Golpe da pirâmide representa sempre prejuízo certo

 

Em poucos meses milhares de pessoas caíram no maior golpe financeiro que se tem notícia no país. O esquema de pirâmide da TelexFree amealhou centenas de milhares de pessoas, com famílias vendendo bens para aplicar no golpe. No ano passado, a empresa pode ter movimentado cerca de R$ 300 milhões e, caso a Polícia Federal não atue rapidamente, o golpe poderá chegar a US$ 1 bilhão.

O golpe perpetrado por esta empresa tem características próprias, utilizando-se de um modelo de marketing chamado “multinível”, que é legítimo e utilizado por muitas empresas respeitáveis. Assim cria-se um tipo de modelo porta-a-porta onde há espaço para dois tipos de vendedores: o comum, que recebe um percentual sobre sua venda; e o chefe de equipe, que é aquele que recebe pelo que vende e pelo que vendem seus seguidores.

O que torna esta empresa golpista é que a receita não é obtida com a venda final do produto, e o modelo não se sustenta. A remuneração é o pagamento de quem entra e a manutenção da rede depende do crescimento exponencial dos participantes, o que torna o negócio um golpe. No caso desta empresa, houve a junção de duas características da internet: a primeira é a venda de um produto que não existe fisicamente, ou seja, a possibilidade de fazer ligações de VOIP (telefone através da Internet) pela empresa TelexFree , e em colocar anúncios na Internet, vendendo serviços da TelexFree.

Na análise inicial já são evidenciados dois problemas. O primeiro é de que anúncios na Internet custam muito menos do que os US$ 20 oferecidos por eles e, o segundo, é o total descasamento entre o faturamento da empresa de VOIP e o volume de vendas de anúncios. Na teoria, o faturamento das assinaturas de VOIP deveria bancar o lucro dos vendedores. Acontece que hoje em dia, o VOIP é oferecido por outras empresas de grande porte, como Microsoft (Skype), Google e Facebook por valores mensais muito mais baixos. A conta Premium do Skype sai por algo em torno de US$ 5 dólares mês, enquanto a assinatura da TelexFree é de US$ 50 dólares mês. Assim, a empresa tem um produto que não compete neste mercado.

Aqui entra a segunda característica da internet utilizada por esta empresa, que é o grande poder de propagação de informações, para montar esquemas em várias partes do mundo, criando uma verdadeira rede de franquias.

Nos próximos dias o esquema deverá ser desmontado pois Ministério Público, Polícia Federal e outras entidades já estão se movimentando. Desbaratada a rede, os cidadãos incautos, que procuraram ganhos fáceis, são os que mais sofrerão, pois dificilmente receberão de volta aquilo que investiram.

 

GANHO FÁCIL

Chuva de dinheiro não existe

 

Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da ProTeste lembra que o consumidor pode perceber quando se depara com um golpe da pirâmide “quando ouve promessas de rentabilidade alta em pouco tempo”. Dinheiro fácil anunciado geralmente encobre um esquema e pessoas precisam analisar antes de cair numa armadilha deste tipo, “é preciso pensar nas consequências”, diz ela.

Para Maria Inês, quando se deparar com um golpe do tipo, o consumidor deve procurar a Polícia e oferecer denúncia, para que o problema não se agrave, e lembra que soluções para golpes deste tipo não estão previstas no Código de Defesa do Consumidor. Quanto a recuperar o dinheiro, a coordenadora da ProTeste lembra que é muito difícil, “então é preciso tomar muito cuidado, não entrar nessas promessas de ganho fácil”. Seu conselho é que “as pessoas precisam entender que esse caminho do ganho fácil tem um custo, geralmente alto, pois há um estelionatário envolvido”.

Ela aponta também para outro problema. Ao cair em uma armadilha deste tipo, a pessoa vai tentar levar parentes e amigos para que entrem no ‘negócio’, o que é preocupante, “pois se nem você sabe se vai dar certo ou não, trazer pessoas de suas relações pode piorar a situação”, diz. Mesmo com a certeza de que o Ministério Público e a Polícia Federal vão apurar, Maria Inês afirma que esse caminho não é fácil, “pois é demorado até que se chegue à origem”.

A coordenadora do ProTeste aconselha aos que se sentiram prejudicados, que reclamem, para que outras pessoas não caiam no mesmo golpe. Para os que procuram novos negócios, ela reafirma a necessidade de se, antes de qualquer passo, se desconfie, que busque informações sobre a empresa e o que está envolvido, que pesquise. “Não se entusiasme ou se envolva, e também à sua família, achando que vai ganhar dinheiro de forma rápida e fácil”, diz ela, “são as pegadinhas deste tipo que podem tomar proporções preocupantes”, conclui.

 

SERVIÇO

ENTENDA O GOLPE DA PIRÂMIDE

Os golpes com pirâmides são antigos e obedecem, quase sempre, à mesma lógica.

1. Escolhe-se um produto qualquer e monta-se uma primeira lista de supostos vendedores com 10 nomes. Como o trapaceiro está iniciando o processo, provavelmente os 9 primeiros nomes da lista são clientes fantasmas, criados por ele.

2. As dez pessoas que receberam a lista, pagam o bônus para o primeiro da lista. Depois, montam uma nova lista, na qual o primeiro nome é excluído e a pessoa coloca o seu próprio nome no 10o lugar.

3. A nova lista é vendida para novas dez pessoas que pagam o primeiro da lista e montam novas listas, incluindo seu nome no 10o lugar. E o nome de quem vendeu para elas no 9o lugar.

4. Portanto, a primeira pessoa a quem a lista foi vendida terá que esperar nove rodadas, antes de começar a receber o retorno.

5. Quando chega sua vez, os primeiros compradores conseguem ganhar bom dinheiro, à custa dos que entraram depois. Cria-se a fantasia de que todos ficarão ricos. Ocorre que o crescimento da pirâmide é insustentável. Chegará uma hora em que não haverá mais incautos para adquirir a pirâmide e ela quebrará, deixando grande parte dos usuários no prejuízo bravo. Estudos estatísticos estimam que, em cada pirâmide, 88% dos participantes perderão dinheiro.

 

 

Corrente

O golpe embutido no negócio da Pirâmide

Uma corrente na qual o membro do grupo precise vender para 10 pessoas, na 5a rodada exigirá 100 mil pessoas para não quebrar. Na 7a rodada, 10 milhões de pessoas. Na 10a rodada, 10 bilhões de pessoas.

Os golpes da pirâmide, ou corrente da felicidade, são antigos no Brasil. No caso de golpes, o produto ofertado pouco importava. A receita da corrente consistia no pagamento efetuado pelos novos aderentes aos que entraram primeiro.

Nos anos 60, houve uma corrente famosa com LPs de Johnny Mathis. E outra com sapatos Samello. Em 2006, a Irlanda foi vítima do golpe da pirâmide.

 

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