O polêmico caso de Belo Monte

Jornal GGN – O empreendimento, localizado no rio Xingu, estado do Pará, terá capacidade total instalada de 11.233,1 MW, prevendo-se a entrada em operação de sua primeira unidade no ano de 2015. A implantação da hidrelétrica de Belo Monte virá adicionar 4.571 MW médios de energia ao sistema elétrico brasileiro, energia suficiente para abastecer 40% do consumo residencial de todo o país. De acordo com a Norte Energia, responsável pelo projeto, trata-se de empreendimento estruturante para a política nacional de expansão da geração de energia elétrica, trazendo uma contribuição importante para que a energia elétrica disponível para a sociedade brasileira nos próximos anos satisfaça o imperativo da modicidade tarifária e da segurança energética.

Ainda de acordo com a empresa, Em observância aos fortes condicionantes ambientais, a usina de Belo Monte foi planejada com operação em regime de fio d’agua, o que permitiu uma redução expressiva no tamanho do reservatório e consequentemente da área a ser inundada. Deve-se atentar, igualmente, para os impactos ambientais das demais fontes de energia elétrica e a escala da energia ofertada da Belo Monte. Caso do bagaço da cana-de-açúcar fosse selecionado como opção para substituir essa geração, haveria uma demanda adicional de 8 milhões de hectares de área plantada, significando mais 170 milhões de toneladas de bagaço por ano, o que corresponde a uma safra de 681 milhões de toneladas de cana. Para produzir a energia equivalente a Belo Monte por meio de pequenas centrais hidrelétricas, seria preciso alagar uma área até três vezes superior. Caso o volume de energia gerado pelo empreendimento fosse produzido em usinas térmicas abastecidas com gás natural, seriam lançadas mais de 16 milhões de toneladas de gás carbônico na atmosfera, segundo a Norte Energia.

Ao longo de sua elaboração, o projeto de aproveitamento hidrelétrico de Belo Monte foi profundamente modificado, com vistas a restringir os impactos que o projeto poderia acarretar ao meio ambiente e à população da região. A área de inundação foi reduzida em 60% em comparação com o projeto inicial: a título de comparação, enquanto a média nacional de área alagada é de 0,49 km² por MW instalado, a Usina de Belo Monte deverá contar com uma relação de apenas 0,04 km² por MW instalado. Ademais, dos 503 km2 de área inundada, cerca de 228 km2 (44%) correspondem ao próprio leito original do rio.

A hidrelétrica de Belo Monte será provida de escadas de peixes, assim como Itaipu e as usinas em implantação no rio Madeira, Santo Antônio e Jirau. A piracema não será impedida pelo barramento, preservando o equilíbrio da fauna aquática do Rio Xingu. Ações efetivas de mitigação de impactos sobre as espécies serão adotadas, conforme acordado junto aos órgãos ambientais, com a elaboração e implementação de um Plano de Conservação de Ecossistemas Aquáticos.

Entre os grupos contrários à instalação de Belo Monte, estão ambientalistas, membros da Igreja Católica, representantes de povos indígenas e ribeirinhos e analistas independentes. Além disso, o Ministério Público Federal ajuizou uma série de ações contra a construção da usina, apontando supostas irregularidades.

Coordenador de um painel de especialistas críticos ao projeto, Francisco Hernandez, pesquisador do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo, afirma que a instalação de Belo Monte provocaria uma interrupção do rio Xingu em um trecho de cerca de 100 quilômetros, o que reduziria de maneira significativa a vazão do rio.

Além das questões ambientais, alguns críticos apontam que a usina de Belo Monte pode ser ineficiente em termos de produção de energia, devido às mudanças de vazão no rio Xingu ao longo do ano.

Segundo Hernandez, dependendo da estação do ano, a vazão do rio Xingu pode variar entre 800 metros cúbicos por segundo e 28 mil metros cúbicos por segundo, o que faria com que Belo Monte pudesse produzir apenas 39% da energia a que tem potencial por sua capacidade instalada.

Um artigo de Jorge Cordeiro, publicado pelo Jornal GGN em 23 de novembro de 2011, pretende dissipar o que se chama de demonização da usina. Confira:

* O lago de Belo Monte terá 503 quilômetros quadrados, dos quais 228 já são o leito do próprio rio Xingu. E boa parte da área restante já está desmatada por criadores de gado, agricultores e madeireiras ilegais. O desmatamento efetivo por conta da usina, portanto, é muito pequeno se comparado com o tamanho do empreendimento, a energia que fornecerá e os benefícios que trará à região. E o lago, uma vez criado, servirá para proteger o entorno de 28 mil hectares (280 quilômetros quadrados), já que vira uma Área de Preservação Permanente (APP).

