Após criar ministérios para loteamento, Bolsonaro diz que não faz indicação política

"Assim estamos governando. Alguns problemas? Sim. Talvez tenha um tsunami na semana que vem", disse, ao negar troca de favores por aprovação da Previdência

Foto: Marcos Corrêa/PR

Jornal GGN – “Não teremos indicações políticas. Escolhi os ministros por critério técnico”, foi a fala de Jair Bolsonaro. Já é de conhecimento público que o presidente faz uso das indicações políticas e nomeações para cargos da União nos Estados como moeda de troca para a aprovação de medidas de seu interesse, como a reforma da Previdência.

Também já é de conhecimento público que entram neste esquema a liberação de milhões em emendas parlamentares, também como forma de negociação por apoio parlamentar. E que dois Ministérios serão recriados, após ele mesmo ter decidido acabar, para o “enxugamento” da máquina pública, e que os titulares dessas pastas ficarão a critério da Frente Parlamentar em Defesa dos Municípios Brasileiros.

Mas apesar de tudo isso, o mandatário negou e insiste em vender a imagem de que essas nomeações não tem relação com o seu interesse em aprovar a Reforma da Previdência ainda este ano pelo Congresso Nacional. Em declaração, Bolsonaro retomou o discurso que havia adotado durante a campanha eleitoral, quando criticou veementemente as nomeações por partidos políticos em nome da governabilidade e dos interesses na agenda legislativa.

“Me elegi, e a decisão foi a seguinte: como havia falado durante o ano, não teremos indicações políticas”, afirmou, nesta sexta-feira (10), durante um evento na Caixa Econômica Federal. “A imagem distorcida da Caixa era em função isso. Cada partido tinha uma diretoria, tinha uma vice-presidência. E, com todo o respeito, o presidente, para ser educado, não falava muito. Não tinha como dar certo. Escolhi os ministros por critério técnico”, continuou.

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Mas três dias atrás, Bolsonaro admitiu que aventava a possibilidade de desmembrar o Ministério do Desenvolvimento Regional em outros dois: Cidades e Integração Nacional. E não usou como argumento alguma sustentação técnica ou necessidade de gestão dessas áreas. Ao contrário: assumiu que foi um pedido expresso da bancada de municípios e dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

“Eles vieram de forma bastante objetiva tratar deste assunto comigo. Eu não crio óbice no tocante a isso. E apenas que o futuro ministro, caso seja criado este ministério, venha da indicação da Frente Parlamentar de Municípios, das cidades, tá certo?”, foi a manifestação do mandatário.

“Assim estamos governando. Alguns problemas? Sim. Talvez tenha um tsunami na semana que vem, mas a gente vence esse obstáculo aí com toda certeza. Somos humanos, alguns erram. Alguns erros são perdoáveis, outros não”, continuou Jair Bolsonaro.

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