O futuro já aconteceu em Minas Gerais

O projeto Conect.ME utiliza sistema de corredores de baixo carbono no acesso a prédios públicos, avanço tecnológico liderado pelo governo de Minas Gerais desde 2016
 
Cidade Administrativa de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais
Foto: Divulgação
 
Jornal GGN – O baque da paralisação dos caminhoneiros e transportadoras sobre o ritmo da economia brasileira reacende a discussão sobre o uso de soluções alternativas de combustíveis e de transportes. Além do biodiesel, para o qual bastaria ampliar o cultivo de plantas como a “mamona” ou mais ferrovias e hidrovias, existe a opção dos carros elétricos, tecnologia para a qual a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) avança em experiências com resultados práticos.
 
Uma parceria entre o governo de Minas Gerais, Cemig, por meio da subsidiária Axxiom, Cotemig, Fapemig e BDMG permitiu colocar em prática, desde 2016, a mobilidade elétrica de baixo carbono dentro das instalações da Cidade Administrativa. “É o projeto Conect.ME, um movimento de vanguarda em Minas Gerais que combina uso de veículos, motos, carros, vans e ônibus que circulam e são abastecidos com energia elétrica”, conta Fabiana Borges Teixeira dos Santos, presidente da Axxiom.
 
Ao todo, 16 eletropostos estão instalados e já funcionam em Belo Horizonte para a recarga da bateria de veículos elétricos, seis deles dentro da Cidade Administrativa. Dois estão no Edifício Minas Gerais; dois no Edifício Gerais e dois externos, em pontos de ônibus. Isso permite aos usuários economizar tempo, uma vez que o sistema de informação eletrônico avisa os minutos de espera até a chegada do próximo transporte e cria atmosfera mais limpa para respirar. A iniciativa mostra o compromisso do governo com a sustentabilidade e com as mudanças climáticas.
 
Segundo Fabiana, a plataforma de tecnologia e inovação do Conect.ME colabora ainda para dinamizar a Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), envolvendo redes nacionais e internacionais do conhecimento e que são referências nas áreas de sustentabilidade e mobilidade sustentável. E também a conexão com projetos de empreendedores, startups e centros de inovação que trabalham com tecnologias de informação e comunicação, desenvolvimento de novos materiais e aplicativos para Smart cities/Smart home. A partir desse contexto, o Conect.ME incentiva o uso da tecnologia na relação com o cidadão e os serviços urbanos na perspectiva de melhorar a qualidade de vida.
 
Cidade Administrativa vista de noite. Foto Divulgação
Esse Sistema é composto por veículos elétricos plug-in; infraestrutura de recarga de veículos elétricos (eletropostos), com Sistema Inteligente de Monitoramento em tempo real dos veículos e eletropostos, permitindo a coleta de dados em tempo real de operação, e a produção de relatórios analíticos de apoio à inteligência de negócios e centros de monitoramento de veículos e dos eletropostos, instalados tanto na Cidade Administrativa quanto na Axxiom.
 
Os veículos rodam em média três mil km ao mês. O resultado é mensurado mensalmente, com redução de emissão de CO², do consumo de combustível fóssil e a quantidade do volume utilizado. A iniciativa está alinhada ao âmbito das negociações mundiais em torno das mudanças climáticas.
 
Na Conferência das Partes das Nações Unidas (COP 21), foi destacada a importância de ações por todos os setores, sendo aquelas relacionadas ao transporte consideradas centrais, tendo em vista que este setor é responsável, no âmbito global, por 23% das emissões relacionadas com o uso de energia.
 
Alinha-se também com o cenário de transformação tecnológica, em que a digitalização e a conectividade passam a impactar crescentemente os negócios, como exemplificado pelas ações em torno da indústria 4.0”, completa.
  
O número de veículos elétricos e híbridos plug-in pelo mundo ultrapassou 3 milhões de unidades em 2017, segundo informações do jornal britânico The Guardian a partir da base de dados sueca EV-Volumes, que contabiliza a venda desses veículos. Em 2018, serão mais de 5 milhões, liderados pela China.
 
“Em Portugal, a parceria com o Centro de Excelência da Indústria do Automóvel, o projeto Move-ME, permite apoio recíproco e troca de ideias”, conta Fabiana. A ideia é avançar em direção a integração de vários modais, como veículos, trens, ônibus, como já se vê nas plataformas de espera de metrôs em Lisboa e outras cidades portuguesas e de diversos outros países.
 
O próprio desemprego gerado pela crise europeia estimulou a busca por oportunidades, como o trânsito de turistas feito atualmente pelos tuk tuks, carros pequenos, com capacidade para o transporte de no máximo quatro pessoas pelas ruas de Lisboa, e cidades históricas. Além disso, eletropostos nas calçadas facilitam a recarga das baterias de carros elétricos, com procura crescente no comércio de veículos daquele país.
 
Assim, Minas Gerais tem a oportunidade de se posicionar como líder nas soluções de mobilidade do futuro ao criar ambientes de teste e experiência da mobilidade elétrica, na Cidade Administrativa e na ligação ao Aeroporto de Confins, na região metropolitana, e ao centro de Belo Horizonte, diz a presidente da Axxiom.
 
