Ícone pirata tenta fazer internauta pagar por conteúdo

DIÓGENES MUNIZ
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Apertar o botão “curtir” do Facebook toda vez que se cruza com conteúdo interessante na internet é bem fácil –para algumas pessoas, quase automático. O que o sueco Peter Sunde, 32, quer ver é você pagando toda vez que decidir que esse conteúdo foi bem produzido ou merece ser compartilhado.

Assim funciona o Flattr (www.flattr.com), empreitada promovida por Sunde na feira de tecnologia Cebit, que terminou no último sábado. Lançado no ano passado, o site de microdoações recebeu elogios de toda a parte. A revista de cultura digital “Wired”, por exemplo, elegeu-o uma das grandes ideias para 2011.

Cofundador do Pirate Bay e, por isso, condenado judicialmente a oito meses de prisão (recorre em liberdade), Sunde diz que agora seu objetivo é ajudar pessoas a compartilharem dinheiro tanto quanto compartilham conteúdo.

“Temos muita informação, muitas possibilidades hoje em dia, mas a indústria está presa a uma discussão equivocada. Eles deveriam pensar em como tornar o conteúdo acessível ao mesmo tempo em que fazem disso algo lucrativo para os criadores”, afirmou, para uma plateia de empresários e jornalistas.

LISONJEIRO

Flatter, em inglês, significa lisonjear. E a ideia por trás do site é que as doações não precisem ser muito maiores do que isso -um breve e descompromissado elogio.

Depois de subir uma determinada quantia para o Flattr (o mínimo são 2 euros), o usuário precisa decidir quanto vai deixar na sua carteira mensal. A partir daí, pode sair apertando os botões do Flattr que encontrar pela web. Ao fim do mês, o que estiver na carteira será dividido entre os “lisonjeados”. Se não apertar nenhuma vez o botão, o dinheiro vai para caridade.

Para manter sua conta do Flattr em pleno funcionamento e continuar fazendo/recebendo doações é preciso jogar dois euros por mês no sistema –quem quer rir precisa fazer rir, lembra oportunamente o site. Além disso, 10% ficam com o mediador, “para manutenção do serviço”.

Segundo Sunde afirmou na Cebit, a média registrada até agora é de de 5 euros a 10 euros doados ao mês.

DOAÇÕES SOCIAIS

Um dos objetivos do empreendimento é tornar o máximo de coisas “flateráveis”, passíveis de receberem verba. Um blog, um post, um espaço de comentários de um blog, um vídeo, um software, uma foto, uma notícia e até mesmo algo físico, como um restaurante. Para este último tipo de material, o Flattr oferece os “QR codes”, códigos de barra em 2D que, após serem impressos, interagem com celulares.

Diferentemente de serviços como Paypal, o Flattr mostra o que as pessoas estão doando e recebendo. É um portal de doações sociais, compartilháveis.

“Quando se trata de dinheiro, a internet ainda é uma ditadura. Mais ou menos como o Facebook”, alfineta o criador do site.

Além de lembrar o botão “curtir”, o Flattr também se parece com o famoso serviço Digg, que reúne rankings de links interessantes divulgados por seus usuários. Quanto mais recomendado, melhor posicionado o tópico fica nas tabelas. No Flattr, essas listas são divididas por assuntos (moda, carnaval…), formatos (fotos, vídeos…) ou por rankings temporais (mais recomendados na última semana ou mês, por exemplo).

Pelo menos por enquanto, o endereço tem maior fluxo de alemães e suecos –até mesmo jornais alemães começaram a colocar o botão de microdoação em suas matérias. De modo que brasileiros que se cadastrarem hoje talvez se sintam deslocados.

Sunde não divulga cifras de quanto dinheiro já circulou pelo Flattr. A primeira página do site, no entanto, informa que mais de 142 mil links já foram adicionados ao sistema e mais de 430 mil doações realizadas.

Veja abaixo um vídeo de apresentação da empreitada (em inglês).

Reportagem originalmente publicada na edição especial do Tec para tablets, veiculada no domingo (6)

http://www1.folha.uol.com.br/tec/885057-icone-pirata-tenta-fazer-internauta-pagar-por-conteudo.shtml

Diógenes Muniz/Folhapress
Sueco Peter Sunde promove site Flattr na Cebit, feira de tecnologia em Hannover, no norte da Alemanha
Sueco Peter Sunde promove site Flattr na Cebit, feira de tecnologia em Hannover, no norte da Alemanha

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