Paul Bauduin, ou por que os economistas de mercado adoram o fascismo, por André Araújo

Paul Bauduin, ou por que os economistas de mercado adoram o fascismo

por André Araújo

A história da França de Vichy sempre me fascinou, desde os anos 60, coleciono livros sobre o período para entender o abismo politico que a França tenta esquecer.

Vichy é a prova de que países não desaparecem, não quebram, não acabam, apenas decaem.

Como foi possível a França de Luis XIV, o País que criou o Estado Nacional na Era Moderna, com personagens do porte dos Cardeais de Richelieu e Mazarin, o Pais das glórias do Imperador Napoleão e do maior diplomata do Século XIX, o Principe de Talleyrand, como foi possível esse Pais poderoso e imperial, símbolo do Estado forte se entregar de forma vexatória à dominação alemã? Não foi uma simples derrota militar, foi um rendição humilhante para o mundo, depois de uma luta apenas para constar, dois terços das armas francesas não foram usadas na campanha de 1940, quando a França se rendeu docemente. Mas o pior veio depois, a colaboração consentida e alegre com o conquistador. A saga de Vichy é uma lição de História, do que pode acontecer a países em situações muito especiais.

No quadro maior da rendição despontaram personagens sinistros prontos a servir aos alemães e que deixaram no registro da História sua triste biografia , entre tantos outros o maior deles, Pierre Laval, depois Camille Chatemps, o Conde Fernand de Brinon, que se dispôs ser Embaixador da França em Paris junto ao Comando Alemão, Marcel Deat, o Almirante Darlan, Raphael Alibert,  o General Maxime Weygand, derrotista com pose de vencedor, Phelippe Henriot, o líder fascistoide disfarçado de patriota Charles Maurras e muitos mais. A “colaboração” com os alemães foi ampla na alta sociedade francesa, temerosa dos movimentos populares. Afinal o grupo politico do Front Populaire tinha conquistado o governo em 1936 com um programa de esquerda, para horror da elite financeira e industrial francesa representada pelo Comité des Forges e pelas famosas “200 famílias de França”, a nata do capitalismo francês, mesclada com a alta moda e a aristocracia de sangue dos salões, até o pretendente Orleans ao trono, o Conde de Paris, flertou com os alemães em busca de uma possível restauração, já a alta costura viu um novo mercado se abrir com as esposas dos oficiais alemães, Coco Chanel inclusive se amarrou em um oficial SS como companheiro.

A colaboração foi um fenômeno único por sua dimensão na Europa nazificada. Houve colaboradores em outros territórios conquistados pelos alemães, mas em nenhum Pais na escala do que aconteceu na França, onde os restaurantes durante a ocupação estavam lotados pela burguesia local se banqueteando lado a lado com generais alemães com quem trocavam gentilezas e sorrisos, afinal os alemães “nos salvaram do comunismo”.

Nesse grande quadro que a França de hoje faz tudo para apagar do implacável arquivo da Historia, foi esquecido por historiadores o papel central do “economista a serviço dos alemães”, um notável personagem cujos contornos psicológicos mostram o extraordinário perigo do “ economista eficiente” ou “economista de mercado” MAS A SERVIÇO DE QUE CAUSA?   Baouduin era eficiente, organizado, racional  MAS a serviço do inimigo, do ocupante, do invasor, representava no contexto o economista que sob a capa da racionalidade  presta seus serviços ao poder de ocasião, a qualquer poder, sem noção de povo.  de Estado, no papel de feitor de seus próprios compatriotas,  para extrair riquezas para o conquistador.

Bauduin não é um perfil  raro nos paises emergentes, aliás é muito comum, economistas a serviço do mercado MAS DE QUE MERCADO? Ao fim servem ao financismo internacional, representam os interesses estrangeiros acima do interesse nacional  sob a capa do “mercado”.

Não é do mercado de sua população nativa, os patrões desse mercado a que servem são outros e pagam bem, é tudo o que importa. A consciência de servir aos seu compatriotas pobres  se perdeu nas universidades americanas onde estudaram,  os seus compatriotas  que necessitam de sua ciência e muitas vezes pagam seus estudos são abandonados e trocados pelo fascínio do dominador. A saga dos “economistas de mercado” tem tudo a ver com a carreira de Paul Bauduin, um espécie de patrono dos economistas sem pátria.

O “economista de mercado” representa uma visão de mundo, onde o mercado prevalece sobre o Estado. Este passa ser um mero gestor de serviços, como um zelador em um prédio de apartamentos, essa a visão de Bauduin, se os alemães são bons administradores do território, porque não aceita-los, não é mesmo? Os “mercados” pensam exatamente a mesma coisa.

Qualquer Presidente serve desde que garanta o mercado e seus objetivos,  acima de qualquer interesse nacional ou do interesse de sua população pobre, o Estado zelador do mercado é

o que esse grupo de personagens deseja, Bauduin tem herdeiros.

Quem era Paul Bauduin

Diretor-Geral de la Banque de L´Indochine, um dos grandes bancos de investimento da França de então, catedral do capitalismo imperial francês, com vastos recursos amealhados na exploração comercial  da Indochina, hoje Vietnam, Cambodja e Laos, então colônia francesa.

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La Banque de l´Indochine era uma potência e ainda é. Depois de sua fusão com a Compagnie Universalle du Canal  Maritime de Suez, a companhia do canal de Suez, e com a belga TRACTBEL, a companhia de bondes e trens do Barão Empain,  o Banco da Indochina se transformou hoje em um dos grandes conglomerados do capitalismo europeu, com o nome de ENGIE,  importante investidora no setor de energia em nosso Pais. Comprou a ELETROSUL nos leilões da Era FHC e continua a investir pesadamente em geração na América do Sul.

Paul Bauduin nasceu em 1894 e viveu até 1964. Em 16 de Junho de 1940 foi nomeado pelo Marechal Petain Ministro das Relações Exteriores do novo Governo que nasceu dos escombros da Terceira Republica com o fim especifico de se render aos alemães.  Sua experiência e conexões com o mercado financeiro deu a Bauduin um poder especial sobre a gestão econômica, já que como Ministro das Relações Exteriores cabia a ele a crucial negociação financeira com o ocupante, que se tornou o eixo da nova economia francesa.

O drama das negociações e tratativas politicas internas e as intensas discussões com a Inglaterra sobre a necessidade da rendição politica da França ao Terceiro Reich marcam a primeira metade de 1940. Com o governo em fuga já longe de Paris, primeiro em Bordeus, depois em Clermont Ferrand e finalmente em Vichy, capital da parte não ocupada, escolhida por sugestão de Bauduin, um novo Estado sem nome de Republica cujo chefe nominal  era o Marechal Petain, herói da Grande Guerra de 1914 e chefe do partido derrotista, tendo com Primeiro Ministro o politico de longa carreira Pierre Laval, Bauduin como Chanceler . O período de fuga e  de enterro da Terceira Republica e criação de um novo Governo dá por si só uma biblioteca, um período dramático de desfazimento de um regime que vinha do fim do Segundo Império de Napoleão III em 1870 e durou 70 anos até a rendição de 1940.

Com Baudoin  como Chanceler o governo Petain requer através da Espanha os termos de um armistício que os alemães apresentam em 22 de Junho no fatídico vagão ferroviário na Floresta de Compiegne, o mesmo vagão onde o Império Alemão assinou sua rendição militar em 1918. Hitler exigiu essa condição como vingança pela humilhação à Alemanha na situação inversa de 1918. (descrição da cena de rendição em “VICHY POLITICAL DILEMMA”, de Paul Farmer, Columbia Universaity Press, 1955). Mas Hitler tinha um plano especial para a Drança, Hitler admirava Napoleão e tinha certo carinho pela França, preferia um acordo do que uma rendição “raise campagne”, uma rendição puramente militar como em outros países.

Baudoin era portanto personagem central nos acontecimentos da submissão do Estado francês à Alemanha. Não era uma rendição fruto da derrota militar, era mais que isso.

O armistício de Junho de 1940 foi uma abertura de portas para uma DESEJADA colaboração com a Alemanha nazista, considerada  então uma barreira a proteger a elite francesa contra a esquerda que tinha conseguido o poder nas eleições de  1936 e que assustava esse elite com leis trabalhistas, como a semana de 40 horas. Os alemães seriam nessa condição os “salvadores” da França contra a esquerda que crescia e assustava a alta classe francesa.

