Operação Militar Especial Russa na Ucrânia – dia 34, por Andrei Saker

Segundo Saker, “as guerras na Bósnia e na Chechênia abriram meus olhos para a verdadeira natureza do Império"

Agência Xinhua

Operação Militar Especial Russa na Ucrânia – dia 34, por Andrei Saker

por Marcus Atalla

Esta é uma tradução do artigo escrito por Andrei Saker, publicado dia 30 de março, em seu site The Saker.

Quem é Andrei Saker

Andrei Raevsky, ou como é conhecido Andrei Saker. Nascido em Zurique, Suíça, prestou serviço militar no setor de guerra eletrônica em 1984, mais tarde, foi transferido para o serviço de inteligência Militar (UNA), como especialista em idiomas, onde trabalhou com a Força Aérea Suíça. Formou-se em relações internacionais na School of International Service na American University. Mestre em Estudos Estratégicos pela Paul H. Nitze School for Advanced International Studies pela Universida Johns Hopkins da America.

Tornou-se consultor civil para o Serviço de Inteligência Estratégica da Suíça (SND), onde escrevia análises estratégicas, principalmente sobre os militares soviéticos/russos. Trabalhou como especialista em “operações inimigas” para o treinamento no nível operacional do Estado-Maior das forças armadas suíças. Atuou no Instituto das Nações Unidas para a Pesquisa sobre Desarmamento (UNIDIR), onde se especializou em táticas e operações de manutenção da paz. Seu último trabalho na UNIDIR foi sobre operações psicológicas e inteligência em manutenção da paz. [aqui].

Segundo Saker, “as guerras na Bósnia e na Chechênia abriram meus olhos para a verdadeira natureza do Império. Como eu achava estar vivendo em uma democracia, dei minha opinião sobre esses assuntos e logo acabei sendo visto com desconfiança pelos meus ex-chefes”.

Saiu da ONU e assumiu um cargo no Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), após deixar o cargo, descobriu estar na lista negra de seus ex-chefes, classificado como um “elemento perigoso” e não confiável. Abandonou a carreira de especialista militar e mudou-se para os EUA, onde criou seu blog The Saker, como uma forma de terapia.

Foto de Andrei Raevsky, O Saker

OMS russo na Ucrânia – Dia 34

Muitas coisas boas para compartilhar com vocês hoje. Então vamos começar

Primeiro, os mal-entendidos resultantes de uma política de informação pública absolutamente terrível que explica a realidade do que está sendo negociado entre a Ucrânia e a Rússia resultou em um enorme “NIET!” da opinião pública russa. Há um ditado russo “нет худа без добра” que pode ser traduzido como: “mesmo uma situação ruim pode ter um lado bom”, neste caso, a pressão verdadeiramente tremenda colocada sobre o Kremlin resultou em muito controle de danos que, por sua vez, fortaleceu a posição daqueles que querem levar esta guerra até o fim e enfraqueceu aqueles que sonham com algum tipo de Minsk 3.0.

Em segundo lugar, o General Shamanov, ex-comandante da operação na Chechênia, herói da Rússia e membro da Duma (parlamento russo), anunciou que as forças especiais russas conseguiram arrebatar com sucesso os dois soldados ukronazi que se filmaram torturando prisioneiros russos. Sim, isso é apenas dois entre muitos milhares, mas isso ainda envia uma mensagem assustadora para os nazistas.

Nota do tradutor: A imprensa corporativa não toca no assunto, pois não querem criar comoção em favor dos russos, precisam mantê-los como vilões. Porém, têm surgido vídeos, supostamente gravados por batalhões ucranianos, que os estão enviando as redes sociais, de soldados russos capturados sendo torturados e executados. Pelo menos parte desses vídeos estão sendo considerados verdadeiros, pois os executados estão sendo reconhecidos por suas famílias na Rússia. O que tem gerado muita comoção e aumento do apoio da opinião pública russa no conflito com a Ucrânia.

Saker continua:

Os russos também mostraram publicamente as fotos e o nome do Ukronazi que enfiou uma baioneta em um olho do prisioneiro de guerra russo para matá-lo. Aqui quero lembrar a todos que os russos acabaram matando quase todos os terroristas Wahabi que governaram a Chechênia durante a guerra civil. Agora está claro que os russos executarão sumariamente qualquer nazista que encontrarem, a menos que apresentem interesse público, caso em que enviarão suas forças especiais para capturá-los e julgá-los à Eichmann (Membro da SS nazista, capturado pela Mossad e julgado em Jerusalém, 1961).

Finalmente, alguns serão simplesmente executados onde forem encontrados. De qualquer forma, a mensagem aqui é clara: “não vamos esquecer ou perdoar, estamos indo atrás de você”. Se Deus quiser, esta mensagem salvará as vidas e os membros do prisioneiro de guerra russo atualmente mantido em cativeiro nazista.

Em terceiro, Scott Ritter escreveu um bom artigo explicando a natureza básica da Operação Militar Especial (SMO) que você pode ler aqui: https://mobile.twitter.com/realscottritter/status/1508816667098423296

Em quarto, mapas. Aqui estão dois mapas mostrando exatamente a mesma coisa:

Lembra do “gesto de boa vontade” russo? A ideia era que a Rússia diminuísse drasticamente suas atividades de combate em torno de Kiev e Chernigov?

