A instigante história do desenvolvimento em Minas Gerais

producao_minas.jpg
 
É instigante o processo de desenvolvimento de Minas Gerais. Dispondo de matéria prima abundante, material humano, sendo precursora dos programas de desenvolvimento no país, Minas Gerais acabou ficando para trás no processo de industrialização.
 
Nos últimos anos Minas exportou 1,6 milhão de pessoas formadas para São Paulo e outros estados, e recebeu apenas 600 mil, enquanto São Paulo recebeu 9 milhões de todo o país e cedeu apenas 800 mil. Tornou-se fundamentalmente um Estado produtor de commodities, profundamente afetado pela Lei Kandir.
 
Depois de perder o bonde da industrialização, e das vantagens competitivas decorrentes do adensamento da cadeia industrial, como montar um projeto de desenvolvimento valendo-se das novas tecnologias?
 
Este foi o desafio principal do seminário “As empresas públicas na promoção do desenvolvimento regional”, uma parceria da Plataforma Brasilianas com a Cemig (Centrais Elétricas de Minas Gerais).
 
O pioneirismo que não deu certo
 
Como relatou o economista e historiador João Antônio de Paula – um dos palestrantes- , os Inconfidentes tinham um projeto. Propunham a construção de universidades, a mudança da capital, correio regular, sistema de comunicação entre as vilas. Discutia-se até a escravidão. A idéia era de um Estado com papel econômico relevante.
 
Ao longo do século 19, essa precocidade se mantem com Teofilo Ottoni. Empresário, grande liberal, preso em 1842, se insurgiu contra a centralização do Segundo Reinado. Construiu a cidade de Nova Filadélfia, que depois se tornou Teófilo Ottoni, com projetos de ferrovia, canais, multimodal. Extremamente avançado para a época, se baseava no modelo norte-americano de federalismo, ao contrário da visão hispânica hegemônica.
 
No final do século 19, outra figura fundamental foi João Pinheiro, dos mais relevantes personagens da história política do Brasil. Torna-se a principal liderança civil em Minas Gerais e teria sido o primeiro governador pós-República, não fossem as circunstâncias políticas da época. Mas foi o segundo governador de Minas, presidente do Congresso Agrícola-Industrial Mineiro de 1906, precursor dos projetos de desenvolvimento em políticas públicas, reunindo classes de produtores e empresariado mineiro, que formularam série de demandas de desenvolvimento.
 
Morreu precocemente em 1908, aos 47 anos, quando era candidato certo à presidência da República. Poderia ter sido o mais inovador presidente na República Velha.
 
Em 1906 inaugurou a reforma do ensino, precursora de uma inovação decisiva, com a criação dos grupos escolares, currículos estruturados, seriado, com professores qualificados. Essas sementes vão frutificar a partir dos anos 30, período típico do desenvolvimentismo, como espécie de ideologia do desenvolvimento.
 
Minas foi o único Estado pós-1930 sem intervenção federal. O primeiro governador, Olegário Maciel montou um time que juntava Gustavo Capanema, Benedito Valadares. Morreu precocemente em 1933 e Getúlio Vargas indicou Benedito Valadares para sucessor.
 
Ao contrário das lendas, Valadares foi um governador extremamente atuante e inovador. Escolheu para a Secretaria da Agricultura (que incluía indústria, comércio e trabalho) Israel Pinheiro que, de 1933 a 1942, fez uma gestão bastante profícua.
 
Israel deixou a Secretaria para se tornar presidente da Companhia Vale do Rio Doce. Em seu lugar assumiu Lucas Lopes, primeiro presidente da Cemig. Em 1944 ele criou o Instituto de Tecnologia Industrial, modelar, trabalhando com inovação tecnológica e formação de pessoal. Seu Secretário da Agricultura, América Gianetti, que depois se tornou prefeito de Belo Horizonte, em 1947 montou o primeiro plano de desenvolvimento regional do Brasil. Propôs novos impostos para custear investimento. Desse esforço sai um conjunto de companhias, entre as quais a Cemig, que ajudam a tornar o governo Juscelino Kubitschek (1951 – 1955) um dos mais inovadores do país.
 