Nasceu desse pano de fundo a saga do “colaboracionismo”, uma ideologia de governar sob a proteção da Alemanha e a ela prestando reverencia, uma submissão consentida para atingir um fim maior, a proteção da elite (hoje seriam “os mercados”) contra o progressismo social.

A logica dos colaboracionistas era evidentemente de que o Terceiro Reich iria ganhar a guerra europeia e a Alemanha seria a dona da Europa, vamos então escolher um bom lugar a mesa, mesmo que secundário, para participar do banquete dessa nova constelação de poder.

Como acontece com enorme frequência com gente apenas focada em seus próprios interesses, o calculo deu errado, a Alemanha não ganhou a guerra e os colaboracionistas caçados e  presos, como Paul Bauuin, condenado à prisão por 5 anos, pena  comutada em 1949, os colaboracionistas em França eram tantos que não haveria prisões para todos.

O maior deles, Pierre Laval, Primeiro Ministro de Vichy, foi condenado à morte e fuzilado,

Petain também foi condenado à morte mas teve a pena comutada em prisão perpetua, morreu na cadeia. Além dos processados em tribunais, milhares de colaboracionistas foram justiçados pela Resistencia ou em linchamentos pela população logo após a retirada dos alemães de Paris em Julho de 44 com a rendição do General von Choltitz na Gare du Nord e a entrada em Paris da Divisão Leclerc, do exercito gaullista, como libetador.

 Foi Bauduin quem deu a Petain a ideia de transferir a sede do Governo em fuga, de Bordeus para Vichy, que passou a ser a capital do território francês não ocupado pelos alemães, a parte sul da França, enquanto a parte norte foi submetida à ocupação direta e governada pelo Comando Militar Alemão com sede em Paris. Vichy então criou a ficção de um Estado francês soberano, que mantinha Embaixadores por todo o mundo, inclusive no Brasil e os EUA de Roosevelt. Com uma estratégia anti-gaullista, mantinham um Embaixador em Vichy até a invasão da Normandia, era o Almirante Lehay, amigo pessoal de Roosevelt.

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Na verdade a ficção de Vichy acabou com a invasão americana da África do Norte em 1942, quando os alemães romperam os acordos de soberania sobre a parte sul da França e ocuparam todo o território mas o agora mais artificial Governo de Vichy se manteve em operação, com soldados alemães à parta do Hotel du Parc, sede do Governo em Vichy.

Na verdade o Governo de Vichy sobreviveu à própria invasão da França pelos anglo-americanos em junho de 1944, Petain e Laval fugiram para a Alemanha e mantiveram a sede ficcional  do Estado francês no Castelo de Sigmaringen, na Bavieira, com toda sua corte.

A economia da França sob ocupação alemã 

Nos termos do Armistício de junho de 1940 a França se obrigou a pagar ao Terceiro Reich uma taxa de ocupação de 300 milhões de Francos por dia, valor que seria creditado ao Governo alemão em uma conta especial no Banco de França.  A soma era tão gigantesca que com a retirada alemã de 1944 ainda metade dos valores creditados permaneciam em saldo, não conseguiram ser gastos pelos alemães durante todos os anos de ocupação.

Em 1941 esse valor pago à Alemanha foi de 144,3 bilhões de Francos, correspondente a 36,8% do PIB, em 1942 foi de 156,7 bilhões de Francos, correspondente a 36,9% do PIB, em 1943 foi de 273,6 bilhões de Francos, correspondentes a 55,5% do PIB. (Estudo da Universidade de Rutgers, 2005, Eugene N.White)

Com esses créditos o Governo alemão comprava na França uma infinidade de mercadorias industriais, alimentos e artigos de luxo. Dentro do espirito de amizade proposto por Hitler, que não considerava a França um inimigo, mas sim um governo colaborador, os alemães não requisitavam “manu militari” essas mercadorias, eles comprovam em transação comercial ao preço de mercado e pagavam com a moeda extraída da França como taxa de ocupação.

Para tanto foram criados 14 Escritórios “informais”  de Compra, conhecidos como “Escritorios Otto que compravam artigos de luxo, tecidos, roupas,  iguarias finas, vinhos, champagne, perfumes,  sapatos, café, chocolates, chás, tudo que pudesse ser comprado no mercado.

 Hitler para manter alto o moral das famílias de soldados que ficavam na Alemanha queria que as esposas dos militares tivessem bens de luxo como compensação pelos sofrimentos da guerra. A França era também grande produtora de alimentos e os alemães compravam tudo que podiam para remeter à Alemanha, manteigas, queijos, legumes, pescados, etc.

Também havia o turismo em larga escala. A França foi destinada por Hitler a ser um “resort” para os soldados alemães após períodos de ação na terrível Frente Leste. As “férias” dos soldados podiam ser passadas na França com dinheiro francês para hotéis e restaurantes.

Mas a “taxa de ocupação” era tanta que sobrava dinheiro e ai os “donos” dos “Escritórios Otto” começaram a comprar imóveis na Riviera e apartamentos em Paris, a corrupção nos “escritórios”, todos comandados por oficiais SS, era gigantesca. Jacques Delarue narra em um livro inteiro essas transações ( TRAFICOS E CRIMES, Jacques Delarue).

Obra fundamental para o período é LA FRANCIA DE VICHY(em italiano) de Robert Aron, Rizzoli Editore, 1972, 668 paginas, onde se mostra como a economia francesa foi inteiramente submetida ao esforço de guerra nazista, as industrias francesas produzindo peças para tanques e aviões alemães, as Usinas Renault fabricando para a Alemanha, o que custou no pós guerra a prisão do industrial  Louis Renault e o confisco de sua empresa pelo Estado francês, a Renault era e continuou a ser um dos maiores fabricantes de automóveis da Europa.

Bauduin, na qualidade de grande banqueiro, era uma espécie de controlador da economia francesa a serviço do Terceiro Reich. Sua amizade com Otto Abetz, o ultra eficiente Embaixador alemão em Paris antes da guerra (Abetz falava francês melhor que franceses e era aficionado pela cultura francesa), foi elemento chave para a ligação entre o interesse alemão e a elite empresarial francesa. Abetz comprou com estipêndios quinzenais os jornais de Paris que passaram a colaborar com os nazistas. Aliciou também o Judiciário, que passou a perseguir os adversários do Terceiro Reich com um rigor tal que os próprios alemães achavam exagerado (ver o filme SEÇÃO ESPECIAL DE JUSTIÇA, de Costa Gravas, sobre esse contexto).

Vichy e os economistas

O exemplo de Vichy nos mostra como economistas de mercado  não tem nenhuma vocação de Estado, um ente que para eles nem deveria existir. Henry Rousso em LE SYNDROME DE VICHY (Editiosn du Seuil, 1980) mostra esse desdobramento onde um grupo de pessoas em uma espécie de autismo politico, faz por desconhecer a função de um Estado como nau que abriga  toda a sociedade. Para esse grupo de pessoas a economia é autônoma do Estado, não precisa dele, portanto a sorte dos que não estão contemplados é indiferente. Que um Estado possa ser o conjunto de toda uma população e não plataforma de mercado é algo incompreensível para esses elementos, como Paul Bauduin.

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É espantoso como a Síndrome de Vichy atravessou o Século XX e chegou a nossos dias. A globalização financeira e comercial é a resultante desse ciclo de desconstrução social iniciada no Governo Thatcher no Reino Unido, um desastre na tentativa de  desmonte do ESTADO NACIONAL para  em seu lugar a sociedade ser operada por bancos e corporações, sem Estado ou com um Estado mínimo, se não há emprego, proteção e  renda para os mais pobres esse não é um problema do Estado, essa é a regra dos

economistas de mercado, felizmente um ciclo que está terminando  porque não existe estrutura social e politica  que subsista por muito tempo com altíssimo desemprego e desequilíbrio social, o fascismo e o nazismo nasceram nesses contextos como mecanismo de controle social e não de solução de problemas econômicos a longo prazo.

Se a eficiência da economia depende da ineficiência do tecido social, o preço a ser pago será cobrado do próprio mercado por agitação política, crime e vida social impossível, a conta do desequilíbrio social é infinitamente mais alta do que  o ganho dos mercados por uma suposta eficiência artificial gerada pela concentração de renda, fusões e aquisições, abertura da economia,  fechamento de fabricas e grande parte da elite vivendo de renda financeira.

O fascismo renovado

O fascismo é uma ideologia forte, nascida dos  escombros da Grande Guerra de 1914, por causa da CRISE SOCIAL provocada pela guerra, desemprego em massa e falta de comida.

