Para entender didaticamente a crise da dívida nos EUA

(Fonte: portal RT em espanhol: http://actualidad.rt.com/economia/view/108024-deuda-eeuu-techo-claves-ec…, tradução Ricardo Cavalcanti-Schiel)

A dívida dos Estados Unidos alcança o teto: as 5 chaves

À medida em que o governo dos Estados Unidos se aproxima da data limite para aumentar seu teto de endividamento, os especialistas esclarecem as chaves para entender a origem da dívida da primeira economia do mundo.

Publicado em: 10 out 2013 | 19:52 GMT Última atualização: 12 out 2013 | 3:47 GMT

O presidente dos EUA, Barack Obama recusou uma proposta dos republicanos de estender a capacidade de endividamento do país por seis semanas, uma vez que que ela não inclui a retomada do funcionamento do governo.

O especialista financeiro Chris Weafer, socio da Macro-Advisory.com, põe os pingos nos “is” sobre a dívida dos EUA, nos seus comentários para Business RT.

1. O que é exatamente o “teto da dívida”?

O teto da dívida dos EUA existe há quase um século e estabelece a quantidade máxima de dinheiro que os EUA podem tomar emprestado legalmente. Em 1917 o país introduziu o limite da dívida. Desde 1960 o Congresso elevou o teto da dívida 78 vezes.

2. Quem é o dono da dívida dos EUA?

Ainda que a China, o Japão e outros países tenham quantidades substanciais, são realmente os EUA os que possuem a maior parte da sua própria dívida.

Segundo os dados de 2012 do Escritório de Analise Econômica dos EUA (Bureau of Economic Analysis, BEA), entre os países estrangeiros, os maiores possuidores da dívida do país são:

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1. China (20,4%)
2. Japão (20,2%)
3. Reino Unido (12,4%)
4. Países exportadores de petróleo (5%)
5. Brasil (4,1%)
6. Centros bancários do Caribe (3,6%)
7. Hong Kong (3,2%)  
8. Canadá (3,1%)  
9. Taiwan (3%)  
10. Rússia (2,4%)

(*) Valores expressos sobre o total de títulos em mãos de credores extrangeiros, e não do montante total da dívida (N.T.)

 

 3. Para quê se empresta dinheiro aos EUA?

Nos Estados Unidos, conhecido como país de “grandes gastos”, tanto os indivíduos quanto o governo habitualmente gastam mais do que ganham. “Como acontece com qualquer pessoa normal, a solução é: ou cortar o gasto ou pedir empréstimos para fechar o buraco”, comentou Weafer.

Em 2012, 22% do gasto público total se destinou à proteção social (ajuda a pobres e desempregados), enquanto 21% se destinou à saúde, já que os estadunidenses mais pobres não podem pagar um seguro médico privado. A terceira maior parte dos gastos é a da Defesa, que alcança 19%, e que nas últimas décadas aumentou significativamente, principalmente devido às custosas guerras no Iraque, Afganistão e em outras regiões.

A chamada “guerra contra o terror” também contribuiu em grande medida à carga de dívida, já que o Departamento de Segurança Nacional, criado depois do ataque de setembro de 2001, custou aos contribuintes mais de 800 bilhões de dólares.

A crise econômica de 2008 também contribuiu para a carga de dívida. Além de centenas de bilhões de dólares destinados ao resgate dos bancos em quebra de Wall Street, que acumularam empréstimos tóxicos em demasia, o governo dos EUA também destinou grandes quantias a programas sociais vitais para ajudar desempregados, cujo número cresceu em consequência da crise. Os cortes fiscais da era Bush para as grandes empresas e a redução cada vez maior da renda média aumentaram a dívida.

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4. Por que não é suficiente imprimir mais dólares e pagar a dívida?

Nenhuma economia no mundo pode se limitar simplesmente a fazer funcionar suas máquinas de impressão e criar tanto dinheiro quanto quiser, já que isso converteria sua moeda numa moeda sem valor. “Se a quantidade de moeda em questão não está sensivelmente relacionada à solidez da economia, então os sócios comerciais estrangeiros […] desvalorizarão a moeda rapidamente”, explica Weafer.

Sob o sistema financeiro de Bretton Woods, estabelecido em 1944, a quantidade de moeda em circulação estava relacionada com as reservas de ouro. No entanto, em 1971 os Estados Unidos abandonaram esse sistema e começaram a incluir uma série de outros fatores econômicos, sobre a base de uma capacidade reconhecida de pagar a dívida, evitar a inflação e manter o comércio em ordem com o resto do mundo.

5. Como uma moratória dos EUA afetaria o mundo?

Se EUA declara moratória o sistema financeiro mundial “começará a se congelar”, diz Weafer. “A economia dos EUA se encaminharia para a recessão e a economia global se veria rapidamente afetada”, explicou. Uma moratória prolongada dos EUA daria lugar à perda de empregos em todas as partes e a condições de financiamento muito mais duras para empresas e pessoas.

“Um curto período de moratória também poderia ter um efeito negativo, já que danificaria a confiança no sistema financeiro mundial. Os banqueiros e investidores reconheceriam que uma solução a curto prazo nos EUA significaria apenas uma pausa antes da repetição da situação em 2014. A cautela resultante tornaria a vida muito mais difícil para todos nós”, resumiu.

2 comentários

  1. Crise da dívida EUA

    Há uma contradição flagrante nos dados da dívida nas mãos do Brasil e do Reino Unido. Basta dar uma olhada: os percentuais da lista inicial e compará-los com os do gráfico colorido. Na lista, o Reino Unido deteria cerca de 3 vezes mais em títulos dos EUA do que o Brasil. No gráfico, a cor referente ao nosso país informa percentual de 1,5 e na cor arbitrada para o Reino Unido o percentual é de 1. 

    Talvez haja mais equívocos. De cara, esse deu para perceber. 

    De qualquer maneira, é bom ver uma explicação minimamente didática para o problema. 

    Foi uma tentativa válida. Se bem que acho que teria de ser bem melhor para alcançar o objetivo proposto. 

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