Caravana da Anistia realiza ato em Ibiúna

Por Marco Antonio L.

Caravana faz reparação coletiva de perseguidos pela ditadura no Congresso de Ibiúna

No Correio do Brasil
Por Redação, com ABr – de Ibiúna, SP

Dirceu

Dirceu foi um dos estudantes presos no Congresso de Ibiúna

Caravana da Anistia cumpriu, neste sábado, o ato de reparação coletiva e homenagem aos 700 estudantes presos pela ditadura militar durante o 30º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), em 1968, peladitadura militar, entre os quais estava o ex-deputado José Dirceu. No evento, que ocorre em Ibiúna, cidade do interior paulista onde os ex-estudantes foram presos, também serão julgados os processos de anistia de Etelvino José Bechara e Gonzalo Pastor Barreda, detidos naquela época.

– Nós estamos, em primeiro lugar, resgatando a história do protagonismo da juventude, da resistência à ditadura militar – disse o presidente da Comissão de Anistia e secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão.

Etelvino Bechara, um dos que terão o processo julgado, é professor titular do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP). Ele havia sido preso e levado para a penitenciária Tiradentes, enquanto participava do congresso como representante do curso de química da USP. Em 1970, foi retirado à força da sala de aula onde trabalhava e levado para o 2º Exército, no Ibirapuera. Continuou sendo monitorado até 1984.

Gonzalo Barreda, outro caso a ser analisado, militava na política estudantil da USP, colaborando para o Jornal Aurk – publicação dos alunos do Conjunto Residencial da USP -, principalmente com fotografias. Em 1968, por ajudar na organização do 30º Congresso da UNE, foi detido e transferido para o presídio Tiradentes, onde ficou por um mês. No fim do mesmo ano, foi preso novamente. Ao ser libertado, foi obrigado a abandonar o curso de engenharia da Escola Politécnica da USP.

Toda a programação do 11º Congresso da União Estadual de Estudantes/SP tem também como objetivo trazer a memória da luta contra o autoritarismo para a nova geração. “Essa geração de 68 é uma geração vitoriosa, obteve grandes conquistas para a nossa sociedade. O fato de isso estar ocorrendo dentro de um congresso atual da União Estadual de Estudantes permitirá o encontro entre o movimento estudantil do presente e do passado, para que as gerações futuras possam sedimentar e aprofundar as conquistas pelas quais  a anterior sempre lutou”, declarou Paulo Abrão.

Desde o início de sua atuação, a Comissão de Anistia já julgou cerca de 180 processos de estudantes presos durante o Congresso de Ibiúna. As caravanas da Anistia contam com sessões públicas itinerantes de apreciação dos pedidos de reparação por perseguição política.

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