Ciclovia que desabou é de empreiteira de secretário de Turismo do Rio

 
Jornal GGN – A ciclovia Tim Maia, no Rio de Janeiro, que desabou nesta quinta-feira (21), provocando a morte de duas pessoas, foi construída pela empreiteira Concremat, da família do secretário de Turismo do Rio, Antônio Pedro Viegas Figueira de Mello. Fundada pelo avô do político, a empreiteira recebeu R$ 45 milhões, desde setembro de 2014, pela gestão de Eduardo Paes (PMDB-RJ), para a construção da obra.
 
Do Estado de S. Paulo 
 
 
Por Julia Affonso
 
A empreiteira Concremat, responsável pela construção da ciclovia Tim Maia, que desabou nesta quinta-feira, 21, no Rio, pertence à família do secretário de Turismo da cidade do Rio, Antônio Pedro Viegas Figueira de Mello. Ao menos duas pessoas morreram no desabamento de um trecho da ciclovia, inaugurada em janeiro deste ano.
 
A Concremat foi fundada por Mauro Ribeiro Viegas, avô de Antonio Pedro Viegas Figueira de Mello. Hoje, a empresa tem como diretor-presidente Mauro Viegas Filho.
 
A obra da ciclovia, da gestão Eduardo Paes (PMDB-RJ), custou R$ 45 milhões e começou em setembro de 2014. Em seu site, a Concremat afirma que o consórcio Contemat Geotecnia/Concrejato foi contratado pela Fundação Geo-Rio, braço da Secretaria Municipal de Obras da Prefeitura, para executar a contenção de encosta e a estabilização da área para a implantação da ciclovia.
 
Em informativo de outubro de 2015, a Concremat divulgou uma matéria em seu site sobre a ciclovia Tim Maia. Na reportagem, o gerente técnico Jorge Schneider explicou que ‘cerca de metade da extensão total da ciclovia foi concebida com uma estrutura independente, projetada ao lado e à jusante da Avenida Niemeyer’.
 
Segundo a Concremat, ao longo do percurso, ‘foram executadas contenções com cortinas atirantadas, contra-fortes atirantados e muretas de contenção chumbadas’. “Para a proteção dos taludes resultantes de escavações para a construção das fundações, foram também aplicadas as técnicas de solo grampeado e rip-rap”, informou a empreiteira.
 
“Tivemos o desafio de realizar uma obra em área urbana, com a construção em toda a sua extensão junto a uma avenida com largura reduzida e intenso fluxo diário de veículos, além de estar inserida em uma área com forte presença habitacional, onde os estreitos passeios são para grande parte dos moradores a única forma de acesso às suas residências”, contou o coordenador da obra, Saulo Rahal.
 
Informativo da Concremat, de outubro de 2015, tratou da ciclovia.
Informativo da Concremat, de outubro de 2015, tratou da ciclovia
 
A reportagem do informativo da empreiteira informou ainda que ‘com a impossibilidade de interdição da via durante o dia para as concretagens, além de dificuldades de escoramento por conta da altura e das irregularidades da encosta, a solução encontrada foi de pré-moldagem tanto da meso como da superestrutura, adotando-se para esta lajes PI protendidas com vãos de 6 e 12 metros, onde a associação de elementos retos e curvos permitiu com que a ciclovia acompanhasse todo o trajeto da Niemeyer’.
 
O pedaço arrancado pela água tem mais de 50 metros. A ciclovia é suspensa e junto ao mar. Está interditada, assim como a Niemeyer. Técnicos da Prefeitura ainda vão avaliar se há risco de outros desabamentos na ciclovia.
 
A estrutura foi levada pela ressaca do mar de São Conrado, na zona sul do Rio de Janeiro. Eduardo Marinho Albuquerque, de 53 anos, e um homem de 45 anos, cuja identidade não foi divulgada, foram as duas vítimas. Outras três pessoas teriam ficado feridas. O corpo de Albuquerque foi identificado por um cunhado no local, que não quis dar entrevista. Os dois corpos foram localizados no mar de São Conrado por bombeiros e ainda estão na areia.
 
