Abraçar corações e mentes estrangeiras… Na marra, por Eliseu Leão

Por Eliseu Leão

Ref. ao post Xadrez do esperto e do sabido na cooperação internacional

Para o colunista Araujo desde a Segunda Guerra a doutrina dos EUA é para abraçar corações e mentes de estrangeiros em relação aos campos da cultura, da economia, da politica, das profissões e do estilo de vida deles. Noam Chomsky também concorda que a Segunda Guerra seja um divisor de águas (os EUA promoveram o enfraquecimento ou a total destruição de todos os rivais industriais, nunca foram atacados em casa e triplicaram a própria produção industrial às custas daqueles rivais). Para tanto, a ordem de direita tinha de ser restabelecida por eles a qualquer custo (dominação dos empresários, enfraquecimento dos sindicatos, com o peso da reconstrução inteiramente nas costas da classe trabalhadora e operária). Mas faltou ”combinar com os russos”: a resistência antifascista foi a pedra no caminho. Para contê-la, os EUA reprimiram meio mundo, instalando colaboradores fascistas e nazistas, sempre corruptos e sanguinários. Chomsky considera ser esse o primeiro capítulo de qualquer livro de história –sério– do período pós-guerra.

Foram duas as correntes políticas na gestão da doutrina para abraçar corações e mentes:

A corrente dos Gaviões – reunidos no Memorando 68 do Conselho de Segurança Nacional (de 1950) com as idéias do Dean Acheson e Paul Nitze: “Empurrar para trás”: armando continuamente barracos e destruição dentro da URSS, para negociar um pacto futuro, ”em nossos termos.”

A corrente das Pombas-rolas – reunidas no Estudo de Planejamento Político 23 do George Kennan. Para isso foi criada uma rede liderada por Reinhard Gehlen, que havia dirigido a inteligência militar nazista na Frente Leste. Essa rede de aliança EUA-nazistas, absorveu os piores criminosos de guerra e estendeu suas operações para a América Latina e outras partes do mundo. Incluíam um exército secreto, patrocinado pela aliança EUA-nazistas, encarregado de fornecer agentes e provisões militares a exércitos que tinham sido criados por Hitler e que, no início da década de 1950, ainda estavam operando na URSS e no Leste Europeu. Chomsky: ”esse fato é conhecido nos EUA, mas considerado insignificante. Imaginem se descobríssemos, por exemplo, que os russos enviavam agentes e provisões a exércitos comandados por Hitler, operantes nas Montanhas Rochosas…”

A titulo ilustrativo da doutrina para abraçar corações e mentes estrangeiras, é necessario saber o que escreveu o major Ralph Peters, em 1997 e publicado no “Constant Conflict: a look behind the philosophy and practice of the US push for domination of the world’s economy and culture”. US Army War College: Parameters, Summer 1997, pp 4-14. Peters: ”Não existirá paz. O escopo das FFAA estadunidenses é o de manter o mundo desimpedido para a nossa economia e de abri-lo ao nosso assalto cultural. Para isto deveremos matar uma discreta quantidade de pessoas.”

Comprovando as melhores intenções ao agir, nos ultimos 60 anos:

1. Decidiram que grande parte do mundo era fonte de matérias–primas e mercado pras empresas deles. Ponto. Numa reunião de embaixadores latinoamericanos, em 1950, George Kennan declarou que chegara a hora de combater a idéia absurda de um governo com responsabilidade direta pelo bem do povo. E disse o que fazer: PAU NELES — porque os comunistas são essencialmente traidores. Nada de novo. O Woodrow Wilson já havia declarado o significado prático da ”Big Caceta” na doutrina Monroe. E agiu de acordo com esse pensamento ao invadir, entre outras coisas, o Haiti e a República Dominicana, onde seus soldados assassinaram, destruíram e demoliram o sistema político vigente, deixando as empresas dos EUA no controle e preparando o cenário para futuras ditaduras, sempre brutais e absolutamente corruptas.

Leia também:  Guedes queima nossas reservas internacionais, por Paulo Kliass

2. Itália — Seguindo o conselho dos ingleses (que não queriam abraçar corações e mentes), os EUA impuseram uma ditadura de direita liderada pelo fascista marechal Badóglio e pelo baixinho Vittorio Emanuele III, também colaborador fascista. Na Itália, um movimento de base operária e camponesa, liderado pelo Partido Comunista, havia enfrentado, ”no tapa”, seis divisões alemãs durante a guerra e libertado o Norte da Itália. Quando as forças estadunidenses avançaram pelo sul, tirando fotografia e posando para cinegrafistas, sabiam que o serviço já estava feito; imediatamente disarmaram e dispersaram a resistência antifascista e restauraram a estrutura básica do regime fascista anterior à guerra.
Curiosidade: Talvez muitos brasileiros não saibam mas o primeiro personal computer da história é invenção exclusivamente italiana. Foi imaginado, progetado e realizado por quatro rapazes piemonteses e depois comercializado pela Olivetti. Alta traição: em 1964, os FHC e Temer italianos, blocaram a novidade obedecendo ordens expressas da Casa Branca. Venderam o progeto pra General Electric e destruiram a Olivetti. O PC chamava-se PROGRAMMA 101 e foi usado até num programa espacial da NASA. – Em 1971, o italiano Federico Faggin, trabalhando na Intel Corp. (fundada em 1968 por Robert Noyce e Gordon Mure), criou o Intel 4004, o primeiro microprocessor da história e bisavô do Pentium. Os desinformados ao redor domundo consideram Steve Jobs engenhoso como Leonardo da Vinci!!

3. Grécia — Os nazistas retiraram-se e os britanicos ocuparam o lugar. Impuseram um regime tão corrupto que provocou nova resistência. Em 1947, os EUA com intenção de abraçar corações e mentes gregas, apoiaram uma guerra assassina, que resultou em 160.000 mortes. Foi uma guerra repleta de torturas, exílios políticos de dezenas de milhares de gregos, e aquilo que chamaram “campos de reeducação” para outras dezenas de milhares de pessoas, destruição de sindicatos e nenhuma possibilidade de independência política. A Grécia foi decididamente colocada nas mãos de investidores estadunidenses e empresários locais, enquanto grande parte da população teve de emigrar para sobreviver. Os beneficiários foram aqueles de sempre: os colaboradores nazistas. As principais vítimas foram os trabalhadores e os camponeses da resistência antinazifascista, liderada pelos comunistas. A Grécia continua na merda.

