A esquerda europeia não entende o que passa na Europa, por Rogerio Maestri

A esquerda europeia não entende o que passa na Europa

por Rogerio Maestri

Se no Brasil a esquerda continua perdida quando não apoia simplesmente Lula e começa a imaginar fantásticas soluções intermediárias que só levarão a derrota, a esquerda europeia ainda está pior.

A crise política e econômica criada na África, intervenções militares europeias, como as da Líbia e da Síria, tratados de livre comércio que inviabilizam o desenvolvimento africano e até o domínio da moeda de nações africanas pela França, são todos fatores que instabilizam o continente e produzem uma imigração de massa para a Europa.

Se no lugar da esquerda europeia ficar brigando contra a repressão da imigração africana na Europa ela estivesse lutando contra os reais fatos que criam esta imigração de massa, pelo menos uma luz estaria se vendo no fundo do túnel.

Governos ditos de esquerda, a maioria partidos de esquerda pequeno burguesa, que para não perder a segurança do Euro e dos auxílios governamentais que são pagos por uma moeda que tem o único benefício de ser estável, não se lançam numa atitude verdadeiramente revolucionária, que seria o rompimento com toda a banca internacional representada magistralmente pelo Euro e seus gestores.

Como ficam sem o mínimo programa real de luta, começam a centralizar toda esta luta contra os sintomas da doença e não contra ela propriamente dita. O sintoma desta doença é a rejeição violenta aos movimentos migratórios que são capturados por movimentos neofascistas.

A xenofobia europeia e os discursos de intolerância a imigração, como por exemplo é o discurso da Liga na Itália, que ao mesmo tempo são liberais e incentivadores de políticas que geram esta imigração desenfreada e desordenada, é alimentado por um país em que o desemprego aberto é de 19,9% e que atinge diretamente a população jovem que quando consegue emprego ganha 60% a menos do que os mais velhos e sindicalizados.

Esta disparidade entre gerações cria uma aparente ruptura nas classes operárias italianas. De um lado um proletariado, sindicalizado, velho e aliado a antigas forças de esquerda que levaram o país a 50 anos de prosperidade ininterrupto tanto salarial como em direitos sociais, de outro lado um bando de jovens desempregados (bando é o melhor nome para eles), que não tem a mínima possibilidade de atingir um emprego no mínimo igual aos seus pais, e desorientados sem uma voz que os conduzem caem no discurso fascista da Liga.

Movimentos ditos populistas como o cinco estrelas, um nome especial para desqualifica-los, quer romper com a esta superestrutura criada pelo Imperialismo Internacional que na Europa é bem representada pela política do Euro, se tivesse um apoio de uma esquerda marxista real seria conduzido para soluções do problema rompendo não só com o Euro mas com a organização criminosa que é a OTAN.

Porém a esquerda Europeia, em especial a italiana, que dá apoio a uma falsa ideia que o Mercado Comum Europeu chefiado não pelos povos europeus, mas sim pelas grandes corporações, se atém a uma falsa ideia de que o internacionalismo liberal imperialista bem representado por este mercado, possa levar a uma união entre os povos europeus.

Em resumo, ou a esquerda europeia rompe com o internacionalismo liberal imperialista, ou simplesmente este seguirá na sua trajetória de demolição de todo o estado de bem estar criado nos cinquenta anos do pós guerra, ou ela que será extinta para a alegria das forças fascistas.

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4 comentários

  1. A esquerda europeia não entende o que passa na Europa

    -> Se no Brasil a esquerda continua perdida quando não apoia simplesmente Lula

    a Esquerda brasileira não entende o que se passa no Brasil.

    por isto, as pessoas minimamente informadas precisam imediatamente abandonarem sua ilusões.

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    • Arkx, declara logo qual é o teu candidato ou mesmo qual…….

      Arkx, declara logo qual é o teu candidato ou mesmo qual a tua posição política, no lugar de ficar simplesmente aborrecendo os outros.

      O assunto do post é o que ocorre na Europa, logo vai catar coquinhos.

      • A esquerda europeia não entende o que passa na Europa

        és um exemplo magistral de como o transtorno do Lulismo pode sequelar mesmo mentes brilhantes.

        quem sou eu para importunar sua ilusão: “Bom Dia, Boa Tarde, Boa Noite, Presidente Lula!”.

