Um vira-lata eldoradense latindo em Brasília

Aqui mesmo no GGN fiz algumas considerações sobre a conduta de Jair Bolsonaro https://jornalggn.com.br/artigos/coronavirus-na-infestacao-por-fabio-de-oliveira-ribeiro/. Volto ao tema porque ontem o mito foi latir na frente do Forte Apache (é assim que os militares chamam a sede do Exército em Brasília). Alguns zumbis teleguiados dele fizeram manifestações semelhantes nas proximidades de quartéis.

O sonho democrático acabou? A ditadura militar está renascendo das cinzas? Nem não.

Bolsonaro age como se fosse um showman. Ele é encorajado a fazer isso pelos filhos. Mas o espetáculo dele é apenas uma distração. Bolsonaro está isolado e quer apenas criar a impressão de que detém um poder que de fato ele não controla.

O que o mito fez ontem foi mobilizar em seu próprio benefício um certo temor que a esquerda cultiva. Entretanto, a persistência da memória dolorosa do golpe de 1964 e da ditadura militar não deve paralisar ninguém.

A realidade que pode ser vista não é necessariamente aquela que Bolsonaro quis mostrar aos seus zumbis e adversários. Os militares ficaram tranquilamente nos Quartéis. Nenhum tanque foi colocado na rua. Os mísseis modernos adquiridos na era Lula/Dilma não foram disparados contra o Congresso Nacional. O prédio do STF está intacto e será protegido pela Força Aérea.

Bolsonaro fez o que sabe fazer melhor: latir. Ele espera que seus latidos causem a dor de uma mordida que ele de fato não está em condições de dar.

No mais, a conduta dele me fez recordar um episódio que ocorreu em Eldorado SP quando eu tinha uns 6 ou 7 anos de idade. Na esquina da rua onde minha família morava tinha um vira-lata carrancudo que avançava rosnando e amedrontada as crianças. O dono dele fazia questão de deixar o portão aberto para o animal entrar e sair do quintal quando bem entendesse.

Eu nunca passava por ali quando ia para Escola e dela retornava. O cão dominava a esquina, mas ele não costumava se arriscar longe dela.

Certa feita aquele cachorro mordeu a perna da mulher de um sitiante que retornava para a casa. Horas depois o marido dela passou por mim com o revólver na cintura. Ele parou na esquina. Quando o cachorro saiu latindo o caboclo meteu um tiro na cara do animal que caiu morto instantaneamente.

O sitiante meteu o revólver na cintura e aguardou o dono do cachorro vir tomar satisfações. A criançada toda ali pertinho dele vendo o espetáculo e aguardando seu desfecho. Quando meu vizinho saiu rosnando o caboclo disse calmamente.

– Matei seu cachorro, sim senhor. Matei e matava de novo, porque ele mordeu minha mulher doente quando ela retornava para casa depois de consulta no Hospital. E se o senhor quiser satisfação pegue logo sua arma que não vou matar um homem desarmado.

O dono do cachorro voltou para dentro da casa dele e lá se trancou. O caboclo com a arma na cintura. Alguns minutos depois ele foi embora calmamente. O cachorro ficou ali estendido o chão. Fiquei com vontade de chuta-lo, mas não fiz isso não. Ele já estava morto, mortinho. A esquina havia sido finalmente libertada daquele vira-lata infernal.

Rodrigo Maia tem a arma do Impeachment e pode dispara-la na fuça de Bolsonaro hoje mesmo. Se não fizer isso, o mito continuará latindo como aquele cachorro eldoradense até que um caboclo qualquer resolva dar um fim nele. 

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