A Revolução dos Cravos de abril de 1974

Por Anna Dutra

Um pouco de História e de Música! 

“Grândola, Vila Morena” é uma canção composta e cantada por Zeca Afonso que foi escolhida pelo Movimento das Forças Armadas (MFA – ver breve relato abaixo) para ser a segunda senha de sinalização da Revolução dos Cravos. Grândola, vila do Alentejo: à meia noite e vinte minutos do dia 25 de Abril de 1974 a canção foi transmitida pelo programa independente “Limite” através da Radio Renascença como sinal a confirmar o início da Revolução, da qual tornou-se símbolo, assim como do início da Democracia em Portugal.

https://www.youtube.com/watch?v=EDEZyFsZGbo]

Aqui, a homenagem do nosso bardo, Chico: emocionante!

[video:https://www.youtube.com/watch?v=PsJpeR2K-is

Um tiquinho de História: A Revolução dos Cravos, de 25 de abril de 1974 em Portugal, é a resultante de um movimento social que depôs o regime ditatorial vigente desde 1933 (Estado Novo) que culminaria na implantação de um regime democrático e a entrada em vigor, a 25 de abril de 1976, de uma Nova Constituição com uma forte orientação socialista na sua origem. Liderada pelo MFA – Movimento das Forças Armadas, composto majoritariamente por capitães e apoiado por oficiais milicianos, o movimento surgiu por volta de 1973 de reivindicações relacionadas à recuperação do prestígio das forças armadas e estendeu-se ao regime político em vigor.

A adesão da população e o reduzido poderio militar do regime resultaram numa resistência inócua, sendo pouco numerosas as baixas (4 civis mortos e 45 feridos em Lisboa). A Junta de Salvação Nacional assumiu os poderes dos órgãos do Estado.  A 15 de maio de 1974, o General António de Spínola foi nomeado Presidente da República.

O cargo de primeiro-ministro seria atribuído a Adelino da Palma Carlos.  Seguiu-se um período de grande agitação social, política e militar conhecido como PREC – Processo Revolucionário Em Curso – marcado por manifestações, ocupações, governos provisórios, nacionalizações e confrontos militares. Depois de estabilizada a conjuntura política, prosseguiram os trabalhos da Assembleia Constituinte para elaboração de uma Nova Constituição Democrática, que entrou em vigor no dia 25 de Abril de 1976, o mesmo dia das primeiras eleições legislativas da nova República.  

Na sequência destes eventos foi instituído em Portugal um feriado nacional no dia 25 de abril, denominado como “Dia da Liberdade”.

Fonte: Wikipédia.

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30 comentários

  1. O interessante é que AMALIA

    O interessante é que AMALIA RODRIGUES era profundamente identificada com o regime salazarista, considerada a cantora oficial do regime. O professor Salazar a tinha em especial consideração. Não soube dessa gravação do GRANDOLA VILA MORENA, hino das forças anti-salazaristas, talvez tenha sido um salvo-conduto da grande dama do fado junto ao novo regime.

    • André, que bom que você
      André, que bom que você passou por aqui! Com o post eu pretendia lembrar a data, homenagear alguns amigos e trazer esta canção do Chico, de que gosto bastante.

      Com você trazendo maiores esclarecimentos e um viés crítico, fica ainda melhor. Tomara que suscite o debate

      Obrigada pela contribuição e compartilhamento.

      • MInha cara Anna, esse é um

        MInha cara Anna, esse é um tem que me interessa, os processos de transição das duas ditaduras ibericas para a Democracia foram completamente diferentes. Logo depois da Revolução em Portugal tive um instrutor de equitação que era Tenente do Exercito Português em Angola, ele era natual de Angola, o sogro dele tinha sido Ministro da Educação nos tempos coloniais, ficamos eu e minha esposa amigos do casal e por ele soube de muita coisa que tinha acontecido na transição da colonia para a independencia, foi um processo doloroso para essa gente refugiada.