4. Japão — Em 1947, o governo dos EUA imbuido das melhores intenções, reprimiu os sindicatos, forças democráticas e colocou o Japão firmemente nas mãos dos fascistas que apoiaram o malvadissimo regime imperial japonês e criaram um sistema misto de poder estatal e privado que dura até hoje, praticando revisionismo histórico. Ser prisioneiro politico (comunista) no Japão é pior que viver no tempo da ”santa inquisição”.

5. — Coréia. Quando Os EUA entraram na Coréia, em 1945, dissolveram o governo popular local, composto basicamente de antifascistas, que resistiram aos japoneses. Para abraçar corações e mentes, os EUA inauguraram alí uma repressão brutal, usando a polícia fascista japonesa e coreanos que haviam colaborado com os japoneses durante a ocupação. Cerca de cem mil pessoas foram assassinadas na Coréia do Sul antes daquilo que foi chamado Guerra da Coréia. Inclusive, foram mortas entre trinta e quarenta mil pessoas durante repressão a uma revolta camponesa, na pequena região da Ilha de Cheju: ”Uma prática de doutrinação para abraçar corações e mentes de estrangeiros em relação ao American way of life”.

6. — Guatemala, o país mais importante da America Central. O primeiro governo democrático da história da Guatemala, inspirado no New Deal de Roosevelt, provocou o grande antagonismo dos EUA. Em 1954, com Eisenhower, a CIA transformou a Guatemala num inferno em terra. Desde então, manteve-se assim, com intervenção e apoio regular durante os governos Kennedy, Johnson, Carter, Reagan e Bush. O ator Reagan, com aquela cara-de-cú penteado, disse recitando, ao receber as credenciais do embaixador da Guatemala, em janeiro de 1984, ”Os nossos dois países tendem aos mesmos fins: pluralismo, respeito dos direitos humanos, paz, justiça social e progresso econômico.” Até o criminoso Kissinger, contendo a gargalhada, reconheceu que as FFAA guatemaltecas cometeram ”massacres moralmente inaceitáveis” contra os civis.
De 1954 até o final da década de oitenta, morreram cerca de 83 mil pessoas, 100 mil refugiaram-se no Mexico e cerca de 1 milhão foram transferidas. A Guatemala tornou-se o açougue que é até hoje, com a intervenção regular dos Estados Unidos sempre que as coisas ameaçam sair fora da linha. A Igreja do Verbo, seita fundamentalista estadunidense, apoiada por seitas protestantes, transformou-se em centro de poder; os EUA continuam influentes graças ao abraço dos corações e mentes das oligarquias corruptas locais.

Leia também:  Anticientificismo de Trump ameaça o combate à coronavirus, diz a CNN

7. — Grenada. Ilha caraibica na época tinha cerca de 100 mil habitantes. Produz noz-moscada, e mal pode ser encontrada no mapa. Quando Grenada iniciou uma tímida revolução social, presidida pelo jovem advogado Maurice Bishop (obtendo resultados positivos na finança, no trabalho, na saúde, na educação, na luta contra a droga, com taxa de crescimento na ordem de 5,5% e construção de um aeroporto internacional para dinamizar o turismo e favorecer uma economia autonoma), a Casa Branca agiu imediatamente ”contra a séria ameaça à segurança nacional dos EUA.” Para abraçar corações e mentes dos locais, chegaram a violar todos os tratados internacionais e por isso condenados mundialmente. Somente os governos lacaios de El Salvador, Costa Rica, Guatemala, Honduras e Paraguai, concordaram com o dos EUA. Na verdade a invasão fora planejada pelo Pentagono mais de três anos antes do assassinato de Bishop. Simplesmente aproveitaram a ocasião do atentado ao Comando Geral dos Marines em Beirut para agir. A ação criminosa e covarde foi pensada pra testar a reação da URSS e das FFAA cubanas, além de servir de teste para uma eventual invasão da Nicaragua. Mesmo com todo a pose de Rambo, 7.500 soldados bem armados pela maior potência militar da Terra, suaram muito. Precisaram de uma semana inteira de duro combate!!

8. — Nicarágua. A Nicarágua é tão importante para o empresariado americano que ela poderia sumir do mapa que ninguém perceberia. A mesma coisa com El Salvador. Mas ambos foram submetidos a assaltos homicidas pelos EUA, com o custo de centenas de milhares de vidas e muitos bilhões de dólares. A razão? Perigosos como exemplo. Se uma ilha pequena e pobre como Grenada pode ser bem-sucedida, alcançando um melhor nível de vida para seu povo, em outro lugar que tenha mais recursos as pessoas poderão perguntar: “E nós, por que não?”
Esse foi exatamente o caso da Indochina, que é bastante extensa e tem importantes recursos. O medo era que, se o povo da Indochina conseguisse independência e justiça, o povo da Tailândia iria imitá-la, tentariam na Malásia, na Indonésia. O Chile de Allende foi um “vírus” que “infectaria” a região, com reflexos até na Itália.

Figueres, Bishop, Allende, Ortega — Na Nicarágua houve real e substancial esforço em resolver as injustiças da posse da terra e em estender serviços médicos, educacionais e agrícolas às famílias de camponeses pobres. No início da década de 1980, o Banco Mundial considerou “alguns setores da Nicarágua extraordinariamente mais bem-sucedidos que qualquer outra parte do mundo”. Em 1983, o Banco Interamericano de Desenvolvimento concluiu que “a Nicarágua fazia notáveis progressos no setor social e estava lançando bases para um desenvolvimento socioeconômico a longo prazo”.

Leia também:  Coronavírus faz Dow Jones disparar brutalmente, alerta The Washington Post

O sucesso das reformas sandinistas aterrorizaram os estrategistas estadunidenses. Eles sabiam que, “pela primeira vez, a Nicarágua tinha um governo que se interessava pelo povo , como afirmou José Figueres, o pai da democracia na Costa Rica. O ódio provocado pelos sandinistas por dirigirem recursos aos pobres (sendo até bem-sucedidos) foi realmente magnífico de se observar. Praticamente todos os estrategistas políticos dos EUA compartilharam desse ódio, atingindo um verdadeiro frenesi.

