Abril demite por queda nos resultados

Sindicato protesta contra demissões na Abril PDF Imprimir E-mail
01 de março de 2011

Entidade reuniu-se hoje com direção da empresa e expressou sua oposição a qualquer demissão

 

Em reunião com o Sindicato dos Jornalistas, na manhã desta quarta-feira, a Editora Abril comunicou sua decisão de demitir 32 jornalistas. Todos são da Unidade de Negócios 1, uma das divisões da empresa. Segundo a direção da Abril, a UN 1 teve uma queda nos resultados desde o segundo semestre de 2010, e isso teria motivado as demissões. A empresa afirmou que haverá o fechamento de 17 vagas, e, posteriormente, a contratação de jornalistas para reocupar 15 vagas.

As redações de Aventuras na História e Vida Simples serão desfeitas, e a empresa “está analisando” o que fará com os títulos. A Abril anunciou ainda que preparou medidas para os demitidos (como a prorrogação dos planos de saúde de dois a seis meses e o pagamento de gratificações, dependendo do tempo de casa), e disse que pretende chegar ao final do ano sem redução no número total de jornalistas.
Ao ouvir isso, o Sindicato dos Jornalistas manifestou sua oposição contra qualquer demissão. Argumentou que a Editora Abril superou as metas financeiras de seu próprio plano operacional nos dois últimos anos, e que o plano operacional já estipula um padrão altíssimo de rentabilidade. Em outras palavras, a Abril é uma empresa muito lucrativa, que vem apresentando excelentes resultados financeiros, e nada justifica a demissão de mais de 30 jornalistas.
O Sindicato apontou ainda uma realidade sabida por todos: há inúmeras redações com falta de pessoal, que utilizam largamente o trabalho de frilas. Então, por que não realocar simplesmente os jornalistas em outras publicações? Trata-se de uma opção da empresa, uma escolha no sentido de ampliar a pressão sobre os trabalhadores, buscando aumentar ainda mais sua enorme margem de lucro. Isso significa estender as já extensas jornadas de trabalho e utilizar mais trabalho frila – como frilas fixos ou PJs –, práticas que o Sindicato vem combatendo.
Além disso, a demissão de 15 jornalistas – sob alegação de perfil inadequado ou motivo semelhante – com a recontratação de outras pessoas para as vagas indica cortes na folha salarial, com o desligamento de profissionais mais bem remunerados e sua substituição por jornalistas com salários menores. É uma prática que leva ao achatamento salarial da categoria, visando apenas melhorar o resultado financeiro das redações.
Na reunião, o Sindicato dos Jornalistas afirmou que não entra na discussão sobre a conveniência de manter ou não um título no mercado, mas foca sua ação no sentido de impedir as demissões. No entanto, alerta a empresa a que não aceita a terceirização de revistas: as publicações com o selo da editora Abril têm de ser feitos na própria empresa, e não por terceiros. A produção de conteúdo fora da empresa é ilegal e será combatido pela entidade.
O diretor do Sindicato dos Jornalistas, Paulo Zocchi, está em contato com os demitidos e com o conjunto dos profissionais da Abril, visando a responder a esta situação. Nossa disposição é de luta e de buscar preservar o conjunto dos empregos.

http://www.jornalistasp.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=3226&Itemid=2

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