Do fascismo nasceu o nazismo como descendência adaptada ao caráter alemão, Mussolini foi o modelo adotado por Hitler, que foi sempre um admirador ideologico de Mussolini.

Com o mesmo DNA também surgiu o franquismo espanhol, o justicialismo argentino, o salazarismo português, o estadonovismo brasileiro e os neofascismos de hoje.

Daniel Guerin, no clássico FASCISMO E GRAN CAPITAlE (Guerin era francês mas a melhor edição é a italiana) mostrou a estreita ligação entre o grande capital e o fascismo. Pode-se substituir a expressão belle-epoque “gran capitale” por “mercados”. A capa do livro de Guerin (na edição que tenho, há outras) é emblemática, Mussolini de casaca e cartola ao lado de dois grandes capitalistas, logo Mussolini que começou na vida politica como socialista.

Na expansão desenfreada do capital em busca de concentração cria-se um perigoso quadro social com alto desemprego e carências. Nesse quadro começam AGITAÇÕES   causadas exatamente pela falta de emprego. A Democracia não mais dá conta de administrar a crise.

A solução então é o FASCISMO com violência e truculência para conter a sociedade pela força e blindar o capital. Mas há uma armadilha. O fascismo não é estável, ele precisa se agitar continuamente até implodir, o prazo de validade do fascismo é curto no tempo histórico.

Os economistas, por perfil  psicológico, tem  fascínio pela ordem e  horror ao caos, dai a adesão ao “ partido da ordem” é um passo. Salazar era professor de economia, Sergio de Castro, formado na Universidade de Chicago, foi o primeiro Ministro da Fazenda do regime Pinochet. É muito mais fácil fazer as “reformas” em uma ditadura do que na democracia.

Dai nasce uma espécie de adesão dos “economistas de mercado” a quem pode assegurar ajustes e reformas, muito mais difícil em uma democracia em funcionamento.

Na verdade, os “mercados” podem operar perfeitamente em regimes autoritários, democracia é bom para pobres, para os “mercados” (ou “grande capital” como diria Guerin) é indiferente no mínimo.

Quem ver alguma semelhança com o Brasil de hoje é mera coincidência. 

 

BIBLIOGRAFIA

 Alem dos livros citados mais  dois livros básicos para entender a França de Vichy: THE IDES OF MAY, John Williams,  Constable, Londres, 1968 e THE VICHY REGIME 1940-1944, Beacon Press, Boston 1958).

 A literatura sobre Vichy é curiosamente muito maior editada fora da França, os franceses não curtem esse tema como material de Historia, é uma pagina que preferem esquecer.

 

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57 comentários

  1. Mises era um fascista.
    Mises era um fascista. Era um daqueles tarados histericos pelos “comunistas”; intratavel, até. Foi do gabinete de Dolfuss, da Austria.
    …Com aquela conversa mole “sou ‘liberal’, mas, contra os adversários, vale tudo”…Sei…

    • “Von” Hayek também

      E não esqueça do outro representante da nobreza austríaca “von” Hayek. A mãe de Hayek era nazista de primeira hora, o irmão dele era da SS. O nome de Hayeck não constava da lista de intelectuais que deveriam ser presos ou expulsos da Austria no caso da tomada pelos nazistas, graças ao irmão dele – esses dados e muitos outros constam da biografia colaborativa em 9 volumes organizada por Robert Leeson. Hayeck também apoiou a ditadura de Pinochet que contava com o apoio de nazistas que se exilaram no Chile depois da segunda guerra. E não por um acaso o programa do ‘coiso’ fala em tirar o Brasil do ‘caminho da servidão’

      • Acho Hayek um horror, um

        Acho Hayek um horror, um pigmeu perto de Keynes, personagem politico menor,  muito mais cientista politico do que economista, foi supervalorizado pelos neoliberais, está no DNA do neolibealismo de Thtcher, um ratinho que não chega

        aos sapatos de Keynes.

        • Acho que Keynes está para a

          Acho que Keynes está para a economia do século XX assim como seu conterrâneo Darwin está para a biologia no século XIX. Aliás, a partir de seus posts sobre Keynes, comecei a ler sobre ele e a vida dele é bem interessante. Certamente tem um candidato aí, que é boçal ignaro, que não aplicaria nunca as ideias de Keynes alegando que não aplicaria ideias de uma pessoa que “viveu no pecado” rsss. 

        • Recomendo o ótimo livro de
          Recomendo o ótimo livro de Nicholas Wapshot “Keynes vs. Hayek” a respeito desse “embate” que, de fato, não se deu, pelo menos não da maneira como Hayek gostaria que tivesse acontecido e menos ainda da que seus ensandecidos e fervoroso seguidores imaginam.

  2. Li há muito tempo que 2

    Li há muito tempo que 2 personagens tiveram muito trabalho após o final da segunda grande guerra:

    a) De Gaulle, na França, tentando convencer que só poucos frances foram colaboracionaistas

    b) Adenauer, na Alemanhã, tentando convencer que só poucos alemães foram nazistas.

    Na verdade, tanto um e outro, sempre foram capitalistas de ofício, a serviço dos de sempre.

    • As coisas são bem mais

      As coisas são bem mais complicadas. De Gaulle nunca minimizou o colaboracionismo, alias a luta contra os “colabos” foi a base de seu movimento, De Gaulle ganhou seu espaço como Aliado vencedor por sua personalidade , pela formação do Exercito da França Livre, que não foi uma operação apenas simbolica e pela aliança com Stalin que bancou De Gaulle contra Roosevelt, que detestatava De Gaulle e tentou troca-lo pelo General Giraud, sem sucesso.

        • Um choque de personalidades.

          Um choque de personalidades. De Gaulle não abaixava a cabeça para os ingleses, que o sustentavam mas compreendiam e para os ameicanos, que não entendiam porque De Gaulle existia. Roosevelt fez tudo para liquidar com De Gaulle e não conseguiu, retirou o General Giraud de uma prisão na Alemanha para ser o chefe da França Livre, o truque não durou dois dias,

          as tropas não o aceitaram e de Gaulle voltou. No amago da questão estava o fato de que De Gaulle não aceitava o “controle ” americano sobre a Europa do pós guerra, deu o troco conos EUA ao obrigar Nixon a abandonar o padrão ouro em 1971.

          De Gaulle se salvou em 1943 ao fazer um pcto com Stalin contra os americanos, foram aliados duradouos, De Gaulle esteve em Moscou em 1943 e ele e Stalin se deram muito bem, tinham um  inimogo comum, nenhum dos dois queria uma Europa controlado pelos EUA.

  3. Se Boçal Ignaro vencer, tendo

    Se Boçal Ignaro vencer, tendo a dupla Guedes Entra CPMF e Mourão Fora Décimo Terceiro, se implantará no Brasil a Relespública de Vixe (Maria) rs  

    Coco Chanel se enrabichou com nazistão, mas finda a guerra, não aconteceu a ela o que aconteceu a muitas mulheres francesas que se envolveram com alemães e finda a guerra, quando não mortas, foram submetidas a humilhações públicas, sendo a principal a de cortarem o cabelo até ficarem carecas. 

    A elite francesa deve muito a De Gaulle, que conseguiu passar ao mundo que os franceses foram tão vítimas quanto os russos. 

    Aliás, se não me engano, uma vez li uma resenha de um livro que descrevia como a elite intelectual e artística francesa viviam de boas durante a ocupação alemã. Não me lembro agora, mas se bobear, do jeito que o André é fissurado no assunto, ele indica a tradução e a edição original rs 

     

  4. Gosto muito de Louis Malle e

    Gosto muito de Louis Malle e tem um filme dele que aborda de forma bem tocante o que foi a ocupação francesa e também a questão judaica na França , o Adeus Meninos – lembro de ter visto esse filme, pela primeira vez, nos bons tempos em que a Globo colocava esse tipo de filme em suas madrugadas. Nem pra isso essa praga dos Marinhos serve mais rs 

  5. Caro André, alvíssaras…

    Bom o seu texto, apesar das restrições que lhe apresento:

    – A França não se entregou, ela apenas ratificou um ethos que já estava lá. Os movimentos autoritários e antissemitas sempre estiveram na “veia” francesa.

    E façamos justiça, nos EUA esse movimento era forte, e se considerarmos o que os estadunidenses faziam com seu negros, Roosevelt ficaria bem e de uniforme e bigodinho.

