O famoso calendário de Marilyn Monroe, por Jota A. Botelho


Tom Kelley ao lado do Calendário Golden Dreams.

O famoso calendário de Marilyn Monroe, por Jota A. Botelho

Em 13 de maio de 1952 a mais famosa loira platinada do cinema Marilyn Monroe confessou em todos os jornais dos EUA, quem era a mulher do famoso Calendário Golden Dreams do fotógrafo Tom Kelley. As fotografias de uma bela loira nua, em um calendário de 1952, haviam parado uma nação. O calendário foi pendurado em garagens de carros, barbearias, bares, residências, enfim, por toda parte. A ironia é que o motivo de tamanho rebuliço foi que a atriz estava desempregada e endividade. Despedida! Veja abaixo o trecho de uma entrevista com Tom Kelley, o criador do lendário calendário de Marilyn Monroe.  

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A DESEMPREGADA E ENDIVIDADA MARILYN MONROE


Tempos sombrios… 

No ano de 1949, Marilyn Monroe estava desempregada. Seu contrato com a Columbia tinha terminado e a Fox não queria renová-lo. Marilyn era uma jovem modelo e já havia recebido vários pedidos para que posasse nua. Com o desemprego ela perdera seu carro e precisava de dinheiro com urgência, estava simplesmente sem nenhum tostão. No dia 27 de maio de 1949, o então fotógrafo Tom Kelley tirou as lendárias fotos, onde sua esposa o ajudou com as câmeras e a esticar o veludo vermelho, o famoso “Red Velvet”, assim chamado primeiramente o caledário. O medo de Marilyn era que alguém a reconhecesse, mas achou que com os cabelos compridos ninguém iria identificá-la. A sessão das fotografias durou duas horas e Marilyn ganhou 50 dólares pelas 24 fotos que foram tiradas para o calendário, sendo aproveitadas apenas 12 delas para compor os meses do ano. Em 1952, a fama de Marilyn já era grande quando o calendário foi lançado, e todos os jornalistas procuraram saber se era ela mesma. Monroe contou tudo à jornalista Aline Mosby. A partir daí, as manchetes dos jornais no dia seguinte foram: “Marilyn Monroe admite que é a loira nua do calendário”. Aqui temos um pequeno trecho de uma reportagem da época.

– Jornalista: O que você acha do calendário pendurado em garagens por toda a cidade?
– Marilyn: Por que negar? Você pode obter um em qualquer lugar. Além disso, eu não tenho vergonha. Eu não fiz nada errado.

Na mesma entrevista, segundo fontes da atriz, Marilyn explicou à aceitação para posar nua e o fato de ficar famosa num piscar de olhos: “Meu aluguel estava uma semana atrasado. Um fotógrafo, Tom Kelley, pediu-me antes para posar mas não aceitei. Desta vez, eu o chamei e disse que queria. Tom não imaginava que alguém fosse me reconhecer. Na época, meu cabelo estava longo. Mesmo assim, quando as fotos começaram a circular todos me reconheceram. Eu nunca teria feito isso se soubesse que as coisas aconteceriam tão rápido em Hollywood”. Na sequência da confissão do calendário, Marilyn foi bombardeada pelos jornalistas. De maneira típica, quando perguntada se era verdade que ela não tinha nada quando posou, ela respondeu: “Não é verdade que eu não tinha nada, eu tinha o rádio ligado”.

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A “REVOLUÇÃO” DA PLAYBOY


Capa da Playboy de 1953, uma das fotos de Marilyn na revista e uma edição espanhola de 2007(?).