        Conheci Portugal ao tempo de Salazar (1961) e logo depois da Revolução (1978) eram dois paises completamente diferentes. Acaba de sair uma nova e grande biografia de Salazar, ainda hoje o mais importante português do Seculo XX, segundo pesquisa de opinião recente, um homem com dois lados, um positivo e um negativo, tinha uma vida pessoal tão austera que chegava à obsessão em não gastar dinheiro publico, a cozinha do Palacio São Bento era abastecida só com presentes de camponeses, a comida era monacal e Salazar quando em viagens de trabalho no Pais levava um pão com

        salame embrulhado para evitar despesas de restaurante. Era solteiro e deixou de herança alguns livros e nada mais,

        de pois de governar Portugal por quase 40 anos.

    • Amália contribuia com as finanças do Partido Comunista.

      Tinha muitos amigos de esquerda, entre músicos e compositores que a acompanhavam, como Alain Oulman, que foi preso e Amália se empenhou com os chefões do salazarismo para soltá-lo. Conseguiu a soltura de Oulman e seu exílio, após atender um prosaico pedido do ministro responsável pela polícia. O cara queria presentear a esposa, devia ter aprontado alguma com a patroa, solicitou da cantora um vestido que havia usado numa de suas apresentações, que ele assistiu e lembrou que provocou a admiração da sua mulher.

      Amália gravou músicas de protesto. Abaixo o Fado de Peniche, o presídio político salazarista, música de Alain Oulman e letra de David Mourão Ferreira, gravado por Amália e censurado, teve de mudar o título para Abandono, coisa de português, pois a letra continuou igual em forma e conteúdo, sumiu apenas a referência ao presídio. 

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=AlivGOHjXTU%5D

      Amália e Alain Oulman em Soledad, música de Oulman sobre versos de Cecília Meireles.

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=j2LBV_tY3Wo%5D

      Há também o Barco Negro, versão portugueza da canção Mãe Preta, original brasileira, que lançou internacionalmente a cantora no filme francês Amantes do Tejo. O regime censurou, por achar que a referência ao sofrimento do povo negro, na letra brasileira, ia contra a política colonialista na África. Uma nova letra foi feita po David Mourão Ferreira para a canção seguir no repertório de Amália.

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=gnr9I5F23Gc%5D

  2. Faltou dizer que os dois anos

    Faltou dizer que os dois anos que se seguiram a essa revolução foram um caos politico e economico em Portugal, com o dominio dos comunistas sobre o controle do novo regime, Vasco Gonçalves, Otelo de Carvalho, almirante Rosa Coutinho,

    abandonaram Angola sem um acordo de transição, deixando desprotegidos 500 mil portugueses que moravam em Angola,

    causando tragédias familiares, colonos que estavam em Angola há varias gerações tiveram que fugir com a roupa do corpo, esse “movimento” foi um festival de incompetencia, aventureirismo que deixaram Portugal em frangalhos, levou 20 anos para consertar as estruturas economicos e governamentais, Portugal tinha a maior reserva de ouro da Europa acumulada por Salazar em  40 anos, dilapidada em 2 anos pelos “capitães” cantores.

    • Cenários construídos pelos
      Cenários construídos pelos homens, André.

      Não conheço nenhum momento de ruptura, conflito, ou mesmo de mudança em que não tenha havido dores, equívocos, deslizes.

      No longo prazo, aí sim, pode-se aferir se a causa tinha valor. Já que no desenrolar dos acontecimentos, todos os oportunismos e veleidades se manifestam.

      Agora mesmo, AINDA sob o Estado de Direito, estamos presenciando situações no Brasil que preocupam; pode-se então remeter às Revoluções e Contra-Revoluções registradas na HM e teremos quadros caracterizados pelo nosso estágio evolutivo. Pobre.

    • Viva o MFM! Viva a Revolução dos Cravos!

      Antes da Revolução dos Cravos os portugueses eram um país de emigrantes, concntrados nos Estados Unidos, França e Brasil. Por aqui, as piadas de português burro proliferavam. Eram tratados sem nenhum respeito e os comerciantes (donos de bares e padarias) eram chamados desrespeitosamente de ladrões. Salazar era um fascista fanático, a PIDE era tão sangrenta quanto o SNI, Portugal era o país mais atrasado da Europa. A Revolução dos Cravos, com todos os seus desvios, botou Portugal nos trilhos. Seu fracasso foi a reação das forças da direita. O General Espínola era um legítimo representante do “ancien régime”, militar reacionário que aprofundou a crise que se desenhava no país. Foi assim que na Constituinte e nas reformas constitucionais posteriores, a Direita se recompôs e se fingiu de progressista. Um PSDB com sotaque lusitano.  *MFM= Movimento das Forças Armadas”. Em Portugal, oficiais do exército libertaram o país, no Brasil, escravizaram-no.

