No século XIX, Pedro II reflorestava a Tijuca

Jornal GGN – A Agência Brasil foi buscar no século XIX uma solução para o problema das bacias hidrográficas do Rio de Janeiro. De acordo com a reportagem, o imperador Pedro II desapropriou áreas da Floresta da Tijuca (onde hoje é o Parque Nacional da Tijuca) e promoveu um reflorestamento que propiciou a recuperação natural da mata. “Naquela época, o solo e as rochas não conseguiam armazenar tanta água, porque sem as florestas, a água acaba escoando na superfície do terreno, não entra no solo [vai para o mar]. Então, o nível de água subterrânea caiu muito, como nos dias de hoje”, explicou a pesquisadora ouvida pela agência.

Reflorestamento é solução para salvar bacias hidrográficas do Rio

Por Isabela Vieira

Da Agência Brasil

Reflorestamento é solução para salvar bacias hidrográficas do Rio Tomaz Silva/Agência Brasil

Para preservar a água, o replantio de mudas é uma solução eficaz desde o século 19, no Rio de Janeiro. Diante da crise hídrica, o imperador Pedro II ordenou desapropriações na Floresta da Tijuca, onde hoje é Parque Nacional da Tijuca, devastado por plantações de café, e iniciou um amplo reflorestamento. A estratégia propiciou a recuperação natural da mata, que sofria com erosão e estava degradada, segundo a chefe do Laboratório de Geohidroecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ana Luiza Coelho Netto.

“Naquela época, o solo e as rochas não conseguiam armazenar tanta água, porque sem as florestas, a água acaba escoando na superfície do terreno, não entra no solo [vai para o mar]. Então, o nível de água subterrânea caiu muito, como nos dias de hoje”, lembrou a pesquisadora sobre a situação na floresta. Na época, a corte e as comunidades do entorno da Tijuca eram abastecidas por essas águas.

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Com as medidas do imperador, acrescentou, sem a pressão da ocupação urbana, a área se recuperou e hoje é um dos maiores parque urbanos do país, com opções de trilhas e visitas a cachoeiras.

De acordo com Ana Luiza, embora a Floresta da Tijuca não tenha condições de abastecer toda a população carioca,  de mais de 6 milhões, cumpre um papel importante no clima e na recarga dos lençóis freáticos. “A floresta ajuda a água da chuva a infiltrar [no solo] e lança no ar. Ela bebe 20% da água da chuva e o resto devolve por meio das raízes”, explicou.

Diante de uma maiores estiagens no estado, que baixou o nível dos reservatórios, a professora diz que a criação de corredores ecológicos – que facilitam o deslocamento de animais, a dispersão de sementes e aumento da cobertura vegetal – são fundamentais para a sustentabilidade das matas. Ela defende, ainda, a execução de projetos de reflorestamento comunitário, que pode empregar moradores de áreas em talude – plano de terreno inclinado que tem como função dar estabilidade a um aterro.

Com a crise no abastecimento de água, prefeitura do Rio avalia medidas de combate a desperdícios Tânia Rêgo/Agência Brasil

Para evitar a crise de desabastecimento, a Prefeitura do Rio de Janeiro criou um grupo de trabalho. O prefeito Eduardo Paes não descarta medidas para economia de água e energia.

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2 comentários

  1. essa “coisa de floresta e rei”

    essa “coisa de floresta e rei” parece ser originário de um antigo costume lúdico-esportivo de reis e senhores feudais…

    “Tudo que é pueril, tudo que aproxima o rei de uma criança deve ser evitado. Resta dizer que essa crítica está em total desencontro com a prática da caça na Idade Média. Os reis tentaram fazer da caça seu monopólio; constituíram para si várias reservas de caça criando a noção jurídico-geográfica da “floresta”, entregaram-se com paixão a esse esporte, concebido como o esporte real por excelência. Curiosamente, São Luís (1214-1270) é o único rei de França em relação ao qual não se conservou nenhum documento provando que alguma vez ele tenha praticado a caça.”

    São Luís – Biografia, de Jacques Le Goff. Trad. Marcos de Castro. Editora Record, 1999.

     

     

  2. Eu não sou entusiasta da

    Eu não sou entusiasta da monarquia nem nada mas ha de se fazer justiça com Dom Pedro. Muita coisa que me foi dita na escola eu simplesmente tive que jogar no lixo depois de ir a Portugal e conhecer melhor o Rio de Janeiro.

    Sô como exemplo destaca-se o esforço da coroa em preservar as florestas nativas do Brasil. Em 1850 foi publicada a Lei 601 de Dom Pedro II proibindo a exploração florestal nas terras descobertas. Obviamente a lei foi ignorada pelos fazendeiros da epoca. Em 1876 André Rebouçãs sugere a criação de parques nacionais na Ilha de Bananal e em Sete Quedas.

    Alem disso segundo uma matéria publicada na National Geographic ha alguns anos atras, durante o império o corte das árvores frutíferas era considerado como crime. Em Portugal,isso representava uma dúzia de espécies (macieira,nogueira,pessegueiro,cerejeira,pereira e outros). Nas terras descobertas,contudo,essa legislação ganhou alcance enorme. Na Mata Atlântica,araçá,jabuticaba,taperebá,cambucás,pitanga,grumuxama,muricí,jatobá,pinhão,abiú,mangaba,arati cum,cajá,tarumã,pindaíba,uvaia,cambucí,guariroba,jenipapo,bacurí,goiaba,cambuí,pitomba,joá,e outras frutas nativas tiveram suas árvores-mãe protegidas do corte e da derrubada.Em poucos anos,o Reino do Brasil e a Mata atlântica tinham uma lista de dezenas de árvores de grande valor pela qualidade de sua madeira,cujo corte era proibido por lei.eram as chamadas árvores Reais,ou paus de Lei.Elas deram origem à expressão:

    “Madeira de Lei.”Que perdura até hoje

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