A Secretaria de Turismo da Prefeitura do Rio não retornou ao contato da reportagem.
 
COM A PALAVRA, ANTONIO PEDRO VIEGAS FIGUEIRA DE MELLO
 
Tendo em vista que alguns órgãos de imprensa tentaram relacionar meu nome com o da empresa Concremat, venho esclarecer que durante toda a minha vida jamais trabalhei ou tive qualquer participação nos negócios da Concremat, empresa fundada por meu avô há mais de 60 anos.
 
Tentar ligar meu nome aos negócios da empresa simplesmente em função do parentesco é infundado e leviano.
 
Antonio Pedro Viegas Figueira de Mello
 
COM A PALAVRA, A CONCREMAT
 
“O Consórcio Contemat-Concrejato informa que uma equipe técnica da empresa já se encontra no local, trabalhando em coordenação com a Secretaria Municipal de Obras. As prioridades neste momento são garantir o atendimento às vítimas e seus familiares e avaliar as causas do acidente.”
 
A reportagem questionou a Concremat se o secretário teve alguma influência na contratação da empresa da família.
 
“O Consórcio participou de processo de licitação que foi acompanhado por todos os órgãos de fiscalização competentes”, respondeu a empreiteira.
 
COM A PALAVRA, A PREFEITURA DO RIO
 
O prefeito Eduardo Paes lamenta profundamente o acidente na Ciclovia da Niemeyer e se solidariza com as famílias das vítimas e com todos os cariocas neste momento. O prefeito estava em deslocamento para a Grécia – onde participaria, em Atenas, da cerimônia de passagem da tocha olímpica – e já está voltando para o Brasil. Paes atenderá a imprensa amanhã, assim que chegar ao Brasil, o que não tem horário previsto.
 
– É imperdoável o que aconteceu, já determinei a apuração imediata dos fatos e estou voltando para o Brasil para acompanhar de perto – disse o prefeito, que saiu ontem à noite do Rio.
 
A Prefeitura do Rio esclarece que a prioridade neste momento é garantir a segurança da população e o atendimento às vítimas e aos seus familiares. Técnicos do município estão desde cedo no local, trabalhando com coordenação da Secretaria Municipal de Obras. O resultado da vistoria realizada pela Fundação Geo-Rio para apurar as causas do acidente será divulgado assim que concluído. Os reparos serão executados pela empresa responsável pela construção, sem ônus adicionais ao município, já que a ciclovia ainda está na garantia de obra. A Avenida Niemeyer permanece interditada ao tráfego e o Corpo de Bombeiros continua as buscas no local.
 

44 comentários

  1. Pra comecar, a ciclovia

    Pra comecar, a ciclovia “custou” (coff coff) 3.3 milhoes de dolares por quilometro(!).  Pra segundar, o Brasil eh exportador de minerio de ferro mas as pilastras de sustentacao sao de…  de concreto.  Pra terceirar, a ciclovia foi feita pela compania de alguem muitissimo bem conectado politicamente.  Conectado diretamente aa direita, como sempre.

    So aparece cagada no Brasil!

    • Negativo

      Não Ivan. A coluna ser de concreto ou de ferro não é relevante nesse caso, inclusive a coluna continua intacta no mesmo lugar, praticamente sem danos. Fazer estrutura metálica à beira mar não é adequado devido aos efeitos da maresia e são agravados pelo péssimo hábito da Administração Pública ser negligente na manutenção das obras. Claro que poderia ser metálico, existe um sem número de pontes metálicas à beira mar. 

      No interior do coluna de concreto tem uma estrutura metálica, que assim fica protegida pelo concreto.

      O ponto é que o encaixe entre a coluna e a ciclovia deixou a estrutura (piso) da ciclovia muito exposto. No momento da ressaca uma onda bateu por baixo da ciclovia e a desencaixou da coluna, derrubando-a.

      Teria solução, claro, mas aí o custo da obra subiria e sobraria menos dinheiro a empreiteira e para pagar propina.

