Escândalo derruba arquiteto da reforma da Previdência na França

Os pedidos pela demissão de Jean-Paul Delevoye se multiplicaram desde a revelação pela imprensa, de que ele havia omitido informar ao governo de que acumulava 13 contratos de consultor.

Jean-Paul Delevoye, arquiteto do projeto de reforma da Previdência, pediu demissão nesta segunda-feira 16 de dezembro de 2019. REUTERS/Benoit Tessier

da RFI

Escândalo derruba arquiteto da reforma da Previdência na França

Os pedidos pela demissão de Jean-Paul Delevoye se multiplicaram desde a revelação pela imprensa, no último final de semana, de que ele havia omitido informar ao governo de que acumulava 13 contratos de consultor. Alguns desses trabalhos eram remunerados, o que é incompatível com o cargo no governo. Ele é acusado de conflitos de interesse.

Inicialmente, Delevoye recebeu o apoio do primeiro-ministro Edouard Philippe, mas acabou caindo diante da pressão da oposição. O presidente Emmanuel Macron aceitou o pedido de demissão, mas lamentou a saída do Alto Comissário. O governo francês informou que Jean-Paul Delevoye será substituído o mais rápido possível.

Correndo contra o relógio

É verdade que o governo tem pressa. O executivo espera relançar as negociações com os sindicatos sobre a reforma da aposentadoria ainda esta semana, para tentar pôr fim à greve que paralisa os transportes do país há 12 dias.

A maioria dos sindicatos considerava que Jean-Paul Delevoye havia perdido sua credibilidade como negociador. Em entrevista à RFI nesta segunda-feira, Philippe Martinez, secretário-geral da Central Geral dos Trabalhadores (CGT), havia pedido a renúncia do arquiteto da reforma. O governo não podia deixar a polêmica continuar e correr o riscos de aumentar as chances de um bloqueio do país durante as festas de fim de ano.

Jean-Paul Delevoye foi nomeado em setembro de 2017 pelo presidente Emmanuel Macron para elaborar a reforma da Previdência. Durante dois anos, ele negociou com os sindicatos a criação de um sistema universal de aposentadoria por pontos, com o fim de 42 regimes especiais, que era uma promessa de campanha de Emmanuel Macron. Sua demissão fragiliza ainda mais a posição do governo que enfrenta dificuldades em convencer os franceses de que esta reforma é necessária e justa.

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