Brexit pode prejudicar relação entre as duas irlandas

Irlanda do Norte constitui parte do Reino Unido, enquanto a Irlanda, nação independente, da União Europeia 
 
GCIS/Fotos Públicas
 
Jornal GGN – Um dos pontos mais delicados das tentativas de acordo para viabilizar a saída do Reino Unido da União Europeia – o chamado Brexit – é a fronteira entre Irlanda do Norte e a República da Irlanda. O primeiro, constitui parte do Reino Unido, o segundo é um país independente e membro da União Europeia.
 
Como hoje tanto Reino Unido quanto República da Irlanda são membros do bloco, o trânsito de pessoas e mercadorias de um lado para o outro é liberado. Em discurso realizado nesta segunda-feira (21), a primeira-ministra britânica, Theresa May, procurou responder às exigências dos parlamentares do Partido Unionista Democrático (DUP, na sigla em inglês) da Irlanda do Norte, que tem expressado preocupação com o futuro entre as duas fronteiras.
 
Agricultores e empresários da nação ligada ao Reino Unido querem alguma garantia de que não serão reerguidas barreiras físicas entre as duas Irlandas. May destacou que será fiel ao tratado de Belfast (aquele que, em 1998, pôs fim ao conflito entre as duas irlandas envolvendo separatistas – da República da Irlanda – e os que queriam continuar fazendo parte do Reino Unido – da Irlanda do Norte), e que contempla a ausência de barreiras físicas. 
 
Apesar da preocupação levantada, tanto União Europeia quanto Reino Unido avaliam que uma fronteira física e com sistema de verificação de passaporte e mercadorias, será prejudicial às Irlandas. 
 
O problema é que membros do Parlamento britânico não chegaram a um consenso de como ficará o acordo de separação da União Europeia. Os britânicos têm até o dia 29 de março para deixar o bloco europeu. Se nenhuma resolução for proposta e aprovada tanto pelo Parlamento britânico quanto pela UE, o Reino Unido corre o risco de sair sem um período de transição, causando insegurança e fricções na circulação de bens, pessoas e acertos comerciais.
 
A primeira proposta de acordo, apresentada por May ao Parlamento, foi recusada por 432 votos a 202. Uma derrota governista recorde. 
 
No discurso desta segunda-feira, Theresa May tentou sensibilizar tanto os membros do Partido Conservador, que fazem parte da bancada governista, comprometida com o Brexit, quanto o Partido Unionista, demonstrando preocupação com o futuro da fronteira com a Irlanda. 
 
A primeira-ministra também decidiu abolir a cobrança de uma taxa de equivalente a R$ 315 de cidadãos europeus que quisessem continuar morando no Reino Unido.  
 
May descartou, ainda, a hipótese de um segundo referendo sobre a saída da União Europeia. Em 2016, 51,9% da população do Reino Unido decidiu pelo Brexit, termo abreviação de “britain exit” ou, em português, “saída britânica”. 
 
Na ocasião, a maioria esmagadora da população de Londres, Escócia e Irlanda do Norte votou contra a saída do Reino Unido. Mas o interior conseguiu prevalecer na disputa. Na próxima-semana, a premiê levará para votação o chamado “plano B” do acordo de saída. 
 
 
 
 

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