Bolsonaro se nega a revelar seu exame do coronavírus

Apesar de afirmar que os resultados deram negativo, o presidente Jair Bolsonaro se negou a divulgar o exame, ao contrário do que foi feito por outros representantes políticos

Foto: Carolina Antunes/PR

Jornal GGN – O presidente Jair Bolsonaro se negou a revelar o resultado de seu exame de coronavírus. Reportagem do Uol fez a solicitação, justificando que a informação é pública, por meio da Lei de Acesso a Informação e a resposta dada pela Presidência é que o resultado do exame é “sigiloso”.

O pedido da reportagem foi feito no dia 23 de março e respondido esta semana. Bolsonaro esteve em contato com mais de 20 autoridades e políticos que deram positivo ao Covid-19 e viajaram com ele em comitiva de agenda oficial aos Estados Unidos, nos primeiros dias de março.

Nas redes sociais, o mandatário diz que seus exames, feitos duas vezes, deram negativo. Mas ao contrário do que foi feito por outros representantes políticos, como o ministro general Heleno e o governador de São Paulo João Dória, Bolsonaro não divulgou o resultado dos testes para o coronavírus.

A informação integra a transparência dos dados informados pela administração pública do país, estabelecida na Constituição Federal. Entretanto, ao responder ao jornal, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência disse que se trata de “intimidade e vida privada”, o que justificaria negar a divulgação dos exames.

“As informações individualizadas sobre o assunto dizem respeito à intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas”, disse ao Uol.

Mais de um episódio levantou as suspeitas sobre o presidente portar o coronavírus. No primeiro deles, no dia 20 de março, em coletiva de imprensa, o mandatário afirmou que “depois da facada, não vai ser uma gripezinha que vai me derrubar”. Questionado por jornalistas, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, havia dito que os exames são “intimidade do paciente”.

A resposta foi a mesma do diretor do Hospital das Forças Armadas (HFA), aonde Bolsonaro realizou seus exames. Rui Yutaka Matsuda afirmou que o resultado é um documento pessoal e que o envelope chega lacrado do laboratório Sabin.

Mas o Hospital das Forças Armadas foi obrigado a revelar os nomes da lista de contagiados, por determinação da Justiça Federal de Brasília. E omitiu duas identidades da relação de pacientes com coronavírus. Entre os 17 exames realizados, foram entregues somente 15 dos casos confirmados, e entre eles não estava o nome de Jair Bolsonaro.

Depois das polêmicas e do avanço da crise do coronavírus, a Lei de Acesso à Informação chegou a ser suspensa por um decreto assinado pelo mandatário no dia 24 de março, o que foi barrado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) dois dias depois.

A Secretaria de Comunicação foi novamente questionada pela reportagem do Uol nesta semana, que insistiu em alegar que se trata de uma informação sobre “a vida privada do senhor presidente, o que deve ser tratado com a devida cautela e segurança institucional”.

 

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