Alemanha vendeu 130 toneladas de agentes químicos para regime de Assad

Jornal GGN – Durante cinco anos, o governo alemão vendeu cerca de 130 toneladas de agentes químicos para o regime de Bashar al-Assad, na Síria. O comércio dos agentes, que poderiam ser usados para a construção das chamadas “armas químicas”, começou a partir do último mandato de Gerhard Schroeder (2002-2005) e continuou ao longo do primeiro governo de Angela Merkel. As informações foram confirmadas na quarta-feira (18) pelo próprio governo da Alemanha.

Ainda segundo dados do governo alemão, foram enviadas à Síria, entre 2002 e 2003, 40 toneladas de material químico. Já entre 2005-2006, o volume enviado chegou a 97 toneladas. Entre os agentes químicos envolvidos nos acordos comerciais dos dois países estavam fluoreto de hidrogênio, fluoreto de amônia e fluoreto de sódio, além de cianeto de potássio e de sódio preparado. Esses compostos são usados para fins civis e militares.

A gestão de Angela Merkel argumentou que o regime de Assad garantira, anos atrás, que os produtos seriam usados com fins civis e não militares, o que, na prática, significa fabricação de armas. No caso de uso civil, o Ministério da Economia alemão permite o comércio.

O regime de Bashar al-Assad é suspeito de ter comandado um ataque químico recente contra civis. Os números do próprio governo como de outras organizações divergem, mas há suspeitas de que 1.500 pessoas – entre elas várias crianças – tenham perdido a vida. Outras 5.000 pessoas ficaram feridas, segundo estimativas da oposição síria.

O governo sírio nega que tenha sido o autor do ataque, e acusa grupos rebeldes de serem os verdadeiros responsáveis pelo ataque, como forma de justificar uma intervenção no país. Em janeiro, o portal Infowars revelou que uma empresa de defesa britânica havia recebido uma proposta do Qatar para realizar um ataque químico contra civis, com apoio dos EUA, para legitimar uma ocupação militar no país. A intervenção chegou a ser cogitada pelos EUA, mas a crise internacional gerada com a perspectiva de guerra levou o governo Obama a recuar. Na quarta-feira, o regime de Assad prometeu se livrar das armas químicas que possui.

Com informações do Publico.es

4 comentários

  1. Não fossem os EUA, (e

    Não fossem os EUA, (e subserviência do governo FHC), brasileiro poderia ter barrado uso de gás sarin por Damasco

    DAWISSON BELÉM LOPES MARIO SCHETTINO VALENTE ESPECIAL PARA A FOLHA

    Um relatório da ONU atestou o possível uso de armas químicas contra a população síria, em 21 de agosto. Segundo o documento, as provas são “esmagadoras”.

    Curiosamente, mais de uma década atrás, as alavancas para evitar essa tragédia estiveram nas mãos de um diplomata brasileiro: José Maurício Bustani, que, entre 1997 e 2002, dirigiu a Opaq (Organização para a Proibição de Armas Químicas).

    A Opaq foi criada com o objetivo de eliminar depósitos de armamentos químicos e destruir todas as usinas para sua produção. Diferentemente do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, o acordo constitutivo da Opaq é simétrico e impõe obrigações idênticas para todos os seus estados-membros.

    Assim, países como Estados Unidos, Rússia e China, signatários do tratado, têm que se submeter a inspeções regulares, bem como à erradicação do arsenal químico.

    Desde sua criação, em 1997, a organização comandada por Bustani passou a inspecionar seus membros, poderosos ou não, e exigir cumprimento de metas. A expectativa era de que a Opaq conseguisse eliminar todas as armas químicas até, no máximo, 2012.

    A estimativa parecia razoável no início dos anos 2000, pois, sob a liderança de Bustani, a organização passou de 87 para 145 membros, incluindo países como Irã, Arábia Saudita e Paquistão. Além disso, destruiu aproximadamente 15% dos estoques de armas e 2/3 dos locais de produção de armamentos químicos em todo o planeta.

    Contudo, quando buscava convencer o ditador Saddam Hussein a promover a entrada do Iraque na Opaq, submeter o país às inspeções e evitar o iminente conflito com Washington, Bustani passou a sofrer achincalhes sistemáticos dos EUA.

    A Casa Branca temia que a tentativa da Opaq de investigar Saddam atrapalhasse o plano de invasão do Iraque, pois a constatação pública de que não existiam armas químicas no território iraquiano retiraria um importante argumento de legitimidade.

    O golpe de misericórdia em Bustani ocorreu em abril de 2002, quando 48 membros da Opaq decidiram por sua demissão. Alegou-se descontrole financeiro na administração. Nos bastidores, sabia-se que a razão era outra.

    A diplomacia americana, sob a batuta do subsecretário do Departamento de Estado John Bolton, ameaçava abandonar a Opaq, o que reduziria muito sua relevância.

    À época, prevaleceu no Itamaraty o entendimento de que faltou disposição ao governo FHC para fazer frente à campanha de descrédito movida pelos EUA.

    DAWISSON BELÉM LOPES é professor de Política Internacional e Comparada na UFMG e autor de “A ONU entre o Passado e o Futuro” (Appris, 2012)

    MARIO SCHETTINO VALENTE é mestrando em Ciência Política na UFMG

     

  2. …….  esta explicado o

    …….  esta explicado o motivo exclusivo da nao interrupçao das guerras pelo planeta terra:  a industria belica é a primeira no ranking do PIB dos paises desenvolvidos.   e duvido q nao tenha gerado comissoes para os protagonistas.

     

     

  3. Organofosforados – Se é Bayer ou IG Farben – É bom

      Quem descobriu o sarin em 1938: IG Farben, para que ?

       Substituir um defensivo agricola ainda bastante usado e conhecido: Malathion

       Quais empresas e de que país forneceram os mesmos compostos para o Saddam Hussein ?

        Alemanha e suas industrias quimicas.

        Qual a justificativa de Saddam e de Assad, e outros menos “famosos”, para adquirirem estes compostos duais (civis e/ou militares): aumentar a produção agricola ( como se Iraque e Siria necessitassem de tantos defensivos agricolas, para suas “imensas” areas agricultaveis).

         É verdade, alemães, ingleses, americanos, TODOS são de uma credulidade a toda prova, ingenuos ao máximo, não são hipócritas – apenas governos e empresas de boa – fé ( só rindo ), ditadores é que são malvados e enganadores.

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