Gorbachev, o homem que desmontou a URSS

(Atualizado em 3 de março, às 11h40)

Da Epoca, via twitter

02/03/2011 – 12:35 – Atualizado em 02/03/2011 – 12:35
Gorbachev faz 80 anos e critica governo russoMikhail Gorbachev, o último líder da União Soviética, voltou a acusar o governo da Rússia de empreender uma ofensiva contra as liberdades dos cidadãos redação época, com agência EFE

 

RIA Novosti, Mikhail Klimentyev, Presidential Press Service / AP PRÊMIO O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, recebe o ex-líder da URSS na residência oficial. Apesar das críticas, Gorbachev recebeu a mais alta comenda russa nesta quarta

Mikhail Gorbachev, o último dirigente soviético e pai da “Perestroika”, a política de reestruturação econômica da União Soviética, celebra nesta quarta-feira (2) seus 80 anos preocupado com a situação na Rússia e a ofensiva do Estado contra os direitos e liberdades de seus compatriotas.

“Ultimamente se observa uma ofensiva contra os direitos e as liberdades dos russos”, afirmou o político em entrevista à agência Interfax. Segundo ele, isto é “inadmissível”, pois “as autoridades devem velar pelos direitos dos cidadãos e pensar em como garantir sua segurança”.

Nos últimos tempos, o antigo líder soviético e Prêmio Nobel da Paz, que qualifica a situação no país como “preocupante”, criticou duramente o presidente Dmitri Medvedev e o primeiro-ministro Vladimir Putin. As declarações de Putin de que ele e Medvedev decidiriam qual deles apresentaria sua candidatura nas eleições presidenciais do ano que vem suscitaram a ira de Gorbachev.

As críticas do antigo líder soviético se estenderam à gestão econômica: “Fala-se muito da modernização, mas há poucos fatos concretos, o que também me preocupa”. Gorbachev afirmou que na Rússia poderiam ocorrer mudanças positivas depois das eleições parlamentares que serão realizadas em dezembro, mas advertiu que isso só ocorrerá “em caso de um pleito limpo”. As eleições recentes da Rússia foram classificadas como pouco transparentes por observadores internacionais e Putin é acusado de comandar um “Estado policial”. Ele e muitas outras autoridades russas são ex-membros do KGB, o antigo serviço secreto soviético.

Atualmente, o antigo líder soviético quase não incita interesse entre seus compatriotas. Uma pesquisa realizada pelo Centro de Estudos da Opinião Pública (Vtsiom, por sua sigla em russo) revelou que 47% dos russos se sente “indiferente” em relação ao antigo líder. “Gorbachev tirou o país de um sonho letárgico, que era uma ameaça de morte”, escreveu o jornal Novye Izvestia, um dos poucos que dedicou espaço ao aniversário do ex-líder.

JL

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI215512-15227,00-GORBAC…

Por Zé Luís

“Em 12 de março de 1985, Mikhail Gorbachev foi eleito para o cargo de Secretário-Geral do PCUS (Partido Comunista da União Soviética). A partir daí, lançou, em âmbito nacional e internacional, a Perestroika (reorganização) e a Glasnost (transparência).

O texto da Perestroika estava repleto de frases confusas e intencionalmente ambíguas. Mas o tempo encarregou-se de demonstrar que o verdadeiro conteúdo desse projeto não era outro senão o de tentar sair da decadência econômica por via da restauração do capitalismo. Quanto à Glasnost, era uma tentativa de fazer algumas reformas políticas no marco da manutenção do regime ditatorial de partido único.

Alexandr Yákovlev, que foi o cérebro da Perestroika, não hesitou em confessar os verdadeiros objetivos dela: “Se se deixasse que persistissem os métodos com os quais funcionava a economia soviética na época… nosso país se encontraria relegado a ser uma potência econômica de segunda ordem e, no fim do século, talvez decaísse ao nível dos países pobres do Terceiro Mundo. Apesar de não termos avançado muito nessa questão, indicamos, no entanto, algumas diretrizes que exigiam uma mudança drástica do sistema econômico. Propúnhamos um modelo de desenvolvimento que daria às empresas autonomia financeira e liberdade de iniciativa a fim de romper o cerco centralizador ou reduzi-lo ao mínimo possível… Por outro lado, favorecíamos a organização de empresas mistas, e não só em colaboração com os países socialistas e os países do Terceiro Mundo, mas também com os países ocidentais. Para nós, era a única possibilidade de que a União Soviética participasse da divisão internacional do trabalho, nos intercâmbios de capital, de inversões, etc… A liberdade econômica é inseparável da liberdade política… Era necessário abolir o monopólio da propriedade estatal… É necessário introduzir a economia de mercado o quanto antes”.