9. — Panamá. Tradicionalmente controlado pela sua minúscula elite européia, menos de 10% da população. Isso mudou em 1968, quando Omar Torrijos, general populista, que liderou um golpe que permitiu aos negros e mestiços pobres partilharem uma fatia mínima do poder, sob sua ditadura militar. Em 1981, Torrijos morreu num acidente aéreo suspeito. Até 1983, o governante efetivo do Panamá foi Manuel Noriega, um criminoso que havia sido aliado de Torrijos e da CIA. O governo estadunidense sabia que Noriega traficava drogas, desde pelo menos 1972, quando o governo de Nixon considerou a possibilidade de eliminá-lo. Contudo, continuou na folha de pagamentos da CIA. Em 1983, o Panamá havia se tornado um grande centro de lavagem de dinheiro e de tráfico de drogas. A Casa Branca, mesmo assim, continuou a prestigiar os serviços do ”nosso filho da puta” (ajudando os EUA na guerra contra a Nicarágua, fraudando eleições com a aprovação da Casa Branca e servindo de modo satisfatório aos interesses stadunidenses. Em 1984, a eleição presidencial panamenha foi vencida por Arnulfo Arias. A eleição foi roubada por Noriega com violência e fraude consideráveis. O partido de Arias foi julgado por ter perigosos elementos do “ultra-nacionalismo”. O governo Reagan aplaudiu a violência e a fraude, e despachou o secretário de Estado, George Shultz, para legitimar a eleição roubada e elogiar a versão da “democracia” de Noriega como um modelo para os errantes sandinistas.

Em dezembro de 1989, os EUA comemoraram a queda do Muro de Berlim invadindo o Panamá de modo fulminante, matando centenas ou talvez milhares de civis inocentes (ninguém sabe ao certo). Os covardes do Pentagono usaram até o sofisticado Stealth para bombardear bairros pobres da perferia. Com isso, restauraram o poder da direita branca e corrupta, que havia sido destituída por Torrijos, assegurando-se um governo lacaio na mudança administrativa do Canal.

PS. Foi citado Lenin e a farinha. O colunista faz passar a imagem de um Lenin canalha e de americanos generosos. E’ mais um falso nos textos desse colunista. De Gasperi, o presidente italiano, foi chantageado também com a farinha, contra o PCI. — Chomsky: ”O principal obstáculo era a resistência antifascista. Nós, então, a reprimimos no mundo inteiro […]. Às vezes, isso requeria extrema violência, mas, em outras, isso era feito por meio de medidas mais suaves, como subverter eleições ou esconder alimentos extremamente necessários.”

Fonte: What Uncle Sam Really Whants, Noam Chomsky, 1992

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

21 comentários

  1. abraçar corações e mentes….

    Amém, uma discussão que sau da caixinha que é o intelecto médio brasileiro. Chomsky?! Que evolução!!! Mas porque nossa intelectualidade não provocou este tipo de discussão nestes 40 anos de redemocratização? Onde estão os debates em nossas universidades que não seja direita X esquerda, quando existem? Compramos a estoria da “democracia” do “livre comércio” como se não fosse uma politica mundial imposta. Mas qual a outra alternativa? Assim como continuamos a combater o grande vilão representdo por EUA, quando durante as últimas décadas tivemos todas as oportunidades de alterar a dependência estrutural, estratégica, militar, tecnologica, industrial, financeira, omercial aumentando o poder de parceiros dentro da América, da Africa ou Asia e procurando fazer novas parcerias com as novas potências representadas pelos BRIC’S . Apenas uma delas não se reconhece e ainda luta guerras de um mundo que ficou nos anos de 1960, não é mesmo anão diplomático?! 

  2. Meus textos são analises

    Meus textos são analises independentes de ideologias, eu não tomo partido,  examino como um medico legista.

    Chomsky tem um lado vigorosamente anti-establishment, é uma ideologia propria dele e seus textos são todos

    com esse viés. A cultura anti-establishment é um caudal enorme nos EUA, tem seus papas e cardeais, tem  cineastas e palestrantes caros., historiadores academicos em profusão, miliantes de causas de minorias,  religiosos.

    A cultura anti-establishment teve duas grandes ondas. Na decada de 30 com os dramaturgos talentosos como Tennessee Williams, Clifford Odets, Egene O Neill, Arthur Miller, William Faulkner, Theodore Dreiser, escritores como John Upton Sinclair e John dos Passos, eles tiravam a inspiração da pobreza gerada pela Grande Depressão.

    Uma segunda onda, que vem até hoje, começou em 1968 nas passeatas contra a Guerra do Vietnã, é desse grupo que vem Chomsky, a turma que a partir da California combateu vigorosamente o Pentagono e o State Department.

    Uma terceira onda, separada da segunda, nasceu como revolta contra Wall Steet a partir da crise de 2998.

    Já eu faço uma nalise baseada na REALPOLITIK e com uma visão não conspiratoria. Não há centro ou um comité central nos EUA que determina todas as ações. Eles tambem são erraticos e confusos, há avanços e recuos, eles erram mais do que acertam, a CIA nunca foi competente, pode ser até uma piada, fazem muita bobagem.

    O maior crirtico da diplomacia e das decisões em politica externa no pós guerra foi George Kennan, um dos maiores diplomatas de toda a historia dos EUA, cujas memorias 1915-1950 foram publicadas em português pela Top Books, penso ter ajudado na inspiração do editor que prestou esse serviço à cultura brasileira,  meu amigo Jose Mario Pereira, que tambem é meu editor, publicou Kennan sabendo que difilmente tiraria os custos da edição.

    Kennan com muito mais conhecimento era mais critico do Chomsky sobre as bobagens que saiam do Departamento de Estado, especialmente nas relações com a URSS e Iugoslavia, paises nos quais ele foi Embaixador e em relação aos quais teve que travar brigas homericas com  o “establishment” de Washington.

    No relato acima há muitas impropriedades especialmente ao se imaginar que o centro de poder em Washington é racional e que opera dentro de projetos definidos, não há nada disso, tem muita improvisação em todas as ações diplomaticas, muita incompetencia, alianças falhas, passos mal orientados, erram muito na avaliação de pessoas.

    Conheço há muito tempo e me relaciono há decadas com amigos que tiveram cargos importantes no Conselho Nacional de Segurança da Casa Branca , como Bill Perry, que foi chefe da Divisão latino Americana, com dois outros que foram diretores de departamentos da CIA, com Otto Reich que foi Subsecretario de Estado, eu mesmo trabalehi com o IRI (do National Endowment for Democracy) e conheço por dentro o nodelo operaconal do sistema, se tivessem metade da capacidade a eles atribuida pela esquerda latino americana seriam glorificados.