    A KKK não diferia muito das SA e SS. O problema foi a escala, e claro, nos EUA ainda estava recente o estrago feito pela Secessão, logo, os movimentos WHASP trataram de ficar subterrâneos nos cantões do país.

    Mas o estamento legal racista estava lá, intacto.

    Boa parte do New Deal foi possível pela mã-de-obra escrava negra dos presidiários, que em tempos de crise superlotam as cadeias como resposta criminalizante do sistema a desigualdade.

    Em 1980, com Reagan e sua guerra às drogas foi parecido.

    Aliás, como eu sempre digo aqui, ao contrário do que se imagina, a maior dificuldade de se enfrentar tais alternativas autoritárias não é a sua aparência externa, que grita slogans e marcha em ordem unida, mas sim que essas perspectivas e força usam a média dos baixos instintos de toda as sociedades, de cima a baixo, como fenômeno transclassista.

    Boa parte da Europa não foi anexada, mas aderiu a Hitler.

    Chamberlain imaginava que era melhor manter ele por lá para conter Moscou.

    Até a socialdemocracia alemã flertou com o nazismo, na sua disputa de posições na esquerda alemã com os comunistas e socialistas.

     

    ———————

     

    Quanto ao partido da “ordem”, um reparo: economistas adoram o fascismo e outras formas de governos autocráticos porque com eles se destroça qualquer chance de resistência coletiva e social ao processo de desumanização patrocinada pelo mercado, que torna os indivíduos apenas uma massa amorfa e seguidora de um credo unificador.

    O mercado é isso.

    Mas a palavra ordem é só uma propaganda, porque não há “ordem” algum no mercado, senão disseminar o caos da desigualdade, apesar de “economistas” e outros cretinos pregaream que é esse “ente” capaz de se autorregular e regular a vida em sociedade.

     

    Quanto a França, ela está ocupada até hoje. Aquilo que Hitler fracassou, adolph Merkel conseguiu com êxito. Aliás, toda a balela chamada Europa é um puxadinho alemão.

    Se a Alemanha tossir, o resto pega pneumonia.

     

     

    • De fato na França da 3ª

      De fato na França da 3ª Republica havia fortes movimentos de direita desde o começo o fim do Segundo Imperio, a Comuna de Paris foi sufocada com 80.000 executados, o Caso Dreyfuss já mostrava a força do anti-semitismo, a Action Française cde Charles Maurras, movimento direitista catolica era uma força politica MAS não eram predominantes, tanto que o Front Populaire

      venceu as eleições parlamentares e ganhou o governo em 1936. A rendição de Junho de 1940 teve os contornos que descrevi.

      De Gaulle era de direita MAS tinha uma profunda noção da grandeza da França e seu lugar à mesa dos vencedores se deveu ao Exercito da França Livre, que lutou bravamente no Oriente Medio, Africa, Italia e noa econquista do territorio francês.

      AAlemanha tem dominio economico na Europa mas não militar, o que é uma grande diferença em relação aos anos 40, a Alemanha não está no Conselho de Segurança e nem tem armamento nuclear.

      O New Deal não foi só com trabalhadores negros, foram empegados em 1934 seis milhões de jovens, a esmagadora maioria brancos, a Ku Klux Klan em 1933 era um movimento marginal e não ator politico, as leis raciais existiram até os anos Johnson

      mas não teve relação com o New Deal, os negros nunca foram mais de 15% da população total e em 1933 estavam quase 100% na agricultura do Sul, não eram desempregados industriais.

      • Tréplica:

        A Alemanha não estar no Conselho de Segurança é uma afirmação que não encontra paralelo em 1940, porque o formato da Liga das Nações não era o da ONU.

        Sobre o domínio militar, tens razão, embora o domínio econômico seja, talvez, muito mais complexo e difícil de afastar.

         

        No que tange aos negros, minhas ressalvas:

        – Eu talvez tenha me expressado mal, porque quis dar um corte racial mais dramático, mas o grosso da mão-de-obra de infraestrutura (estradas, represas, hidroelétricas, pontes, etc) foi em boa parte escrava (trabalhos forçados de presos, sim, brancos e negros, mas como agora, a maioria dos presos era negra).

        Os esquemas de empreiteiros que se tornaram gigantes do ramo com o conluio do uso dessa mão-de-obra são escamoteados na História de lá.

        A propina corria solta para diretores de presídios.

        Sendoa assim, em relação ao New Deal e os negros e seu uso, talvez eu tenha, realmente me expressado mal:

        O que eu quis dizer é que o lugar do negro estadunidense no esforço considerado o grande exemplo de recuperação do país “campeão da democracia” foi como escravo.

        Justamente a tentativa de unificar Norte e Sul, e as enormes disparidades que alimentavam o caldo de tensão desde sempre (como choque dos modelos capitalistas desde 1776), fez com que o governo central aumentasse o foco da frágil infarestrutura sulista, dada sua pobreza relativa ao Norte, com economia muito mais complexa.

        Nesse esforço, o Norte que lutou contra o Sul para libertar os negros, permitiu com a política de criminalização encher cadeias e usar essa mão-de-obra escrava nos “trabalhos forçados”!

        Quando Hitler decide caçar judeus, é certo que mesmo na Europa antissemita, eles estivessem em posição sócio-econômica muito melhor que os negros nos EUA!

        ______________________________________________________________________________________________

        A KKK não era um movimento marginal, ao contrário, foi justamente a base conceitual qeu defendia que estabeleceu a Restauração (tomada de direitos dos negros libertos após 1865 como voto e propriedades), e o corolário conhecido como Jim Crow.

        Você está confundindo um movimento de “vanguarda” como marginal. A KKK era a face crua, a ponta de lança do sentimento nacional estadunidense, daí sua longevidade, apesar da aparente repulsa que gera!

        Igual ao bolsopata por aqui e as soluções autoritárias, afinal, desde 1889, não tivemos mais de 50 anos daquilo que vocês gostam de chamar de normalidade democrática!

        A questão é que justamente por encontrar um largo ambiente para florescer seus ideiais, e institucionalizá-los dentro do estamento normativo dos EUA, a KKK, na sua configuração orgânica e estética, ficou confinada como uma aberração sulista!

        Um truque!

        Enquanto a KKK era execrada como um tipo de maluquice, o que ela pregava manteve-se na ordem do dia até hoje, apesar da classe média negra estadunidense ter engolido a isca dos direitos civis, aderindo ao american dream, sonhando com uma meritocracia que, se para os brancos já é improvável, para negros é impossível.

        Um abraço.

        • A Liga das Nações e as Nações

          A Liga das Nações e as Nações Unidas foram resultado de contextos muito diferentes, começando pelo fato dos EUA terem

          inventado a Liga, uma ideia do Presidente Wilson, mas não fizeram parte dela porque o Senado americano não ratificou o tratado. OCconselho de Segurança foi o forum dos vencedores, sendo que dois eram duvidosos, França e China mas até hoje está assim.  A Alemanha derrotada em 1945 jamais irá para o Conselho, a Russia veta. O Brasil poderia estar se o Governo Dutra fosse um pouco mas agressivo em pollitica internacional. Há extensa documentação mostrando que o Brasil foi

          sondado mas recusou, a condição er ser potencia ocupante da Austria, algo que o Governo Dutra achou muito dispendioso.

          • ‘A Liga…’ PASSOS LARGOS RUMO AO QUINTOMUNDISMO ESTÉRIL

            Resultado da ascenção política fascista de Getulismo, que nos tirou a vanguarda mundial e nos colocou na mediocridade histórica. E ainda tem quem vanglorie alguma coisa nestes 88 anos? É inexplicável !! O Mundo a ser reconstruído.  O caminho livre e aberto para o Brasil se tornar, no minimo a 2.o maior potência global. E o país se enterra num tosco Fascismo de Esquerda. Parceria Civil-Militar, que fingem nunca ter existido. Pobre país rico.   

      • Um trecho do livro do Paulo

        Um trecho do livro do Paulo Francis que fala sobre o negro nos estados unidos e os judeus na europa 

        página 141 ” Paga a pena ler os discursos de Hitler contra os EUA. Ele zomba do suposto horror ( antes do massacre) americano em face das perseguições aos judeus, lembrando que os EUA tratavam os negros pior que a alemanha nazista os judeus ( o que até 1938 era absolutamente correto ) e acusa os americanos de igual discriminação racial contra os latinos das Américas, o que é também verdade, até hoje, apesar de disfarçado em linguagem diplomática. ” 

         

         

        • Eu estive nos EUA em 1949, na

          Eu estive nos EUA em 1949, na Carolina do Norte, onde as leis de segregação estavam em pleno vigor, fui empurrado por uma menina porque estava bebendo agua em um bebedor de “negros”, havia a placa em cima, era uma loja de departamentos e os banheiros eram WHITE and COLORED, para mulheres e homens, em todos os estabelecimentos e locais publicos. estações de trem, já  bares, hoteis e restaurantes eram separados, assim como escolas.,  bares para brancos não entravam pretos.