O Conect.ME conta com ônibus e bicicletas, sendo o único da América Latina que tem todos os modais de transportes integrados e monitorados em tempo real. Nesse sentido, contribui para o planejamento de políticas públicas nas áreas de mobilidade e sustentabilidade. Contribui para tornar o transporte público mais rápido e mais eficiente, reduzindo tempo de espera e, por exemplo, indicando rotas mais rápidas.
 
Ônibus da Conect Me. Foto Divulgação
Experiência que a indústria poderá utilizar positivamente em produtos de olho no mercado de consumo em potencial, principalmente daqui para a frente. Crises têm essa vantagem: abrem um amplo leque de possibilidades.
 
O Governo do Estado de Minas Gerais, conforme avalia, tem essa dimensão e se prepara para ampliar a aplicação do conjunto de conhecimento adquirido nesse sentido. O modelo das cidades do futuro baseia-se na sustentabilidade, com redução de emissão de poluentes e melhoria da qualidade de vida.
 
Dessa vez, ao contrário de criar um protótipo de um carro, como foi feito no passado (2009), e ficou obsoleto, o projeto pressupõe o uso de veículos cedidos pelas montadoras ou concessionárias, multimarcas, nacionais e de importados, que são preparados para atender aos objetivos do projeto. Alguns deles alinham desempenho às novas tecnologias desenvolvidas pelos parceiros.
 
“Caso as montadoras decidam ampliar a produção do carro elétrico e das Smart grids, temos a experiência anterior da Cidade do Futuro”, diz o engenheiro elétrico Daniel Senna Guimarães, gerente de Soluções e Manutenção de Telecomunicações da Cemig.
 
Gestor do projeto piloto, que colocou em prática o conceito das redes inteligentes, uma arquitetura integrada de distribuição de energia pela Cemig Distribuição na cidade de Sete Lagoas, a 70 km de Belo Horizonte (MG), ele garante que “a experiência foi um sucesso, mesmo que já tenha sido encerrada”. Foram gerados resultados com aplicações práticas posteriores em maior escala, como nos atuais 630 pontos de automação de rede já instalados em nove das 34 cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) este ano, e que, em breve, serão estendidos a outras cidades, justifica.
 
“São respostas positivas da experiência de Sete Lagoas levadas adiante, com a tecnologia absorvida pela empresa e grandes perspectivas de expansão”, completa.  E embora o Cidades do Futuro tenha sido aplicado a um projeto pioneiro, em uma única cidade, num período determinado, de 2009 a 2013, a ideia prossegue com a preservação das conquistas tecnológicas registradas e reunidas dentro de um conceito mais amplo, com informações técnicas para aplicações diversas, que ainda não tem um  nome definitivo.
 
Dentro desse novo conceito, medidores inteligentes, um dos equipamentos testados no projeto Cidades do Futuro, mostram horários em que o consumo é maior ou menor em residências ou empresas. Permitem também a cobrança da chamada bandeira branca, com dados e horários de consumo registrados para planejar gastos. As informações podem ser enviadas pela internet a celulares de clientes. Desde o início do ano, esses aparelhos foram autorizados para atender consumo médio de 500 kWh/mês e, em 2020, poderão ser utilizados por todos os consumidores.
 
Outro procedimento já autorizado pela Aneel está revolucionando o processo de fornecimento de energia das concessionárias para usuários, tradicionalmente de mão única, e faz com que eles participem do processo. Os consumidores podem instalar painéis solares fotovoltaicos nos projetos arquitetônicos e torres eólicas nos jardins e quintais, como um caminho de mão dupla, num sistema de trocas da energia excedente por créditos, que permitirão até mesmo recarregar a bateria do carro elétrico na garagem de casa. Uma energia mais eficiente, econômica e sustentável.
 
Carros elétricos. Foto Divulgação
O consumidor poderá gerenciar como usar a energia enquanto é utilizada, e reduzir, assim, o consumo. Menos interrupções de energia são outra resultante positiva dos processos de Smart grid, que serão resolvidos com mais agilidade, uma vez que a informação chega imediatamente à empresa.
 
Experiência piloto
 
A escolha de Sete Lagoas, com cerca de 200 mil habitantes, dos quais 80 mil participaram da experiência, se deveu ao município possuir grande diversidade de atividades econômicas nos setores industrial, da agropecuária e de serviços. E mais: sistema elétrico de alta, média e baixa tensão, sistema de telecomunicações, mercado diversificado e a presença da Universidade Corporativa da Cemig (UniverCemig).
 
Foram instalados cerca de oito mil medidores inteligentes em unidades consumidoras de Sete Lagoas. A Cemig foi uma das primeiras concessionárias do país a testar esse tipo de tecnologia junto aos consumidores, desde que Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) regularizou sua utilização em fase de testes no País, a partir da Chamada Pública nº 011/2010 da Aneel, do Programa Brasileiro de Rede Elétrica Inteligente, para desenvolver um plano nacional para migração tecnológica do setor elétrico visando a adoção do conceito de redes inteligentes.
 
