Mancha Verde e Mancha Vermelha, por João Sucata

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Por João Sucata
 
Lamentável o que acontece nas torcidas organizadas.  Quem as frequenta sabe que tem os do bem, os intermediários e os do mal. Mas no cotidiano e na hora de viajar, torcer, reivindicar, todos se misturam e aí, dependendo das circunstâncias, um extremo arrasta o outro, os do meio vão no efeito manada e fica parecendo tudo a mesma coisa, para o bem e para o mal.
 
Na Mancha Verde, torcida organizada do Palmeiras, mataram o presidente com 22 tiros. Um outro diretor foi assassinado anos atrás. A Gaviões da Fiel foi notícia nas páginas criminais no ano passado. Felizmente parece ter havido uma reação e seus membros tem demonstrado até um tipo de consciência política e social inexistente nessas plagas.  As dos demais times, inclusive pelos estados, também sofrem contradições.

Organizações criminosas se aproveitam das fragilidades e se infiltram. Quando as torcidas abusam, não são punidas por autoridades ou dirigentes dos clubes, a maioria quer fazer média. O ex presidente do Palmeiras, Paulo Nobre, tinha rompido relações com a Mancha, após os muitos prejuízos causados ao clube e a torcida não organizada, como na briga com as organizadas do Flamengo. O alvi verde foi condenado a deixar sete mil cadeiras vazias em seu estádio por vários jogos.  Mas o atual presidente já refez as pazes. Um ex presidente da Mancha tinha agredido um técnico dos juniores porque ele não escalava seu filho entre os titulares. Não aconteceu nada.
 
Para um cidadão, ser dirigente de torcida organizada vai se tornando cada vez mais perigoso, ai do que quer punir um membro que sai da linha. Não tem como ser presidente sem estar a todo momento arriscando a cabeça. E assim, reduz-se as possibilidades de se ter dirigentes que têm prestígio social, família para sustentar ou outros valores que não podem correr risco. Nas reuniões de algumas ainda era possível a convivência, em nome de metas comuns. Mas pelo que está sendo revelado no episódio da morte do dirigente do Mancha, até isso está ficando inviável. Tornaram-se comum a formação de facções, relações com organizações criminosas, violência gratuita.
 
Nos estádios fica pior, pois o núcleo duro das torcidas quer aumentar de número, influenciar, torcer, enfrentar as adversárias, a polícia, e então quanto mais gente melhor. Algumas somam milhares de pessoas de todos os tipos, vindo de todos os lugares, muita gente querendo torcer para valer, mas tem também os que comparecem para soltar o demo, mostrar macheza, agredir os outros, descarregar os constrangimentos, a humilhação, a revolta perante carências da vida cotidiana e as patifarias dos de cima. Como controlar? Então, quem tem prestígio, família etc, pensa duas vezes até mesmo para se juntar a uma organizada como torcedor ou mesmo ir ao estádio.
 
Há possibilidade de reação? Das torcidas organizadas voltarem a serem apenas torcidas, leves, alegres, divertidas, espetáculo dentro do espetáculo? Preocuparem-se com a conduta idônea dos dirigentes de seus times? Com solidariedade aos outros que vestem camisa de outra cor? Em cobrar assessoriamente correção dos que estão no andar de cima? 
 
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