      • **********

        Alvaro, em tudo, foram aprendizados. Na verdade, oportunidades de aprendizado. O que é de se lamentar, é que muitos de nós, brasileiros, não tenhamos aproveitado e aprendido com as oportunidades que se nos apresentaram, e se apresentam, de eliminarmos definitivamente qualquer possibilidade de retrocesso. Estamos mergulhados num caldo de cultura perigoso, fétido, que é alimentado, suprido pelos que torcem e agem com avidez pelo caos.

        Te agradeço a contribuição pelos que venham a acessar este post em busca de esclarecimentos e conhecimento.

  3. Verônica Tembé

    Ex-líder da aldeia Tekohaw, do povo Tembé:

    “Nós os índios, sempre cantamos e dançamos nas nossas cantorias, como forma de manter a unidade do nosso povo e a alegria da comunidade. Se a gente cantar e dançar, nós nunca vamos acabar.”

     

      • Asa senha para a Revolução dos Cravos

        Grândola,

        “Dentro de ti, ó cidade, o povo é quem mais ordena, em cada esquina um amigo, em cada rosto igualdade”

        Esta canção tornou-se famosa ao ser escolhida como senha para a Revolução do 25 de Abril.

        A primeira senha, executada às 23h, foi a música ‘E Depois do Adeus’, interpretada por Paulo de Carvalho.

        [video:https://youtu.be/MrW6zP161QI width:600]

        ‘Grândola’, a segunda, foi tocada na Rádio Renascença, aos 20 minutos do dia 25, dando o sinal para o avanço das tropas afastadas de Lisboa.

          

        “Vivi o 25 de Abril numa espécie de deslumbramento. Fui para o Carmo, andei por aí… Estava de tal modo entusiasmado com o fenómeno político que nem me apercebi bem, ou não dei importância a isso de ‘Grândola’. Só mais tarde, com o 28 de Setembro, o 11 de Março, quando recomeçaram os ataques fascistas e ‘Grândola’ era cantada nos momentos de maior perigo ou entusiasmo, me apercebi bem de tudo o que ela significava…”, José Afonso, autor da música.

        • Ina …. dvertidamente

          AS SENHAS PARA A REVOLUÇÃO DOS CRAVOS

          Cliquei em uma tecla descuidada – foi ela, a culpada – que salvou o comentário antes que fosse finalizado.

          Tá ruim, mas tá bão!

        • Longa estrada …

          Você viu o quanto eu ainda tenho que caminhar? 

          Te agradeço, de novo, a generosidade e a sua imensa disponibilidade e desprendimento em compartilhar. Tua intervenção acaba sendo um estímulo e traz conteúdo precioso para todos os que acessam os posts; o que, no final das contas, é um dos objetivos da publicação.

          Obrigada!

  4. O Pacifista e o Genocida

               De: Gandhi

               Para: Hitler

              

    “Em Warda 
    Querido amigo

    Amigos têm me pedido com veemência que eu lhe escreva para o bem da humanidade. Mas eu tenho resistido a esse pedido, pois eu sinto que qualquer carta minha para você seria impertinente. Algo me diz que eu não devo hesitar sobre isso e devo fazer meu apelo, que pode valer a pena. 

    Está bem claro agora que você é o único homem no mundo que pode impedir uma guerra que poderá levar a humanidade ao estado selvagem. Você deve pagar esse preço por algo, por valioso que lhe pareça? Você vai ouvir o apelo de alguém que deliberadamente deixou de lado métodos de guerra e obteve considerável sucesso? De qualquer forma, antecipo minhas desculpas, caso tenha errado em escrever para você. 