    • Textos e análises

      Pode ser que não haja uma “centro”  americano a tramar,  talvez mesmo ajam vários polos de estudo onde idéias são geradas e, eventualmente, abraçadas pelo governo americano.

      Entretanto, na medida em que Araújo observa a história sem entrar na idéia central de dominação e “aberturas de mercados” promovidas pelas FFAA estadounidenses, as colocações posteriores olham outra realidade.

      A narrativa de Leão foi sobre os fatos acontecidos e promovidos pelos mesmos americanos com invasões várias, derrubadas de governos e atrocidadesdiversas, todas já conhecidas e que juntadas mostram antecedentes das “libertações” do Iraque e Afeganistão, por exemplo.

      Ah sim, Saddam tinha armas de destruição em massa até hoje não localizadas.

      Já vimos aqui no Brasil intromissões iguais em nosso passado. Que o digam Getúlio, Jango e Lula. Os gatos e suas mãos são os mesmos: mídia, direita conservadora, corrupta e desfrutável, no outro campo governos populares, nacionalistas e desenvolvimentistas.

      Alguma novidade ?

       

      • No texto existem

        No texto existem interpretações forçadas dos acontecimentos e alguns erros factuais. Aponta o panamenho Omar Torrijos como anti-americano, sendo que foi ele quem assinou em 7 de setembro de 1977 o Tratado Carter Torrijos que devolveru o controle do Canal  à Republica do Panama em meio a amplo entendimento com os EUA, sendo que hoje o Presidente e seu filho Martin Torrijos, formado na Universidade do Texas e plenamente pro-EUA.

        Se os EUA tivessem realmente o poder imperalista que se alega nos dias de hoje jamais poderia existir uma situação de descalabro total que está na Venezuela, com a entrada da China nesse Pais em todos os setores, a China emprestou ao Governo chavista US$53 bilhões de dolares e tem como garantia as maiores reservas de petroleo do mundo, como a potencia imperilaista deixou isso acontecer se elas “mandam” em tudo?

        • EUA imperialista

          André, que no texto de Leão podem haver interpretações forçadas e erros factuais concordo.

          Mas não dá para negar o imperialismo americano, ainda mais aqui no que chamam de “quintal”.

          A Venezuela, incluo Cuba, seriam erros na política externa americana.

          Venezuela seria uma intervenção militar custosa e a opção sorrateira foi controlada pelo chavismo. 

          Outro erro foi a instalação de mísseis russos em Cuba, completa ou no nascedouro, mas que fugiu ao controle do “cordão sanitário” imposto a Cuba, um evidente perigo para o gigante americano. Ambos, a diminuta Cuba – o rato e seu elefante – e os mísseis.

          Além, as marcas do puma – para citar o felino norte-americano mais celebrado – ou das mãos de gato dos desfrutáveis são notórias e numerosas no cenário internacional.

          Os movimentos pacíficos e legais da cooptação de corações e mentes vejo como normais e são corriqueiros na vida e, por óbvio, vai depender dos cooptáveis

          • Misseis cubanos sobre a Tavola Redonda

            Uma grande oportunidade para acabar com os misseis balisticos fora feita por Stalin, em 1952, oferecendo a unificação alemã, com eleições livres, sob a condição de, a partir de então, acabarem-se alianças militares hostis. Essa não era uma condição extrema, à luz da história dos últimos 50 anos, durantes os quais somente a Alemanha tinha destruído a Rússia duas vezes, cobrando um alto custo ao país. James Warburg levou a sério, mas foi ridicularizado pelos gangsters de alto nível. Estudos acadêmicos recentes deixaram transparecer a infinita maldade da classe dominante estadunidense. O anticomunista visceral, estudioso da URSS, Adam Ulam, tomou a proposta de Stalin como um “mistério não esclarecido”; “rejeitaram solenemente a iniciativa de Moscou porque era embaraçosamente inconvincente”. A escrotidão política, intelectual e acadêmica estadunidense deixara aberta a “questão fundamental”; Ulam deixou um ponto de interrogação: “Stalin estava realmente pronto para sacrificar a recém-criada RDA no altar da democracia real com enormes consequências para a paz mundial e para a segurança e tranquilidade dos estadunidenses?”
            
Fuçando nos arquivos soviéticos, um dos bambas da Guerra Fria, Melvyn Leffler, observou que muitos acadêmicos se surpreenderam em descobrir que até  “[Lavrenti] Beria – o sinistro, brutal e comandante da polícia secreta soviética – tinha proposto que o Kremlin oferecesse ao Ocidente um acordo para unificação e neutralização da Alemanha”, concordando em “sacrificar o regime da RDA e reduzir as tensões entre Oriente e Ocidente” para melhorar as condições políticas e econômicas internas à URSS – Mas tudo isso fora deliberadamente descartado, o que indica o quão pouco o papel da segurança nacional pese na política da criminosa da classe dominante estadunidense.

            Misseis cubanos sobre a Tavola Redonda
 de rei Artu

            A interrogação de Ulam caiu no vazio. Quando Khruschev assumiu em 1953, reconhecera que não dava pra competir militarmente com os EUA. Pra escapar do colapso econômico e da devastatação da última guerra, era necessario reverter a corrida armamentista. Assim, Nikita chamou rei Artur para um acordo claro de redução mútua nas ofensivas armadas. Camelot despachou um mané para declinar a oferta dele e aproveitou a ocasião para expadir-se militarmente, mesmo já muito, muitissimo à frente do resto do mundo. A delirante classe dominante estadunidense, mais uma vez, desfavorecera a propria segurança nacional para aumentar seu poder ofensivo. Os EUA sabiam dos grandes cortes nos ativos das forças soviéticas. Em 1963, Khruschev mais uma vez pediu novas reduções. Para demonstrar que não estava blefando, retirou tropas da Alemanha Oriental e convidou Washington que fizesse o mesmo, reciprocamente. Nada feito. Na sua biografia, W. Kaufmann, um analista consagrado em questões de segurança, descreveu o fracasso dos EUA em responder às iniciativas de Khruschev como “o único arrependimento que tenho”.

            Para contrabalançar a disparada armamentista dos EUA, a Russia levou os mísseis pra Cuba, em outubro de 1962. O movimento também fora incentivado em parte pela campanha terrorista de Kennedy contra Fidel Castro, programado para levar à invasão naquele mesmo mês, como Cuba e a Rússia devem ter ficado sabendo. A “crise dos misseis foi o momento mais perigoso da história” nas palavras do Schlesinger, conselheiro e confidente de John-bubba-meu-rei.