Com a queda de Getúlio, o udenista Milton Campos se tornou governador, mas manteve o olhar no futuro. No seu governo foi lançado o plano de eletrificação de Minas Gerais, coordenado por Lucas Lopes e entregue em 1950.
 
JK se elegeu com o binômio energia-transporte, reorganiza o Departamento de Estradas e Rodagens e impulsiona as grandes empresas de engenharia nacionais. Em seu governo apareceu pela primeira vez a ideia de criação de um banco de desenvolvimento, o BDMG, funcionando de acordo com o modelo BNDES.
 
Nas décadas seguintes, Minas inova com a criação do INDI (Instituto Integrado de Desenvolvimento Econômico), o esforço interno que permitiu a atração da Fiat, a expansão da Usiminas.
 
Porque a industrialização não se espalhou por Minas?
 
Na opinião de Marco Antônio Castello Branco, presidente da CODEMIG (Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais), ao longo de sua história Minas produziu áreas de excelência, mas atuando de forma desarticulada. 
 
Na definição de um dos estudiosos do fenômeno mineiro, Virgílio Almeida, Minas produz muitos cérebros, mas é zero em sinapses – a capacidade das células do cérebro interagirem com o corpo.
 
Há problemas culturais, no conservadorismo do mineiro, muito fechado em seu canto. Há problemas na própria formação econômica do Estado, especialmente com a perda dos principais bancos para São Paulo. Todo o capital financeiro foi para São Paulo e as regras de aplicação do Banco Central permitem que os bancos possam captar de todo o país e concentrem seus empréstimos em São Paulo.
 
Como planejar o desenvolvimento
 
Sem a massa crítica acumulada por São Paulo no tecido industrial, financeiro e de serviços, como planejar um desenvolvimento sem que os avanços sejam sugados pelo vizinho poderoso? 
Há muitas Minas Gerais, a do Nordeste, no Vale de Jequitinhonha, a paulista, no sul de Minas e no triângulo, com enormes disparidades de renda. As regiões mais pobres têm 25% da população e 17% dos votos, enquanto as mais ricas possuem 58% da população e 66% dos votos. Portanto, a distribuição não se dará pela via legislativa.
 
A tentativa de planejamento recente, no governo Fernando Pimentel, consistiu, inicialmente, em criar um projeto pensado na Cedeplar, o Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional, braço da Faculdade de Ciências Econômicas, que historicamente foi berço das melhores propostas de desenvolvimento do Estado desde os anos 50.
 
Surgiu de lá a criação dos Territórios de Desenvolvimento, fóruns regionais com reuniões bianuais, juntando empresários, organizações sociais e representações diversas de cada região para discutir o seu próprio desenvolvimento.
 
Depois, identificar as vantagens comparativas do Estado. De um lado, setores tradicionais já consolidados. De outro, centros de tecnologia de primeira, especialmente na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Finalmente, riquezas minerais estratégicas para as novas eras tecnológicas.
 
A partir daí, a ideia foi criar ou fortalecer polos regionais, que funcionariam como sementes, permitindo alcançar novos atores. Com uma crise fiscal brava, houve um filtro rigoroso dos investimentos, de maneira a contemplar aqueles que garantissem um diferencial tecnológico. 
 
Castello Branco destaca que a estratégia para direcionar investimentos dentro do escopo de projetos apoiados pela CODEMIG foi enxergar os setores prioritários a partir de três lentes: vocação territorial, capacidade de atuação da companhia de investimentos e impacto econômico. Os setores que alcançam esse as três vertentes são chamados de “estratégicos”.
 
investimentos_codemig.jpg
 
A partir dessa lógica, os planos de investimento são arranjados entre setores tradicionais e inovadores, sempre respeitando as características regionais. 
 
