Ana Estela Haddad vai à Casa Cor atrás de projetos de habitação social

Jornal GGN – Envolvida em ações para melhorar a qualidade de vida de moradores dos cortiços na região do Glicério, a primeira-dama de São Paulo, Ana Estela Haddad foi buscar inspiração para habitações sociais na 30ª Casa Cor. Lá, ela se interessou pelo modelo sustentável da Casa Aqua.

Os autores do projeto arquitetônico, Rodrigo Mindlin Loeb e Caio Dotto, receberam a primeira dama e explicaram que a Casa Aqua representa uma inovação em habitação. O modelo foi construído em apenas 19 dias, produz sua própria energia, capta água de chuva e transforma em água potável e ainda tem flexibilidade para ser desmontado e levado para outro endereço.

A moradia em exposição foi pensada para um casal e é um projeto em desenvolvimento. Mesmo assim, de acordo com Loeb, é plenamente adaptável para construção em larga escala. E pode servir a qualquer faixa de renda.

“É um protótipo já na fase final de produto, com um sistema resolvido e com a construção 100% equacionada, bem como a cadeia de suprimentos. Mas só ganha verdadeiro sentido se tiver interesse social”, disse. Para o arquiteto, o estudo de soluções para habitações sociais deve ser um compromisso com a geração atual e as futuras gerações.

Caio Dotto disse à primeira-dama que “a casa pretende não só registrar um modelo residencial unifamiliar industrializado como também provocar a reflexão sobre o que é de fato necessário consumirmos para se viver bem e como isso se reflete na natureza”.

De acordo com Luiz Henrique Ferreira, conceituador e integrador de soluções sustentáveis da Inovatech Engenharia, o modelo da Casa Aqua pode “qualificar situações precárias de habitação”. Os blocos que compõem esse tipo de moradia são modulares, o que garante uma “montagem e desmontagem muito apropriada para aplicação em situações de risco e vulnerabilidade”.

A Casa Aqua foi concebida como uma moradia possível, capaz de economizar recursos naturais, reduzir a poluição e respeitar o meio ambiente. Rodrigo Mindlin Loeb lembrou que o déficit habitacional no Brasil é de 7,5 milhões de moradias. “Estudar soluções com foco no ambiente saudável e ciclo de vida durável é um desafio imenso, diante da perspectiva de que até 2025 teremos 80 milhões de pessoas sem moradia, se nada fizermos” afirmou Loeb.

Ana Estela Haddad observou que, até 2050, 66% das pessoas viverão nas grandes cidades. A habitação é um problema atual que tende a se agravar. A primeira-dama, que tem um projeto de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento infantil, entende que um ambiente familiar adequado passa por uma moradia de qualidade.

“Para crescer saudável, a criança precisa de luz e ar natural, boa alimentação, e um cuidador responsivo, que interaja com ela. A moradia é quesito muito importante”, disse. No Glicério, muitas famílias vivem em um só cômodo, que serve de cozinha, quarto e sala, e usam banheiros comunitários. 

Fotos: Eduardo Ogata

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5 comentários

  1. Interessante, mas…
    pra quem

    Interessante, mas…

    pra quem também ficou boiando sobre essa Casa Aqua, aqui o link do projeto http://www.casaaqua.com.br

    Do site

    A Casa AQUA é uma iniciativa da Inovatech Engenharia que desde 2008 tem como principal objetivo descomplicar a sustentabilidade no setor da construção. Nossa proposta é promover a transferência de conhecimento e a geração de conexões entre profissionais, estudantes, fabricantes, prestadores de serviços e consumidores.

    Acreditamos numa sustentabilidade viável, adaptada ao contexto e clima de cada localização, aos hábitos de consumo dos ocupantes e às particularidades estéticas e arquitetônicas de cada construção.

    Nossas plataformas de transferência de conhecimento e geração de conexões são:

    • Portal de conteúdo na internet;
    • Casas Conceito: construídas em eventos e feiras de grande visitação, com objetivo de testar soluções sustentáveis na prática; 
    • Prêmio Casa AQUA: Conjunto de desafios temáticos voltados à construção sustentável, com principal objetivo de gerar conexões entre profissionais, fabricantes, empreendedores e consumidores finais.

    Temos certeza de que a união de esforços nos levará mais rápido aos nossos objetivos, e por isso buscamos parcerias e alianças com organizações e pessoas com crenças semelhantes às nossas.

  2. A gentrificação continua em muitas cidades

    Bom ver iniciativas como essa e o interesse de um gestor publico. Faz tempo que penso que nos precisamos de projetos urbanistas de grande envergadura. Tenho visto o interesse de Fernando Haddad nessa questão, mas em outras capitais, continuam ainda tratando o urbano da mesma forma que nas décadas passadas. Setores imobiliarios tomando conta de terrenos imensos para garantir a valorização, continuam construindo viadutos que pesam e enfeiam as cidades, poucas melhorias nas questões de transporte publico e de criação de areas verdes, parques, novas formas de moradias etc.

  3. vendo imagens das periferias destroçadas pela tempestade

    Bem que estudantes de Arquitetura, as mocinhas bem nascidas poderiam dar sentido ao curso, em vez de só decorar as casas grã finas com badulaques glamourosos.

     

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