Condições de novo resgate à Grécia seriam as mesmas

 

A Grécia pode pedir um terceiro programa de resgate à União Europeia após expirar o atual nesta terça-feira (30). As condições dos credores para emprestar dinheiro aos gregos seriam semelhantes, segundo fontes consultadas pela Agência Lusa.

Amanhã (30), termina a extensão do atual programa de resgate da Grécia, depois do Eurogrupo não ter aceitado um novo adiamento. O governo de Alexis Tsipras decidiu levar a referendo a última proposta dos credores, questionando os eleitores gregos se aceitam as condições das instituições europeias e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Com o fim do programa e sem acordo quanto às reformas a serem executadas pela Grécia, fontes disseram que estão encerradas “todas as facilidades associadas”, ou seja, a possibilidade de Atenas receber a última parcela do programa de resgate, de 7,2 bilhões de euros, dos 10 bilhões de euros do fundo de capitalização e dos dividendos que o Banco Central Europeu fez com a dívida pública grega.

A maneira para receber ajuda financeira dos credores oficiais, disseram as mesmas fontes, é o governo da Grécia pedir um novo programa de assistência financeira, a que se associam – como nos anteriores – a condicionalidades por parte dos credores para emprestar dinheiro. No entanto, esse novo pacote de ajuda financeira seria baseado “em linhas gerais” na proposta atual dos credores.

As últimas exigências dos credores para liberarem dinheiro para Atenas incluem, por exemplo, mudanças no imposto cobrado em produtos e serviços, alterações nas regras das pensões, o fim gradual das reformas antecipadas e o aumento da idade para aposentadoria.

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O tema das pensões foi o que mais criou tensão entre os credores e Atenas. Hoje (29), em Bruxelas, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, garantiu que os credores nunca pediram cortes nas pensões.

O problema neste caso está basicamente no chamado Ekas, benefício pago a pensionistas, que os credores não consideram uma pensão de reforma porque não depende completamente dos descontos feitos. Elese querem que o governo grego acabe com o Ekas uma vez que o consideram “a maior distorção” do sistema de pensões grego.

Caso Atenas peça um novo pacote de ajuda financeira – o que deverá acontecer se o sim vencer na consulta popular de domingo (5) – ainda é difícil avaliar quanto tempo demoraria até esse novo programa entrar em vigor. Isso dependeria das negociações com os credores quanto às medidas a serem executadas em troca do dinheiro a receber e também de alguns procedimentos, como a aprovação desse terceiro resgate em alguns parlamentos nacionais.

Nas negociações entre Atenas e os credores, outro ponto divergente é a elevada dívida pública grega. Ela representa 180% do Produto Interno Bruto, quase o dobro da riqueza produzida pela Grécia e para a qual o governo, com base política garantida praticamente pelo partido de esquerda Syriza, tem reivindicado algum tipo de reestruturação.

Fontes da Agência Lusa disseram que os credores informaram ao governo grego que estariam disponíveis para discutir um alívio, mas só a partir da negociação de um novo resgate ao país.

8 comentários

    • Sim, mas depois.

      Apostar nisso, mas só depois que o Euro abandonar a Grécia, senão os BRICS sustentarão os bancos europeus. Com um PIB superior ao da UE, os BRICS podem suprir boa parte  das necessidades da Grécia sem interferir em sua soberania. Mais mercados para todos.

    • Mesmo se já opera-se

        Não seria possivel um “socorro financeiro” a Grécia, sequer um “ponte” ( bridge loan ) para o FMI e BCE, pois em seus estatutos, o Banco Brics ( Novo Banco de Desenvolvimento ), em seu “fundo de contigência” – colchão desegurança de reservas -, mesmo que estabelecido, ainda não integralizado, de US$ 100 Bilhões, não pode ser destinado a socorrer fuga de reservas de paises “não membros”, alem do que, um dos principais BRICS, a China, declarou que: “O problema da Grécia, deve ser resolvido pelos europeus, antes que atinja outros paises “.

  1. “Resgate” é mesmo o termo

    “Resgate” é mesmo o termo adequado para a chantagem e criminalidade financeira. A Grécia tenta se livrar do sequestro a que foi submetida, mas tá difícil. Pobre berço da civilização ocidental, como reza o clichê sobre a velha Hélade. Esse é o preço (o “resgate”) a pagar por isso.

  2. Política x economia

    Fico impressionado como o Tsipras é o simétrico oposto e perfeito da Dilma!

    Tsipras negociou durante seis meses em absoluta transparência, não se rendeu, e agora, quando é hora de fazer valer a política contra os burocratas obtusos da economia europeia, ele convoca o povo a lutar a seu lado.

    Dilma silenciou durante seis meses, evitou qualquer negociação e qualquer transparência, rendeu-se ao que havia de pior, mais tacanho e mais predatório no campo das ideias que, de forma alguma, era aquele no qual ela foi eleita. Ela não só foi incapaz de convocar como impossibilitou qualquer veleidade de mobilização das organizações populares, traiu-as e seguiu só e cega, desprezando a política e acreditando fanaticamente apenas na gestão.

    Ambos podem cair, é verdade. Mas se Tsipras cai, o que ele deixa é um horizonte aberto, claro e prometedor para a política. Quando a Dilma cair, sucederá a ela apenas o silêncio das trevas que ela mesma cultivou.

    Não por casualidade é mais sensato usar o condicional “se” para o Tsipras e o temporal “quando” para a Dilma.

     

    • é isso ai.

      Ricardo, disse tudo! Concordo com voce.Tsipras e maravilhoso( só acho que errou ao dizer que se ganhar o sim ele sai do governo). Dilma é incrivelmente ruim como politica. 10 a zero.

  3. Alvos e boi de piranha

       Claro que o “grexit “, se consumado, seria um abalo imediato na UE e no Euro, MAS como a economia grega representa para a “Zona do Euro” pouca relevancia, e os bancos europeus ( out grecia ) possuem mecanismos validos para suportar tal desencaixe, não será uma crise longa, e dividendos politicos expressivos estão no “alvo”, tanto do BCE, como da Comissão Européia, os quais já elaboraram há tempos um “colchão de liquidez ” para suportar esta crise.

        Quais dividendos ? Tanto o BCE/FMI/UE, pressionam a Grécia e o Syriza, para mostrar a Espanha, Itália e Portugal, que independente do governo de turno ao qual estes paises, e seus povos elegeram, aos credores pouco importa, pois os acordos anteriores e vigentes, teem que ser cumpridos a risca, portanto “derrubar” o Syriza na Grécia, é até mais importante do que receber dos gregos os empréstimos concedidos – os quais um dia eles irão pagar, como ocorre com a Argentina, mesmo com deságio e ações de secundario -, portanto a visão européia setentrional é mandar um “aviso” a outros paises em situação semelhante a grega, como a Espanha do PODEMOS.

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