo o que chamou de “economia da classe média”.

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Para reverter a desigualdade, ele propôs elevar impostos sobre ganhos de capital dos mais ricos. Se aprovadas, as medidas vão gerar receita de US$ 320 bilhões em dez anos. Esses recursos seriam utilizados para financiar benefícios para a classe média e trabalhadores, entre os quais o aumento da oferta de creches e o acesso gratuito a faculdades comunitárias, medida que consumiria US$ 60 bilhões nos próximos dez anos.

Aumentos de impostos são rejeitados de maneira dogmática pelos republicanos, que veem a maior tributação como uma ameaça aos investimentos e à livre economia. Pesquisas de opinião, no entanto, mostram que a maioria dos americanos acredita que os mais ricos pagam menos impostos do que deveriam.

“O presidente transferiu aos republicanos o ônus de decidir sobre propostas que têm apelo popular”, disse Gabrielle Trebat, da consultoria McLarty Associates.

Jim Bourg / Reuters – Sede do Congresso americano, o Capitólio recebe Obama para o discurso sobre o Estado da União de 2015

Obama terá mais facilidade em obter dos republicanos a autorização para os ataques contra o Estado Islâmico. Apesar de sustentar que as operações são legais, Obama cedeu aos argumentos dos que defendem a necessidade de uma lei específica para a operação.

Segundo ele, as ações contra o grupo extremista conseguiram conter seu avanço na Síria e no Iraque, mesmo sem a mobilização de tropas americanas terrestres. “Nós estamos apoiando uma oposição moderada na Síria que pode nos ajudar nesse esforço, e ajudando pessoas em todos os lugares que podem se opor à ideologia falida do extremismo”, disse Obama.

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As ações da Rússia na Ucrânia foram alvo das principais críticas do discurso de Obama. “Hoje é a América que está forte e unida com nossos aliados, enquanto a Rússia está isolada, com sua economia em frangalhos.”

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14 comentários

  1. OBAMA, OBAMA, OH OBAMA

    Ele dá algumas no cravo e ídem na ferradura. Se por um lado reata com a ilha e quer taxar fortunas, por outra pede licença para assassinar mais velhos, crianças, mulheres e pobre indefesos em geral. Político americano é tudo igual, o importante é a América e só a América! Argh…

  2. Me poupe

    Quando tinha maioria no congresso ele não propôs essa taxação.

    Agora com minoria ele tenta aprovar?

    Com quase oito anos de mandato e o aumento da riqueza dos mais ricos, ele propõe a desconcentração?

    • É isto ……………….

      Assis, não precisamos ser analistas politicos para ver o que vc expõe com muita propriedade.

      Ele, o Nobel da Paz, foi indicado para fazer exatamente o que fez ao longo de seu mandato que felizmente está terminando.

      Nada do que prometeu cumpriu, e ao fim de seu mandato, com a perda da maioria do Congresso, vem com esta conversa mole de que está preocupado –  que irá taxar grandes fortunas –  que irá implantar o Obama Care – que irá votar leis que irão beneficiar imigrantes – que reatará as relações com Cuba, enfim é tanta lorota, que só os inocentes uteis acreditam !!

      Eu, vc e vários outros, ainda bem que estamos vacinados !!!!!!!!!!!!!!! 

  3. A esquerda radical tem razão?

    Internacional

    Encruzilhada do capital

    Financial Times: a extrema-esquerda está certa

    Como nos anos 1930, algum tipo de ruptura é inevitável e se não for para a esquerda, pode ser na direção do fascismo ou do fundamentalismopor Antonio Luiz M. C. Costa — publicado 25/11/2014 11:15, última modificação 26/11/2014 12:25    AFP PHOTO/BEN STANSALL

    Loja da Starbucks pichada após manifestação de estudantes em Londres no último dia 19 de novembro

    Quando um editor e colunista de primeira linha de um jornal financeiro mundialmente respeitado dá razão à extrema-esquerda, é hora de parar, ler e pensar. Referimo-nos a Wolfgang Münchau, editor associado do Financial Times, no qual mantém uma coluna semanal sobre a economia europeia. O título desta, na edição do domingo, 23 de novembro foi: “a esquerda radical está certa sobre a dívida europeia”.

    Refere-se, em especial, ao partido espanhol Podemos, ao grego Syriza e ao alemão Die Linke (“A Esquerda”), as duas primeiras formações novas criadas a partir de núcleos de origem no trotskismo e no movimento “antiglobalização” e o terceiro um descendente direto do Partido Comunista da antiga Alemanha Oriental. E explica: o consenso internacional dos analistas econômicos, não necessariamente de esquerda, é que a Zona do Euro precisa de reestruturação da dívida e investimentos no setor público, mas partidos como esses são os únicos nos quais se pode votar para defender esse programa. Social-democratas e socialistas, uma vez no governo, aceitaram a agenda conservadora de Angela Merkel em todos os seus pontos essenciais.

    A coluna analisa com mais detalhe o Podemos, o mais jovem desses partidos e “o que chega mais perto de oferecer um enfoque consistente para uma política econômica pós-crise”. O programa exposto pelo economista Nacho Álvarez, um dos membros da cúpula do partido, baseia-se em renegociação das taxas de juros, períodos de graça, reescalonamento e anulação parcial da dívida, à maneira de alguns países sul-americanos. Ao contrário do “Movimento 5 Estrelas italiano”, cujo objetivo declarado é tirar o país do euro, o Podemos “não é a favor de sair do euro, nem de fazer mais sacrifícios por ele”.