  2. ciclovia

    À primeira vista, parece que o problema não é construtivo, mas de projeto. É frequente a interdição da Av. Niemeyer em decorrência de rassacas, com ondas atingindo as pista. principalmente no trecho da Gruta da Imprensa, onde ocorreu o colapso.

    Pela fotografias publicadas, parece que a superestrutura foi levantada por uma dessas ondas.

  3. Desaba ciclovia no Rio, desaba viaduto em Minas…

    Do viaduto de Minas não se ouve dizer mais nada. Os milhões que a Prefeitura pagou não recebeu de volta, e o viaduto caiu antes mesmo de ser usado. Receber de volta o dinheiro gasto, obrigar ao pagamento de indenizações aos familiares dos mortos, nada aconteceu em Minas – apenas frases em jornais, tentativas de culpar um ou outro funcionário da obra, e ponto.

    Agora vem esta ciclovia jogada ao mar.

    Até quando veremos tais descasos com dinheiro público, sem punição alguma?

     

    • Até a população mudar a visão

      Até a população mudar a visão que se tem de obras públicas no Brasil. 

      É necessário parar de achar que as leis e os órgãos de controle são empecilhos ao progresso do Brasil.

      A ciclovia do Rio foi feita no RDC – Regime Diferenciado de Construção, invenção do governo do PT para flexibilizar as regras da Lei 8.666/93.

      • Meu Caro,
        Não cometa

        Meu Caro,

        Não cometa leviandades pelo que me consta a obra não se inclui nos quesitos da RDC, logo vc vai dizer que é culpa da Dilma e quem tem dinheiro no exterior é a familia do prefeito, bem como o sim do impeachment saiu da boca do menininho que é chegado a bater em mulheres e ontem não dizia nada com nada.

        Pel que consta a ciclovia não se enquadra em nenhum dos quesitos abaixo.

        O RDC foi instituído pela Lei nº 12.462, de 2011, regulamentado pelo Decreto nº 7.581 de 2011, sendo aplicável exclusivamente às licitações e contratos necessários à realização:

        dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016;da Copa das Confederações da Federação Internacional de Futebol Associação – Fifa 2013;da Copa do Mundo Fifa 2014;de obras de infraestrutura e de contratação de serviços para os aeroportos das capitais dos estados da federação distantes até 350 km das cidades sedes dos mundiais;das ações integrantes do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC;das obras e serviços de engenharia no âmbito do Sistema Único de Saúde – SUS;às licitações e contratos necessários à realização de obras e serviços de engenharia no âmbito dos sistemas públicos de ensino;das obras e serviços de engenharia para construção, ampliação e reforma de estabelecimentos penais e unidades de atendimento socioeducativo.

         

      • RDC na cabeça de desinformado

        Aleandro,

        Por qual motivo você permanece imerso nesta ignorância, em relação ao RDC ?

        Explique quais são as atividades contratadas, itens de obra ou coisa que o valha em regime de RDC, que  podem vir a escapar da 8.666. 

        Este RDC sempre incomodou batante a todos os que têm interesse $$$ em obras públicas, o que pode ser o seu caso. Obras sem aditivo de valor, com toda a responsabilidade sob o domínio do contratado, xô meu sinhô.

        Você deve saber quntas licitações ficaram desertas por conta do RDC, né ? Por isto o “invenção do PT”, muito embora você tenha errado novamente. Vá se informar.

  4. Postei a notícia ontem por

    Postei a notícia ontem por volta de 12:30h. Sorte do blogueiro que minha mãe está com a saúde abalada senão ….

    P.S.- Desconfio que após agosto, ou talvez antes, o que vai cair, quebrar, refeito aqui no Rio será um escandalo. Reservem espaços.

     

      • Só para testar …

        22/04/2016 12:07

        Desabamento em obra faz vítimas em São Paulo

        Um operário morreu e outros 5 foram resgatados; obra está localizada no bairro Itaim Bibi, Zona Sul

        Por: Agência Brasil

        O desabamento em uma obra hoje (22) na Zona Sul de São Paulo deixou seis vítimas, informou o Corpo de Bombeiros. Seis operários foram resgatados, mas um deles não resistiu e morreu. Não há detalhes sobre o estado de saúde dos que já foram socorridos.