Em dezembro de 1953, Hugh Hefner comprou os direitos das fotos de Tom Kelley e fez a primeira edição da revista masculina Playboy que foi o maior sucesso nos EUA. Na capa está Marilyn sorrindo com um generoso decote. A revista se tornou uma raridade e muito procurada pelos colecionadores. Em 2007, Hugh Hefner fez uma réplica da revista que hoje também é item de colecionadores. A compra dos direitos das fotos de Marilyn, que passaram a ser conhecidas por ‘Golden Dreams’, quando reproduzidas na primeira edição da revista Playboy, provocou na época uma pequena revolução. As imagens tiradas por Tom Kelley contribuíram para que esta revolução sexual explodisse e pegasse o mundo inteiro de surpresa. Se Heffner e a Playboy estavam esperando pela mulher certa, para dar início a uma nova era nas publicações, então Marilyn fora a escolha perfeita. [1/2/3/4– com tradução/adaptação livre. P.S.: Este post foi publicado aqui no GGN em janeiro de 2014 e agora acrescido de mais detalhes]

A HISTÓRIA ESCRITA POR HEDDA HOPPER EM 1953


Hedda Hooper foi atriz, radialista, colunista de cinema e também uma das fofoqueiras de Hollywood.

Aposto que 10.000 histórias foram escritas sobre esse agora famoso calendário de Marilyn Monroe nua…
“… e enquanto Marilyn parecia impotente, ele também chutou os pneus e olhou debaixo do capô. Levou apenas um minuto para checar o tanque de gasolina. Então ele disse a triste notícia: “Você está sem gasolina. Podemos chamar o Auto Club e eles vão te trazer alguns litros”, disse ele.

Ele sabia exatamente da expressão no rosto de Marilyn que não era tão simples.”Se você não tem dinheiro em sua bolsa, deixe que eu te dou algum – e o meu cartão. Você pode pagar-me quando estiver perto do meu estúdio”.

Passaram-se vários meses antes de Marilyn encontrar-se em posição de pagar os cinco dólares de volta. Isso não é uma situação incomum em Hollywood. Ela dirigiu-se para o estúdio de Kelley, bateu na porta e, quando Tom abriu, Marilyn ficou ali segurando o dinheiro. Tudo o que ela disse foi: “Lembre-se de mim?” Bem, você pode enganar um senhorio, um diretor de elenco, um lobo e muitas outras pessoas nesta cidade sobre suas finanças, mas se você é uma garota bonita, você não pode enganar um fotógrafo que trabalha com modelos. Tom sabia que os cinco dólares eram os últimos de Marilyn. Ele a pediu que entrasse. E perguntou se ela já havia feito algum trabalho de modelo. Ela disse que tinha feito um pouco, Tom tentou pensar em algo em que ele poderia usá-la naquele momento, mas nada veio à mente. Então ele mentiu. “Eu direi o que fazer”, pensou ele. “Uma empresa de calendário quer fazer alguns nus. Você está interessada?” Marilyn disse que estava. Então, Tom a levou para dentro de seu estúdio, montou as luzes e a câmera – e Marilyn reclinou na cortina de veludo vermelho, que a Sra. Kelley arrumou e a foto mais famosa de nossa cidade foi disparada.

Tom disse a Marilyn para manter os cinco dólares e lhe fez um cheque de quarenta e cinco dólares. Mais de um ano se passou e Tom recebeu um pedido da Western Lithograph para um nu. Ele tirou as fotografias de Marilyn dos arquivos e as enviou para o centro. A empresa comprou duas delas duzentos dólares – uma pequena taxa para o trabalho de Kelley, mas melhor do que nada. Os calendários foram impressos e vendidos devagar. Por quase dois anos, foram enviados para fora com os outros regulares e ninguém pensou muito sobre isso. Então, um dia, um executivo da empresa entrou no escritório com a aparência de ter sofrido um acidente vascular cerebral. “Eu fui ao cinema na noite passada”, ele gaguejou, “e acho que a dama loira em um de nossos calendários é Marilyn Monroe”. [5 – com tradução/adaptação livre]

O FOTÓGRAFO TOM KELLEY

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Tom Kelley e Lana Turner em seu estúdio.

