Do Kozure ao Kuzuri, o plágio à moda gringa

Grandes coisas geralmente tem pequenos começos. Nada poderia ser mais verdadeiro do que essa afirmação no caso dos dois filmes que decidi rever hoje.

“O andarilho do rio Sanzu”, filme de 1972 do diretor Kenji Misumi inspirado no mangá criado em 1970 por Kazuo Koike e Goseki Kojima, apresentou o mundo o vilão que usava uma garra de aço. Dois anos depois, em 1974, um anti-herói seria introduzido no panteão das HQs norte-americanas.

Inspirado no vilão de “O andarilho do rio Sanzu”, Wolwerini faria carreira nas HQs até ganhar uma versão cinematográfica em 2000: “X-Men: o filme”. Vários sucessos de bilheteria depois, Wolwerini retorna ao Japão no filme “Wolwerini: imortal” de 2013.

O personagem de HQ nasceu inspirado num inimigo de Ogami Itto. Quatro décadas depois, Wolwerini estraçalha vilões japoneses como se fosse o Kozure Ôkami do filme de Kenji Misumi.

No filme de 2013 Wolwerini é chamado de Kuzuri. Esse é nome japonês do carcaju (glutão, wolvereni em inglês). Kuzuri é foneticamente semelhante ao apelido do personagem de “O andarilho do rio Sanzu”. Mas o significado de Kozure (aquele que leva o filho a um casamento) é muito diferente.

É óbvio que no Japão as pessoas conhecem a verdadeira origem do Wolwerini. No Brasil, porém, a esmagadora maioria dos admiradores desse personagem provavelmente acreditam que ele foi um fruto legítimo da superioridade criativa dos norte-americanos e não um produto do “jeitinho gringo” de se apropriar do trabalho alheio.

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