A ascensão do “renovador” Gorbachev (como era conhecido na época), que chegou ao cargo de Secretário-Geral apoiado por Gromyko e pela sinistra KGB, foi a demonstração de que a maioria da burocracia, perante os reiterados fracassos econômicos, era sensível à proposta de Gorbachev de fazer mudanças radicais na economia, ou seja, restaurar o capitalismo.

Como não podia ser de outra forma, nesses anos, Gorbachev começou a ser visto como a “menina dos olhos” das grandes potências imperialistas, especialmente o governo Reagan, nos EUA. Esses projetos (a Perestroika e a Glasnost) eram a resultante quase pura, no âmbito da URSS, da ofensiva econômica com formas democráticas lançada pelo imperialismo norte-americano que denominamos de “reação democrática”.

Durante todo o ano de 1985, Gorbachev, atuando como o representante da maioria da burocracia e do capitalismo internacional, limitou-se a fazer propaganda de seu projeto. Mas essa situação mudaria drasticamente a partir de 1986.

Em fevereiro-março desse ano realizou-se o XXVII Congresso do Partido Comunista da União Soviética, que votou um novo Comitê Central. Nunca, nos últimos 25 anos, ocorrera uma mudança tão profunda. Foram eleitos 97 novos quadros e 22 suplentes tiveram direito a voto. Na prática, entraram 119 novos dirigentes (da equipe do “renovador”) em um CC de 307 membros, no qual Gorbachev já tinha um peso importante.

A partir desse momento, Gorbachev sentiu-se suficientemente forte para passar da propaganda à ação. Em poucos meses, o Parlamento, seguindo as ordens do CC do PCUS, votou uma série de leis que tinham como objetivo desmontar o que sobrava do estado operário e restaurar o capitalismo. Em outras palavras, a partir de fevereiro de 1986, por intermédio de Gorbachev e seus agentes, a burguesia recuperou o poder na URSS.

Já em agosto de 1986, ou seja, apenas cinco meses depois do XXVII Congresso do PCUS, o governo autoriza a constituição de empresas conjuntas com capital estrangeiro; em setembro, começa a ser liberado o trabalho privado, mediante a Lei sobre Atividades Individuais. Em junho de 1987, aprova-se a Lei de Empresas do Estado, com a qual se acaba com as subvenções do Estado para as empresas, ao mesmo tempo que as autoriza a comercializar livremente com o exterior. Dessa forma, deu-se o golpe mortal na planificação econômica central e no monopólio do comércio exterior. Em maio de 1988, aprova-se a Lei sobre Cooperativas, que facilita o surgimento de um grande número de empresas privadas. Em dezembro de 1988, aprova-se um decreto que legaliza a venda de casas. Nesse mesmo ano, aprova-se uma lei que liberaliza a atividade bancária. Nesse período, dissolve-se o Ministério do Comércio Exterior (que era o responsável pelo monopólio do comércio exterior). Em 1990, no âmbito da Federação Russa, vota-se a Lei sobre Atividades Empresariais, com a qual se libera totalmente a atuação de todo tipo de empresas capitalistas.

Como resultado de todas essas medidas, já em 1989, há 200 mil cooperativas e quase 5 milhões de associados. Em 1994, 50% das empresas já estavam privatizadas e assim a produção não-estatal chegava a quase 60% do PIB.

Em várias oportunidades, nos perguntaram: como é possível que, em 1986, a burguesia tenha retomado o poder se, nesse momento, na URSS, a burguesia não existia como classe? Esse tipo de pergunta leva embutidas três incompreensões. Em primeiro lugar, é preciso entender que a burguesia é uma classe internacional; em segundo lugar, que, na maioria dos casos, a burguesia não governa de forma direta, e sim por meio de seus representantes pequeno-burgueses; em terceiro lugar, é preciso entender que, apesar de na URSS não existir uma burguesia como classe, existia um enorme setor parasitário (a burocracia), com um nível de vida similar ao da burguesia e com íntimas relações com ela, que era aspirante a burguês. Gorbachev era o representante desse setor social e o agente pequeno-burguês do imperialismo e, como tal, era a cabeça mais visível de um novo estado que se propunha restaurar o capitalismo.”

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Extrato do prefácio, de autoria de Martín Hernández, ao livro “A Revolução Traída”, de Leon Trotsky, publicado em julho de 2005 no Brasil pela Editora José Luís e Rosa Sundermann.

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1 comentário

  1. Oh, louco!

    Quanta BOBAGEM neste texto, meu Deus do céu!
    A URSS faliu como faliram TODOS os regimes comunistas, porque o marxismo é algo impraticável e só conduz a ditaduras asquerosamente corruptas e ineficazes do ponto de vista econômico e humanitário. O capitalismo e´um sistema natural, que distribui a riqueza porque a faz circular a riqueza, diferente do comunismo que só faz reter a riqueza nas mãos de poucos: os burocratas do partido comunista.

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