          Não havia segregação de judeus na Alemanha antes do nazismo e não foi nunca a mesma coisa que com os negros nos EUA.

          Os judeus alemães eram uma elite profissional, economica  e cultural, a perseguição foi “armada” pelo nazismo após 1933.

    • A China tem uma politica de

      A China tem uma politica de ESTADO, o mercado é um espaço delimitado e concsnetido dentro de seu quadrado MAS toda a politica demografica, educacional, de saude, cultural, de relações intenacionais, financeira, cambial, monetaria é de ESTADO.

       

  6. A elite do atraso

    A questão é que temos uma elite subdesenvolvida, mesquinha, egoísta, esnobe, que adora ostentar, e ainda por cima, preconceituosa. Já a nossa classe média são os Home Simpsons do JN, altamente manipuláveis, mal informados e limitados. Um povo que dizia ser cordial, gentil, alegre, hospitaleiro, agora se mostra fascista, intolerante e violento. Pelo complexo de vira-latas, gostam é de “puxar o saco” de estrangeiros. Não querem ser Europa, preferem se passar pelos “la cucarachas”, desviando das sandálias de borracha. Boçalnaro é o idiota que os representa: obtuso, preconceituoso, misógino, homofóbico, racista, falso moralista e sem nenhum projeto econômico ou de governo. Apenas promete, de forma contundente, acabar, massacrar os pobres e as minorias, aumentando a desigualdade social. Tudo que a outra parte quer. Não representa apenas o retrocesso, é a personalização do atraso, a bala de canhão que veio afundar o país e firmá-lo de vez como a “republiqueta oligárquica de bananas”, ou como os “economistas” querem, o cassino da jogatina, do dinheiro fácil, dos mercenários e especuladores financeiros.  

  7. Grande André!
    Nos presenteia

    Grande André!

    Nos presenteia com sua erudição

    E a leitura trouxe, a mim, uma coclusão assutadora: o mercadismo (e sua face política; o fascismo. Ou será o contrário?) exigiram sangue para serem substituídos. Será que há uma guerra a caminho?

  8. André, o melhor

    André, seus textos são os melhores!!! Acho que vem uma ditadura por aqui. Acredito que o coiso perde , mas sua turma promete o caos caso isso aconteça, e quem deveria impedir o caos me parece demasiado comprometido com ele. A perna curta do facismo só foi curta por causa da guerra, e não foi tão curta assim em Portugal e Espanha. Aqui pode ter vida longa, vide Malásia, Indonésia, sei lá qual desses países que tem o mesmo ditador genocida por décadas a fio. Por favor diga que estou errado. Vida longa ao snhor e seus textos. LULALIVRE e #elenão

  9. A HISTÓRIA É MENTIRA CONTADA PELOS VENCEDORES….

    Um dia reavaliaremos a história, não sob a ótica dos vencedores ocidentais, criados a partir do triunfo norte americano. A Alemanha lutou contra Nações Democráticas que pregavam a Liberdade? 2/3 do Mundo eram Colônias Britânicas. Vimos a ‘liberdade’ que pregaram na India ou China. Ou nas Colônias Francesas, Inglesas e Holandesas no Sudoeste Asiático, onde o Japão combateu tal ‘liberdade’. E vimos também logo após a Grande Guerra, a ‘liberdade’ permitida aos Países da Ásia, Africa e América proporcionada pelas florescentes Potências Ocidentais. Nelson Mandella, um Guerrilheiro Socialista, percebeu a ‘liberdade’ que desejavam ao seu Povo. (Em 2018 brandamos e homenagemos tanto a África do Sul, enquanto escondemos e omitimos ‘homericamente’ o Lesoto, que chegou a ter 80 mil Soldados Cubanos) Afinal, a ‘Liberdade’ venceu o Fascismo. A França empurrou para fora do seu território uma Guerra Civil inflada com a ascendente influência ideológica socialista. Os verdadeiros vencedores no final da Grande Guerra e quem realmente derrubam Vichy. Mas para barrar a crescente força socialista dentro da Europa Ocidental, o Plano Marshall reinventa De Gaulle e toda Europa Ocidental. A Hipocrisia História e Política  é tamanha, que o mesmo efeito de um Governo Fascista é prontamente admitido na Espanha, que lutou sua Guerra Civil dentro do seu território, à margem da maior guerra da história que ocorria nas suas fronteiras. E o Fascista que apoiou e ajudou o Nazismo, dentro e fora do seu país, além de ganhar a Guerra Civil, ainda teve o apoio das Potênciuas Ocidentais para se manter no Poder durante décadas depois do fim da guerra, apesar de todas atrocidades que cometeu. Realmente a ‘Política é a arte do possível’. Mas na França houve toda uma condenação pela mesma estratégia. (P.S. Mas para Nós Brasileiros, a maior tragédia é que derrotados por um Governo Fascista que derruba uma Democracia Liberal, a Nação com maior capacidade de tornar-se uma Potência, sua condição natural, passa a passos largos e constantes de vanguarda mundial a quintomundismo estéril, medíocre e miserável. Perdendo além de sua condição natural, o momento histórico de reconstrução e reestruturação econômica e politica planetária. E continuamos a perpetuar tamanha mediocridade num Estado Absolutista Esquerdo Fascista AntiCapitalista e sua inigualável e insuperável Indústria da Pobreza. A drenagem ditatorial quase total dos recursos da Nação para este Estado Absolutista por eternos 88 anos)abs.    

  10. Meu caro xará,
    Antes de mais
    Meu caro xará,
    Antes de mais nada meus parabéns pela inauguração da muito esperada barra de links com mais um excelente artigo.
    Ainda, outro filme importante e intimamente relacionado com esse período da história francesa é o pouco conhecido clássico de Marcel Carné O Boulevard do Crime (Les Enfants Du Paradis), cujas filmagens se deram em Paris durante a ocupação nazista, tendo alguns membros da resistência na sua equipe técnica.

  11. Excelente aula de história, obrigado AA

    Você escreveu: “Os economistas, por perfil  psicológico, tem  fascínio pela ordem e  horror ao caos, dai a adesão ao “ partido da ordem” é um passo. Salazar era professor de economia, Sergio de Castro, formado na Universidade de Chicago, foi o primeiro Ministro da Fazenda do regime Pinochet. É muito mais fácil fazer as “reformas” em uma ditadura do que na democracia.

    Dai nasce uma espécie de adesão dos “economistas de mercado” a quem pode assegurar ajustes e reformas, muito mais difícil em uma democracia em funcionamento.

    Na verdade, os “mercados” podem operar perfeitamente em regimes autoritários, democracia é bom para pobres, para os “mercados” (ou “grande capital” como diria Guerin) é indiferente no mínimo.

    Quem ver alguma semelhança com o Brasil de hoje é mera coincidência. “

    Você ressalta um ponto que sempre me bato aqui no Nassif, o Autoritarismo X Democracia, lembrando que temos ainda na sociedade, que varia seu comportamento nas oito direções, os eixos Capitalismo X Socialismo e Liberalismo X Mercantilismo, ou seja , formas de governo, meiso de produção e sistema de mercados. Tudo isto mesclado e ao mesmo tempo cria o Caos ou a Órdem, que você se refere.

    Complicado ao extremo pois está além da percepção imediata dos humanos, limitada a 6 observações  e a aqui temos oito espaços de ação da combinação destes três eixos no espaço tri-dimensional.

    Sem querer complicar mais a engenharia das sociedades, afirmo que para um bom funcionamento é preciso que exista Norte, Estrela  e Rumo, assim se garante a Harmonia, o Equilibrio e a Qualidade das relações, coibindo os exageros que são presentes quando um destes eixos de ação se torna preponderante.

    Como conseguir isto, na minha humilde opinião, usando com engenho e arte a Astrologia, o Tarot e a Geometria.