“Esse arranjo fundamentou a estruturação organizacional da companhia, anteriormente focada na execução de grandes obras de infraestrutura, agora está baseada em três eixos estratégicos – alta tecnologia, indústria criativa e mineração, energia e infraestrutura -, atuando assim no desenvolvimento social e fomento de novos negócio”, completou em sua apresentação. 
 
setores_vocacao_territorios.jpg
 
Hoje, a carteira de investimentos da CODEMIG é diversificada o suficiente para alcançar desde propostas para exploração de terras raras e produção de grafeno, passando por setores como aeroespacial, defesa, biotecnologia, semicondutores até gastronomia, moda e turismo, contemplando ao todo 21 áreas produtivas. 
 
Terras raras e outros investimentos 
 
O ideia central do planejamento foi aproveitar as riquezas minerais, os arranjos produtivos já existentes e a inovação que brota da UFMG e dos institutos tecnológicos. E apostar em indústrias-chave, com apoio financeiro e participação no capital.
 
Foram feitas várias apostas. O programa de investimento em terras raras, insumo decisivo para a produção de eletroeletrônicos, induziu, por exemplo, a CODEMIG a buscar parcerias com centros de desenvolvimento tecnológico de fora do Estado, são eles: o Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (CERTI), a Universidade Federal de Santa Catarina e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). A iniciativa é para viabilizar o primeiro laboratório-fábrica de Ligas e Ímãs de Terras Raras no Brasil (LabFabITR), incluindo acordos com empresas como a BRATs, Imag e CBMM. 
 
As terras raras também são matéria prima para craqueamento de óleo de soja. O que fez a CODEMIG investir também na produção de bioquerosene de aviação, juntando setor de ponta com agricultura.
 
Minas é o maior produtor de grafite. O Estado criou a Neografeno, com 45 pessoas trabalhando e investiu em uma empresa de Oxford que desenvolveu tecnologia de bateria de lítio. Entrou também no capital da Companhia Brasileira de Lítio, uma empresa familiar em Araçoaí, que produz lítio metálico para baterias. 
 
Foram criados, ainda, fundos, entre os quais a Aerotec, que investiu em uma empresa de Uberaba que está desenvolvendo resina e software para impressoras 3D.
 
Em relação às atividades tradicionais, implantou um programa de certificação, essencial para o aumento das exportações. E passou a trabalhar as riquezas culturais do Estado, das quais a mais relevante é a culinária.
 
O programa lançado visa elevar a culinária de Minas ao mesmo patamar do Peru, por exemplo.
 
Em resumo, a estratégia mineira de desenvolvimento contempla não apenas a interiorização, mas também a diversificação nos patrocínios de projetos e eventos. 
 
Editais com esse foco – ampliação do acesso aos recursos, diversificação da economia, descentralização de investimentos e interiorização do desenvolvimento -, são lançados pelo Governo do Estado e a CODEMIG desde 2015. De lá para cá foram lançados 3 pelo Governo, com investimentos de mais de R$ 3 milhões para 100 projetos. A própria companhia, completa Castello Branco, lançou 4 chamadas públicas de patrocínio com ofertas que totalizaram R$ 3,5 milhões para mais de 300 projetos.
 
De qualquer modo, são quase projetos piloto, pelo valor investido e pelo número de empresas alcançadas, que só ganharão escala quando Minas Gerais resolver a grave crise fiscal decorrente da queda da atividade econômica e das pedaladas fiscais da gestão Antônio Anastasia – paradoxalmente, o relator das pedaladas fiscais de Dilma Rousseff no Senado.
 
Case Voe Minas Gerais 
 
voe_minas.jpg
 
 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

Leia também:  Com novo impeachment, Bolsonaro diz que "se Deus quiser" vai continuar no governo

6 comentários

  1. E Nassif continua sem

    E Nassif continua sem explicar essa prefreência por “cabeças de planilha” mineiros.
    Produtores de gráficos e falando uma língua que só a elite política/financeira finge que entende.

