O Banco Espirito Santo e as raízes angolanas de seu problema

Jornal GGN – O Banco Espírito Santo (BES) está no centro das discussões. Suas ações despencaram na bolsa europeia e até mesmo a fusão da Oi com a Portugal Telecom foi prejudicada pelos problemas atravessados pela Rioforte, uma das empresas do Grupo. Em Portugal, foi levantado pela imprensa a possibilidade do banco vir a ser estatizado, teoria derrubada pelas autoridades monetárias, que dizem que o banco é privado e seus problemas devem ser resolvidos pelos acionistas. Divulgações recentes de irregularidades financeiras em empresas da família fundadora do banco vieram a público, desestabilizando ainda mais o BES, que é o maior banco listado de Portugal.

Na esteira dos acontecimentos, várias publicações procuram trazer novos elementos que tragam luz aos problemas enfrentados pelo BES. Em artigo na Folha, Mathias de Alencastro, doutor em política e pesquisador na Oxford, traz sua contribuição, colocando na pauta as relações do banco com Angola, antiga colônia portuguesa e, aparentemente, fonte da saúde mantida até agora e responsável pelo suporte que permitiu ao BES manter suas metas. Mas, a que preço? Leia o artigo a seguir.

da Folha

Opinião: As raízes angolanas da crise bancária portuguesa

MATHIAS DE ALENCASTRO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O Banco Espírito Santo, segundo maior banco de Portugal, fez as manchetes dos jornais nesta semana. Uma briga pelo comando do banco provocou o pânico nos acionistas, fazendo disparar os títulos e contaminar os mercados. Mas a mais recente crise de um banco europeu tem um protagonista inusitado: Angola.

Sobre pressão para satisfazer as exigências do memorando de entendimento celebrado com a Troika da Comissão Européia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional em 2011, Portugal caiu nos braços da sua antiga colônia, tornada independente em 1975. A sua tão propalada “geração perdida” providenciou um exército de homens para a gigantesca tarefa de reconstruir o país depois de quase quatro décadas de guerra sem interrupção.

As empresas portuguesas encontraram em Angola os parceiros ideais para sobreviver ao tempo de vacas magras na Europa. O Banco Espírito Santo, por exemplo preferiu a aliança com a “nomenklatura” do petróleo angolana à tutelagem do Estado português. A sua subsidiária no país, o Banco Espírito Santo Angola, que conta com empresas de altos membros do Estado angolano como acionistas minoritárias, consumiu mais de € 2 bilhões dos € 6 bilhões da carteira de empréstimos do banco.

Três meses depois da conclusão do memorando, parece claro que Angola ofereceu um colchão financeiro sem o qual Portugal nunca teria conseguido cumprir as suas metas. Mas a crise no Banco Espírito Santo mostra que esse pacto tem os seus riscos associados. Ao envolverem-se com Angola, as empresas portuguesas comprometeram a sua reputação. Nesta semana, a opacidade dos empréstimos do Banco Espírito Santo em Angola capturou a atenção da imprensa financeira internacional.

No ano passado, a OCDE sublinhava num relatório a forte ligação entre Portugal e vários países com problemas de corrupção, e apontava para os riscos que isso trazia para o estado de direito. Também no ano passado, num ato tão humilhante como simbólico, Rui Machete, o ministro das Relações Exteriores português, pedia desculpa a Angola pelos processos que correm em Portugal contra altos representantes do seu Estado. Esse episódio, como o do caso Banco Espírito Santo, sugerem que, afinal, o envolvimento com Angola, que até agora parecia ser um bom negócio, pode acabar saindo caro para Portugal.

Mathias de Alencastro é doutor em política e pesquisador do St Antony’s College, na Universidade Oxford.

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5 comentários

  1. Tempos tenebrósos esses,o

    Tempos tenebrósos esses,o sujeito é doutor em política e pesquisador de uma aparentemente,bem conseituada universidade internacional e a única coisa que apresentou no artigo foi racismo e preconceito tipico de um skinhead.Porque o doutor não orientou o santo banco a fazer negócios com os alemães?Com certeza a santa reputação lusa estaria intacta,lacrada e lizinha.Saravá!

  2. “Sobre pressão para

    “Sobre pressão para satisfazer as exigências do memorando de entendimento celebrado com a Troika da Comissão Européia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional em 2011, Portugal caiu nos braços da sua antiga colônia, tornada independente em 1975.”

    Se esta matéria não estiver transcrita erradamente, parece que o articulista Mathias de Alencastro se equivocou quanto ao uso da preposição “sob”, trocando-a pela preposição “sobre” (“sobre pressão…” na matéria transcrita), pois parece que quis informar que Portugal encontrava-se submetido (donde o mais correto é o uso da preposição “sob”) à pressão exercida pela Troika. Este não é um equívoco incomum, mas pode abalar a credibilidade do articulista, que pode parecer despreparado para tratar de um assunto ainda tão obscuro. Ainda mais quando aponta Angola, país africano e antiga colônia de Portugal como culpado, pelo menos em parte, pela falência do BES.

  3. Sobre e sob

    Caro William 2.

    Você esta totalmente correto quanto ao uso da preposição. Só reparei depois que o texto foi publicado. Lamento o engano.

     

    • Caro Mathias.
      Agradeço a

      Caro Mathias.

      Agradeço a gentileza por responder. Valeu a explicação. São coisas que acontecem com todos nós que escrevemos.

  4. Suicidios

    Em blogs conspiratórios ,estão dizendo que está começado a desvendar-se o estranho suícidio de banqueiros do mercado,entonce quer dizer que vem mais bancos e instituiçoes financeiras insolventes por ai ?

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