    • Hoje na Jovem Pan o prof.Jose

      Hoje na Jovem Pan o prof.Jose Marcio Camargo, veteranissimo da PUC Rio, cujas previsões sobre a economia brasileira

      não se realizam há muito tempo, disse que o novo governo tem que focar no “ajuste fiscal” antes de qualquer coisa.

      Essa gente não aprende com a vida e com os livros, a prioridade é o DESEMPREGO, que NÃO depende do ajuste fiscal

      e não pode esperar, como as pessoas vão sobreviver até que esse “ajuste fiscal” que é necessario a longo prazo MAS NÃO

      É CONDIÇÃO para o crescimento, o Brasil cresceu por 30 anos com deficit fiscal sistematico por todos os anos.

      Não adianta, os ” de mercado” tem cabeça de pedra e dela não sai mais nada e tampouco entra alguma ideia nova.

       

      • Há prioridades, mas é necessário não olvidar o necessário

        Concordo que o desemprego têm um potencial destruidor muito alto, mas outros aspectos do Governo são também potencialmente perigosos. Como eleger prioridades é a questão central da Política, esta com P maiúsculo, sendo que do concerto dos consensos emergirá o Norte, o que se quer para o povo e a Nação brasileira.

        As eleições conferem legitimidade ao escolhido, mas este depende de suas ações futuras para se consolidar, entregando confiança, credibilidade e paz. Não adianta o voluntarismo aqui, o processo de se implementar um governo realmente legítimo e que atenda as aspirações do Brasil é coisa para profissional, o mundo é muito mais técnico do que a maioria imagina e para se acertar não se pode depender só da sorte ou dos azares.

        O ajuste, fiscal, político,trabalhista e muitos outros são prioridades, mas teem de ser equacionados dentro de um plano crível e exequível, tivessem os Vichy estes planos e quiça seus destinos fossem outros.

        AA, nada substitui a real competência.

        • A sobrevivencia de milhões de

          A sobrevivencia de milhões de brasileiros dita o timing, ajustes e reformas levam tempo não só para serem realizados MAS para produxir efeitos. Enquanto isso as pessoas precisam comer, trata de suas doenças e cuidar dos filhos. É absurdo dizer como o prof.Jose Marcio que ANTES de tudo tem que fazer o “ajuste fiscal”. Antes de tudo tem que gear empregos, não estamos

          fazendo exercicios academicos, é questão de vida e morte, empregos com obras de infra estrutura em massa, Roosevelt fez isso no New Deal, se vai gerar alguma inflação, é um preço barato a pagar. 

          O ciclo neoliberal felizmente está no fim, Trump é o coveiro.

  12. A 2ª Guerra Mundial para a França

    Só acaba em Dien Bien Phu. E em  1962 com o Armistício de Evian, De Gaulle acaba com o último suspiro colaboracionista

  13. Bom post

    Muito bom post.

    Não sabia da existencia do sr Paul Bauduin, vivendo e aprendendo.

    Sua referencia ao fascismo me parece muito apropriada. Eu, que já li varias obras sobre o mesmo, inclusive de marxistas, fico com essa impressão, sua frase ,” o fascismo não é estável…” resume muito bem.

    Quanto aos economistas de mercado, 100% de acordo.

    abraços,

  14. Artigo fantástico.Uma aula de

    Artigo fantástico.Uma aula de história que deveria ser dada a todos os brasileiros

    • Há muitos outros fanaticos do

      Há muitos outros fanaticos do “ajustismo” fiscal como unico objetivo de uma politica economica, o neoliberalismo está em completo declinio politico e academico por todo mundo, menos no Brasil, Pais que acolhe os restos de todos os ideologismos.

      • A lavagem cerebral feita

        A lavagem cerebral feita pelas Universidades, Puc-Rio, FGV-EPGE e INSPERs da vida em conjunto com a mídia martelando todo santo dia essa cartilha ultrapassada está sendo o fim do Brasil.

  15. Maravilhosos: tema, texto e

    Maravilhosos: tema, texto e comentários. 

    Obrigado A.A., pelo trabalho de nos resumir tantas informações interessantes…

  16. O Império contra ataca.

    Excelente post, caro Araújo.

    Faço uma reflexão, que muito me aflige.

    Assim que Hadad ganhar, os EUA nos elegerão por alvo novamente. A vingança do Império será terrível, e não tardará. Mesmo que Hadad saiba manejar adequadamente a política interna, e consiga lidar com a mídia, o judiciário, e tudo o mais, jamais conseguiremos resistir à fúria dos americanos.

    É só Hadad ousar tirar o pre sal do domínio do Império para eles se voltarem contra nós com carga total. E o Brasil, sem embraer, sem nada, não vai nem esboçar a mínima resitência.

    Da última vez, eles destruiram nossa engenharia, nossa indústria do petróleo, e geraram 14 milhões de desempregados. O que será que eles destruirão mais então? Será o Brasil reduzido à uma Catargo?

    O Brasil entre o dilema, votar num fascista, para não provocar a ira do Império, ou votar num nacionalista e enfrentar a fúria imperial.

      • Excelente questão, a Turquia

        Excelente questão, a Turquia é inimiga secular da Russia mas agora se volta para um rapprochment com a Russia, na realidade os turos são caucasianos e tem o DNA parecido com os russos, separa-os a religião. Na geopolitica tudo é possivel, o inimigo de ontem pode ser o amigo de hoje, as peças se movem no tabulero de xadrez, quem diria Trump ser amigo do Kim da Coreia do Norte, a quem jogou confetes de elogios?

    • Os EUA não são tão ativos

      Os EUA não são tão ativos assim, quem destruiu nossa engenharia e estaleiros, quem entregou a Petrobras ao Departamento de Justiça, foram brasileiros, gente tosca que nem tem noção de Patria porque falta lastro intelectual, os EUA estão no pre-sal em muito menor presença do que outros paises, a geopolitica do petroleo é muito diferente do que a lenda, os EUA tem um pesado programa de diminuir a dependencia do petroleo, no pre-sal tem muito mais outros estrangeiros do que americanos.

      • Torço para que vc tenha razão

        Torço para que vc tenha razão, caro Araújo.

        Concordo que nossos políticos de direita se ofereceram para vender nossa Pátria e o pre sal, mas… 

        Descobriremos em breve, porque ao que tudo indica, Hadad é quem irá ganhar o pleito. 

        Alguns números:

        Mesmo que o Brasil não venda o petróleo para os EUA,  e sim para países nórdicos, por fim, nós compramos a gasolina refinada dos EUA, ou seja, eles lucraram mesmo assim. 

        Assim que descobriram o pré sal, os EUA reativaram a quarta frota e a enviaram para o Atlântico sul…

        Mesmo que o Brasil não entregue diretamente seu petróleo para os EUA, ao entregar a troco de banana para a Europa, ele ajuda os EUA indiretamente, pois derruba preços do petróleo e ajuda a quebrar inimigos dos EUA, como a Venezuela, além de ajudar os EUA que são grandes importadores de petróleo, e assim, gastam bem  menos com importações. 

        Dos poucos países petrolíferos que se aliaram aos EUA, podemos citar a Arábia Saudita, pois ela embora entregue  o petróleo para os EUA  com imposto de 50%, se compromete a gastar boa parte deste dinheiro em produtos americanos, no caso armamentos. Ou seja, praticamente os dois fizeram bom negócio. 

        Aqui na América do Sul, os países que foram alvo de golpes ” brancos” de Estado, ( ou estão em vias de ser) em sua maioria, produtores de petróleo, Brasil, Venezuela, Equador ( Rafael Correa, com julgamento injusto ), Argentina ( Kristina Kirshner com outro julgamento injusto ). Ninguém deu golpe por exemplo no Uruguay, ou na Bolívia, que não produzem petróleo e tem governos de esquerda. Coincidências? 

        Não há a menor dúvida que o pessoal de Curitiba destruiu a Petrobrás, após receberem treinamento no Império. Pq? E que também a Petrobrás foi processada nos EUA, coisa que eles jamais fariam com um país aliado;  tudo se encaixa como num quebra cabeças; Muitas coincidências… 

        Quase todos os paises que se negaram a vender petróleo a condições vantajosas  para os EUA, acabaram demonizados. Irã, Rússia, Líbia, Venezuela… Iraque… Parece que é só  descobrirem vastas reservas de petróleo num país, ou ele vende a condições vantajosas para o Império, ou acaba na lista do ” eixo do mal ” americana. Coincidências demais?

        Isto nós vamos descobrir, após o pleito. .

         

  17.  
    Tenho só um senão em

     

    Tenho só um senão em relação ao uso que temos feito nos últimos anos do conceito fascismo para definir, classificar ou entender certos comportamentos políticos presentes na opinião pública brasileira principalmente depois de 2013 e mais intensamente a partir de 2015.

    Todos nós sabemos que o fascismo é um movimento e um tipo de ideologia política típicas da primeira metade do século XX resultantes de uma realidade histórica principalmente europeia ainda que outros movimentos de cunho nazifascistas fossem comuns em países anglófonos de um e de outro lado do Atlântico e mesmo na América Latina. Esse movimento era visto e se apresentava na época como uma “terceira via” alternativa à democracia liberal, de um lado, e de outro, ao comunismo bolchevique. Além disso, se caracterizava por um nacionalismo xenófobo e um racismo amplo e difuso, com longas raízes históricas europeias e medievais.

    Portanto, são muitos os fermentos, mas quase todos eles são resultantes de uma realidade política e de uma história europeia só possível pela ascensão das massas populares como agentes políticos legítimos com o reconhecimento e a ampliação dos direitos políticos e sociais e, portanto, resultantes velhas lutas políticas que conduziram necessária e consequentemente a uma polarização política e social daí resultantes. Depois da derrota dos países nazifascistas na IIª Guerra Mundial tardou mais de um quarto de século para que movimentos autointitulados neofacistas ou neonazistas levantassem a cabeça, mesmo assim foram sempre bastante minoritários e circunscritos a grupos marginalizados da sociedade. É verdade que atualmente voltam a chamar a atenção pública e a preocupar na maioria dos países do Europa Ocidental e Nórdica, na Europa do Leste e mesmo na Itália e Grécia, um pouco menos nos Países Ibéricos onde a direita mais extrema parece ainda integrada aos partidos da centro-direita democrática, como o PP espanhol ou o PSD português.

    Nossa “extrema direita” ao contrário foi sempre o próprio “partido da ordem”, uma ordem teimosamente patrimonial e colonial de um tempo pretérito e sempre circular que parece repetir etapas onde aqui nunca conseguiu chegar e consolidar os avanços que o século XX permitiu àqueles países, mesmo a custa de uma enorme perda de vidas e destruição, com a expansão e consolidação da democracia representativa e dos direitos da cidadania ampla e do acesso a ampla maioria da população ao consumo de bens públicos e privados acessíveis. Essa evolução nunca se completou total e definitivamente no Brasil e nem mesmo as garantias básicas de um Estado de Direito mínimo, leis e segurança, nos foi permitido.

    Nosso extremismo político é resultado não de movimentos de massas ou da tensão dos conflitos sociais na democracia, mas da luta das oligarquias em negar esse desenvolvimento. Estas oligarquias nos aprisionam numa espécie de um século XIX eterno que não se consegue ultrapassar. Por isso, tudo soa falso e postiço. Daí a razão do porque prefiro em lugar de FASCISMO (que identifica certos aspectos comuns formais de uma personalidade autoritária deformada que o possibilita) o termo FALSISMO ou ARRIVISMO ou BOVARISMO para definir o conteúdo preciso desses nossos movimentos políticos composto aqui basicamente por minorias sociais incrivelmente privilegiadas ou em busca de privilégios e exclusivos, incapazes de entender e reconhecer seus próprios interesses reais, primitiva politicamente tanto em termos conceituais quanto em termos de expressão política prática. Apesar da verborragia ideológica estão aquém de direita e esquerda ou das ideologias em pugna.

    A identificação forte desses setores da opinião pública com cópias mal feitas e mal adaptadas do neoliberalismo, dá bem uma idéia desses descolamentos históricos, dessas “ideias fora do lugar”. O neoliberalismo é uma ideologia política perfeitamente assentada sobre uma teoria econômica do século XIX, que foi incapaz de entender os problemas da economia do século XX e que permaneceu numa espécie de longo exílio ou ostracismo e que foi recuperada primeiro ainda na lógica da guerra fria e depois pelas finanças e pelas grandes corporações como arma de propaganda política para obter junto aos Estados Nacionais câmbios na regulação do capitalismo tantos em termos fiscais (construção de estruturas fiscais que permitam a redução dos impostos), patrimoniais (avançando sobre o estoque de bens e patrimônio público) ou regulatórios (mudanças na legislação que facilite e amplie seus negócios), capturando a agenda do debate político e controlando os partidos políticos (financiando a atividade ou abrindo um largo campo de portas giratórias). É claro que esse tipo de ideologia e de política encontra muito mais dificuldades para atuar em sociedades mais organizada, democráticas e pluralistas que contam com instituições mais fortes, do que em sociedades de democracia e instituições frágeis. Portanto, o solo fértil para o neoliberalismo florescer é na periferia do capitalismo onde de alguma forma estranha e paradoxal ele já é a realidade. O neoliberalismo é justamente o esforço de um capitalismo que tenta domar e dobrar a democracia, ou seja, uma reação a uma democracia que até então domou e dobrou o capitalismo.

    Não sei se me explico….

    • Muito boa analise.  Sob o

      Muito boa analise.  Sob o guarda chuva conceitual de “fascismo” há toda uma gama de regimes aparentados mas não iguais ao fascismo original, o italiano, que tinha pretensões coloniais e de reorganização da ordem mundial como herdeiro do Imperio Romano. Mas há uma caracteristica que separa o movimento tipo fascista do regular “regime ditatorial de direita”, é a presença de um forte componente ideologico justificcador, o que só pode ocorrer em grandes paises. O peronismo e o estadonovismo no Brasil tiveram esse componente mas os regimes ditatoriais de Cuba, com Gerardo Machado e Fulgencio Batista, o da Republica Domenicana com Trujillo e o da Nicaragua com Somoza, não tiveram nenhum componente ideologico, eram simples ditaduras,

      portanto quando se usa a expressão “fascismo” há que haver um definido elemento ideologico justificador do regime forte.

       

      • Sim, mas exatamente por isso
        Sim, mas exatamente por isso sou um pouco cético em utilizar esses conceito de fascismo para a nossa situação de um país e de uma economia periférica. Lima Barreto usava no começo do século esse termo / conceito bovarismo para caracterizar nossas nobrezas” doutoral e do engano, o termo falsismo dá exatamente esse sentido postiço, importado, “fora de lugar” que de alguma forma caracteriza nossa minorias sociais: “elites” e “classes” “médias”. Ademais me parece pouco aderente a comparação dos movimentos neofacha ou neonazi nos Estados Unidos e na Europa com o “modo MBL/Empiricus/Antaagônica de ser”. Uma imprensa minimamente plural ou mesmo uma crítica bem humorada colocaria esse lumpem no devido lugar. Os neofascistas e os neonazista resistem mesmo em um ambiente de pluralismo e discussão franca, isto é, operam mesmo em sociedades avançadas e com instituições democráticas sólidas.

        • Meu caro, o esquema

          Meu caro, o esquema “Antagonisnta Empiricus” é nitidamente fascista, a Radio Jovem Pan tem um hino fascistissimo “Partir Pra Cima”, Mussolini não faria um hino tão perfeito, ” partir pra cima” é bater, socar, quebrar a cabeça dos adversarios, um hino de violencia e agressão, “partir pra cima” não tem outra interpretação possivel, é “” AGREDIR”” e nossa Justiça deixa isso solto,

          a Jovem Pan toca o tal hino a cada meia hora.

          Quanto ao Diego Mainardi propor uma atitude fascista é surpreendente, o fascismo italiano mandou milhares de judeus à morte nos campos de exterminio, a Senadora italiana Liliane Segre, judia de Triestre, foi arrancada da escola com 8 anos (ela nasceu em 1930), ela e o pai foram mandados para Auschwitz, o pai fo morto no dia seguinte, elal sobreviveu e foi libertada pelos russos, voltou a pé para Roma, como o Mainardi pode ser fascista?  Não sabe da historia dos judeus italianos sob o fascismo?

          • Em relação aos métodos

            Em relação aos métodos fascistas concordo o uso corrente do termo para a nossa realidade local, mas em relação ao conteúdo específico continuo cético, e preferindo optar pelos termos falsistas, bovaristas ou arrivistas. Mais do que ódio nossos falsistas trasitam na esfera da indiferença que segundo Bernard Shaw é “a essência da desumanidade”. Tendo a concordar com ele, “o pior crime para com nossos semelhantes não é odiá-los mas demonstrar-lhes indiferença”. Penso na diferença entre a situação da gente feita escrava em campos de concentração na Europa dos regimes nazista alemão, fascista italiano ou no franquista espanhol e a condição do longo cautivério dos escravos africanos e seus descendentes na América e mantida à margem das sociedades mesmo depois do fim do escravismo.

