Diário da Peste 30


Ontem um casal de rolinhas começou a namorar na sacada do meu apartamento. Fiquei curioso. Eles olharam para mim e voaram para uma árvore próxima e recomeçaram o namoro certos de que não poderiam ser vistos ou incomodados.

Meu ombro voltou a doer bastante. O incômodo é grande, mas sei que não posso ir ao médico.

Esta noite tive um sonho diferente. As pessoas falavam em inglês. O ambiente era claramente diplomático.

“Do you want to see a trick I learned to screw the American security guy? – I say to my companion. She says yes.

I take the white handkerchief out of my tuxedo pocket and draw an open shirt collar, not a tie. I place the handkerchief with the design over the tie and close the jacket.

Upon entering the banquet, the security guard at the dimly lit concierge puts his hand on my chest. You can’t come in, because you’re not wearing a tie.

Yes, I can, I reply by turning on my heels and taking the handkerchief drawn from my chest and stuffing it in my pocket without the security guard seeing it. The security guard is embarrassed and apologizes.

I say that this is not enough, I want his name because I will demand action against him. My female escort smiles and tells me not to be mean.”

TRADUÇÃO:

“Você quer ver um truque que eu aprendi para sacanear os seguranças americanos? – digo a minha acompanhante. Ela responde que sim.

Eu pego o lenço branco do bolso smoking e desenho uma gola de camisa aberta, não gravata. Coloco o lenço com o desenho por cima da gravata e fecho o paletó.

Ao entrar no banquete o segurança da portaria mal iluminada coloca a mão no meu peito. O senhor não pode entrar, pois não está de gravata.

Posso sim, respondo girando nos calcanhares e tirando o lenço desenhado do peito e enfiando-o no bolso sem o segurança ver. O segurança fica sem graça e pede desculpas.

Eu digo que isso não basta, quero o nome dele pois vou exigir providencias contra ele. Minha acompanhante feminina sorri e diz para eu não ser malvado.”

O resto do sonho em inglês contarei em português mesmo.

A festa é animada e casual, mas os diplomatas norte-americanos estão tramando maldades. Eles querem saber quem é o penetra. O penetra sou eu.

Um diplomata junior me oferece uma taça de champanhe sorrindo. Você não deveria estar aqui, ele diz. Eu retribuo o sorriso e faço de conta que não entendi. Pergunto a ele onde está aquela vadia da Yvanka Trump.

Meu interlocutor fica horrorizado. Excuse me, você não pode falar assim da filha do presidente americano.

Posso sim. Ontem a tarde, na White House, aquela vadia prometeu me pagar 2 milhões de dólares se eu a deixasse imitar Monica Lewinsky fazendo de conta que eu era Bill Clinton. Ivanka fica muito excitada quando trai o marido e viola sexualmente o tabernáculo do poder presidencial do pai dela. Procure Ivanka e você verá que o vestido dela está manchado. Mas eu ainda não recebi o preço combinado.

Ok, motherfucker. Now you have crossed the hot red line.

Fuck you, mano. Esse sonho é meu e aqui você é apenas um coadjuvante. O gringo desapareceu no momento em que eu acordei.

Hoje fui novamente ao escritório. Nenhuma novidade. Os processos dos meus clientes estão parados. As contas devem ser pagas. Felizmente estou em condições de tocar a vida mesmo sem auferir qualquer renda.

Comprei carne. Estou bem abastecido de frutas. A vida segue lenta. Mas a pandemia avança velozmente. As pessoas já começaram a ser enterradas de noite.

Os coveiros nunca foram tão requisitados. E no entento as pessoas estão voltando a ocupar as ruas acreditando que a pandemia é apenas uma gripezinha. Bolsonaro conseguiu tirar muita gente da toca. Da rua para a última maloca num cemitério a distância é bem pequena.

Ao tomar banho lembrei de algo relevante. O sabão sólido que nos usamos [e que mata o COVID-19] foi inventado pelos árabes mulçumanos.

Allahu Akbar, seu motherfucker… Você está salvando as vidas dos evanjegues que odeiam o Corão e que gostariam de enfiar o Brasil na guerra dos EUA contra o Irã. Parem de usar sabão islâmico impuro, seus evanjegues infiéis… Hoje estou irado.

PS: Na verdade eu não tive nenhum sonho erótico com a filha de Donald Trump. No sonho eu tinha consciência de que estava contando uma mentira apenas para sacanear o diplomata júnior americano.

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