* É normal que empreendimentos hidrelétricos, e quase todas as fontes de geração de energia, tenham uma capacidade de geração e um fator de potência – ou seja, quanto dessa capacidade será possível gerar em média em um ano. No caso de Belo Monte, que tem capacidade instalada de 11.233 MW, a geração média é de 4.571 MW, ou 41%. Esse número é o suficiente para abastecer 40% do consumo residencial de todo o Brasil. Ao longo de sua elaboração, o projeto Belo Monte foi modificado para restringir os impactos que poderia causar ao meio ambiente e à população da região, reduzindo-se a área de inundação prevista em 60% em relação ao projeto inicial. Isso diminuiu a geração média de energia, mas foi importante para a diminuição do seu impacto.

* Há duas maneiras de se construir uma usina hidrelétrica: basear-se exclusivamente no critério de eficiência, em que teria de dispor de um lago enorme, como era o projeto original de Belo Monte de 1980, alagando amplas regiões, ou um sistema energeticamente menos eficiente – o de geração de energia em cima da correnteza do rio, denominado fio d’água – justamente para privilegiar questões ambientais. Belo Monte é desse segundo tipo, não sendo tão eficiente como a média das hidrelétricas brasileiras (na faixa de 50%) justamente em respeito a questões sociais e ambientais.

* Nenhum índio terá que sair de suas terras por causa do projeto e os ribeirinhos que serão realocados vivem, em sua maioria (quase 7 mil famílias), em palafitas nos igarapés de Altamira. A promessa do governo é que essas pessoas receberão casas em locais totalmente urbanizados, com saneamento básico, postos de saúde, escolas e locais de lazer, tudo antes do final de 2014. É anotar e cobrar.

* Substituir a energia de Belo Monte por eólicas e energia solar parece é praticamente impossível. São necessários 5 mil MW por ano de energia adicionada ao sistema para garantir o mínimo para que o país continue se desenvolvendo e gerando emprego e renda, e garantindo a inclusão de milhões de brasileiros que hoje estão à margem de todo e qualquer consumo. Isso não é possível, no curto/médio prazo, com eólica e solar. O Brasil até tem investido bastante nessas duas formas de geração de energia, somos o país que mais tem atraído empresas do setor para cá, mas é coisa para médio-longo prazo. Enquanto isso, faz-sea transição – mas com energia de baixo impacto e limpa, como a hidrelétrica.

Para ter o mesmo potencial energético de Belo Monte, seria necessário instalar mais de 6 mil aerogeradores, de 3MW cada, ocupando uma área de 470 quilômetros quadrados- ou quase o tamanho do lago de Belo Monte.

* A média nacional de área alagada é de 0,49 km2 por MW instalado, em Belo Monte essa relação é de apenas 0,04 km2 por MW instalado.

* 70% da energia a ser produzida por Belo Monte destina-se ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e apresenta o segundo menor valor por MW / hora entre todos os empreendimentos elétricos dos últimos dez anos (R$ 78 por MW/h). Aquele papo de que a energia de Belo Monte beneficiará apenas esta ou aquela empresa, é balela, lenda. A energia gerada pela usina será conectada ao SIN e, com isto, gera energia para todo o país. O mesmo acontece com todas as demais usinas construídas por aqui.

Para os ambientalistas, a usina de Belo Monte é uma obra faraônica que está sendo construída no Rio Xingu, no Pará – em plena floresta amazônica – o lago da usina terá uma área de 516 km² (1/10.000 da área da Amazônia Legal). Orçado em R$ 16 bilhões, custo da Usina de Belo Monte já supera os R$ 30 bilhões

Ainda segundo os críticos, a construção da hidrelétrica irá provocar a alteração do regime de escoamento do rio, com redução do fluxo de água, afetando a flora e fauna locais e introduzindo diversos impactos socioeconômicos. Um estudo formado por 40 especialistas e 230 páginas defende que a usina não é viável dos pontos de vista social e ambiental.

A região permanentemente alagada deverá impactar na vida de árvores, cujas raízes irão apodrecer. Estas árvores são a base da dieta de muitos peixes. Além disso, muitos peixes fazem a desova no regime de cheias, portanto, estima-se que na região seca haverá a redução nas espécies de peixes, impactando na pesca como atividade econômica e de subsistência de povos indígenas e ribeirinhos da região.

Um estudo realizado por professores do Instituto de Tecnologia (ITEC) da Universidade Federal do Pará (UFPA) constatou que os resultados obtidos pela empresa Norte Energia sobre os impactos sociais e ambientais que poderão ser provocados pela Usina Hidrelétrica de Belo Monte, em construção no Rio Xingu, no Pará, estão subestimados.

O trabalho demonstrou que o ponto em que o lago artificial, criado pela usina irá atingir a área urbana da cidade de Altamira é cerca de 90 cm mais alto do que o nível calculado pelos pesquisadores contratados pela companhia. Segundo o estudo da UFPA, a medida constatada pelos professores do ITEC poderá atingir cerca de 25,4 mil pessoas dentro do município. O dado é diferente do que foi divulgado pela empresa, o qual apontava 16,4 mil habitantes impactados. A Norte Energia é a administradora da construção e da operação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

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