Anos de Chumbo, II: Um depoimento

Por Francisco Antonio Doria,  matemático, doutor em física pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas e professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Especialmente para o Brasilianas.org

Continuação do post “Anos de Chumbo”

Depoimento por email de Leo Benjamin sobre a libertação do Cesar:

1- o grupo de agentes federais que fez a escolta em 4 carros veio de Brasilia, pois não se tinha confiança nos agentes cariocas, ligados ao exército aqui. Havia ameaças à vida do Cesar se ele ficasse no Brasil.

2- meu pai, cel do exército, foi no banco da frente da C14, como garantia de que não haveria sacanagem.

3- “perseguindo” a procissão, eu ia atrás dirigindo um fusquinha e tendo ao meu lado o Mario Augusto Jacobskind, então correspondente d’A Folha de SP no Rio. Quando a comitiva chegou na pista do aeroporto, todos fomos para uma sala VIP, e apresentei o Mario como primo. Resultado: enquanto esperávamos o embarque, o Mario entrevistou o Cesar por cerca de uma hora, e a Folha deu manchete no dia seguinte, com furo de reportagem, único jornal a conseguir a façanha.

4- Após todos embarcarem, inclusive meu pai, um dos carros levou o Cesar até as escadas do avião, e ele subiu abraçado a dois agentes até a porta.

5- Detalhe: o passaporte expedido para ele [Cesar] tinha validade por apenas 24 horas! Acho que é fato único na história…


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