    Que diabo é isso, sô, que esse povo tá falando, uai?

    É absolutamente verdadeiro que Pimentel sofre estrangulamento perpetrado pelo governo golpista.

    Daí à exibição de resultados invisíveis e que ningúem sente …

  2. Minas

    Pelo que conhecemos de estados e municipios no Brasil quase nunca fazem planejamento. Em Minas Gerais não foi diferente. Poucos são os governadores e prefeitos que têm a preocupação de governar e administrar desenvolvendo e fazendo crescer seu estado e cidade. 

    Imagino que para Fernando Pimentel, que herdou um estado com dividas, com pedaladas, com contas nada republicanas, reorganizar tudo isso, com o MP/MG no encalço, com a assembleia legislativa dominada pela oposição e demais orgãos e instituições idem, trazer de volta crescimento e desenvolver um elefante, como Minas, não são frutos que se vêem em pouco tempo. E o Brasil todo estagnado complica um pouco mais essa tarefa.

    Parece-em mais acertado Minas apostar numa continuidade com Pimentel, que busque parcerias e planejamento para seu estado e esperar que com um novo governo no âmbito federal dê a Minas a importância que sempre teve no cenario politico nacional.

    • Se convergirem a reeleição

      Se convergirem a reeleição de novo

      Se convergirem a reeleição de Pimentel e a eleição de Lula ou Lula Haddad estarão dadas as condições para uma retomada do desenvolvimento em Minas, é claro.

      O que de resto acontecerá com qualquer governador eleito, sempre se Lula reassumir a presidência.

      Mas nenhum governante sério pode culpar os antecessores por sua performance. Nenhum pode vitimizar-se.

      Tudo se sabe antes das eleições. Candidata-se quem quer.

      Erundina, Marta e Haddad fizeram bons governos herdando contas no negativo.

      E com câmaras de vereadores oposicionistas até a medula.

      Claro que com uma geração de caixa favorável.

      Mas deixaram idéias, apontaram rumos.

       

      Mas repito: por que esse favorecimento aqui no blog ao governo mineiro?

      Já tivemos essa experiência quando Nassif acreditava em Aécio/Anastasia e seus governos de slogans.

      Por que as postagens com títulos que nos fazem perguntar: onde fica essa Minas pois eu quero ir para lá?

       

  3. Um texto bom que merecia ser mais completo

     

    Luis Nassif,

    Um assunto de que eu gosto. Há algumas omissões e vou apontar pelo menos uma e posso aproveitar este comentário para indicar uma ou outra curiosidade que pareçam pertinente a este seu post “Brasilianas: a instigante história do desenvolvimento em Minas Gerais” de segunda-feira, 13/08/2018, às 18:46.

    A omissão maior foi não referir a Rondon Pacheco. Foi governador da ultra direita, mas não só pela Fiat como também porque parece que antes dele o PIB mineiro era cerca de 7% do PIB brasileiro e depois dele o PIB chegou a quase 10%, o nome dele não pode ser omitido quando se fala no desenvolvimento de Minas Gerais.

    Uma curiosidade é o belo comentário de Marco Antonio Castello Branco, atual presidente da Codemig, enviado quinta-feira, 26/06/2014, às 01:45, para você e que atualmente encabeça seu post “Para entender o desgaste do governo Dilma” de segunda-feira, 16/06/2014, às 16:47, aqui no seu blog e que pode ser visto no seguinte endereço:

    https://jornalggn.com.br/noticia/para-entender-o-desgaste-do-governo-dilma

    No comentário Marco Antonio Castello Branco foca em um dos três problemas que eu gosto de apontar na ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff. Lá ele mostra que há na ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff a crença na superioridade da técnica sobre a política. Eu considero que o oposto é que é verdadeiro.

    Os outros dois defeitos dela são a fraca eloquência ou talvez devesse dizer a falta de eloquência dela e o terceiro a pouca vivência da prática política do processo fisiológico que se dá no parlamento democrático, em especial quando se o compara com a vivência que tinha e tem o presidente antes provisório e agora definitivo às custas do golpe Michel Temer.

