Acesso da classe C à “exclusividade de serviços” incomoda população rica brasileira

Do Jornal GGN – Uma pesquisa recente, batizada de “O Observador Brasil”, elaborada por uma das empresas do grupo BNP Paribas, apontou no primeiro trimestre deste ano que a classe média brasileira poupou menos em 2011 do que em 2010 – em média R$ 486 ao mês, no comparativo com os R$ 584 do ano anterior. 

A chamada classe C destinou, segundo o estudo, um valor inferior para a poupança, tendência apontada também nas classes D e E. Uma das razões para isso foi o aumento do consumo dessa parcela da população – em média, sobraram apenas R$ 246,83 no bolso dos brasileiros, ao final de cada mês.

Porém, na última semana, o dado levantou uma polêmica específica, alavancada pelo lançamento do iPhone 5C, da Apple, e caracterizado como “mais popular” pela fabricante de smartphones. Houve quem reclamasse formalmente que os produtos, antes inacessíveis a uma camada menos abastada, virariam “coisa de pobre”.

O que não condiz com a realidade do bolso nacional: R$ 1,3 mil não é um preço combativo para a maior parte da população brasileira. O movimento, aliás, lembra o alarde nas redes sociais quando alguns aplicativos IOS, como o Instagram, também foram lançados para Android – o que causou revolta em alguns usuários fieis.

Porém, muito mais do que a qualidade, a questão vai além: o status de tais ferramentas. Especialistas afirmam que classes mais altas andam incomodadas com esta “ascenção” emergente, com poder de compra e acesso a itens anteriormente classificados como “exclusivos”.

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A renda média das classes C e D aumentou em 50% entre 2010 e 2011. A dos mais pobres cresceu três vezes mais que a dos ricos nos últimos dez anos. E o movimento de democratização de alguns privilégios antes gozados apenas pelas classes A e B aumentou proporcionalmente. Patroa e empregada, segundo os analistas, hoje usam o mesmo perfume.

O crescimento desproporcional da renda coloca os mais ricos em situação mais desfavorável. Com a inflação dos serviços, dinheiro da classe A e B não comporta gastos como antes, dando a sensação de que saíram perdendo com as mudanças na economia. Seja numa loja, seja num avião – que também ficou possível para algumas camadas da população.

E entrevistas feitas pelo instituto Data Popular com o público nas ruas, de diferentes idades, deixaram claro esta espécie de “incômodo”com a popularização dos serviços e, principalmente, com o histórico orgulhoso do antigo classe C, que venceu obstáculos e mudou de patamar financeiro por meio de seu trabalho.

Outro dado interessante captado nas ruas: a aspiração deste “vencedor” não é a classe A, mas apenas ser incluído na lógica de exclusividade que esta tanto preza, deixando de ser um “modelo de comportamento” a quem sobe para ser apenas um par. Dentro deste perfil, o chamado “novo rico” brasileiro tem como pauta central a cultura do consumo e do espetáculo, ao contrário do europeu, que prefere o capital cultural, social e intelectual. Um traço de cultura copiado dos Estados Unidos e que está adquirindo formas bem nacionais.
 

As informações são do portal IG.

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