     

    Encontro do Podemos, partido político recém-criado na Espanha, realizado em Madri no último dia 15 de novembro

     

    Para Münchau, é uma posição equilibrada, por mais que se queira tachá-la de bolivariana. “A tragédia da Zona do Euro é o senso de resignação com que os partidos do centro-esquerda e centro-direita estão deixando a Europa deslizar para o equivalente econômico de um inverno nuclear. É uma tragédia particular que partidos da ultra-esquerda sejam os únicos a apoiar políticas sensatas como a reestruturação da dívida”.

    No atual estado de coisas, o absurdo está em pensar que a dívida é sustentável e o problema se resolverá por si só, como se fosse possível ignorar que o continente caminha para uma longa estagnação que, mais cedo ou mais tarde, tornará impossível cumprir esses compromissos financeiros e pode levar à desintegração política e econômica.

    A começar dos anos 1980, se não desde o maio de 1968, tornou-se uma obsessão por parte dos agentes do poder financeiro e político não permitir que movimentos políticos e sociais proponham alternativas reais sem serem ridicularizados. Qualquer tentativa de mudar o mundo deve ser percebida como fantasia ociosa. TINA, “There is no alternative”, era o lema favorito de Margaret Thatcher e desde então o consenso dominante da mídia e da política não fazem mais do que repeti-lo em diferentes formulações.

    Acontece que o rumo ao qual conduz o pensamento único no qual se embutiu a ideia de que os interesses do sistema financeiro são supremos e sagrados começa a se tornar visivelmente inviável. É evidentemente insustentável a longo prazo por razões ecológicas, mas antes disso cai na pura impossibilidade de contábil e política de pagar as dívidas públicas e privadas e poupar as instituições financeiras das consequências de seus próprios erros, enquanto se mantém uma grande parte da população desempregada e ameaçada de perder suas moradias e os serviços sociais dos quais depende para sobreviver com dignidade. Como nos anos 1930, algum tipo de ruptura é inevitável e se não for para a esquerda, pode ser na direção do fascismo ou do fundamentalismo
    .

     

  4. É PIADA …É PIADA…..

     

    Discurso do BARACK OBAMA falando da economia de ‘MARTE’:

     

    “Vamos aceitar uma Economia em que só uns poucos se dão excepcionalmente bem?”
    — Obama

    Agora estamos esperando que ele conte uma de papagaio…..KKKKKKKK

  5. É simbólico e parece pouco.

    É simbólico e parece pouco. No entanto, pode alimentar uma pressão social pela aprovação de mais tributação aos mais ricos em favor da classe média.

    No Brasil, a Dilma deveria fazer a mesma coisa e jogar no colo do Congresso a responsabilidade de taxar os ganhos na Bolsa, o envio de lucros ao exterior e as grandes fortunas para bancar o ajuste do Levy.

    Infelizmente, nem isso faz. Em vez disso, veta a correção da tabela do IR e aumenta tributos para gregos e troianos.

     

  6. Obama, em Washington,
    Obama, em Washington, contraria o neoliberal consenso de Washington. Ha, ha, ha… tucanos cortando os pulsos em 4,3,2,1… Alguns deles certamente dirão “Preto filho da puta” ou “Negro quando não caga na entrada, caga na saída” complementando “Veja bem, não somos racistas, mas que Obama agiu como um negro ele agiu.”

  7. Temos que considerar o

    Temos que considerar o presidente Obama, com a própria objetividade do cargo econômico, identificado com os eleitores.

    Aqui no Brasil, o ideal é dos ministros da área econômica escolhendo o sofrimento dos eleitores para fazer valer sua atividade perniciosa – a culpa do estilo é de Dilma…

    O jeito neoliberal de governar pelos ministros. ao contrário, permite obliterar tudo.

  8. E, agora? Os vira-latas do

    E, agora? Os vira-latas do brazil vão ser a favor dos programas sociais do nosso governo, ou só serão a favor dos do obama? Gente doida! Vira-lata não desgruda de miami.

  9. obma sabe que os republicanos

    obma sabe que os republicanos não aprovarão aumento de

    impostos.

    problemas deles, acha obama.

    mas tem certeza  que,como armamentistas de carteirinha,

    aprovarão a matança dos “terroristas” islamicos.

  10. Agora, Obama, aos 48 minutos

    Agora, Obama, aos 48 minutos do segundo tempo, nos acréscimos? É claro que ele só vai ter autorização para atacar os novos inimigos da América, o “saco de bondades” é só para demarcar território.

    É aquele negócio, deixar bem claro que os democratas são bonzinhos para o público interno. Para o externo é pau no lombo!

  11. Obama na contramão….

    Exatamente o contrário da Holanda….E olha que lá é welfare state….

     

    Holanda corta serviços sociais e os transfere aos municípios

    O atendimento a idosos e dependentes passa a ser uma ‘obrigação’ familiar

    Depois de quase meio século de funcionamento intensivo, o Estado de bem-estar social muda de nome na Holanda e passa a chamar-se “sociedade participativa”. A medida envolve cortes orçamentários e grandes mudanças para a população. 

    http://brasil.elpais.com/brasil/2015/01/02/internacional/1420225232_142101.html

  12. + comentários

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