Getúlio Vargas e a crise de agosto

VARGAS E A CRISE DE AGOSTO – Em 5 de agosto de 1954, com o tiro desfechado por Climerio de Almeida a mando de Gregorio Fortunato cujo alvo era Carlos Lacerda e acabou matando o Major Rubens Vaz, da Aeronautica, iniciou-se a crise que levou Getulio Vargas ao suicidio.

A operação contra Lacerda foi por iniciativa do proprio Gregorio, chefe da guarda pessoal de Vargas, sem o conhecimento do Presidente, que jamais teria autorizado uma estupidez desse nivel. O atentado, mesmo que bem sucedido e morto Lacerda, seria o fim de Vargas e ele, experiente e sagaz não seria lunatico para empreitar semelhante idiotice.

O atentado todavia colou em Vargas porque Gregorio era um homem do circulo pessoal do Presidente desde há muito tempo e não havia como Vargas não ser responsabilizado por mais que não tivesse dado a ordem.

Havia uma crise politica por causa do financiamento do Banco do Brasil à empresa Erica S/A, que editava o jornal Ultima Hora. O financiamento era total, o jornal de Samuel Wainer foi fundado exclusivamente com o dinheiro do Banco do Brasil, o que gerou forte reação da grande imprensa da época. A Erica S/A era presidida por Danton Coelho, amigo pessoal de Vargas e ex-presidente do PTB e ex-Ministro do Trabalho, a ligação da Ultima Hora com o varguismo estava explicita demais.

Lacerda pediu uma CPI para o caso Ultima Hora e se transformara em inimigo numero 1 do Governo, o que criou na cabeça de Gregorio a ideia do atentado, não percebendo que o Brasil já não estava nos anos 30 e que um crime politico desse porte seria um bomba para o Governo.

Por azar ainda maior a bala atingiu mortalmente um oficial da Aeronautica, Força onde havia maior oposição a Vargas. A Aeronautica, não confiando na policia varguista (o antigo DFSP, orgão predecessor da Policia Federal) montou um Inquerito Policial Militar na Base Aerea do Galeão, presidido pelo Coronel Adil de Oliveira e a partir dessas investigações chegou-se ao pistoleiro Climerio através do motorista de taxi que lhe deu fuga.

A crise teve desfecho no suicidio de Getulio, sucedido por João Café Filho, seu Vice, do partido ademarista PSP, por sua vez impedido e substituido por Carlos Luz, presidente da Camara, tambem impedido e substituido por Nereu Ramos, presidente do Senado que carregou o Governo até a eleição de 1955, que elegeu Juscelino Kubtscheck.

Leia também:  Bolsonaro assina proposta de reforma administrativa

O suicidio de Vargas, dentro da tragedia maior, foi um ato politico que reverteu a correlação de forças na politica, desfazendo a coleigação civil-miliar contra o varguismo, o que permitiu a eleição de JK, mesmo em circunstancias dificeis, porque colocou a oposição udenista na defensiva e não permitiu sua rearticulação a tempo de enfrentar a chapa varguista Jk-Jango.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome