Diário da Peste 23

Meu tio Antônio de Oliveira Ribeiro, carinhosamente chamado de Tonico, faleceu na noite de 13 de abril de 2016 provavelmente vítima da pandemia. Ele era o último filho vivo do meu avô Trajano e nasceu em Eldorado, cidade em que o vagabundo Jair Bolsonaro morou na infância.

Não posso ir ao enterro do meu tio. Não posso ver, uma última vez, o rosto alegre do homem bom em cuja casa brinquei muito quando era criança. Não posso rever e consolar meus primos. Para Bolsonaro tio Tonico é apenas mais um velho morto. Para mim ele será uma perda inestimável.

Segundo informações, tio Tonico estava sendo tratado com o remédio fabricado por Donald Trump e propagandeado no Brasil pela familícia Bolsonaro. Anote aí senhor Ministro da Saúde: a cloroquina não salvou a vida do meu tio. Duvido muito que aquele veneno possa salvar alguém.

Um dos filhos do meu tio Tonico tem asma. Ivan é alguns anos mais velho do que eu (deve ter 59 ou 60 anos). Estamos todos preocupados com o que pode ocorrer com ele.

Desculpe-me pelo tom melancólico. A peste atingiu minha família e agora a tragédia é pessoal.

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