    Esse terceiro problema foi apontado por Luiz Felipe de Alencastro em artigo que ele escreveu para a Folha de S. Paulo e que ele indicou em comentário que enviou sexta-feira, 07/08/2015, às 23:56, para seu post “O raio X da política e o fator Temer” de sexta-feira, 07/08/2015, às 19:45, aqui no seu blog e que pode ser visto no seguinte endereço:

    https://jornalggn.com.br/noticia/o-raio-x-da-politica-e-o-fator-temer

    E o artigo “Os riscos do vice-presidencialismo” de domingo, 25/10/2009, portanto da época em que a ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff fora lançada candidata, de Luiz Felipe de Alencastro, publicado na Folha de S. Paulo, pode ser visto diretamente no seguinte endereço:

    https://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2510200908.htm

    Recentemente enviei um comentário que falo da saga de quem aqui nas Alterosas nos meios oposicionistas é chamado de FDP. Trata-se de comentário que enviei sábado, 11/08/2018, às 15:54, para Sergio Ferreira junto ao comentário dele de sábado, 11/08/2018, às 00:32, lá no também seu post “O maior fake news foi a criação do fantasma do fake news, por Luis Nassif”, de sexta-feira, 10/08/2018, às 21:21, aqui no seu blog e que pode ser visto no seguinte endereço:

    https://jornalggn.com.br/noticia/o-maior-fake-news-foi-a-criacao-do-fantasma-do-fake-news-por-luis-nassif

    O que se observa é que o desenvolvimento de uma região é sempre puxado pela agricultura e dependendo da disponibilidade de outros recursos, há uma sequência de desenvolvimento industrial associado com concentração populacional e depois do setor de serviço. Foi assim com as férteis, irrigáveis e com alto índice de pluviosidade das planícies da Inglaterra, da França, Alemanha, Ucrânia, Rússia, China, Índia, Argentina e Estados Unidos.

    São Paulo também, contando com um planalto mecanizado, a fertilidade do solo e o elevado índice pluviométrico, pode crescer mais que o restante do Brasil quando após a construção da estrada de ferro pode-se transpor a serra do mar e escoar a produção agrícola paulista cujo valor agregado é 50% maior do que o de Minas Gerais que tem um território (586 522,122 Km2) quase duas vezes e meio o território de São Paulo (248 222,362 Km2). Até então São Paulo não era o estado mais rico nem o mais populoso do país.

    As áreas mais planas de Minas Gerais, salvo a região do Triângulo, estão localizadas após a barragem de Três Marias, ao longo do São Francisco, mas não são férteis e não tem bons índices de pluviosidade e o restante do território mineiro salvo o sul que é mais chuvoso é seco e montanhoso.

    No final do século passado eu cheguei a fazer um texto para ser publicado em revista, que infelizmente foi suspensa, em que defendia a contratação de um grande empréstimo para fazer obra que permitisse fazer de Belo Horizonte um grande centro distributivo brasileiro com a construção de um rodo anel e a melhor capacitação dos aeroportos e do transporte ferroviário.

    O financiamento viria do retorno tributário decorrente do incentivo à importação por Minas Gerais de mercadorias que eram consumidas por Minas Gerais, mas cuja importação não era feita por empresas mineiras. Se Minas Gerais tinha 10% do PIB as importações deveriam corresponder a 10% das importações nacionais. Elas eram menos de 5%.

    Se se aumentasse para 10% o total de mercadoria importada por empresa mineira, não mais haveria 5% de supostas importações de Minas Gerais e que na verdade seriam mercadorias que antes eram importadas por empresas de outros estados da federação mas que depois chegavam ao consumidor mineiro.

    Com uma mudança dessa ordem, Minas Gerais poderia recuperar para as finanças públicas os 12% de ICMS incidindo nessas mercadorias e que ficavam para outros estados. Hoje esses cálculos perderam sua fundamentação uma vez que a alíquota interestadual para produtos importados passou para 4%.

