Fórum dos Fundos Soberanos Brasileiros promove seu primeiro seminário técnico

O evento contou com participação de pesquisadores da UFF, do JFI, especialistas do mercado financeiro e autoridades governamentais.

Agência Brasil

Fórum dos Fundos Soberanos Brasileiros promove seu primeiro seminário técnico

por Viviane Martins Romero

O processo de desenvolvimento regional e a conquista da estabilidade fiscal de longo prazo são questões comuns aos estados e municípios no Brasil. Nesse sentido, com a abundante entrada de receitas provenientes de compensação de atividades petrolíferas, alguns entes federativos têm buscado construir alternativas para uma gestão consciente e consequente desses recursos com a população local no longo prazo. É o que se verifica no estado do Espírito Santo e nos munícipios de Ilhabela, Maricá e Niterói, onde uma parte desses recursos tem se direcionado a constituir Fundos Soberanos de Riqueza.

Com vistas a melhor gerir e utilizar essas receitas finitas, trocar experiências e informações, promover ganho de legitimidade e institucionalização dos fundos,  os entes federativos citados,  idealizaram o  Fórum dos Fundos Soberanos Brasileiros. O grupo conta com o apoio da UFF e do JFI – organização de pesquisa aplicada sediada nos EUA – e acaba de promover seu primeiro seminário técnico (realizado no final de junho, em Niterói). O evento contou com participação de pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF), do Jain Family Institute (JFI), especialistas do mercado financeiro e autoridades governamentais.  

Segundo Leandro Ferreira, codiretor do Fórum: “Neste primeiro evento convidamos interessados em conhecer os assuntos discutidos nos nossos grupos de trabalho. Temos avançado na compreensão do papel dos fundos, mas acreditamos que trazer outros sujeitos para o debate é um meio de fortalecer as instituições e trazer maior legitimidade e efetividade para as ações que estão sendo desenvolvidas”.

Jornal GGN produzirá documentário sobre esquemas da ultradireita mundial e ameaça eleitoral. Saiba aqui como apoiar

Para Michael Stynes, diretor executivo da JFI, o seminário consolidou a criação do Fórum. Michael destacou ainda que os debates fomentaram discussões importantes para o grupo, como as políticas de investimento, os mecanismos de governança e a necessidade de ampliação do alcance político dos fundos para impulsionar processos regulatórios e projetos de interesse comum.

“Fiquei muito entusiasmado com o resultado desse primeiro encontro presencial. Cada fundo tem uma realidade, mas há muitos desafios comuns. Por isso, a troca de experiências pode ajudar a superar as dificuldades desse modelo de investimento ainda pouco explorado no mundo.  Acredito que somando forças temos possibilidade de superar barreiras e criar algo duradouro que permita investimentos estratégicos e poupança geracional para os fundos”, completou Stynes.  

A professora da UFF Carmem Feijó, que integra a coordenação do Fórum, frisou que o encontro confirmou um ponto importante e comum para os fundos: a necessidade de criar uma cultura de gestão financeira pública focada no planejamento e não no imediatismo. “Saio com a certeza de que o Fórum é mais do que necessário. É uma missão bastante desafiadora pensar nas gerações futuras, no planejamento a longo prazo e no desenvolvimento de riqueza que nos leve à preparação para a Era pós-petróleo, que um dia vai chegar. Tudo isso envolve muito conhecimento, muitos saberes. Por esse motivo, a parceria que hoje se fortifica entre os gestores políticos, UFF e JFI é extremamente importante”, declarou Carmem. 

Debates:

O seminário contou com três mesas de debate.A primeira teve como temática: “Fundos Soberanos Brasileiros: Enquadramento institucional – estrutura e operação”. Gestores dos fundos soberanos de Niterói, Maricá, Ilhabela e Espírito Santo apresentaram:  objetivos e finalidades, capacidades estatais, os modelos de governança e as formas de planejamento no uso de recursos de seus fundos. 

Participaram: Heitor Moreira, Subsecretário de finanças de Niterói; Fernando Cresio, subsecretário do Fundo Soberano de Ilhabela; Alexandre Viana Gebara, subgerente de Gestão do Fundo Soberano do Espírito Santo; e Marcos Moura, subsecretário de gestão de Maricá.

A segunda mesa abordou a “Poupança intergeracional e investimento: como garantir a continuidade das fontes de recursos”. O pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) Henrique Jager expôs sobre o histórico do uso dos recursos de royalties no Brasil e os desafios e fragilidades dos Fundos Brasileiros Soberanos. Já Fernando Teixeira, pesquisador do Fórum de Fundos e Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), dissertou sobre a diferença entre fundos nacionais, apresentou os fundos que serviram de inspiração para eles e fez uma reflexão a respeito da capacidade estatal e os desafios de médio e longo prazo.

Os “Princípios dos Fundos Soberanos Brasileiros” foram assunto da terceira e última mesa que contou com a participação dos Professores da UFF e Coordenadores do Fórum, Carmem Feijó e Fábio Waltenberg. Os Professores apresentaram ao público presente alguns avanços ocorridos até o momento no que se refere à construção de uma carta de intenção comum aos  Fundos Soberanos Brasileiros e reforçaram o caráter inovativo da iniciativa.

Interessados no seminário, acessem aqui: (19) LIVE | Seminário Fórum dos Fundos Soberanos Brasileiros – YouTube

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]

0 Comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Seja um apoiador