França e Croácia fazem a final, por João Sucata

França e Croácia fazem a final

por João Sucata

Croácia venceu a Inglaterra em jogo eletrizante e faz a final contra a França . O time inglês saiu na frente, marcou o primeiro gol, mas aos poucos foi perdendo o domínio do jogo para os croatas, a maior surpresa da Copa. Ou melhor, não deveria ser tão surpreendente a vitória dos croatas pois a Iugoslávia, da qual a atual Croácia fazia parte (junto com Sérvia, Montenegro, Bósnia Hezergovina, Macedônia, Eslovênia e Kosovo), sempre se deu bem nas copas e tinha um futebol parecido com o dos sulamericanos. Lembremos ainda a vizinha Hungria, que teve tempos gloriosos (Puskas foi considerado o grande astro em 1954). O primeiro tempo terminou no 1 x 0 para os da Ilha, os croatas empataram no segundo tempo e marcaram mais um na prorrogação, mataram o english team, do qual alguns jogadores saíram chorando de campo.

FRANÇA VENCE DISPUTA NA PODEROSA CHAVE EM QUE ESTAVA O BRASIL

A França venceu a Bélgica por 1 x 0, num jogo de gigantes, ficou com direito a ir à final pela chave onde estava o Brasil. Do outro lado estará quem vencer entre Inglaterra e Croácia. França e Bélgica foi jogo de futebol primoroso, alguns dos craques belgas estão citados logo abaixo. Pela França, jogaram estrelas como Umtiti,  Griezmann, Pogba, Mbappe, e muitos outros. Mais uma vez, Mbappe fez a diferença. Agora todo mundo sabe porque o PSG pagou 180 milhões de euros ao Mônaco para tê-lo e paga a ele um salário anual de 17,5 milhões de euros algo como R$ 5 milhões mensais de salário, um jovem de 19 anos. O jogo foi ainda melhor que Inglaterra e Croácia, intensamente disputado por duas grandes equipes, muito superiores às demais do torneio, com craques por todo espaço do campo.

Bélgica e França, dois times com muitos imigrantes

Tanto como a Bélgica, a França nunca somou talentos como na seleção atual. E perceba-se que ambas equipes tiveram como protagonistas jogadores descendentes de imigrantes, sobretudo do continente africano. Pode-se afirmar que esse fator foi determinante para o melhor nível do futebol francês e belga, fato que pode estar acontecendo em outras áreas. A esquadra francesa contou com 78,3% de descendentes de imigrantes, enquanto a equipe belga, com 47,8%. Sobre esses dados, é interessante notar a discrepância quando comparada a participação de imigrantes nas respectivas sociedades: 6,8% na França e 12,1% na Bélgica.  A cor escura  dos times lembram o  Brasil em campo, com a diferença que por aqui, devido a distribuição de renda e  preço dos ingressos, não se vê negros nas torcidas (apesar de, com mulatos, serem maioria na população), exceto nas organizadas, onde se facilita o acesso dos mesmos (na verdade de torcedores de baixa renda em geral). Interessante notar, porém, que a Croácia demonstrou que  mesmo sem afrodescendentes um time pode se destacar.

Europeus superam sul americanos como nunca aconteceu.

Ficou constatado também, a elevação de padrão de jogo das seleções europeias, que puseram para fora os times sul americanos antes das quartas de finais. As quatro seleções que sobraram foram todas do Velho Continente. Vejamos o que vai acontecer nos próximos anos, se os sul americanos reagirão. Os supercraques, Cristiano Ronaldo, Messi e Neymar não foram suficientes para levar seus times sequer até as quartas de finais. Estamos em uma época de craques como nunca se viu, mas também estamos em época de valorização da tática e os bons jogadores já entenderam que tem que jogar para o time.