            Os velhos e novos nazifascistas olhavam com inveja mas em posição de inferioridade social o status que parte pequena mais representativa da comunidade judia ocupava naquelas sociedades (especialmente nos postos do Estado, entre militares e entre profissões liberais como advogados, médicos, professores e intelectuais).

            Nossos falsistas brasileiros ao contrário olham desde uma perspectiva de pretensa superioridade social, de uma posição privilegiada e com total indiferença à situação da imensa maioria de cidadãos que vive em condições sociais negativamente privilegiadas (a última cereja do bolo do falsismo brasileiro é, por exemplo, essa ideologia da meritocracia).

            Meu ponto é que o fascismo acima da linha do Equador é uma reação extremada e irracional aos desafios de uma sociedade do século XX e abaixo da linha do Equador uma reação extremada e irracional a possibilidade de uma sociedade do século XX com classes sociais que se organizam e participam de uma vida política em um Estado Democrático de Direito.

             

            Um grande abraço.

             

          • É claro que os “inimigos” do

            É claro que os “inimigos” do fascismo, qual sejam os alvos de sua luta, sejam diversos de Pais pata Pais porque as sociedades e o ordenamento politico nunca é o mesmo. O que o fascismo tem de parecido é o instrumental, o mecanismo de operação da politica. Na Italia de Mussolini por exemplo, o elemento judeu era muito menor e menos representativo do que na Alemanha.

            Os judeus na Italia estavam fortemente localizados em Triestre e Florença, eram poucos em 1938, ano de promulgação das leis raciais na Iyalia (18 de setembro de 1938), cerca de 270 mil. Na Alemanha o numero e a representatividade dos judeus era muito maior e o anti-seminismo mais enraizado, ao contrario da Italia. Mussolini promulgou as leis raciais sob pressão e inspiração da Alemanha nazista, não por convicção ou por ter sido do ethos do fascismo de 1922.

            Já no franquismo e salazarismo o problema judeu nõ tinha lugar porque não havia praticamente judeus na Espanha e Portugual

            depois da expulsão dos judeus da Peninsula Iberica pelos Reis Catolicos 400 anos antes.

            Hoje os alvos dos varios neofascismos são os imigrantes que pressionam os paises ricos da Europa e essa fobia se transplanta aos EUA, pais que historicamente foi aberto para todas as imigrações e hoje vive uma onda anti-imigratoria nova com sinais

            neofascista claros.

  18. Ah, os franceses
    Tenho absoluta certeza que você assistiu Glória Feita de Sangue, da dupla Kubrick-Douglas.
    Pelo visto a elite militar também deixava a desejar. Ou foi caso isolado?
    Deve ter sido por influência pesada que o filme ficou banido por muito tempo na França.

    • O Exercito francês tinha

      O Exercito francês tinha comando derrotistas, os generais Gamelin e Weygand, na Marinha o Almirante Darlan. Os oficiais alemães depois da rendição ficaram estupefatos de ver o numero de tanques dentro de galpões e que nunca foram retirados

      para uso nas batalhas, a mesma coisa com aviões, dois terços da frota aerea não saiu dos hangares.

  19. André, mais uma vez muito obrigado!

    Vou me permitir desenvolver um pouco, sem tanta erudição, dois nomes que você citou:

    1 – para a “grande história”, os comportamentos dos altos funcionários públicos Paul Baudouin e seu chefe em várias oportunidades, Yves Bouthilier, foram a razão maior para De Gaulle, como chefe do Governo provisório em 1944, pedir a Michel Debré a criação de uma escola superior de formação republicana (de verdade – não no sentido Roussefiano) dos altos funcionários públicos franceses, que acabou sendo a ENA (Escola Nacional de Administração) onde se formaram todos os futuros Presidentes da República (começando por Giscard d’ Estaing, da 1ª promoção da ENA) até hoje com a única excessão do Sarkozy (talvez o maior fracasso como presidente…). Logo depois se constatou que o judiciário tinha os mesmos defeitos de formação e comportamento (ref “Section Speciale” que vc citou), o que levou a criação da ENM (Escola Nacional da Magistratura)…

    2 – para a pequena história, que as vezes é saborosa: vc citou a Coco Chanel. Ela era uma mulher de negócios, e foi a primeira empresária da alta costura a querer vender perfumes com seu nome. Até lá a alta sociedade mandava fazer fragâncias exclusives em lojas manipuladoras, Ela se associou para lançar o “Nº5” á familia que controlava a Bourjois, uma das primeiras indústrias de perfumes (com a COTY também francesa, cujo dono era aliás grande simpatizante fascista, mas que morreu antes da Ocupação o que salvou sua empresa…). Bourjois era controlada pela familia Wertheimer, judeus franceses, e tinha a larga maioria das ações da “Parfums Chanel”. 

    Quando o Governo de Vichy editou as leis de “Arianização das empresas francesas”, nossa Coco Chanel viu a oportunidade de tomar o controle total da “Parfums Chanel”, mas ela descobriu que o sócio majoritário era agora um certo Felix Amiot, ariano puro… Ela tentou usar seus amantes altos oficiais alemãos (foram vários – eles morriam com frequência na frente russa) para ter ganho de causa, mas M. Amiot era muito bem relacionado também.

    Felix Amiot era um engenheiro especialista em tecnologia de fabricação, e fundou a “La Société d’Emboutissage et de Constructions Mécaniques” (SECM), tendo a familia Wertheimer como sócios capitalistas. A SECM produzia bombardeiros de alto conceito na Força Aerea francesa.

    Quando os nazistas invadiram a França a familia Wertheimer pegou em Bordeaux o primeiro navio qie os aceitou, e embarcaram para o Brasil (foram logo depois para os EUA). Mas tiveram tempo de vender a M. Amiot todos seus negócios a um preço razoável, que Amiot pagou de fato, e com um contrato de gaveta de recompra quando a guerra tiver acabada.

    A SECM produziu durante a ocupação  aviões Junker 52 (o tri-motor de transporte) sob licença, fazendo a fortuna do M. Amiot. Como era engenheiro mas também esperto ele ajudou ($$$) grupos de resistência, o que fez que na Liberação ele foi rapidamente liberado.

    A familia Wertheimer voltou dos EUA em1945, e Felix Amiot revendeu ao preço estipulado as participações (SECM, PARFUMS CHANEL) que tinha comprado em 1940. A SECM foi estatizada em 1946, com grandes lucros para os sócios familia Wertheimer  e Felix Amiot.

    EPILÓGO 1: Coco Chanel tentou relançar sua “Maison” em 1947, fracassou, faliu, e a familia Wertheimer comprou a “Maison Chanel” por quase nada. Eles controlam a empresa até hoje, empresa que deve seu renascimento a um alemão de nascimento, Karl Lagerfeld. Como se fala na França: “La vengeance est um plat qui se mange froid”.

    EPILÓGO 2: Depois da estatização da SECM, Felix Amiot recebeu notificação judicial sobre processo que seus ex-sócios Wertheimer abriam para ter sua parte nos lucros das operações durante a Ocupação. Felix Amiot foi visitar furioso o Pierre Wertheimer, que lhe respondeu que agora não seriam mais sócios em nenhuma empresa, portanto eles podiam processa-lo… Isso não empediu Felix Amiot de fazer muitos negócios com Israel quando entrou na construção naval… 

     

     

  20. Senhor Andrè Araújo: esses

    Senhor Andrè Araújo: esses senhores que nos lideram, sejam grandes empresários ou os senhores da Bolsa, moram em Miami ou New York, a pátria delas são os Estados Unidos; a família deles mora nos EEUU, a residência deles é nos EEUU eles não são traidores da Pátria porque a pátria deles é a América (do norte); O herói nacional deles não é o Tiradentes, até porque o Tiradentes morreu por ser pobre e não ter as arrobas de ouro que o liberavam, o heróis nacional deles é o Pateta ou o Capitão América. Eles não suportam feijão, eles gostam daqueles hamburgueres. eles têm vergonha de ser brasileiros. Elles não traem a pátria porque a pátria delles é lá em cima e nós, militantes românticos estamos cá em baixo.

    Não acredita…. Fala com elles num desses voos de quinta feira e não se identifiqu; deixe-os falar.

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