            Com a crise chegada ao climax, no fim de outubro, Kennedy recebeu uma carta de Khruschev oferecendo solução: retirada simultânea dos mísseis russos em Cuba como dos misseis Júpiter dos EUA, na Turquia (mísseis obsoletos, já com ordem de retirada pela administração Kennedy porque estavam sendo substituídos pelos submarinos Polaris, que estacionariam no Mediterrâneo). A avaliação subjetiva de Kennedy era que se ele recusasse mais uma vez oferta do russo, havia uma probabilidade de 33 a 50% de merda total – um barraco que segundo Ike, destruiria o hemisfério norte. Kennedy aceitava a proposta se a retirada dos misseis da Turquia não fosse pública; somente a retirada dos misseis de Cuba poderia ser pública, tanto para dar imagem de força como para proteger o direito dos EUA de instalar misseis em qualquer outro lugar que escolhessem. 
Foi a decisão de um calhorda – e pensar que esse presidente continua celebrado como estadista.  

            Fonte: Noam Chomsky – Tom Dispatch
             

        • Cooptar parente faz parte da nova estrategia CIA

          O filho de Omar Torrijos, Martin Torrijos, tornou-se presidente do Panamá, exclusivamente para assinar um acordo de livre-comércio pró-Wall Street entre seu país e Washington. Martin Torrijos também obedeceu festivamente as ordens dos banqueiros globais, para que aumentasse a idade mínima para aposentadorias no Panamá e reformasse toda a seguridade social. E esse Torrijos-filho também foi aliado íntimo do presidente George W. Bush, sem se incomodar com o fato de o Bush-pai, presidente George H W Bush, ter, muito provavelmente, autorizado a operação da CIA que assassinou o Torrijos-pai.

          A líder asiática de oposição preferida de George Soros, San Suu Kyi, tampouco parece incomodada pelo fato de amigos de Soros no Gabinete de Serviços Estratégicos/CIA terem ordenado à inteligência britânica que assassinassem o pai dela, Aung San. Aung San, fundador do Partido Comunista da Birmânia foi escolhido para tornar-se o primeiro presidente de Burma independente, imediatamente depois da independência. Mas Aung San foi assassinado por terroristas a serviço do ex-primeiro ministro pró-Grã Bretanha, U Saw. As armas para os assassinos chegaram diretamente pelo capitão do exército britânico David Vivian, que conseguiu, com “ajuda” de alto nível dentro do governo de Burma, escapar de uma prisão local, em 1949.

          O líder do Partido Liberal do Canadá Justin Trudeau, filho do ex-primeiro-ministro Pierre Elliott Trudeau, sempre agradou muito, ao contrário de seu pai, aos EUA, a Wall Street e à causa da globalização.  Justin Trudeau e Aécio Neves são claros exemplos de como águia da CIA opera tentando tomar debaixo da asa, para usar como seus instrumentos, filhos e netos de políticos populares importantes e representativos em todo o mundo, mas filhos e netos já esvaziados de qualquer conteúdo efetivamente histórico representativo de forças da maioria da população.

          Os abutres de Wall Street, inclusive outros sócios de Soros e Fraga tentaram inventar Marina Silva para pô-la na presidência. Com ela derrotada nas urnas, aquelas mesmas forças rapidamente se realinharam para tentar eleger o Neves-neto. Para a CIA, o sangue não é mais espesso que a água.  Mas tampouco parece fazer qualquer diferença, também aos olhos do Neves-neto, que haja alta probabilidade da CIA ter tido parte ativa no assassinato de seu avô, Tancredo.

          Fonte: 21/10/2014, Wayne Madsen, Strategic Culture
          http://www.strategic-culture.org/news/2014/10/21/soros-and-cia-now-banking-on-neves-to-defeat-rousseff.html

        • Sobre Omar Torrijos as minhas fontes não erram
          General Omar Torrijos; em 1968 derrubou o oligarca Arnulfo Arias num golpe militar e assumiu a presidência do Panamá; foi um grande admirador de Gamal Abdel Nasser e de Fidel Castro. Nutriu profunda antipatia e intrasigência pelos EUA e já no início do seu governo declarou-se a favor dos mais pobres.

          Sinceramente comprometido em eliminar o ligame pernicioso de dependência do mercado exterior, deu inicio à reforma agrária em 1972, com um código do trabalho e uma série de melhorias sociais. Apoiou abertamente o socialista Allende. Em 1974 retoma as relações diplomáticas com Cuba e em seguida sustenta e ajuda os guerrilheiros sandinistas. Sensibilizou a opinião pública panamenha nas questões relativas ao canal e a consequente reapropriação da soberania na área ocupada pelos EUA. Foi o quanto bastou para alarmar gente la laia de um Kissinger: ”interromper negociações com o Panamá, significa guerrilha no Panamá; guerrilha no Panamá significa total vulnerabilidade do canal.”

          No dia 10 de agosto de 1977 Carter e Torrijos assinam um tratado que previa a passagem da administração do canal ao Panamá no ano 2000. Mesmo assim Washington atribuiu-se o direito de intervir militarmente após 2000, para ”garantir o normal funcionamento do canal, mantendo-o, de fato, num país vigiado militarmente, sem liberdade de movimento.

          Torrijos continua apoiando eficazmente todos os dirigentes revolucionários da America Central (em maio de 1979 a Brigada internacional ”Victoriano Lorenzo” parte do Panamá para combater ao lado do Frente Sandinista de Libertação Nacional da Nicaragua. Em 1981, Torrijos ofre apoio politico e diplomatico à Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional, de El Salvador, que combate tanto a ditadura militar quanto ao regime fascista democrata cristão, imposto pelos EUA. Omar Torrijos, entretanto, garante a coesão interna e estabilidade politica da área, graças às boas relações com Havana e com Washington. Morre num suspeito acidente aéreo no dia 31 de Julho de 1981. Dois camponeses, testemunhas oculares da explosão no ar do avião, desapareceram.
          Quase imediatamente depois do acidente de Torrijos, cai um helicoptero no Perú; a vítima é o comandante do exército peruano, Rafael Royos Rubio, inimigo jurado da Standard Oil. Quase dois meses antes, em fins de maio, morrera Jaime Rodós, presidente do Equador. Camponeses viram o avião explodir no ar. Proibiram examinar o cadáver e fazer autopsia. A caixa preta não apareceu porque, dizem, o avião não tinha. Tratores removeram terras e aplainaram o terreno do desestre. Foram canceladas os registros da torre de controle de Quito, Guayaquil e Loja. Muitas testemunhas morreram em diferentes acidentes. O inquérito da Aeronáutica excluiu preventivamente qualquer hipótese de atentado. Rodós estava defendendo o petroleo do Equador, tinha restabelecido relações com a maldita Cuba e apoiava as revoluções malditas da Nicaragua, de El Salvador e da Palestina.