A SELEÇÃO DO BRASIL CONFIRMOU  QUE É UM DOS MELHORES TIMES DE FUTEBOL DO PLANETA

O Brasil perdeu da Bélgica por 2 x 1, em jogo de bom nível técnico,  muitas oportunidades e emoção, mas no geral recuperou seu prestígio e sua autoestima. O time voltou sem que ninguém queira bater em ninguém, como está na moda. Ou melhor,  a seleção já estava em ascensão. A participação na Copa apenas confirmou. Perdeu para um grande time, não só pela aplicação tática, mas também pela capacidade individual. Courtois, Kompany, De Bruyne, Hazard e Lukaku são craques de  primeira grandeza, titulares dos times grandes da Premier League. Os belgas souberam se defender e sair rapidamente para o ataque. Só não bateram a França porque esta foi melhor ainda.

Em sua última participação na Copa,  o Brasil teve amplo domínio de bola, chutou no gol  várias vezes mais, mas como dito nesta coluna na semana anterior, às vezes o acaso, a sorte, interfere, e os belgas marcaram e o Brasil não.

Todo mundo critica:  Fernandinho, Gabriel Jesus e Paulinho não estavam bem; Tite deveria ter posto Douglas Costa logo no início; Coutinho estava num dia infeliz; faltou Casemiro; Neymar, se comparado ao que joga e do que dele se esperava, foi o pior em campo. Mas o fato é que tinha um time à altura do outro lado. Não se acerta sempre, deve-se levar em conta que o Brasil saiu de cabeça erguida.

TITE : MADURO E EQUILIBRADO

Tite deve ser mantido. É competente, maduro, equilibrado, humano.  Foi provocado por um jornalista (como sempre), após o jogo, sobre momentos em que comandava o Guarani e andou questionando se Deus não era culpado do acúmulo de desgraças sobre seu time. Disse apenas que acontecera um momento de desequilíbro e com isso calou o sujeito e obrigou os entrevistadores a voltar a conduta da seleção. É um dos melhores técnicos que tivemos. E pode  ajudar as pessoas que perderam a sensatez e a racionalidade a recuperar essas qualidades e reaprender a conviver e respeitas os outros, esquecer de clamar por ditaduras.

CRISTIANO NO JUVENTUS; NEYMAR NEGOCIA COM REAL MADRID

A notícia bomba da semana ficou para a transferência de Cristiano Ronaldo do Real Madrid para o Juventus da Itália. O valor de cem milhões de euros não chega ao pago por Neymar, mas nada a estranhar, pois Cristiano já tem idade muito superior à média (33) e no futebol  a proximidade dos trinta já reduz o vigor, velocidade, ímpeto . Por sua vez, Cristiano é um craque explosão, em suas jogadas o vigor físico é essencial, é o tipo de jogador que mais sente peso da idade. Ao contrário, os maestros que jogam pelo meio, em vez de explosão tem que ter domínio de bola, visão de conjunto, podem jogar em outro ritmo. De Bruyne é um bom exemplo. Também não se pode criticar Cristiano de procurar por um outro time, deixando a torcida que o adora. Afinal, ao contrário de Neymar quando deixou o Barça, sai com todas as honras, trocando juras de amor com dirigentes, companheiros de time e torcedores, vez que ficou por nove anos no time, ajudou-o a conquistar muitos campeonatos, tem direito de pensar em outros desafios. Não irá para o Juventus para tratar este time como Neymar já trata o PSG, ao negociar sua saída para o Real, visando ganhar novas luvas. O PSG bem que merece, e o Real que se cuide, pois tem elenco que poderá reagir ao tipo de conduta arrogante e desequilibrada do brasileiro.

Ex-companheiro de Cristiano Ronaldo no Manchester United, o ex-jogador e ídolo galês Ryan Giggs afirmou que a pretensão do gajo com a transferência à Juventus é de mostrar ao mundo sua superioridade em relação à sua eterna nêmese, o craque argentino Lionel Messi, pois poderá brilhar em três dos principais campeonatos europeus: inglês, espanhol e agora o italiano. Há grandes chances de conquistar títulos nacionais pela Juventus, haja vista que os bianconeris já apresentam uma hegemonia nacional nos últimos seis anos. Resta saber se com a chegada de Cristiano, eles conseguirão a tão sonhada conquista da Liga dos Campeões da Europa. A ver.

João Sucata.

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