A remoção das famílias nas favelas da Chucri Zaidan

Por Marco Antonio L.

Do Balaio do Kotscho

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Ricardo Kotscho

Faltando pouco mais de um mês para passar o cargo ao prefeito eleito Fernando Haddad, Gilberto Kassab anda fazendo algumas coisas estranhas que estão revoltando os moradores atingidos e chamando a atenção do Ministério Público de São Paulo.

Ao apagar das luzes da atual administração, o prefeito em final de mandato colocou à venda uma rua no Itaim-Bibi e está remanejando os moradores de áreas próximas a 14 empreendimentos imobiliários em fase de lançamento no polo comercial da avenida Chucri Zaidan, no Campo Belo.

A remoção dos favelados está sendo investigada pela Promotoria de Habitação e Urbanismo de São Paulo, segundo Janaina Garcia, do UOL, para saber se as famílias estão tendo assistência e sendo levadas para habitações sociais próximas de onde moravam.

“Pela lei que a criou, a operação urbana precisa prover estas habitações às famílias removidas dentro da sua área de abrangência. O que verificamos é que o poder público está tentando tirar familías que moram em favelas de todo o entorno da Chucri Zaidan para jogá-las em outro extremo desse perímetro, no Jabaquara”, disse o promotor José Carlos Freitas.

Em setembro, o promotor pediu à Prefeitura informações sobre a assistência dada aos favelados no processo de transferência e concluiu que “o programa político hoje é de expulsão dessas famílias. Transferir essas pessoas para longe dali é mais gasto público com infraestrutura e mais bolsões de pobreza que tradicionalmente se formam”.

O caso da venda da rua Oswaldo Imperatrice, no Itaim-Bibi, foi denunciado pelos repórteres Diego Zanchetta e Valéria França, na edição do “Estadão” desta quinta-feira.

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A rua de 589 metros quadrados, travessa da Leopoldo Couto de Magalhães, será colocada à venda por R$ 5,83 milhões, bem abaixo do valor de mercado, segundo a Sociedade Amigos do Itaim-Bibi, que ameaça entrar na Justiça contra a Prefeitura.

“É uma negociação malfeita, que prejudica os cofres públicos”, disse Marcelo Motta, o presidente da entidade”. Segundo a Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio o metro quadrado na região vale pelo menos o dobro do valor pedido pela Prefeitura, que é de R$ 9.900.

O vereador Ricardo Trípoli, líder do atual prefeito na Câmara Municipal e futuro secretário do Verde e Meio Ambiente da administração Fernando Haddad, informou que Kassab pretende vender mais 20 áreas públicas até o final do ano.

É o caso de se perguntar as razões que levam o prefeito Gilberto Kassab, que está no cargo desde 2006, a fazer estas vendas de patrimônio público justamente agora em seus últimos dias de administração.

Não seria mais razoável esperar a posse do novo prefeito para ele decidir se estas medidas atendem aos interesses da cidade ou apenas de grupos econômicos?

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