Greenpeace instala painéis solares em escritório de Manaus

Jornal GGN – Neste mês de agosto, o Greenpeace concluiu a instalação de 48 placas fotovoltaicas em seu escritório de Manaus (AM). Para um prédio de 25 funcionários, o sistema é relativamente grande: tem capacidade para gerar 11,52 kWp (Quilowatt-pico) – para se ter ideia, uma família de quatro pessoas precisa de cerca de 2 kWp.

A expectativa da organização é gerar de 1000 a 1200 kWh (Quilowatt-hora) por mês e tirar proveito da regra da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), a Resolução 482, de 2012, que prevê a microgeração de energia.

De acordo com Barbara Rubim, coordenadora da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil, a regulação da ANEEL viabiliza a instalação do sistema, pois garante descontos na conta de luz pelo excedente de produção. “Desde que essa regra saiu, a gente começou a planejar a instalação do sistema em Manaus. Nós somos um escritório, então, não tem consumo no final de semana. Sem a regulação, a energia gerada que não fosse consumida voltava para a rede de graça”, explica.

Com os descontos, o Greenpeace espera conseguir recuperar o investimento de R$ 120 mil no sistema. “O tempo de payback depende de cada Estado, que define qual vai ser a alíquota de ICMS a incidir sobre a conta de luz. Em Manaus serão 12 anos, pelos nossos cálculos. Em Minas Gerais, por exemplo, seriam oito a nove anos”, detalha Barbara.

Ela destaca, também, uma incoerência no cálculo da tributação, que prejudica o consumidor. “O ICMS entra na conta da energia consumida, mas não da energia produzida. Então, a eletricidade que você usa custa mais caro do que a que você devolve para a rede”, avisa.

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Ainda assim, ela afirma que o investimento não deve ser visto como um gasto. “Porque o dinheiro volta com o tempo”. De acordo com Barbara, o sistema tem vida útil de 30 anos. “Então, ele se paga e ainda continua garantindo economia por muitos anos”, diz.

Ela lembra que a maior dificuldade para o projeto sair do papel foi a demora na liberação pela alfândega de Manaus. “Os painéis vieram da China. Compramos em novembro de 2013. Eles chegaram em fevereiro deste ano, mas só foram entregues em julho”, conta.

Depois disso, a instalação foi rápida. “Como esse foi o primeiro sistema do Estado conectado à rede, tivemos uma consultoria que fez todo o desembaraço com a concessionária [Amazonas Energia] enquanto a liberação era feita na alfândega. O sistema é muito grande, mas a instalação levou apenas duas semanas”, afirma.

Barbara Rubim conta que a campanha do Greenpeace por energias renováveis já busca há dez anos fazer pressão no governo e conscientizar a população. “Se o Brasil não tivesse uma geração tão dependente das hidrelétricas, a crise atual teria menos impacto. Nós estamos aproveitando o ano eleitoral pra aprofundar essa discussão”.

O Greenpeace espera que seu exemplo incentive a população a adotar medidas de microgeração e que demonstre ao governo a importância de incentivar esse tipo de iniciativa.

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3 comentários

  1. O Greenpeace além do mais não

    O Greenpeace além do mais não gosta de pagar impostos.

    Já temos as igrejas e a mídia isentas de impostos.

  2. A energia solar é barata e

    A energia solar é barata e limpa , mas não está livre de impactos ambientais , como as outras fontes de energia. Milhares de pássaros são queimados , diariamente , em pleno vôo , pelas ondas de calor emitidas pelos espelhos das usinas. Há vários informes ecológicos norte americanos preocupantes , que mencionam tambem as abelhas , em Vegas , Nevada , etc …

  3. Paineis solares em Manaus

    Bela iniciativa, mas a conta não fecha. Alem do payback longo as baterias que precisam ser mantidas a uma temperatura de 25° e descargas de no maximo 60% tem vida util de 8 anos, fora dessas condicionamntes o prazo cai pela metade. Temos que investir em pesquisa em novas tecnologias. Ainda há muito que descobrir e evoluir.

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