A história dos espiões da Alemanha Oriental

O espião que saiu do frio

Markus Wolf, judeu alemão educado em Moscou foi o chefe da organização externa do Ministerio da Segurança da Republica Democratica Alemã, a celebre STASI, um dos serviços de inteligencia mais importantes do Seculo XX, eficiente e abrangente, que vigiava tanto a população da Alemanha Oriental como agia internacionalmente com grande sucesso. A STASI teve na Alemanha Oriental 274 mil agentes e no exterior cera de 1.553 espiões. Markus Wolf, que morreu em 2006 com 83 anos, foi o responsavel pela queda do Primeiro Ministro da então Alemanha Federal, ao introduzir um espião como seu secretario, Gunther Guillaume, o que causou um escandalo nacional e provocou o fim do gabinete do Chanceler Brandt, por negligencia em ter um espião a seu lado.

A STASI tinha sede em Berlin-Lichtenberg e mais dez edificios em torno de Berlin, Wolff foi chefe dos serviços internacionais por 34 anos, era conhecido como o “”Homem Sem Rosto””. Em 1978 o Serviço Sueco de Inteligencia conseguiu fotografa-lo mas depois do fim da Republica Democratica descobriu-se que a CIA já tinha uma foto sua desde 1953, obtida quando ele esteve em Nuremberg durante os julgamentos da cupula nazista.

A STASI e especialmente Wolf tinha estreita colaboração com a KGB, inclusive tinha escritorios em Moscou. Quando Vladimir Putin, então na KGB, foi estacionado em Dresden, na decada de 80, ficou amigo de Wolf. O chefe da Stasi ajudou a cupula da KGB a montar a FIMACO-Financial Management Co., em Jersey, que era o caixa da KGB no exterior. Com o fim da URSS passaram pela FIMACO 50 bilhões de dolares de fundos que estavam dentro da URSS, para resguardo desses recursos no caos em que ficou o regime em Moscou. A FIMACO era controlada pelo Banque Commerciale de L´  Éurope du Nord, de Paris e Genebra, que era um dos dois bancos sovieticos no exterior (o outro era o Moscow Narodny Bank Ltd., em Londres), grandes bancos que eram usados para o giro financeiro e comercial da URSS e seus satelites na Europa Ocidental.

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Markus Wolf foi personagem ficcional mas baseado nele dos grandes ficionistas de espionagem britanicos, John Le Carré e Frederick Forsyth. Com o fim da Alemanha Oriental e a abertura dos arquivos da Stasi, os alemães puderam livremente pedir sua ficha pessoal na organização, havia 2.750.000 de fichas alem de dossiês completos sobre politicos do proprio Pais e de todos os paises da Europa Ocidental, levantados com grande perfeição e detalhe.

Com o fim do comunismo, do Muro e da Alemanha Oriental, Wolf ficou desempregado e foi processado na nova Aleamnha unificada, condenado a 6 anos de prisão da qual recorreu com sucesso na Suprema Corte alemã, ao se defender com a tese de que sua atividade era legal porque o regime a que servia era legitimo. Conseguiu uma pensão do governo da nova Alemanha mas para melhorar seus rendimentos conseguiu um emprego de apresentador em um programa de culinaria na Tv de Munique, era um excelente e sofisticado cozinheiro e começou nova e bem sucedida carreira, a de “”chef de cuisine”, era especializado em pratos franceses, apareceu na TV paramentado “au complet”.

Acima, uma entrevista de Markus Wolf na TV inglesa. Um dos grandes espiões da Guerra Fria.

Há uma boa biografia de Wolf em português, “”O Homem Sem Rosto”, de AnneMC Elvoy, no Brasil editado pela Record.

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10 comentários

  1. O espião que me amava

    “A moralidade no mundo da espionagem não pode de modo algum ser comparada com os padrões morais das pessoas comuns” (“The morality of the intelligence world can never be compared with the normal moral thinking of normal people”). Markus Wolf

    Uma característica pitoresca de Wolf – na melhor linha da literatura clássica de espionagem – é ter sido um entusiasta do uso pela Stasi de técnicas de sedução afetiva e sexual (sem discriminação entre homo e hetero) como forma de conseguir acesso a pessoas em postos chave (a suas informações). Diplomatas, políticos e executivos(as) de empresas multinacionais – entre outros profissionais que vivem sob estresse intenso e passam longas temporadas longe de casa e dos amigos – eram considerados alvos preferenciais de equipes de belos(as) e sedutores(as) agentes alemães orientais, especializados em arrancar segredos de alcova de suas vítimas.

  2. A vida dos outros

    Um filme interessante sobre os últimos dias da DDR, Deutsche Demokratische Republik, a Alemanha Oriental, é “A vida dos outros”, Uma interpretação notável do ator Ulrich Mühe. “Adeus Lenin” , com muito mais humor, fez bastante sucesso.

  3. Giselle

    “Giselle, a espiã nua que abalou Paris”. Era uma agente da Resistência Francesa no tempo da ocupação alemã, durante a Segunda Guerra.. A galera aqui é bem da minha geração, dos livrinhos vendidos em banca de revistas. Era divertido !

  4. Eu sou fã do John Le

    Eu sou fã do John Le Carré,

    Há muitos e muitos anos incorporei  em mim o G. S., Oxford e a guera fria.

    Atualmente estou lendo Uma Verdade Delicada.

    Torço para não acabar, econmizo ou cotizo as páginas e, antes de dormir, me sinto lá.

    Ali, do outro lado,

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