          Fontes:
          Maurice Lemoine, Les 100 portes de l’Amerique Latine, 1989
          Eduardo Galeano, Memoria del Fuego, III. El Siglo del Viento, 1977

    • meus textos…

      Caro sr. André, realmente os americanos não tem a capacidade e responsabilidade de metade das coisas que a esquerda latino americana os atribui. Acobertam suas limitações e fracassos jogando a culpa nas costas americanas. Principalmente a elite esquerdopata brasileira. Medíocre e limitada, mas até isto deve ser culpa dos americanos. Mas não é possível jogar apenas o jogo cuja as regras eles impuseram no pós-guerra. Poderíamos ter usado a política e a diplomacia para obter benefícios como uma nação que estava do lado vencedor. Mas não fizemos e ficamos paralisados na década de 1960. Ainda hoje, em 2016, quando o mundo mostra claramente ter mudado o seu eixo, com novos protagonistas, novas realidades e um novo rumo, ainda na patria tupiniquim estamos discutindo guerra fria. O cheiro de ideías emboloradas está insuportável. Abs. 

      • ze sergio, em que mundo voce vive?

        Esquerdopatas brasileiros

        Voce já ouviu falar na grande caceta do Teodoro (Teddy’s big stick), que a elite brasileira, na figura do Benjamin Constant, aceitou com delirante prazer? Foi no tempo do Joaquim Nabuco, adulador e lambe-pé, autêntico representante dessa elite, envaidecido do seu charme e convicto de ser o mais belo homem de Washington (segundo Carolina Nabuco). Foi putaria iniciada com Monroe, que durou 114 longos anos até que, em 2003, um cabra nordestino interrompeu aquela sodomia e deu inicio à reconquista da dignidade do Brasil. Tarefa dos dias atuais. A bem da verdade Rui Barbosa dissentira: ”Nem inglês sou, nem norte-americano. Brasileiro sou; e, porque sou brasileiro, não abato a minha pátria a nenhuma amizade internacional, por mais benfazente que seja, bla, bla, bla.” Vale lembrar que Euclides da Cunha jogara a merda no ventilador: ”copiaram numa agitação reflexa, com o cérebro inerte, a Constituição estadunidense, arremetendo com as mais elementares noções do nosso tirocínio histórico e da nossa formação”, etc, etc.

        Como responsabilizar a esquerda por seus fracassos sem considerar a presença dos ”americanos”, zé sergio?  Como acusar Cuba de ser o que é sem considerar os 55 anos do bloqueio ilegal vigente?  —  Corria o ano do Senhor 1950  —  Numa reunião de embaixadores latino-americanos, G. Kennan revelou a grande preocupação do Departamento de Estado naquele momento: “proteger as nossas (isto é, da América Latina) matérias-primas”. Portanto, todos deviam combater a perigosa heresia que, segundo a CIA, estava rolando nesses países; e disse como agir:  ”Reprimir duramente. Não é vergonhoso porque os comunistas — garantiu —  são fundamentalmente traidores” (Sic). A politica externa da Casa Branca continua igual a si mesma desde John Quincy Adams, autor da doutrina Monroe.

        Plano Marshall

        Em agosto de 1946, Eisenhower chegou no Rio de Janeiro com pose de herói libertador. O deputado da UDN e ex-Chanceler, Otávio Mangabeira, beijou-lhe a mão, publicamente, numa atitude espetacular de servilismo que o Congresso aprovou com a burguesia prostrada à presença do general (Ike já sabia tudo sobre a elite brasileira, por isso aceitou aquela adulação embaraçante). O presidente da República era o nazifascista general Eurico Gaspar Dutra, um lesa-pátria, covarde, fervoroso admirador de Hitler, passado ao serviço de Washington . Sem direito nem meios morais mínimos necessários para partecipar das conversas sobre o mundo, o Brasil agia como um servo que se degladia enquanto o senhor discute com interlocutores e adversários. O general Eurico se desdobrava para garantir segurança e atrair investimentos estrangeiros; o liberalismo econômico prevaleceu como complemento indispensável do autoritarismo politico. A repressão do movimento operário, no bojo da campanha anticomunista, visava a permitir plena satisfação dos monopólios estadunidenses na restaurada democracia (ditadura econômica-financeira). E as classes dominantes dilapidaram, com negociatas, passeios e compra de artigos de luxo, os saldos que o Brasil obtivera e não usara durante a guerra. Uma parte dos créditos brasileiros, o Governo do Eurico, dissipou com a compra em condições escandalosamente desfavoráveis, das ferrovias inglesas São Paulo Railway e Great Western.

        Muito antes de assumir a Presidência da República em janeiro de 1951, Vargas já equacionava os problemas que teria de resolver com os EUA. Ele não podia repetir o erro de 1942 (vender matéria-prima e deixar o dinheiro parado em bancos estadunidenses). O Brasil precisava consolidar sua indústria de base para substituir as importações e aliviar o balanço de pagamentos. Seguiram-se encontros na Comissão Mista Brasil-Estados Unidos, em 1951, no âmbito da IV Reunião de Consulta dos Chanceleres Americanos. João Neves da Fontoura, escolhido para o Ministério das Relações Exteriores (era jagunço da Standard Oil e Presidente da Companhia Ultragás S.A., associada à Socony-Vacuum Oil Co. In., de Nova Yorque, do grupo Rockefeller), recebera instruções de abrir o jogo exigindo reciprocidade econômica, um toma lá, dá cá: em troca das matérias-primas, queria-se dar início a um programa nacional de industrialização e de obras públicas. Os EUA não disseram de sim, nem disseram de não, muito pelo contrário. Planejavam destruir a Coréia, a URSS e o bloco soviético. Portanto, o Continente inteiro deveria segui-los naquela sanha destrutiva, egoísta, imperialista; insistiam que todos deveriam dar o que fosse necessário ao programa de defesa deles, naquele momento; a reciprocidade ficava pra depois (queriam recrutar 140 mil homens em toda a América Latina; o alegre Dean Acheson propôs a criação de uma força armada interamericana contra os soviéticos!!).