A rede experimental integra cabos elétricos e fibras ópticas, tecnologia inédita no mundo, em parceria com centros de pesquisa, com capacidade de transmissão simultânea de energia elétrica e comunicação de dados em banda larga, com cabos condutores especiais integrados que trazem fibras óticas em seu núcleo.
 
As ações concentraram-se nas áreas de automação da medição de consumidores, automação de subestações, automação de redes de distribuição, telecomunicações operacionais, sistemas computacionais da operação do sistema elétrico e gerenciamento e integração de geração distribuída.
 
Referência no Brasil, a Cemig é a única Empresa do setor elétrico presente há 18 anos no Índice Dow Jones de Sustentabilidade, do qual faz parte desde sua criação, em 1999, sendo já eleita líder mundial em sustentabilidade do supersetor de utilities. A proposta mostrou que a Cidade do Futuro pode ser o futuro das cidades.
 
Biomassa gera energia
 
Cascas de café, de soja, vinhaça, bagaço de cana de açúcar, efluentes de bovinos, suínos, aves e resíduos sólidos urbanos geram uma biomassa que pode ser transformada em energia. O total do volume produzido em Minas Gerais foi mapeado pela primeira vez, este ano, pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), a P&D GT557 – Desenvolvimento de um Sistema para o Cálculo do Potencial de Geração de Energia por meio de Biomassa em todo o território a exemplo do que já havia sido feito com a energia solar e eólica.
 
E acreditem, é expressivo. Equivalente a 2.680 MW (Megawatts), segundo adianta Cláudio Homero, gerente do projeto da Cemig. A conclusão é que biomassa existente poderia produzir energia equivalente a 2.680 MW (Megawatts).  Para se ter uma ideia, essa dimensão é equivalente à da energia gerada por três usinas hidrelétricas de médio porte. Para ele, o problema é que essa potência está espalhada em propriedades e áreas de diversos tamanhos, mas o mapeamento é fundamental para que iniciativas possam ser tomadas. 
 
Os dados podem ser conferidos no Atlas da Biomassa publicado este mês e traz todo levantamento feito pela Superintendência de Tecnologia, Inovação e Eficiência Energética (TE), em parceria com a Novas Opções Energéticas (NOE), a Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig) e o programa de P&D ANEEL. 
 
Além de movimentar uma extensa cadeia de insumos e produtos, a destinação da biomassa pode contribuir para alavancar a economia. “Os resíduos representam oportunidades interessantes de desenvolvimento e negócios. A diversidade de origens da biomassa e também das tecnologias aplicáveis torna a sua utilização com foco energético em um desafio bastante interessante”, diz. 
 
O Atlas da biomassa foi publicado com mais de 50 mapas distribuídos em 400 páginas, com conteúdo técnico sobre o desenvolvimento do projeto; um mapa A0 que sintetiza os resultados alcançados e um aplicativo para celular. No aplicativo é possível acessar o potencial de resíduos por fonte e para todas as cidades de MG, além de uma opção em que o usuário pode calcular o potencial dos resíduos de sua propriedade ou de uma situação hipotética. O download pode ser feito no site da Cemig página Inovação-Fontes Alternativas.
 

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3 comentários

  1. A Cidade Administrativa é uma

    A Cidade Administrativa é uma das maiores aberrações arquitetonicas e de mau uso dos recursos publicos, explica muita da falencia das finanças publicas dos Estados e do Governo central.

    Predios faronicos, de custos absurdos, IMPRODUTIVOS o CA custou por numeros oficiais R$1 bilhão mas possivelmente foi muito mais, um mastodonte horroroso, no meio do nada, um paisagem lunar, cadê o boteco para bater papo no fim do dia?

    Porque fazer um troço desses LONGE da cidade? A cidade é a logica, a cidade é a historia do Estado, porque não gastar 10% do dinheiro do CA na recuperação do Centro de BH e fixar a administração do Estado no centro de BH, de acesso facil para todos, a pé, dentro dos conceitos modernos de mobilidade urbano, o CA é uma viagem, qual a vantagem?

    A mesma logica se aplica ao Brasil, predios publicos novos e de má arquitetura, feios, depressivos, sem historia.

    A Europa é bonita porque os europeus são civilizados e valorizam seus centros historicos, sempre limpos, MODERNIZADOS sem perder a historia, o processo se chama RETROFIT, recuperação de edificios antigos, o grosso de Paris e Londres são edificios de mais de 100 anos, muitos de 200 anos, RECUPERADOS por dentro mas lindos por fora.

    A CA é uma tragedia arquitetonica, financeira, politica, Aecio se enterrou nessa loucura.

    • AA, pra noticiar Minas voce

      AA, pra noticiar Minas voce tem que catar, entre milhares de noticias…

      As menos jecas possiveis!

      Eh mais ou menos 3 por ano.

      E todas duas do dia sao envergonhantes.

  2. 16 eletropostes!
    Quem eh Lula

    16 eletropostes!

    Quem eh Lula pra pensar que possibilitar posse de carro proprio pra milhoes de pessoas se compara a isso????

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