    Eu permaneço 

    Seu sincero amigo 
    M. K. Ghandi 

    HERR HITLER 
    BERLIM 
    ALEMANHA”

    Carta enviada por Gandhi para Hitler, em 23 de julho de 1939, um mês antes da Alemanha invadir a Polônia, iniciando a Segunda Guerra Mundial.

              

               Hitler não chegou a recebê-la, pois foi interceptada pelos Britânicos.

    • Valores

      Atribuída a Gandhi; não posso atestar a autenticidade, claro. Mas pelo teor bem poderia ser dele.

      “Mantenha seus pensamentos positivos, porque seus pensamentos tornam-se suas palavras. Mantenha suas palavras positivas, porque suas palavras tornam-se suas atitudes. Mantenha suas atitudes positivas, porque suas atitudes tornam-se seus hábitos. Mantenha seus hábitos positivos, porque seus hábitos tornam-se seus valores. Mantenha seus valores positivos, porque seus valores… Tornam-se seu destino.”

      Controlar a si mesmo, controlar o pensamento: dificílimo!!!

       

      • O próximo passo

        “Já faz um século que o nosso modelo de civilização está estacionado e o próximo passo depende do empenho de cada pessoa no mundo.”

        “Enquanto as pessoas continuarem a acreditar que somente conquistarão as coisas através da força física, mais e mais cartas como essa serão escritas, no nosso futuro – precisamo evoluí-lo.”

        Créditos: Citação enviada por Arthur Tavares ao Ponto Final Blog | Foto: Joel Robison

  5. Os Esqueletos de Ginsberg

    Disse o esqueleto New York Times, “isso não é adequado para ser impresso”

    [video:https://youtu.be/Y3MKQ-KsbHE width:600]

    Disse o esqueleto rede de comunicações, “acredite nas minhas mentiras”
    Disse o esqueleto propaganda, “não seja esperto”
    Disse o esqueleto da mídia, “acredite em mim”
    Disse o esqueleto viciado em TV, “o quê, me preocupar?”
    Disse o esqueleto TV, “engula o breve pronunciamento”
    Disse o esqueleto noticiário, “isso é tudo, boa noite”

    [video:https://youtu.be/Yr5Y4XQO7xQ width:600]

     

    • LL: lírico, lindo

      Nas entranhas…  Um soco no estômago deve doer menos.  Poema & voz … O local; rebuscados na soleira, janelas envidraçadas, o verde …  Montanha, cavalo; símbolos poderosos.

      Belo fechamento!  Vai para a minha playlist.

      M A R A V I L H O S O !

  6. A Musica de Zeca Afonso

    Conheci a obra monumental de Zeca na minha juventude passada em Angola. Para os portugueses, angolanos,moçanbicanos que estavam no colegio ou universidade naqueles anos do inicio da decada 70 Zeca é uma referencia sentimental-musical importante. Vale pesquisar na internet um site voltado para a obra musical do mesmo. Pena que a obra dele seja desconhecida no Brasil. 

  7. Salazar presente

    Salazar sempre tentou ser um fardo em mim, mas não conseguiu. Tinha menos de 10 anos em abril de 74, nem fazia ideia nenhuma do que ocorreu e ocorria.

    Mais tarde, universitário e assumindo meu lado humanista-esquerdista, soube que meu avô, Monteiro Salazar, tendo chegado ao Brasil no começo do século passado, tem raízes na região de Porto/Matozinhos, e o outro Salazar de Lisboa. Ufa… descobri que não fazia parte do mesmo clã.

    A ditadura Salazarista e a própria Revolução dos Cravos nunca foi assunto comum entre familiares meus. Algo me diz que não percebiam o “problema”, por ideologia desinformada típica de famílias de classe média paulistana, ou pelo já distanciamento geográfico dos acontecimentos.

    Enfim, eu procuro sempre distanciar as raízes quando alguem me reconhece Salazar: Opa, pera lá, sou de Matozinhos !!

    🙂

    • Sobrenomes

      Compreendo Sergio. Já passei por isso também. Hoje em dia menos, mas o sobrenome acaba sendo realmente um elemento distintivo. Obrigada por ter deixado sua mensagem.

  8. + comentários

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