        San Tiago Dantas, um dos delegados, declarou que era urgente elevar o nível de vida dos povos do Continente e foi interrompido com uma salva de palmas; disse que todos estavam sofrendo ainda mais com as consequências daquele programa de defesa. Até o Chanceler lambe-pé João Neves, deplorou a falta de cooperação com o Brasil depois dos seus esforços na Segunda Guerra. João Neves  deplorava — pasmem — a indiferença dos EUA com o Continente enquanto destinava milhares e milhares e milhares de dólares à Europa Ocidental através do Plano Marshall. De fato, como salientou ele mesmo, o Brasil quisera mas não recebera nem um centavo furado dos EUA, durante os cinco anos em que o lesa-pátria general Dutra o governou. Nem, politicamente, precisava. O extremo servilismo que caracterizou a politica da elite que o sustentava, tranquilizava a Casa Branca, desobrigando-a de qualquer investimento, até mesmo de corromper para comprar lealdade e segurança, na retaguarda.

        zé sergio, o Brasil teve que esperar quase vinte anos, para que alguém escogitasse um modo politico e diplomático que lembrasse aos  ”americanos” que o país tinha conquistado direitos como nação vencedora na Segunda Guerra. Aconteceu em plena ditadura militar, em 1968. O modo politico e diplomático surgiu na cabeça de um perigoso psicopata que não usava camisa de força: João Paulo Moreira Burnier, brigadeiro, chefe de gabinete do ministro da Aeronáutica, Marcio de Souza Mello (certa vez o brigadeiro Eduardo Gomes escrevera ao Geisel chamando Burnier de insano mental). Quem denunciou o psicopata foi um militar de incontestável coragem e profissionalidade, um herói que deve ser lembrado e reverenciado, o capitão Sérgio Carvalho, o cap.”Sérgio Macaco”, que relatou:
        «Burnier explicou em detalhes a série de atentados que promoveria, colocando como autores “os comunistas”. Para começar, aconteceriam explosões “com número reduzido de vítimas fatais” em alvos específicos: a loja de departamento Sears, o Citibank e a embaixada americana. A escalada do terror atingiria o auge às 18hs de data posterior, com a explosão do gasômetro e a destruição da represa de Ribeirão das Lages, parte do sistema de geração de energia elétrica do Rio. […] Pelo raciocínio de Burnier, a sequência de terror – creditada aos “comunistas” – provocaria tal impacto no chamado “mundo livre” que o Brasil se tornaria beneficiário de um “super Plano Marshall”. Assim, uma ajuda econômica similar à investida pelos Estados Unidos para reconstruir a Europa destroçada pela Segunda Guerra Mundial injetaria dólares em profusão no País, que alcançaria quase de imediato “padrão europeu”»

        Fontes:
        Noam Chomsky
        Moniz Bandeira, Presença dos Estados Unidos no Brasil. Dois séculos de história, 1973.
        Capitão Sérgio Macaco: http://brasileiros.com.br/2014/03/o-paraquedista-que-evitou-um-banho-de-sangue/

  3. Só estamos estamos entrando

    Só estamos estamos entrando novamente numa fase retrô! 

     

    A palavra retrô consiste na forma reduzida do termo “retrocesso”, fazendo alusão a ideia daquilo que ficou para trás, em oposição ao processo ou futuro.

     

  4. Ideias centrais, quais são?

    Já era a hora de alguém mostrar onde está e como age a tal “mão invisível” de que Adam Smith fala, e torná-la visível, conscientizarmo-nos do que nos move, sem disfarces, sem neuroses, sem hipocrisia… Os EUA não ganharam os ataques ao Vietnã, apesar de em maior número e melhor armados, porque não exergavam o invadido que reagia. O poder do que se esconde é muito maior do que o que se pode ver. Não é porque algo em nós nos é “invisível” (inconsciente) que não só não existe como que não determina nossas ações e reações.

    Assim não é porque não se pode acusar uma pessoa ou organização de serem centralizadores que não se pode identificar ideias convergentes e homogêneas compartilhadas por alguns (muitos) grupos de pessoas. Ideias que muitas vezes não ousamos nem questionar e menos ainda contestar por causa de sua insistente exposição na mídia. Ficamos com a impressão de que “é normal, todo mundo pensa assim”. Só que não existe entidade chamada “todo mundo”…

    A comunicação comercial de massas nos martela essas ideias o tempo todo, seja lá onde for que estejamos. Ideias que estão, desculpe, inclusive em nós, cada um de nós que vive imerso nessa cultura dita “ocidental”. E quando alguém se dispõe a portá-las como se fossem suas – como fizeram Reagan e Tatcher, por exemplo – tendemos a acompanhar essa pessoa, mesmo que do avesso, ou seja, criticando-a.

    Fico pensando que se fosse possível interromper toda propaganda comercial por, digamos, três anos, passado esse tempo estaríamos muito mais aptos a fazer do mundo em que vivemos um lugar melhor tanto para nós quanto para os outros. Teríamos vacinado nossos corações e mentes contra a homogeneidade dessas ideias, provavelmente iríamos gozar de criatividade como há muito não experimentamos.

  5. o imperialismo ianque e seus lacaios

    para os órfãos de um tempo em que o mundo se di­vidia ilusoriamente em partidários e inimigos do bloco capitalista, mesmo após o naufrágio do logro soviético ainda perdura um obsoleto paradigma de análise geopolítica.

    como distinguir o amigo do inimigo?

