Projeção e Justiça na era do Ser Supremo


Desde tempos imemoriais os juristas se esforçam para impedir que a Justiça seja identificada com a Vingança. A maneira mais simples encontrada para pacificar a sociedade foi impedir a vendetta (a auto tutela) e fazer com que todo conflito seja julgado de acordo com uma norma pré existente por pessoas que não participaram da disputa.

Impessoalidade do julgamento, imparcialidade do julgador. O juiz nunca deve projetar seus sentimentos no caso que julga ou na pessoa que está sendo julgada. Caso contrário ele se transforma num instrumento de vingança criando novos conflitos ao invés de pacificar a sociedade.

A projeção é “a operação de expulsar os sentimentos ou desejos individuais considerados totalmente inaceitáveis, ou muito vergonhosos, obscenos e perigosos, atribuindo-os a outra pessoa.”
https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Proje%C3%A7%C3%A3o_(psicologia)

“Projective identification may be used as a type of defense, a means of communicating, a primitive form of relationship, or a route to psychological change; used for ridding the self of unwanted parts or for controlling the other’s body and mind.”
https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Identifica%C3%A7%C3%A3o_projetiva

TRADUÇÃO:

“A identificação projetiva pode ser usada como um tipo de defesa, um meio de comunicação, uma forma primitiva de relacionamento ou um caminho para a mudança psicológica; [também pode ser] utilizada para livrar o eu de partes indesejadas ou para controlar o corpo e a mente do outro.”

Ao aceitar o Ministério da Justiça, Sérgio Moro confirmou que tinha interesse no resultado da eleição cujo resultado ele mesmo ajudou a produzir ao condenar Lula. Adepto da seletividade penal, ao proferir a sentença no caso do Triplex o então juiz da 13a. Vara Federal de Curitiba ignorou as regras de competência, desprezou as provas que apoiavam a tese da defesa, atribuiu uma valor exagerado à acusação jornalística sacada contra o réu, interpretou a norma penal de maneira elástica e violou deliberadamente sua própria obrigação de se considerar suspeito para julgar o ex-presidente petista.

“Um petista faria comigo o que eu fiz com Lula. Ele merece ser tratado como me trataria.” Transferência e identificação projetiva. Ambas emergem da condenação que Sérgio Moro impôs à Lula para interferir na eleição e obter para si o prêmio que desejava (o Ministério da Justiça e/ou uma vaga no STF).

Empossado Ministro, Sérgio Moro começou a gravar as conversas com Jair Bolsonaro e a guardar as mensagens trocadas com o presidente. Essas são as provas que ele pretende usar para abreviar a carreira do mito e amplificar suas próprias chances de se auto-promover.

Do ponto de vista jurídico, as provas que Sérgio Moro coletou tem um valor ambíguo. Elas podem comprovar os crimes que o próprio Ministro da Justiça cometeu. Como não foram coletadas mediante autorização judicial, elas podem ser consideradas ilícitas em relação à Jair Bolsonaro.

“Um juiz não faria comigo o que eu fiz com Lula. Eu mereço ser tratado como trataria outro juiz.” Transferência e identificação projetiva. O ex-ministro da Justiça parece acreditar que nenhum membro do Judiciário poderá julgar o conflito entre ele e Jair Bolsonaro aplicando o Direito ao invés da seletividade penal que foi empregada no caso do Triplex.

Ao coletar provas Sérgio Moro julgou a si mesmo e a Jair Bolsonaro de maneira distinta. Ele já havia feito algo semelhante ao julgar Lula. Como todo justiceiro, Moro parece acreditar que é insuspeito para julgar sua própria conduta. As outras pessoas tem o dever de respeitar as conclusões a que ele chegou. Ninguém pode julga-lo de maneira diferente.

Ao que parece, no imaginário do ex-ministro do mito “Direito, Justiça e Sérgio Moro” são uma coisa só. Essa sagrada trindade secular que emergiu da Lava Jato e que quer se consolidar durante o conflito entre Moro e Bolsonaro confirma uma hipótese levantar por mim. Sérgio Moro é ou pretende ser o avatar de um Ser Supremo https://jornalggn.com.br/artigos/de-operacao-policial-a-ser-supremo-nacional-uma-radiografia-da-lava-jato/.

O processo iniciado no STF contra a dupla Bolsonaro/Moro será a última oportunidade para o Brasil desfazer o encanto e destruir o mecanismo de transferência e identificação projetiva que foi empregado para transformar Sérgio Moro na única instituição legitima brasileira. Caso contrário, ele conseguirá derrubar dois presidentes e se tornar objeto de um culto da personalidade semelhante ao que possibilitou a Stalin, Mao Tsé-Tung, Pol Pot, Hitler e Nicolae Ceauşescu cometerem crimes inenarráveis.

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