O estúdio de Tom Kelley em Hollywood era sinônimo de classe e estilo. Havia poucos fotógrafos registrando as grandes estrelas regularmente como ele naquela época. Kelley fora contratado para fotografar as estrelas criadas por David O. Selznick e Samuel Goldwyn. Sua primeira missão ainda era de um mero desconhecido, mas teve como modelo nada menos que Ingrid Bergman. Ao se associar à publicidade da MGM e a Warner Bros. à lista de clientes, o estúdio passou a produzir inúmeras fotos que definiram a Era de Ouro de Hollywood. Os arquivos do estúdio ficaram cheios de retratos clássicos e cartazes de publicidade com as grandes estrelas de Hollywood da época, como Greta Garbo, Joan Crawford, Henry Fonda, James Cagney, Jane Russell, Carmen Miranda e Gene Kelly para citar apenas alguns. Seguindo uma longa e lucrativa carreira, ajudando a divulgar personalidades cinematográficas, Tom Kelley dirigiu-se mais tarde para o ramo da fotografia comercial e publicitária, onde acabou se tornando um dos principais fotógrafos de celebridades de seu tempo. Veja agora algumas fotos do estúdio de Tom Kelley e do famoso calendário de Marilyn Monroe. [6/7 – com tradução/adaptação livre]

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EARL MORAN E MARILYN – O SUCESSO COMO PIN-UP (1946-1950)


Earl Moran e algumas pinturas com Marilyn Monroe.

Esta não foi a primeira vez que Marilyn posava nua. Nos anos 40 ela tirou várias fotografias de nudez com Earl Moran para ele pudesse retrata-la em suas pinturas como pin-up girl, onde ela foi publicada em inúmeras revistas da época.

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A pin-up Marilyn (1946-1950).

Earl Steffa Moran (8 de dezembro de 1893 – 17 de janeiro de 1984), nascido em Belle Plaine, Iowa, foi considerado um dos grandes artista de pin-up e glamour do século XX. Moran assinou um contrato exclusivo com Brown e Bigelow em 1932 e, em 1937, seus pin-ups venderam milhões de calendários para a empresa. Em 1940, a Life publicou um artigo intitulado “Speaking of Pictures”, que se concentrou principalmente no trabalho de Moran e o tornou uma celebridade nacional. Em 1941, Moran ajudou o editor da revista, Robert Harrison, a lançar uma nova revista masculina chamada Beauty Parade, e mais tarde contribuiu com pin-ups para outras revistas como Harrison, Flirt, Wink e Giggles. Em 1946, Earl Moran mudou-se para Hollywood, embora ele já tinha pintado muitas estrelas de cinema como Betty Grable, para pôsteres publicitários. Logo após sua chegada, ele entrevistou uma jovem estrela chamada Norma Jean Dougherty (seu sobrenome do primeiro marido James Dougherty, com quem se casou aos 16 anos) que queria posar para ele. A partir daí, nos próximos quatro anos seguintes, Marilyn Monroe virou uma modelo para Moran e os dois se tornaram amigos. Ela sempre acreditava que ele fazia com que suas pernas pareciam melhores do que eram, pois achavam que elas eram muito finas. O trabalho de Moran, durante este período, é atualmente mais valioso. Um Moran/Marilyn pastel foi vendido por US$83.650, quase duplicando o recorde anterior de uma de suas obras, quando a coleção Craig MacMillan foi vendida no Heritage Auctions em fevereiro de 2011. Earl Moran morreu em Santa Monica, Califórnia, em 17 de janeiro de 1984, quando ainda mantinha sua posição como uma estrela do mundo pin-up. Foi considerado um dos grandes neste estilo de arte.[8/9/10/11/12 – com tradução/adaptação livre
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Esperamos que a tragédia que se abateu sobre a vida dessa doce e ingênua atriz não se abata também nesse doce e ingênuo povo brasileiro neste duríssimo ano que se inicia. Muita luta em 2018! Que assim seja. Meu muito obrigado a toda gente.

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Pesquisas para maiores informações nos links abaixo:
01-Today I Found Out / 02- Cinema Clássico / 03- Hypeness / 04- Manin Panties and More / 05- Tom Kelley Studios – Marilyn Red Velvel Art Story / 06- Tom Kelley Studio / 07- Wikipédia – Tom Kelley / 08- Wikipédia – Earl Moran / 09- Tinting History – Earl Moran and Marilyn / 10- Müscleheaded Blog – The Pin Up Art of Earl Moran / 11- Blogspot Pessoa – Earl Moran / Marilyn Monroe / 12- Cristies – Earl Moran (clique na imagem)
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