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Uma tirania que jogou o Brasil no fundo do poço

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Ontem Jair Bolsonaro e seu filho Eduardo Bolsonaro foram à Embaixada dos EUA comemorar a independência dos EUA. Ambos fizeram uma vergonhosa demonstração de submissão às autoridades norte-americanas. Quem eles verdadeira acreditam representar? O Brasil ou os interesses norte-americanos em nosso país?

A atitude vergonhosa dos Bolsonaro não causa estranhamento. De fato, isolados dentro e fora do Brasil a familícia parece acreditar que conseguirá ficar no poder com apoio da Casa Branca.

Séculos antes de Cristo, Aristóteles disse algo extremamente relevante sobre os tiranos atuais.

“A gravidade e a franqueza desagradam-lhes. Querem ter este privilégio sozinhos. Quem quer que use delas parece disputar com eles sua preeminência e seu despotismo. Tais pessoas são-lhes odiosas, como se atentassem contra a tirania. Admitem em suas mesas os estrangeiros de preferência aos cidadãos, encarando estes como inimigos e aqueles como indiferentes e, portanto, só concedem a eles o acesso à sua pessoa.” (Política, Aristóteles, p. 168, livro na íntegra on-line https://farofafilosofica.com/2017/05/03/aristoteles/)

A atualidade da mensagem do filósofo grego me parece ainda mais evidente se levarmos em conta uma cena do filme “300”. Nela o diplomata persa exige que Esparta faça uma oferenda de “terra e água” para evitar sua aniquilação demonstrando submissão ao rei dos reis persa. Interpretada como uma ofensa capital, o pedido é rejeitado de maneira violenta.

https://www.youtube.com/watch?v=514IEcgz1Q8

Apesar de apoiados por um grupo de terroristas que se autodenominou “300”, os Bolsonaro foram à Embaixada dos EUA consolidar a entrega da oferenda de “terra e água” feita no exato momento em que o candidato do PSL bateu continência para a bandeira dos EUA. Sorridentes, os diplomatas norte-americanos aceitaram a demonstração de sujeição.

O fragmento da obra aristotélica se aplica tanto ao governante brasileiro quanto às autoridades dos EUA. Bolsonaro é um adulador que deseja ser adulado. Os diplomadas norte-americanos são especialistas em adulação, mas eles exigem muito mais do que isso.

Em troca de apoio real ou imaginário, os legados imperiais dos EUA exigem nada menos que tudo: submissão política, vassalagem militar, acesso irrestrito aos mercados estrangeiros, legitimação automática do imperialismo racista dos olhos azuis e, quando possível, a entrega total ou parcial do controle territorial (ou da riqueza mineral que existe no subsolo) à sanha extrativista dos capitalistas norte-americanos.

A visita dos Bolsonaro à Embaixada dos EUA pode ser considerada o ponto alto da destruição da política externa “ativa e altiva” cuidadosamente concebida e colocada em prática por Celso Amorim. Desde que assumiu o cargo, Ernesto Araujo o transformou o Itamaraty num puxadinho do Departamento do Estado dos EUA. Entretanto, o que é bom para os EUA quase sempre é ruim para o Brasil, como Donald Trump tem deixado claro a cada ato que ele pratica para causar danos à economia brasileira.

O Brasil não é Esparta. A realidade é muito pior do que a ficção. Comandado por um presidente adulador que prefere a companhia de estrangeiros à dos cidadãos brasileiros, nosso país foi uma vez mais atirado no fundo do poço.

Em troca do que nosso país estás sendo sacrificado? Da sensação vulgar que os Bolsonaro precisam alimentar de que, caso necessário, eles serão apoiados militarmente pelos tiranos norte-americanos. A legitimidade política que eles almejam não advém da soberania nacional e sim dos caças dos porta-aviões da IV Frota da US Navy?

Uma coisa é certa. Enquanto os Bolsonaro estiverem no poder não há qualquer perspectiva de recuperação da autonomia política, da soberania territorial e do orgulho nacional. Salve-se o Brasil. Nem que seja destruindo esse governo autoritário e subserviente à uma potência estrangeira imperialista decadente.

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