    USA Incorporation já não é país, converteu-se em mera base territorial e foro jurídico dos interesses das mega corporações transnacionais. seu poder militar e meios de controle e vigilância são os fiadores  da segurança de um ambiente de negócios definido pelos acordos supra nacionais: TTIP, TPSEP e TiSA.

    aquele EUA paraíso da middle class já não existe. as desigualdades são imensas, tão grandes quanto em Pindorama. o sonho americano converteu-se numa Home Land onde a 80% da população cabe apenas 7% da renda, enquanto o 1% super-rico abocanha 40%. o lar dos bravos 1%. uma tirania neofascista que, sob a égide dos mercados financeiros e da permanente hiper produção de informação, está redesenhando a institucionalidade mundial para recolonizar todo o planeta conforme o modelo africano: adeus à cidadania.

    vivemos a era dos drones e das guerras híbridas assim como do Google e do Facebook, com seu incessante escaneamento de geolocalizações, hábitos de consumo, orientação sexual, perfis políticos… monstruosos repositórios de dados para minuciosamente cartografar o comportamento da multidão ao nível cotidiano. somos agora todos livres para nos comunicar, e quanto mais nos comunicarmos menos livres seremos.

    nosso inimigo está entre nós. somos nós mesmos. nossos valores e nosso modo de vida. os golpes que sofremos são cosa nostra.

    antes de tomar posse, em dezembro de 2002, Lula trocou um caloroso aperto de mãos com Bush Filho. a “empatia e química” entre os dois foi cuidadosamente preparada por FHC e obteve êxito completo: foi em Washington que Lula-Lá anunciou a Wall Street que seus juros estavam garantidos pela indicação do insípido Meirelles para o BC petista. o mesmo Meirelles agora Ministro interino golpista de um vice também votado pelos 54 milhões de eleitores de Dilma.

    em 2009, Lula se tornara o “político mais popular da Terra”, segundo Obama, o qual não se intimidou em  declarar: “Esse é o cara! Eu adoro esse cara!”. foi ainda naquele mesmo ano, também numa visita aos EUA, que Lula defendeu a estatização dos bancos, dos bancos norte-americanos.

    é óbvio que os interesses geopolíticos dos EUA são parte importante do golpeachment. na cena do crime está presente DNA externo, não apenas a CIA e a NSA, também o  Mossad. além do histórico de atrito entre o governo Dilma e Israel, sublinhe-se as honras de Chefe de Estado com que o muy amigo Eduardo Cunha foi recebido no Knesset.

    nosso inimigo já não tem um rosto definido. sempre usa muitas máscaras. como um perfil de Facebook tem cada vez mais credibilidade do que o indivíduo que supostamente o possui.

    Wall Street não é uma ave de rapina celestial dominando o mundo dos céus. não existe nenhum governo mundial, o que existe são dispositivos locais de governança. uma rede global de contra insurreição, sendo esta o atual princípio de governo. já não se pode falar de uma crise do capitalismo, e sim de um capitalismo de crise, sendo esta a atual forma de governo.

    ao se procurar pelo poder no estado sólido, descobrem-se apenas cenários. o poder passou desde muito ao estado líquido, ou mesmo gasoso, ou mais exatamente: virtual.

     

     

  6. Que belo sábado,peguei
    Que belo sábado,peguei comentários neste artigo de
    Lazzari,André,Arkx e só faltou o Tambelli,td meus preferidos
    e lógico sem desmerecer os outros comentários aqui!!

    • No Brasil seguimos trazendo

      No Brasil seguimos trazendo os EUA em nossos corações e mentes até hoje. Não que todos façam assim mas uma boa parte do vulgo ainda alimenta a ideia de que aquele país é bacana. É só ver o tamanho da fila na entrada dos consulados…

      Mas o que pode o vulgo ante o poder de dementes entreguistas com poder institucional, como Serra, Moro, policiais e procuradores federais? Insanos dificultando a vida de seus próprios filhos…

      – “Ah, o meu não! O meu vai estudar em Harvard.”, como se fosse possível ilhas de prosperidade num país empobrecido.

      Como Luiza, que está no Canadá, seguimos providenciando para que possamos parecer reis de apenas um olho em terra de cego…

      Caberia a nós deixarmos de bobeira e pisarmos nosso terra. E eles que façam o que quiserem. Um líder não existe sem liderados, essa é a sua fragilidade.

  7. O que sobra

    Sob o pretexto de uma guerra fria entre EUA e a Rússia, o mundo assistiu por 70 anos o ganho-ganha dos dois principais jogadores do tabuleiro. A rigor, entre eles mesmos nunca houve sequer tiroteio algum (apensa filmes de espionagem), mas serviu apenas de pretexto para ambos dividirem o mundo.

    Desde guerras Norte-Sul na Ásia, passando por Cuba, seguindo por partidos políticos de esquerda dirigidos por Rússia, lutas políticas e golpes militares na América latina, e etc. foi sendo configurado um campo de batalha dentro de nossos territórios subdesenvolvidos, sem nada a ganhar, mas apenas tudo a perder.

    Rússia e os EUA possuem hoje armas modernas, chegam ao espaço e são superpotências. Obviamente nesta corrida os EUA levaram a melhor e, junto com a queda do muro de Berlim, parece que esta competição ganho-ganha entre ambos acabou; sobrando o que hoje somos e observamos. A rigor, ambos ganharam, e o resto foi apenas espectador da evolução de superpotências, enquanto aqui era mantida a situação de país colônia.

    A análise que deve ser feita é sobre o momento atual, ou seja, sem guerra fria, mas apenas a sua consequência. Ficamos tão distantes (em termos de desenvolvimento) das grandes potencias que hoje parece pouco importar ser uma potencia mundial ou, sequer uma nação mais desenvolvida. Essa é a situação imposta hoje.

    Elites de países de terceiro mundo visam então encurtar caminho e se somar ao carro da vitória, com camarote em Miami. Isso acontece ao longo do mundo, onde cada nação tem a sua Miami como meta, a meta de fazer parte do time vitorioso, de escalar para a ponta de uma pirâmide que somente existe porque nós fornecemos a base. Brasil age igual que o nosso “astronauta”, que viveu o sonho de ir ao espaço, como convidado do tio Sam e voltou ao Brasil para reconhecer que o seu sonho não seria mais sonhado, num país que não possui tecnologia nem para fabricar uma luva para astronauta. Preferiu sair das FFAA e hoje vive dando cursos e palestras, pelo mundo.

    Aquele astronauta, assim como o Neymar e assim como qualquer pessoa que sobressai na sua atividade e profissão – honesto ou gatuno – está hoje na Europa, com dinheiro na Suíça ou morando em Miami. Brasil fornece gente; dinheiro e talento para a superpotência; e durante muitos anos trabalha apenas para isso.

    Nos dias de hoje, pouco importa o que achar o Chomsky ou qualquer outro. Devemos repensar a nossa situação e escolher o nosso caminho. Lula e Dilma indicaram um, no qual alguns aqui acreditam. Já o Temer, retrocede o tempo de fHC e, por momentos, parece mergulhar para os tempos do império, numa clara aposta no país colônia.

  8. + comentários

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome