Dilma escolhe Edinho e comunicação da Presidência retoma perfil político

Resta saber se Edinho Silva vai enxergar a crise como Thomas Traumann e pregar que Dilma cave mais espaço na mídia tradicional, “não importa quantos panelaços” tenha de enfrentar

Jornal GGN – O Palácio do Planalto anunciou nesta sexta-feira (27) que Edinho Silva (PT-SP), tesoureiro da campanha de reeleição de Dilma Rousseff , será o substituto do jornalista Thomas Traumann na Secretaria de Comunicação Social da Presidência, a Secom. A posse acontece na próxima segunda-feira (31), às 11h, em Brasília. Enquanto isso, o secretário-executivo Roberto Messias segue interinamente no cargo.

A notícia correu com a interpretação de que a escolha de Edinho agrada à CNB (Construindo um Novo Brasil), corrente do PT que se sente fora da “cozinha do governo” desde a saída de Gilberto Carvalho. Além disso, Edinho – ex-deputado estadual, ex-prefeito de Araraquara, formado em ciências sociais – devolve à comunicação estatal um perfil mais político que técnico – o último que passou por ali sem diploma de jornalista foi Luiz Gushiken, durante o primeiro mandato de Lula. Jornalistas de grandes grupos de comunicação reprovaram publicamente o viés político da decisão (veja a repercussão abaixo).

Segundo destacou o Estadão, Edinho, que não tentou a reeleição para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) em 2014, estava cotado para assumir a Autoridade Pública Olímpica. Mas o Planalto avaliou que ele seria rejeitado pelo Senado. Em carta publicada há algumas semanas, o petista explicou que não disputou novo mandato por escolha própria. Preferiu se dedicar à campanha de Dilma. “Esse convite foi um dos maiores reconhecimentos públicos que já obtive em toda a minha trajetória militante”, escreveu.

A grande mídia, nos últimos dias, têm publicado que a Secom não deveria ser ocupada por um petista, pois isso significa que os recursos publicitários administratos pela Pasta deixarão de irrigar os tradicionais veículos de imprensa para custear o trabalho dos “blogues alinhados com o governo”.

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A herança de Traumann e o futuro da Secom

Dias antes de pedir demissão da Secom, Traumann ganhou destaque na mídia com um relatório (em anexo ao final do texto) sobre a crise que o governo Dilma atravessa nesse início de segundo mandato.

Para o jornalista, a presidente repete em 2015 os erros de 2011: rompeu com bases que lhe deram a vitória, desmontou a estrutura de comunicação da campanha e deu pouca importância ao jornalismo feito sobre sua administração. Enquanto isso, o PSDB não deixou esfriar a relação com os eleitores anti-PT.

Escreveu Trauman: “Em estimativas iniciais, a manutenção dos robôs do PSDB [mesmo após o fim da eleição], a geração de conteúdo nos sites pró-impeachment e o pagamento pelo envio de [mensagens pelo aplicativo] Whatsapp significaram um gasto de quase R$ 10 milhões entre novembro [de 2014] e março [de 2015]. Deu resultado. Em fevereiro, conseguiram atingir 80 milhões de brasileiros. As páginas do Planalto mais as do PT, 22 milhões. Ou seja, estamos entrando em campo perdendo de 8 a 2.”

Para Traumann, “a comunicação é o mordomo das crises”. E em face do atual cenário de insatisfação generalizada (o ex-ministro não acredita na visão petista de que apenas a elite faz críticas à Dilma), “não há dúvidas de que a comunicação foi errada e errática.”

A saída, segundo o diagnóstico do jornalista, é Dilma travar mais uma batalha digital e cavar espaço na mídia tradicional, na tentativa de explicar três questões: a corrupção na Petrobras, a crise econômica e o chamado “estelionato eleitoral”. Ele também sugeriu aumentar os investimentos em publicidade na capital paulista.

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Já Edinho, na carta de despedida da Alesp, demonstrou acreditar na “ofensiva articulada pelos setores conservadores da sociedade brasileira para desestabilizar” o projeto do PT. “Temos que assumir a ofensiva política”, propôs. Resta saber como isso será feito.

Repercussão

Imediatamente após o anúncio da escolha de Dilma, o jornalista Josias de Souza (UOL) escreveu que “Edinho é sociólogo, não jornalista. Mas nada impede que ele recrute um profissional do ramo para lidar com os repórteres. As dúvidas que o novo ministro terá de responder são de outra ordem: pretende aplicar o orçamento de publicidade do governo segundo critérios partidários? Planeja propor alguma alteração nas leis que regem a comunicação no país?”

O representante do UOL ainda demonstrou preocupação em Edinho se propôr a “democratizar” a comunicação. “Se fizer desse tipo de pregação uma prioridade de sua gestão, o novo ministro da Comunicação tende a virar uma crise.”

Já Miriam Leitão, de O Globo, sustentou que “Dilma precisava ter um bom profissional de comunicação ao seu lado, com uma visão mais técnica, menos ideológica e marqueteira, do trabalho a desempenhar. Mas conseguiu piorar a situação ao nomear seu tesoureiro de campanha com uma avaliação ainda mais equivocada do que seja a melhor comunicação presidencial.”

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34 comentários

  1. Enxergar a crise

    O desafio realmente é ele enxergar a enorme deficiência do setor e convencer Dilma do que fazer. Trata-se de um ser político, o que é mais difícil, mas não impossível se ele se cercar de gente da área que mostre as reais necessidades de comunicação do governo. 

  2. Vai conseguir?

    1. Edinho nem de longe é do ramo. Mas, governar ou administrar, o negócio é EQUIPE. Vai conseguir montar uma equipe eficiente que dê conta do recado? Que não nos deixe falando sozinhos nas redes sociais? Rebater cada acusação falsa contra o governo de imediato? 

    2. Se conseguir sucesso para todas as questões acima, resta a maior bareira: Dilma vai deixar? 

    3. Até prova em contrário, a escolha do Edinho é de quem NÃO quer resolver o grave problema da comunicação. 

    • Também vejo assim,

      Também vejo assim, Fernando.

      No que precisar de aprovação no Congresso para montar equipe, criar cargos ou reorganizar a administração (por exemplo, reunindo os vários órgãos e cargos dispersos pela administração) não passa. Acho até que essa foi uma das causas da saída do Traumann (além de não aguentar mais ser chamado de inútil nas redes sociais).

      Tem que começar desde o primeiro instante “trabalhando com o que tem”. E isso precisa acontecer desde o primeiro momento. Caso contrário vai só repetir aquelas coletivas que o André Singer fazia (pra imprensa editar). Enquanto estava “por cima” até funcionava. Pra virar o jogo acho difícil.

  3. A leitoa não gostou, outros

    A leitoa não gostou, outros membros do PIG também ficaram muito contrariados, logo podemos dizer que a Dilma agiu no sentido correto.

    Na verdade o governo deveria comunicar-se com o povo através de cadeia gratuita de rádio e televisão, sempre no dia primeiro de cada mes no horário das 20:30h as 21:00h.  Nessa comunicação o governo deveria prestar contas do que fez no mes anterior e informar sobre seus projetos para os próximos meses.  E em casos excepcionais, inclusive para desmentir mentiras publicadas contra a governo, chamar cadeia gratuita de rádio e televisão para informar corretamente a população.

    Acredito ainda que o governo deveria ser proibido, bem como as empresas estatais, de pagar publicidade, visto que os meios de comunicação pertencem ao pais, e estão nas mãos de grupos econômicos apenas por concessão.

  4. Vamos fortalecer os blogues
    Vamos fortalecer os blogues que tenha uma visão mas crítica. Não necessariamente blogues que falam bem do PT mas blogues que tenham um contra ponto a mídia tradicional vulgo PIG ..

  5. Edinho

    Cargo de ministro é político; os técnicos devem ocupar as assessorias. Parece que os jornalistas que criticam a escolha fazem política, não jornalismo. Ou será que eles estão com medo que o indicado vá mexer nas fraudes que ocorrem há décadas na área de publicidade estatal? O caso do chamado mensalão não representa  nem 1% das irregularidades que aconteceram no setor.

  6. Ele pode resolver uma

    Ele pode resolver uma primeira parte do problema caso consiga sair do horizonte paulistano e paulista. Seu período como presidente do PT paulista deixa como herança a maior derrota do partido desde sua fundação. Não é um bom sinal. Não tem o cabedal político de Gushiken ou de Franklin para fazer da SECOM um pólo de debate do governo com a sociedade. Em suma, não se trata de uma escolha que possa mudar o rumo das coisas postas atualmente. Mais uma bola fora de Dilma e Mercadante.

  7. Ah, agora vai!… Mas por

    Ah, agora vai!

    … Mas por outro lado, se a Miriam Leitão falou que foi um “erro”, está no caminho certo. Se ela acrescenta que deveria ser um “técnico”, mais ainda. Se, além disso – antes até de qualquer movimento do novo secretário – ela já taxa de “ideológico” e sem “saber” o que é a comunicação presidencial, significa que estão com medo; que têm medo da concorrência; que querem o monopólio da propaganda política.

    Tem que partir pra cima.

  8. Se não agradou ao PIG, ótimo,

    Se não agradou ao PIG, ótimo, está no caminho certo. Este é um governo do PT, nada de colocar puxa saco de tucanos na comunicação. Esses que viviam abaixando a b. para o PIG já vimos que não deu certo, Para completar o quarteto de desmamados agora só falta o Noblat criticar para termos a certeza maior de que a Dilma acertou na escolha.

  9. Politizar a comunicação

    Politizar a comunicação é uma das armas do governo contra a desinformação da mídia golpista. Jornalista competente se contrata, mas um político astuto e de confiança é mais difícil nesse momento do vale tudo praticado pelo conservadorismo.

  10. Quem os jornalistas e

    Quem os jornalistas e articulistas da declaradamente mídia de oposição queriam na SECOM ?

     

    O Reinaldo Azevedo da Veja; o Wilian (odeio o PT) Waak da Globo;  ou o doido de pedra furioso Arnaldo Jabor da CBN?

    Se os membros do Instituto Milenium odiaram, é sinal que o governo Dilma está no rumo certo.

     

    Não adianta comtemporizar com a mídia golpista, eles são do contra sempre, é um problema ideológico e político, eles são neoliberais e sempre farão o jogo do PSDB. 

    Nâo adiantou nada a Dilma fazer omelete no programa da Ana Maria Braga no inicio do primeiro mandato e nem ir no convescote do aniversário da Folha Ditabranda em 2011.

    A Presidenta Dilma tem que se preocupar em governar o país e não dar trela para o alarido e latidos da mídia partidarizada, vão lamber sabão.

     

    Boa sorte ao Minsitro  Edinho Silva na SECOM, que mude a política de comunicação do governo federal, e dos recursos da propaganda federal,  que tem sido uma lástima desde o primeiro mandato da Dilma alimentando as cobras que agora estão atacando seu governo (globo, folha, estadão, veja, época, etc..), que olhe com mais carinho os veículos da mídia progressista ( meios impressos, internet, blogs)  fortalecendo a pluraridade de opiniões e fontes de informação.

  11. Calma

    Calma tigrada da grande mídia fascista e golpista, o Edinho é do PT de São Paulo e acima de tudo paulistano. Que o diga o Berzoini. Cadê o Berzoini?

  12. Problema é a presidenta…

    O Edinho pode ser uma boa alternativa. Principalmente, se ele tiver cuca/pulso e montar uma bela equipe… Se ele deixar o tal Messias (leiam a Conceição no Viomundo) ele dança até o final do ano. Agora, pelo que a gente lê o problema é Dilma. Cabeça dura, brava, centralizadora etc etc. Lembram da dupla Lula e Franklin? Funcionava pq o Franklin tinha carta branca. Dilma não dá carta branca pra ninguém. Só vermelha e escrita: tchaú, foi bom enquanto durou!

  13. Ainda acho que tinha que colocar

    o Requião ou o Ciro Gomes e deixá-los soltos! Contra os golpistas de plantão, tem de ser: Bateu? Levou! E cadeia nacional todos os dias depois do pasquim nacional.

    Mas, se o PIG é contra, alguma coisa de bom deve ter: “Jornalistas de grandes grupos de comunicação reprovaram publicamente o viés político da decisão.”

  14. Aparelhamento da SECOM

    Sabe-se que o Sr. Roberto Messias Bocorny aparelhou a SECOM com pessoas da sua confiança, que apregoam a “Mídia Técnica” , para favorecer aos amigos da grande imprensa, como fazia a secretária anterior Helena Chagas, que inclusive zombava do governo quanto à adoção de outro modelo de distribuição das verbas. A primeira grande tarefa do Edinho será desmontar o esquema criado recentemente pelo Roberto Messias na SECOM e consta que ele é truculento, com preferência política contrária ao governo, e envolve-se em assuntos paralelos.

  15. FT e The Economist abriram fogo cerrado

    Começa com uma prova de fogo, lá de longe, como drones teleguiados através do Atlântico, com patrocinio da City, chegam os artigos do Finacial Times e da The Economist, esculhambando o governo da Dilma e prevendo o cataclisma do Brasil.

    Tá certo que ficaram com raiva do Brasil quando este os colocou como a oitava economia do mundo!

    Agora querem a forra.

    Edinho, não deixa barato, detona eles e mostra serviço.

  16. Se é ruim para a Globo…

    A Globo e o UOL acaharam ruim a decisão? Ótimo!
    Sinal que o caminho é esse mesmo. Acertou a Presidenta.
    Desde a mais tenra idade ouço dizer: A Globo esperneou? então é bom para o Brasil.
    O que é ruim para a Globo é bom para o Brasil.

     

  17. + comentários

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