        Segundo testemunhas, os funcionários trabalhavam, por volta das 9h, na soldagem de uma estrutura metálica que desabou. Quinze viaturas dos bombeiros estão no local.

        A obra está localizada na rua Michel Milan, 107, no bairro Itaim Bibi. De acordo com o Corpo de Bombeiros, uma vítima foi socorrida e levada ao Pronto Socorro Albert Sabin, na Lapa, e outras duas foram encaminhadas para outras unidades da região.

        A Agência Brasil entrou em contato com a empresa Cyrela, responsável pelas obras. Ela não se pronunciou.

        (http://www.diariosp.com.br/noticia/detalhe/91781/desabamento-em-obra-faz-vitimas-em-sao-paulo)

         

    • Também alertei

      Alertei no post sobre o morte do Prince e fui quase linchado, inclusive foi citado que o blog trata de assuntos nacionais e internacionais e não assuntos “super locais” (palavras do Ivan)

       

      Se fosse aqui em SP e obra do PSDB já teria uns 10 posts tratando do assunto, com ampla divulgação.

      Como é no RJ e o Eduardo Paes é amigo demorou mais de 24 horas.

      Complementando o post: na gestão Paes a empresa multiplicou por 18 o valor dos contratos assinados com a Prefeitura do Rio, mas deve ser coincidência…

       

      • Eh assunto tao hiperlocal

        Eh assunto tao hiperlocal como a morte de Prince eh (pelo menos pra mim).  Pra piorar, ja aconteceu antes e vai acontecer de novo:  NUNCA vira assunto de policia que seria em outros paises, NUNCA ha condenacoes, NUNCA as indenizacoes sao pagas.

        • Concordo, nunca há punição

          Alguns exemplos que lembrei em 5 segundos:

          1. Queda edifício Palace II

          2. Desmoronamento estação Pinheiros do metrô 

          3. Desmoronamento viaduto em BH

          Em todos os casos:

          – não houve punição proporcional ao dano (se é que houve alguma punição)

          – não houve indenização digna para as vítimas (se é que algum valor poderia compensar a perda de vidas)

          – ninguém passou uma noite sequer na cadeia

           

          Isso falando dos casos de ampla repercussão e com vítimas fatais. Quando não há vitimas e apenas transtorno,  mesmo que monumentais, fica por isso mesmo.

          Há alguns anos aqui em SP um caminhão com excesso de altura abalou a estrutura da ponte Eusébio Matoso. Precisou implodir uma parte da estrura, a região ficou um caos, etc. O motorista foi apenas multado, coisa de 50 reais.

          Nesse momento temos outro problema em outra ponte (Santo Amaro), que também não vai dar em nada, apesar dos transtornos gerados.

          Ou seja, pra que se preocupar se não há responsabilização a quem de direito ?

        • Hiper local? Pára para pensar, Ivan

          Imagine se caísse um pilar da ponte que liga Manhatan ao resto de Nova York, com morte de pessoas. Nao seria notícia aí no país todo? (Sendo nos EUA, provavelmente seria até notícia mundial).

  5. Obras da Prefeitura do Rio

    Muitas das obras executadas pela prefeitura do Rio de Janeiro aparentam ser de baixa qualidade. Eu costumava ir para o trabalho de bicicleta e passava pela ciclovia da Lagoa Rodrigo de Freitas, e a troca de asfaltamento da mesma foi um desastre, uma pista que apesar de esburacada não tinha bolsões d’água, passou a ter vários, em períodos de chuva era quase impossível passar por lá. O asfaltamento das ruas também aparentava ser de baixa qualidade.  E o viaduto de Santíssimo que durante as construções caiu, sem falar na duplicação da estrada do Lameirão, nossa, que coisa horrorosa!