        Triplo A: a nova ameaça à soberania brasileira na Amazônia

        No Dia Mundial do Meio Ambiente, o Brasil se viu diante de uma proposta do presidente da Colômbia para criar um “corredor ecológico” que iria dos Andes ao Atlântico, passando pela Amazônia. Segundo o professor Rogério Maestri, porém, as preocupações supostamente ambientais do projeto podem esconder interesses estrangeiros bem mais perversos. 

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  2. Existem muitas Europas e

    Existem muitas Europas e muitas esquerdas nessas diversas Europas, talvez a única coisa que as unifique seja um sentimento de nostalgia de um mundo que se perdeu mas ao qual ela se agarra como um naufrago que tenta resistir as cruas e duras realidades do capitalismo atual, e isso mesmo na Disneylândia social que em comparação com todo o resto do mundo são as Europas, todas elas. Warren Buffett com aquela crueza cristalina dos norte-americanos afirmou: “Há uma luta de classes. Fomos nós que a começamos e a minha classe está vencendo”.

    O inimigo a ser vencido não era nem só o comunismo soviético ou as heroicas experiências pelo desenvolvimento nas economias periféricas, não, o principal inimigo a ser vencido era o grande acordo social e a economia do Estado de Bem Estar Social Democrático do Pós-Guerra. Os neoliberais “austríacos”, “de chicago” e suas crias espalhadas por centenas de universidade e Think Tanks sonhavam e desejavam uma vingança e uma recompensa por tantos anos de ostracismo e dedicação a causa de um capitalismo sem peias e nem controles. O monstro corporativo e financeiro queria romper as correntes que o atava a exigências sociais e econômicas nacionais e autárquicas, ele tinha um mundo a conquistar e não queriam saber de respeitar antigos acordos, antigos sócios, queria isso sim impor novas condições a classe trabalhadora, neutralizar os sindicatos e controlar os quase sempre “compráveis” representantes dos diversos partidos das esquerdas sociais democratas e socialistas.

    O resto é tudo que conhecemos uma zona do euro que entregou juros hipotecários mais baixos e padrões de consumo mais homogêneos e mais generalizados entre os diferentes países, mas a custa de mais desigualdade social e de mais precariedade laboral, desindustrialização, com um regime fiscal cada vez mais generoso e compreensivo com o monstro corporativo, com seus paraísos fiscais e seus esquemas de “engenharia fiscal” (evasão e sonegação de impostos).

    O drama do PSOE é mais ou menos o mesmo de outros partidos sociais democratas e socialistas da Europa que foi a perda de identidade com seu eleitorado histórico (de esquerda) e sua antiga base social (a classe trabalhadora tradicional e sua representação sindical).  A opção no início dos anos 90 pela chamada “terceira via” e as transformações históricas que se iniciaram estão, portanto, na raiz desse problema.

    Passados duas décadas de “portas giratórias e confortáveis posições no Estado e nas corporações” esses partidos passaram a ser visto aos olhos de seus próprios eleitores como representantes de uma ordem com as quais eles já não só não se identificavam ou que não eram mais capazes de diferenciar os governos socialistas ou sociais democratas dos governos dos partidos da direita liberal e conservadora. Isso produziu um clima que cindiu o eleitorado e a classe trabalhadora cada vez mais “precarizada” e empobrecida pelos recortes sociais, pelo desemprego e pela diminuição da renda entre novas opções “anti-establishment” seja à esquerda seja paradoxalmente à direita. (os paralelos entre as primeiras décadas do século XX e o século XXI são evidentes)

    No entanto as opções “anti-establishment” de esquerda na prática tentam quando muito refazer o velho trajeto e resgatar as velhas bandeiras da esquerda socialista e social democrática, como no rejuvenescido e mais ainda rapidamente envelhecido Podemos na Espanha, ou o Syrisa na Grécia, ou mesmo a mistura entre velhas caras (Corbyn) e novas caras (Owen Jones) no trabalhismo inglês ou dos democratas de esquerda de Bernie Sanders nos Estados Unidos. Mas até agora nenhuma dessas forças políticas conseguiu ousar ou mesmo botar a cabeça para fora frente a um poder por hora insuperável, o bom e velho capitalismo pronto para o próximo combate depois que conseguiu sobreviver e sair revivido do primeiro grande desafio no século passado.

     

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