    De todo modo a distribuição tende a aumentar o seu valor de agregação e Minas Gerais tem condições de desenvolver alguns centros de distribuição importantes com a construção de anéis rodoviários em torno desses centros e com o desenvolvimento de outros meios de transporte. Mencionaria entre eles, Teófilo Otôni, Governador Valadares, Juiz de Fora, Curvelo e Montes Claros. Há ainda o Triângulo e a região do Sul de Minas fronteiriça de São Paulo, mas que São Regiões quase com moto próprio.

    Sobre medidas para uma possível recuperação de Teófilo Otoni que teve a curiosidade de ter sido até o início da década de 60 a terceira cidade mineira com uma população de cerca de 120 mil habitantes depois de Belo Horizonte e Juiz de Fora, eu fiz referência em comentário que enviei terça-feira, 19/06/2018, às 14:11, para você junto ao seu post “O artigo que permitiu a redescoberta de Eliezer” de terça-feira, 19/06/2018, às  12:51, aqui no seu blog e que pode ser visto nos seguinte endereço:

    https://jornalggn.com.br/noticia/o-artigo-que-permitiu-a-redescoberta-de-eliezer

    Transcrevo a seguir o meu comentário para você. Disse eu lá:

    x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-

    “Luis Nassif,

    É claro que você deve muito a São Paulo, mas não há necessidade de retribuir o que São Paulo lhe deu. A bem da verdade, retribuir o que você deve a São Paulo é ruim para o que sobra do Brasil. Depois que as estradas de ferro transpuseram a Serra do Mar, unindo Santos ao planalto paulista, São Paulo não precisaria mais da ajuda federal, pois o planalto paulista tem as terras mais férteis e mecanizáveis e de índice pluviométrico mais alto do país.

    São Paulo não era o Estado mais populoso do Brasil até o final da década de 20. Foi só a partir daí que São Paulo tomou à frente da nação, crescendo economicamente e atraindo a população.

    Assim, eu me assustei quando vi lá no meio do seu texto o parágrafo a seguir transcrito e que vinha após um subtítulo intitulado “Buraco Negro”:

    “A Rede Ferroviária Federal (RFF) cobria quase todo o país. Mas havia um buraco negro em São Paulo, justamente o centro industrial mais relevante, e onde se situava o mais importante porto da América Latina –o de Santos.”

    Ora, o Porto de Santos já estava àquela época saturado. Por que não aproveitar outras regiões do Brasil? Veja, por exemplo, o que aconteceu com Teófilo Otôni, que nem chega a ser para mim, pois lá só nasci, o que Poços de Caldas é para você. Até a década de 50 era a terceira cidade de Minas Gerais com 120 mil habitantes. Havia a Panair e havia a Bahia e Minas que levava e trazia pessoas e mercadorias para o porto de Caravelas.

    Hoje não há mais Panair, não há mais Bahia e Minas. Só há a mesma população que lá existia a 70 anos. Felizmente parece que depois que levaram a universidade para lá a cidade está começando a retomar o crescimento. Quantas mais Teófilo Otoni existem no Brasil que poderiam ser recuperadas.

    E tudo muito mais barato. Basta vender o porto de Caravelas, que também já não há mais, para os chineses. E a venda para os chineses pode incluir a retomada da Bahia e Minas, a duplicação da rodovia do Boi e outras obras estruturantes daquele lado. Do porto de Caravelas pode-se ir pela BR 101 para Vitoria no Sul ou para o Norte até Salvador na Bahia sem serra nenhuma a transpor.

    Com a Vitória e Minas retomada e com a duplicação da Rodovia do Boi, de Caravelas, pode-se ir, também sem serra a transpor, a Teófilo Otoni de onde pela BR 116 vai-se para o Sul em direção a Governador Valadares ou para o norte em direção a Vitória da Conquista. E há a opção de se fazer grandes obras de infraestrutura de modo a ligar Teófilo Otoni a Montes Claros e de lá a Brasília, em estrada de rodagem e de ferro. Obra assim cortaria a estrada que liga Belo Horizonte, Curvelo e Diamantina a Araçuaí que até hoje ainda falta um pouco a ser completamente asfaltada.