    Como pode, uma ciclovia ser construida sobre uma estrutura tão frágil que não resistou a primeira ressaca? Ressacas que atingem a costa do Rio talvez três vezes ao ano. É um completo absurdo. A marca dessa prefeitura, seu legado, será o de  obras de qualidade no mínimo duvidosa.

     

  6. Engenharia de Lego.

    Não sou engenheiro mas me surpreende como decaiu a qualidade da engenharia para construções deste porte.

    Um amigo meu, aliás, que trabalhou em uma empresa de engenharia mas não como engenheiro, era chamado quase sempre para fazer, por exemplo, cálculo de estrutura. Isto é sinal de uma calamidade.

    Parece que a área foi substiuída por construções pré-moldadas no atacado, às expensas de qualquer cálculo, qualquer dimensionamento. Em São Paulo, por exemplo, a coisa é visível no metrô. Faça viagens nesta ordem: linha vermelha, linha azul, linha verde e linha amarela. Quando chega na amarela, má arquitetura, subdimensionada, medíocre. Nas demais, o governo do estado tem cometido barbaridades que descaracterizam os planos originais, tornando estações bem feitas em áreas caóticas de barulho e movimento.

    Mas a coisa deve ser mais ou menos assim: a empresa ganha (literal e figurativamente) a licitação, o patrão manda fazer de tal e tal jeito, o engenheiro, quiçá, sabe que pode acontecer alguma coisa (como é que vc coloca metros e metros de pilastras e peças de concreto armado sem alguma amarração digna do nome?) mas, em nome do salário, fica mudo.

    Com isto, não apenas se coloca a pouca capacidade de algumas empresas de engenharia para realizar empreendimentos de grande monta, como também a política de bastidores, nunca clara, mas que só o desastre coloca em evidência.

     

     

    • Façanhas da Engenharia

      Aquele túnel que liga a linha Verde com a Linha Amarela merece uma menção “honrosa” de absurda falta de planejamento e simulação da circulação das pessoas. É inacreditável de tão mal feito

  7. xada

    Eu passava por ali sempre durante a construção da tal ciclovia, e pude observar a péssima qualidade da obra.  Os pilares ainda inspiravam confiança, como se vê ficaram de pé depois da tormenta, mas a plataforma não aguentou a força das ondas, aliás, coisa muito comum de acontecer naquela área muito próxima da montanha e praticamente dentro do mar bravio.  A plataforma foi assentada a poucos centímetros da borda dos pilares e fixada apenas pelo peso da laje de seu piso. 

    Esse é o padrão Paes de obra pública, a pista do BRT trans oeste ficou esburacada uma semana depois de inaugurada, na primeira chuva.  O túnel binário também ficou inundado depois da primeira chuva, vamos ver como ficará a obra do BRT trans Brasil, não me surpreenderei se os problemas começarem a aparecer nas primeiras semanas de uso.  

  8. Ironias pindorâmicas.

    Segue abaixo link de um artigo de Mauro Viegas Filho, diretor-presidente da Concremat.

    Título e sub-título do artigo: “Crise na engenharia brasileira – A perspectiva é totalmente sombria em vista de não haver um programa de investimentos em projetos, visando à melhoria dos resultados dos empreendimentos”

    http://oglobo.globo.com/opiniao/crise-na-engenharia-brasileira-18915838

    Ninguém poderá dizer que o cara não avisou…

  9. Sem contar que esta ciclovia

    Sem contar que esta ciclovia matou a vista de quem passava de carro para admirar a beleza do mar. Agora, só quem estiver num ônibus.

    Comentava que ela deveria ser um pouco mais baixa, para não interferir na paisagem.

    Agora mostra-se insegura, aparentemente o trecho que desabou foi “levantado” por alguma onda forte.

  10. Cunha, o deus do Olimpo

    Detalhe: A ultima delação contra o Cunha, que disputa com o Aécio o campeonato das citações, fala em propina ligada às obras no Rio para o “legado olímpico”. 

    .

  11. colapso

    Nassif,

    No RJ, esta é o segundo acidente trágico ( basta uma morte, em minha opinião) que me lembro, tendo sido a queda do trecho do Elevado Paulo de Frontin o primeiro, bem no início da década de 70.

    São quase 4 km. de obra com dificuldades de construção perfeitamente superáveis, portanto, fico sem conseguir compreender de imediato as causas da tragédia. Alegar a força das ondas não passa de piada grosseira, mas a prefeitura é dona do projeto estrutural, bastando que o mesmo seja analisado por especialistas para que se possa saber se foi um erro de cálculo que fez com que o trecho não tenha suportado o efeito da ressaca, uma vez que o erro existiu.

    Outra possibilidade para a ocorrência da tragédia, em minha opinião mais remota, diz respeito aos materiais de construção utilizados naquele trecho específico, mas certamente já foram retiradas amostras daqueles materiais, concreto e outros, para as análises em laboratório ( por coincidência, a atividade que deu início à empresa Concremat), além de conjunto de fotos no trecho em que ocorreu o colapso da estrutura. 

    Quanto ao valor licitado, a prefeitura deverá dispor aos interessados a planilha de cálculo e orçamento que deu origem ao tal valor.

    Nos últimos oito ou dez  anos o RJ vem realizando um conjunto de obras impressionante, algo nunca visto em nenhuma cidade brasileira, todas elas caminhando para as respectivas conclusões, e o acidente vem a ocorrer numa “obreca”.

    • Geometria

      A geometria da do encaixe entre a coluna de sustenção e a ciclovia propriamente dita deixou a base da ciclovia totalmente exposta à ação da ressaca e aí bastou a força da Natureza para derrubar tudo. Curiosamente o encaixe naquele trecho da obra é diferente do restante da ciclovia.

      Não moro no Rio mas vi relatos que ressacas naquele trecho são comuns (2 ou 3 vezes por ano) então era algo bastante previsível e como você bem disse, contornável.

      Como diria um professor meu da Faculdade, em Engenharia não existe problema sem solução e sim falta de técnica ou de dinheiro para aplicar a técnica correta. No caso em questão eu incluiria na equação a necessidade de ter lucro astronômico e sobrar dinheiro para a construtora e para as propinas. Lembrando que a empreiteira é da família do Secretário e que seu faturamento aumentou 19 vezes desde a posse do Eduardo Paes na prefeitura.

      • erro grosseiro

        Luccas,

        Obrigado pelo retorno.

        Mar forte naquela região específica não pode ser considerado novidade para nenhum carioca.

        Se, conforme a sua opinião, houve falha no projeto estrutural, é falha necessariamente grosseira, fato que pode explicar o colapso.

        Agora, difícil será compreender uma possível falha de projeto apenas no tal trecho, sem que tenha ocorrido qualquer tipo de alteração no projeto estrutural dos trechos contíguos àquele que cedeu. 

        Noves fora os nossos “achismos”, resta o pior dos mundos, erro grosseiro na execução do serviço ( nesta obra, cujo projeto de execução ao menos em tese é basicamente o mesmo, com a maioria dos detalhes de construção sendo repetitivo, qualquer erro de execução passa a ser grosseiro).

        Um abraço

  12. Dois erros de engenharia, ao menos.

    O primeiro, muito bem descrito pelo José Carlos Vieira Filho às 09:43, mais abaixo, foi de projeto, que não previu ou desprezou o efeito das ondas na ciclovia, quando sabidamente as ressacas interditam com frequência a avenida ao lado.

    O segundo foi de operação. Se há um monitoramento que ao sinal de ressacas mais fortes interdita a Av. Niemeyer, que recebe veículos muito mais pesados do que as frágeis bicicletas e pedestres que circulam na ciclovia, além desta última ser mais próxima do mar, então, o monitoramento da ciclovia deveria ser muito mais rigoroso e ela teria de estar interditada em condições de ressaca mais brandas..

    • Monitoramento – bem lembrado !

      Qualquer parque de diversões, seja aqueles de de beira de estrada ou a Disney, interrompem seus brinquedos ao ar livre em caso de ventos fortes, chuvas e raios.

      No caso da ciclovia havia uma mar revolto, com as ondas batendo nas pedras e as água indo para a ciclovia e via e nada de pensar na segurança das pessoas, ainda mais que a ciclovia era totalmente isolada da avendia, com poucos pontos de comunicação entre a ciclovia e a avenida.

      Curioso observar que a passagem dos veículos, aquela parte de pedras logo atrás da ciclovia é de 1920 e não sofreu danos.

      • Você reparou no peso das estruturas da Gruta da Imprensa?

        “Obra de português”, como se dizia nas antigas, pra aguentar qualquer porrada; é daquelas construidas com coeficiente de cagaço 80, quando o projetista pediu “apenas” 40. A onda espirrou nela e sobrou pra ciclovia.

         

         

  13. rede globo vergonhosa

    A globo tá num esforço ferrenho para botar a culpa no mar, ou na Marinha do Brasil, que não teria alertado a ressaca, e assim abrandar o eduardo paes, o mais novo aliado do temer.

    Morei por 16 anos em São Conrado e boa parte deles sempre surfei ali. Já vi várias ressacas (especialmente em maio, época de ressacas no RJ) com o dobro das ondas. A altura das ondas ontem estava próxima de 6 pés, mas o RJ (são conrado incluído) sempre aturou ressacas com ondas de até 12 pés, especialmente em ano que tem o fenômeno El Nino, como esse. O estrago teria sido devastador, possivelmente muito mais gente teria morrido.

    O argumento da globo sobre a marinha é ainda mais risível. Há vários anos que se consegue monitorar com dias de antecedência quando uma ondulação encosta no litoral. Sites de surfe no RJ fazem isso todos os dias, a prefeitura não dependeria em nada da marinha para ter a previsão.

    E ainda se fala em liberdade de expressão no Brasil, piada, se o paes e aliados tivessem votado contra o golpe a pauta da globo era a inversa. A mídia brasileira é o que há de mais corrupto no país.

  14. Coisas da Natureza & Coisas do Brasil

    Pelo vídeo, que mostra o ocorrido no trecho da ciclo-passarela, nota-se que nem desabou (deitar abaixo), muito menos ruiu (desmoronar-se), conforme afirma o texto em seu inicio. O fato é que a peça encaixada nos pilares para ser utilizada como via (superestrutura) no trecho, foi deslocada dos pilares que a sustentavam, pela força da água, em onda, que a atingiu de baixo para cima.

    Sabe-se que a força da água foi superior a força que em sentido contrário sustentava a peça nos pilares, e que movimento da água com essa força no local não é comum, caso contrário teria sido deslocada antes, ou seja, no minimo não ocorreu antes nos últimos 3 meses (desde a inauguração), sendo ainda maior o período adicionando-se os meses em que a peça permaneceu instalada antes de inaugurada.

    Após cálculos a serem feitos e refeitos, contrastados com os registros de comportamento do movimento do mar, no local, provável que se conclua por Coisas do Brasil, mas improvavelmente pode ser que se conclua que o imponderável deu as caras e portanto reforce-se as estruturas, mesmo que demore mais trocentos anos para repetir-se o ocorrido.

    Nesse caso, Coisas da Natureza, bem diferente de, Eduardo Cunha e Câmara Família, irmãos Marinho e Globo, Michel Temer,  Rodrigo Janot e MPF, Gilmar Mendes e STF, José Serra, PF, Sérgio Moro, Justiça do Não Vem ao Caso, etc., Coisas do Brasil. 

    • Sim, é comum ondas violentas no local.

      A temporada de ressacas na orla fluminense acontece por esta época, entre meados do outono e do inverno.

      Pode se ver nas fotos que as ondas continuavam fortes no local depois do acidente.

      Ressacas muito mais intensas já foram registradas na história do Rio.

      Praia do Flamengo em 1913 e Enseada da Glória em 1921. Se no interior da Baía da Guanabara estava assim, imagina fora da barra. 

      Nesta aí abaixo, em alguns pontos, a água do mar escoava até a Av. N. S de Copacabana.

      Ondas quebrando em costões da orla carioca, em época recente.

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