Ok, agora leia Ritter acima e, por favor, entenda que a Rússia não tinha intenção de ocupar nenhuma das cidades ou, pelo menos, nenhuma intenção de tomar a cidade realizando combates de rua a rua.

Ambos Kiev e Chernikov estão bloqueadas, mas os corredores de evacuação são abertos regularmente, todos os serviços públicos funcionam e, além das alucinações dos Ukies sobre grupos russos de reconhecimento e desvio por toda a cidade, resultando em inúmeros casos de forças de segurança Ukies atirando uns nos outros, nenhum russo deve ser encontrado dentro dessas cidades. Na verdade, o objetivo dos russos não é tomar Kiev ou Chernigov, mas apenas impedir que as forças ucranianas usem essas cidades para reabastecer, rotacionar, reforçar ou apoiar outras forças nazistas. Quais? Chegaremos a isso em um segundo.

Aqui está o segundo mapa que eu gostaria que você desse uma olhada:

Este mapa mostra a mesma área, mas de uma perspectiva mais ampla. O mais importante aqui é que Mariupol foi tomada agora, pelo menos do ponto de vista puramente militar. Ainda há uma operação de “limpeza” em andamento dentro e ao redor das instalações industriais de Azovstal, mas esta operação é executada pela Guarda Nacional Russa e não pelos militares. Então olhe para o 2º mapa. O que você verá é que as forças do norte e do sul estão agora se movendo para cercar a grande força Ukronazi, que já foi caldeirizada (cercada e isolada) em um caldeirão ainda maior.

Assim traduzido do diplomata para o inglês simples “reduziremos drasticamente nossas operações militares em torno de Kiev e Chernigov como um sinal de boa vontade”, seria: “estamos liberando uma grande força para acabar com os militares ucranianos no Donbass”.

Felizmente, essa explicação tranquilizará aqueles que presumiram que os russos estariam oferecendo um cessar-fogo. Não era. Foi APENAS uma REDUÇÃO das atividades militares em torno de duas cidades que os russos nunca planejaram invadir em primeiro lugar.

Você pode se perguntar o que os Eurolemmings (referência ao jogo Lemmings) estão fazendo hoje em dia. Simples! Eles ainda estão travando uma batalha gloriosa e heroica contra a letra “Z”: “Samsung abandona a letra ‘Z’ após pedido da Ucrânia”. Isso só me faz pensar no que essas crianças cheias de ódio virão a seguir…

Contextualização do Tradutor: Os soldados russos estão escrevendo a letra Z em seus veículos e tanques, para que a aviação russa não os confunda com veículos ucranianos. A Alemanha e outros países estão proibindo o símbolo Z, para que suas populações não usem a letra como forma de apoio à Rússia. Porém, isso fez com que o Z se tornasse um símbolo nacionalista para os russos. Putin agradece, pois, ganhou um símbolo que está se vinculando a si.

A hiena da Europa cheira a sangue

Quanto aos nossos amigos “polacos”, eles acabaram de tornar a “russofobia em algo mainstream”. Que surpresa! Quem poderia ter pensado nisso… Eles também estão planejando atacar, desculpe, libertar o oeste da Ucrânia assim que isso parecer uma coisa segura a se fazer, com risco mínimo e pompa máxima.

Eles irão fazer isso? Tudo depende de uma coisa: o Kremlin será capaz de convencê-los de que a Rússia está falando sério e que, se necessário, os Iskanders (*) também podem ser desembarcados do outro lado da fronteira polonesa-ucraniana.

(*) Iskander é um sistema móvel de mísseis balísticos de curto alcance produzido e implantado pelos militares russos.

Quando olho para aberrações como Morawiecki, Duda ou Sksipchak, constato que, digamos, a “versão mais extrema” de um jardim da infância cheio de ódio que vejo na maioria das capitais europeias. O fato de tais pessoas esperarem que alguém as trate com respeito sincero, absolutamente me surpreende.

Ok, é isso de mim por agora. Até mais, se Deus quiser 🙂

Andrei

Marcus Atalla – Graduação em Imagem e Som – UFSCAR, graduação em Direito – USF. Especialização em Jornalismo – FDA, especialização em Jornalismo Investigativo – FMU

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected].

Leia também:

As digitais dos EUA no Brasil e na Ucrânia, por Marcus Atalla

Sanções atingem Rússia, mas nem tanto, por Marcus Atalla

O embate é entre o Norte e o Sul Global, por Marcus Atalla

2 Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Os russos não professam o credo de Alexander Hamilton. Em contrário, às vezes até parecem ingênuos em acreditarem em acordos. Mas têm dois mil anos de tradição de sofrimentos, especialmente os últimos 500, e, uma montanha de mísseis e bombas nucleares pra “brincar” com bandidos de qualquer origem.

  2. @José de Almeida Bispo – O Jornalista Pepe Escobar, contou uma vez, ainda no governo Trump, que os russos diziam que não se pode fazer acordo com os americanos, pois eles não respeitam nenhum deles. E que negociar com o Trump era o mesmo que jogar xadrez com uma pomba: “o pássaro faz algazarra, espalha todas as peças para fora da mesa, caga no tabuleiro todo, depois sai voando e ainda grita que ganhou o jogo”. Achei essa metáfora fantástica. hehehe

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Seja um apoiador