    Há muito a que se fazer só aqui em Minas por estradas que eu conheço. E que se lembre que a menos de 100 quilômetros de Belo Horizonte, na década passada, eu ainda cruzei o rio Paraopeba em ponte para um só veículo que parecia ter sido construída no tempo do império, e cruzei o rio das Velhas em ponte também para um só veículo em estrada que ligava Belo Horizonte a Conceição do Mato Dentro, terra de um José Aparecido que tinha prestígios com tantos governos e não conseguiu a duplicação desta ponte para a região dele.

    Para minha surpresa, depois de vangloriar do Eliezer Baptista por focar em Santos, você, em artigo escrito já no início do segundo ano do primeiro governo de Fenando Henrique Cardoso, houve por bem depreciar a figura de Itamar Franco. Não que eu fosse admirador de Itamar Franco, mas em terra que todos o condenam, eu gosto de lembrar que como governador por 4 anos ele trouxe para Minas Gerais a hidrelétrica de Irapé, algo que em 12 anos, o PSDB de Minas Gerais não conseguiu nada semelhante.”

    x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-

    Vale lembrar que tanto Teófilo Otoni como Governador Valadares se ligam ao mar sem necessidade de transposição de serra. E Juiz de Fora, que tem a serra de Petrópolis para transpor, já possui a estrada em pista dupla asfaltada até o litoral.

    Clever Mendes de Oliveira

    BH, 14/08/2018

  4. boi, minério e queimadas

    É impressionnte sobrevoar MG… Buracos, pastos, queimadas, lamentável devastação. A cultura culinária do fogão à lenha é mais um dos “orgulhos” do estado que em 2017, segundo o INPE  e a Fundação SOS  Mata Atlântica,  por 7 vezes nos últimos 9 anos foi o campeão do desmatamento. Prefeituras da região metropolitana de BH, impunemente, aplicam “mata mato” por todo lado e depois… fogo! uma calamidade, um descalabro. O rompimento de barragens das mineradoras, em Miraí, Muriaé, Cataguases e Mariana são noticia por algum tempo e depois… caluda, pois quem manda é a mineração, o boi e o maldito fogãozinho à lenha. Um estado com imenso potencial aquífero vem secando velozmente. Não é desenvolvimento industrial o que lhe falta, outro desenvolvimento é possível,   turismo,  permacultura, piscicultura,  seriam alguns. romper com a cultura do boi, do minério , da queimada e do abominável fogãozinho isso é o que realmente fará de fato diferença.

  5. Economia de Minas
    Até antes da crise vivida pelo Brasil Minas estava crescendo, é com 8nvestimentos que colocariam o estado com o segundo PIB do país..

    Muita coisa deu errada, devido a briga PSDB é PT, o estado sofreu 7m verdadeiro boicote..
    O desenvolvimento de M8nas passa hoje pelo sul, triangulo e central, porém regiões como o centro-oeste do estado, noroeste e até mesmo de forma surpreendente, parte do Norte de Minas , estão conseguindo atrair investimento.O norte de Minas provavelmente vai passar a zona da mata e o leste de Minas ..Terras barata e mais planas ajudam a trazer muitos investimentos na agricultura, através de irrigação e novas tecnologias, incentivos fiscais do governo federal trazem industrias , ( calçados, farmacêuticas, ferro_liga , alimentos), a região ainda tem uma boa província mineral a ser explorada, além de muitos investimentos na geração de emergia, principalmente solar, onde ja conta com var8as fazendas solares, e a maior usina solar do país.A reservas de ferro, ouro, é até gás não convencional para serem explorados…
    Já o leste e zona da mata , uma outra hora comentamos…

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome