Por trás da crise dos refugiados sírios

Referência em Oriente Médio e Islã, professor desvenda as motivações político-sociais que culminaram no conflito enfrentado hoje na Síria 
 
 
 
AS NUANCES DO CONFLITO SÍRIO E AS DIFERENÇAS ENTRE OS DIVERSOS GRUPOS POLÍTICOS ISLÂMICOS SOB A ANÁLISE DO ANTROPÓLOGO E ESPECIALISTA EM ISLÃ PAULO GABRIEL HILU DA ROCHA PINTO
 
Liza Dumovich – coeditora
Ana Maria Raietparvar – coeditora
 
Paulo Pinto é um dos maiores especialistas em Oriente Médio e islã, no Brasil e no mundo. É professor da Universidade Federal Fluminense e fundador do Núcleo de Estudos do Oriente Médio da mesma instituição. Doutor pela Boston University, morou 2 anos na Síria fazendo trabalho de campo em várias zawiya (espaços rituais) sufis em Alepo. Fez trabalho de campo também no Iraque, Irã e em comunidades muçulmanas no Brasil. É autor dos livros “Islã: Religião e Civilização: uma abordagem antropológica” e “Árabes no Rio de Janeiro”, além de um dos organizadores de “Ethnographies of Islam: Ritual Performances and Everyday Practices” e do recém-lançado “Crescent over Another Horizon: Islam in Latin America, the Caribbean, and Latino USA”. Nesta entrevista à Revista DIASPORA, Paulo Pinto traz uma reflexão sobre o que é pensar o Oriente Médio hoje, discutindo algumas das questões mais relevantes sobre o tema, esmiuçando as ramificações do islã político e elucidando a guerra civil síria, cujo principal desdobramento em escala global é a chamada crise dos refugiados. 
 
DIASPORA: Você concluiu seu doutorado sobre o sufismo na Síria em 2002, mas continuou sua pesquisa acerca da temática mais ampla do Oriente Médio e do islã. Desde então, o que mudou no pensamento sobre o Oriente Médio?
 
Paulo Pinto: Antes do 11 de Setembro de 2001, o estudo do islã já era politizado. Nos anos 1990, quando se abria o jornal, era o mundo muçulmano do início ao fim. Havia questões políticas que eram investidas a partir da politização da própria existência do mundo muçulmano e das suas tradições culturais, religiosas, etc. Do ponto de vista dos meus interlocutores na Síria, o 11 de Setembro era o conflito entre uma visão do islã que eles consideravam hostil a eles próprios, com uma superpotência que eles também consideravam hostil, então não tinham nenhum interesse real nisso. O que muda no Oriente Médio, efetivamente, é a invasão do Iraque em 2003. Aí é diferente, porque você tem uma presença do império americano dentro do Iraque, liderando uma agressão direta a um país da região. E para os que viviam na Síria, a pergunta era sobre quem seria o próximo. Obviamente, a Síria estava na lista. Então, isso sim começa a afetar algumas dinâmicas locais, e questões políticas passam a pressionar o campo acadêmico a dar certas respostas.
 
Nas Ciências Sociais, você sempre tem que lidar com estereótipos, que estarão sempre lá, independente de quão benignos ou malignos eles sejam, sobretudo, quando se trata do Oriente Médio. O conflito Israel-Palestina já formata toda uma série de discursos e estereótipos sobre quem são os árabes, quem são os muçulmanos, etc. e isso não é novidade. No entanto, atualmente, há uma maior intensidade e uma maior pressão para a Academia responder certas questões que não necessariamente são questões academicamente válidas. Então, o que eu senti nesse período é um duplo efeito, um efeito paradoxal: por um lado você tem uma maior pressão, e você lida com estereótipos que são cada vez menos sutis, e às vezes mais agressivos; por outro lado você tem um interesse crescente, uma vez que só se fala nisso, todo mundo quer saber do que se trata, e cada crise vai produzindo novas questões. Obviamente, o grande impacto é a guerra civil síria e o crescente sectarismo dos conflitos dentro do Oriente Médio, ou seja, a crescente polarização das identidades religiosas em quadros de referência sectários que está ligada a projetos políticos. Porém, essa polarização não começa com os sírios, mas justamente com a invasão americana no Iraque e a guerra civil iraquiana (de 2005 até 2009).
 
D: Como você vê o crescimento do islã político no mundo muçulmano e na Europa?
 
PP: Em geral, os discursos sobre o islã político pecam pela simplificação e pelo desconhecimento. Alguns discursos misturam absolutamente tudo: colocam a Al-Qaeda, a Irmandade Muçulmana, ISIS, Hamas, Hezbollah, tudo no mesmo lado, como se fosse tudo a mesma coisa,e obviamente nenhum especialista vai falar dessa maneira.
 
Há vários fenômenos políticos que usam o islã como linguagem, e o “islã político” pode ser entendido como um nome genérico para tudo isso. No entanto, ele também pode se referir a um fenômeno específico dentro desse processo de produção de projetos políticos que têm o islã como linguagem cultural. Eu, por exemplo, uso nessa segunda acepção do termo. O islã político tem como quadro de referência a construção de um Estado e é a partir desse Estado, de instituições políticas, jurídicas, etc., que se espera criar uma ordem social islâmica. Exemplos desses grupos com projetos políticos são a Irmandade Muçulmana, o Hezbollah e o próprio Hamas, cuja característica primordial  é primeiro uma leitura modernista do islã. Uma segunda característica é que eles têm o Estado-nação como horizonte político, então, embora eles tenham  discursos sobre solidariedade pan-islâmica, grandes questões como Iraque, Palestina, a ação deles é limitada pelas fronteiras do Estado-nação. A arena de disputa política deles é o território nacional, é nisso que eles têm interesse, em governar um determinado território, uma determinada população, e, nesse sentido, eles compartilham o imaginário político dos nacionalistas.
 
Já fenômenos como a Al-Qaeda estão ligados a um outro processo, que é a construção do que eu chamo de “jihadismo globalizado”. Se o islã político sai do período colonial, no início do século XX, o jihadismo globalizado sai da guerra do Afeganistão nos anos 80 do século XX, que surge do confronto contra os soviéticos, a partir de um apoio logístico da aliança Estados Unidos – Paquistão – Arábia Saudita. E as pessoas que são formatadas dentro desse universo têm um outro imaginário político. O horizonte político deles é o império, ou seja, eles não têm interesse em um território específico, mas sim no combate ao império, primeiro o soviético, depois o americano. Como o império está em todo lugar, a arena de combate deles é a mídia, e você tem uma marca, a Al-Qaeda.
 
O SUCESSO DA AL-QAEDA É QUE ELA ELA CRIA UM QUADRO DE AÇÃO QUE EU CHAMO DE “GRAMÁTICA DA VIOLÊNCIA”, QUE PERMITE CONECTAR QUESTÕES LOCAIS ÀS GRANDES QUESTÕES DA POLÍTICA INTERNACIONAL – O IMPÉRIO AMERICANO, O IRAQUE, A PALESTINA – SEM NECESSARIAMENTE ATUAR EM NENHUM ESPAÇO FÍSICO. OS ATENTADOS SÃO TERRÍVEIS, SÃO EXTREMAMENTE LETAIS, MAS NINGUÉM SERIAMENTE ACREDITA QUE ELES TENHAM ALGUM VALOR MILITAR.
 
Você não consegue conquistar Nova Iorque derrubando dois prédios, você não consegue conquistar Paris com um tiroteio em alguns locais de diversão. Na verdade, o que você conquista é a mídia e é ela que faz a amplificação de tudo isso. Se o Movimento de Libertação de Aceh explodir uma bomba num mercado em Jacarta, não sairá em nenhum jornal, talvez no Asian Times na décima página, mas, se a Al-Qaeda faz isso, sai na primeira página de jornais de todo o mundo. Então, essa lógica também incita os poderes imperiais a intervirem, é uma lógica agonística que funciona muito bem, pois os americanos invadem o Afeganistão e, logo em seguida, invadem o Iraque, e o império deixa de ser uma abstração para ser uma realidade.
 
O que acontece é que a partir de 2007/2008, essa lógica agonística entra em declínio, em parte porque o poderio americano começa a recuar (eles fecham as bases na Arábia Saudita, começam a preparar a saída do Iraque, e saem a partir de 2009), e em parte porque a própria gramática da Al-Qaeda começa a se esfacelar em diferentes formas de expressar projetos políticos. A marca Al-Qaeda começa a sofrer suas “falsificações”, e você começa a ter, por exemplo, a  Al-Qaeda no norte da África, na Mesopotâmia, que usam a gramática da violência do jihadismo, mas para fins locais ou regionais. E você passa a ter dentro do campo jihadista toda uma série de disputas. O [Ayman al] Zawahiri, que é o sucessor do Bin Laden, tenta restaurar uma unidade nesse sentido, mas não consegue.
 
E essa fragmentação chega a níveis individuais, como no caso dos irmãos de origem chechena que explodem bombas na maratona de Boston, fazendo isso sem nenhum projeto maior. Eles simplesmente utilizam essa linguagem do jihadismo para um fenômeno tipicamente americano – adolescentes problemáticos que decidem se matar e matar outras pessoas – só que ao invés de fazerem um tiroteio numa escola, eles decidem explodir bombas na maratona de Boston. Então a lógica do jihadismo levará a essa fragmentação, da qual surge o terceiro fenômeno, que nós conhecemos hoje e eu chamo de “jihadismo territorializado”, o ISIS, ou DAESH ou Estado Islâmico. Eles vão usar todas as técnicas do jihadismo, inclusive a mídia, e da violência para atrair justamente tanto a atenção quanto a ira dos poderes que eles supostamente querem confrontar, juntamente com toda a ideia do islã político de construir um quadro institucional para governar um determinado território, para governar uma determinada população. Então o ISIS é um híbrido entre o islã político e o jihadismo, até com elementos do próprio discurso do nacionalismo.
 
 
 

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5 comentários

  1. Leitura obrigatória

    Um dos melhores textos que lí sobre o conflito, embora tenha que fazer duas críticas:

    Primeiro, ele relativisa a participação da Europa e Estados Unidos como agentes insufladores do conflito, o que para muitos analistas está muito claro desde o seu início.

    Segundo; O papel da Russia, para o bem ou para o mal, não existe no conflito. Toda a sua análise passa ao largo do papel da Russia, como se ela não tive qualquer envolvimento como contraponto a particpação da Europa e EUA.

    Então, como uma entrevista com tais lacunas pode ser considerada uma leitura obrigatória como recomendo? É que nenhum outro analista nos colocou tão por dentro dos conflitoa internos envolvendo as própria oreganizações de resistencia ou apoio a Assad como ele; ele nos faz sentir como nenhum outro analista, como se fizéssemos parte do conflito e isso não é pouca coisa.

    Portanto, fora essas duas graves lacunas apontadas, a leitura é sim, obrigatória.    

  2. TRÊS (3)

    TRÊS (3) ARTIGOS

    http://port.pravda.ru/news/russa/13-12-2016/42298-vitoria_assad-0/

    Vitória de Bashar al-Assad e Putin em Aleppo pôs o ocidente em surto de pânico

    Vitória de Bashar al-Assad e Putin em Aleppo pôs o ocidente em surto de pânico.  Até o final de novembro, União Europeia e Washington só fizeram tentar convencer a comunidade internacional de que nenhum dos lados no conflito sírio seria suficientemente forte para colher vantagem decisiva no campo de batalha.  
Martin Berger, New Eastern Outlook, NEO. 
 
Ao mesmo tempo, círculos políticos ocidentais tomaram todas as medidas possíveis para impedir que Damasco e Moscou intensificassem a ofensiva contra os terroristas do ‘Estado Islâmico’ na Síria, sobretudo em Aleppo. Para essa finalidade, o secretário de Estado John Kerry aumentou os esforços diplomáticos para obter um acordo com a Rússia, sobre a Síria, antes de o atual governo deixar o posto –, como registra o Washington Post. Segundo o mesmo jornal, a Secretaria de Estado pouco se incomoda com a chamada “crise humanitária” em Aleppo; o que teme é que o governo assine acordo diferente com Moscou, que, na essência, põe os EUA ao lado de Bashar al-Assad.

    É curioso que funcionários da União Europeia tenham posto as suas fontes de propaganda a operar em hora extra, forçando aquelas fontes a publicar todos os tipos de acusações mentirosas contra Moscou e Damasco, dizendo que teriam bombardeado especificamente escolas e hospitais. Fato é que há completo blecaute em todos os jornais e televisões sobre centenas de civis em Aleppo massacrados por militantes radicais, que impediram que a população local de deixar, servindo-se dos corredores humanitários abertos pelo governo do presidente Assad, os territórios que os militantes ocupavam.

    Mas todos fomos induzidos a crer que os extremistas seriam alguma espécie de heróis; e como prisioneiros os que arriscaram a própria vida para expulsar da cidade os extremistas, essa “peste negra”. Nesse ponto, o palco da ONU virou cenário para que os governos de Grã-Bretanha, França e Alemanha se pusessem a ‘exigir’ que Damasco fizesse uma “pausa humanitária” em Aleppo. Mas não para garantir alívio aos habitantes da cidade sitiada, porque o ocidente não mandou um único caminhão de ajuda humanitário para Aleppo. Os representantes dos três países acima, como também os representantes dos EUA, sequer tiveram coragem de escoltar (para evitar que fossem emboscados pelos terroristas) os comboios que a Rússia enviou.

    Em vez disso, o ocidente usou aquelas pausas para introduzir mais terroristas em Aleppo e garantir-lhes o fornecimento de equipamento militar. Muitas publicações provam que nesse período os jihadistas de Ansar al-Islam tinham capacidade militar máxima, quando negócios massivos de armas estavam sendo construídos no Leste da Europa e na Ucrânia, para contrabandear para a Síria quantidades massivas de armas fabricadas pelos soviéticos.

    Contudo, as tropas sírias estão sendo extraordinariamente bem-sucedidas, até agora, na libertação de Aleppo, sucesso o qual resultou em Washington descobrir-se em posição muito estranha. O Financial Times já noticiou que os líderes da oposição síria já estão mantendo conversações secretas com a Rússia, para pôr fim às hostilidades em Aleppo. Pode acontecer de os EUA serem empurrados para fora da equação em vários conflitos chaves no Oriente Médio, inclusive na Síria. Com o desmascaramento do conceito de “oposição moderada”, EUA vão perdendo espaço para influenciar a Síria, na medida em que se vai comprovando que não há “moderados”, só há radicais da Frente Al-Nusra.

    EUA e UE estão em pânico total por causa dos desenvolvimentos na Síria, porque há possibilidade real de que se venha a expor completamente o verdadeiro papel que EUA e aliados europeus desempenharam na criação do chamado “Estado Islâmico” [ing. ISIS]. O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA Mark Toner até já ‘exigiu’ que a Rússia fosse impedida de combater contra o terrorismo internacional na Síria. Imediatamente depois dessa declaração, representantes de França, Grã-Bretanha e Alemanha tentaram aumentar a pressão, contra a Rússia, pelo Conselho de Segurança da ONU.

    
O estado delirante em que se debatem as elites europeias governantes apareceu muito claramente, publicamente, quando o Guardian publicou a sua mais recente demanda: 
“Líderes europeus, especialmente o governo francês, estão alertando Vladimir Putin por canais privados de que se ele permitir que o presidente Bashar al-Assad da Síria converta uma já esperada retomada de Aleppo em vitória militar na maior parte do país, a Rússia será obrigada a pagar a conta da reconstrução.”

    
É como se os governantes em Londres, Paris e Berlin estivessem em situação de morte cerebral. Só a morte cerebral explica que tenham esquecido quem destruiu Iraque, Líbia, Síria, Afeganistão e inúmeros outros países. 
Os EUA, com o apoio ávido que lhe dá a União Europeia, mataram centenas de milhares de civis, destruíram moradias e a infraestrutura indispensável à sobrevivência dos que não foram mortos, o que resultou num verdadeiro êxodo de migrantes, do Oriente Médio e África, para a Europa. Assim sendo, talvez sejam eles obrigados a conta da reconstrução, em vez de obrigar países europeus menores a receber refugiados que, para começar, eles, sim, geraram. E quanto à responsabilidade de Washington?

    **************

     

    http://port.pravda.ru/russa/20-12-2016/42347-vexame_estadunidense-0/

    O vexame estadunidense na Síria e o assassinato do embaixador russo.

    É claro que o assassinato do embaixador russo em Ancara na Turquia por um policial turco, tem implicações com a vitória da Síria com o apoio da Rússia na retomada de Aleppo, principal cidade síria em mãos dos terroristas há mais de três anos.

    Valter Xéu*

    Como tem também implicância o atentado em Berlim em que segundo o jornal Morgen-Post  deixou mais de 50 feridos e 9 mortos, citando uma fonte policial. As forças estadunidenses, a coalizão ocidental liderada pelos EUA está em estado de choque com o sucesso das forças sírias e russas na retomada de Aleppo, cujos terroristas, sempre tiveram o apoio dos norte americanos, Arábia Saudita, Israel que mantinha um hospital de campanha nas imediações das Colinas de Golan para atender os terroristas feridos em conflitos, como também tinha a ousadia de derrubar aviões da força aérea síria que ousasse bombardear posições do Estado Islâmico na região.

    Como em estado de choque estão com a vitória de Donald Trump que os serviços de inteligência juram que a vitória do republicano Trump teve a interferência da Rússia que não nutria de amores pela Hillary Clinton a senhora da guerra. Com a ajuda da mídia, a própria Casa Branca tratou de espalhar que a vitória de Trump teve o apoio russo e assim tenta deslegitimar o candidato que os cidadãos estadunidenses escolheram para ocupar a Casa Branca na sucessão de Obama.

    Somando a derrota norte americana em Aleppo e a derrota dos senhores da guerra com Hillary Clinton, estava na hora e aprontar alguma coisa contra a Rússia e desviar assim as atenções do mundo da fantástica vitória Síria em Aleppo e a catastrófica derrota da coalizão ocidental e a vitima foi um membro da diplomacia russa que vinha trabalhando no sentido de fortalecer as relações entre Turquia e Rússia para desespero dos EUA, antigo aliado turco, mas que anda em baixa junto a Erdogan, desde a malfadada tentativa de golpe contra seu governo cujas impressões digitais são o governo de Barack Obama.

    De nada adiantou o fingimento norte americano para o mundo que de fato estava na Síria a combater os terroristas, quando na realidade, as forças da coalizão ocidental estão na Síria com o único objetivo de derrubar Assad o qual recebeu o carimbo de ditador e assim passou a ser chamada pela mídia empresa ligada aos oligopólios de dominação internacional.

    A entrada da Rússia no conflito sírio mudou o fiel da balança de um quase derrotado Assad para um vitorioso Assad e isso não deixa de ser uma desmoralização mundial para as forças de coalizão que vem usando de todos os artificies para provocar uma reação da Rússia desde a derrubada de um caça russo na Turquia em 2015.

    O assassinato do embaixador e o atentado em Berlin podem estar umbilicalmente ligados, pois é comum as potencias ocidentais, além de assassinar lideres mundiais, tentar amedrontar a população com o espectro do terrorismo no sentido de mudar a opinião pública de países cujo povo não quer ver seus soldados envolvidos em conflitos.

     No caso do assassinato do embaixador russo, o astúcia e esperteza de Putin que sabe muito bem o que esta por trás de tudo isso, como um exímio jogador de xadrez saberá dar uma resposta à altura, quem sabe, arrasando todos os terroristas hoje na Síria, sejam eles aliados dos EUA ou não.

    *Valter Xéu é diretor e editor do portal Pátria Latina e colaborador de Pravda Ru.

    ********

    http://port.pravda.ru/news/russa/20-12-2016/42342-histeria_midia-0/

    Jornalista destaca histeria da mídia do Ocidente em torno da situação em Aleppo oriental

    Vanessa Beeley, correspondente investigativa e ativista, responsável por reportagens na Síria, revelou alguns fatos importantes e compartilhou sua visão sobre a situação atual na cidade síria de Aleppo.  

    Segundo ela, “atualmente se vê uma grande histeria das principais fontes da mídia quanto à situação em Aleppo oriental”, sendo que a maioria das edições se baseia em informações não confirmadas, deturpando, assim, os fatos reais. Em entrevista à Sputnik Internacional, Beeley contou que antes de voltar a Damasco, passou três dias em Aleppo oriental.

    “Visitamos o bairro de Hanano de onde militantes foram expulsos há um dia ou há dois dias, falamos com os residentes locais. Presenciamos o triunfo após a libertação da cidade dos grupos armados, chefiados pela Frente al-Nusra”, conta Beeley.

    Os residentes locais contaram para Beeley que as forças do governo sírio estavam providenciando toda a assistência necessária para eles: comida, roupa e alojamento. A jornalista encontrou muitas crianças exaustas de fome. Segundo ela, em todos os lugares, o exército sírio e os militares russos estavam entregando alimentos à população faminta.

    Porém, segundo Beeley, o problema é que a ajuda humanitária chegava também aos terroristas, como alimentos e remédios, que depois eram vendidos por preços inimagináveis para as reais vítimas do conflito:

    “Muitos civis recebiam comida em quantidades limitadas. Por exemplo, uma mulher nos contou que a sua família de 12 pessoas recebia apenas 12 fatias de pão a cada três dias”, recorda.

     “Visitamos Hanano e Sheikh Saeed, que foram libertados ontem à noite. Visitamos a antiga cidade de Aleppo, onde, no dia anterior, aconteceram combates violentos”, conta.

    Quando Aleppo finalmente passou a ser controlada por Damasco, ela viu o triunfo e alegria na parte norte da cidade. “Todas as histórias absurdas de que as forças do governo sírio, alegadamente, vinham executando civis violentamente, causam-me indignação.

    Não vimos nada disso”, conta a jornalista. Beeley lembrou que, em hospitais de campo russos, os médicos estavam tratando todos os tipos de ferimentos dos civis dos bairros ocupados por militantes. Ela até recebeu permissão de entrar e gravar uma reportagem.

    No entanto, Beeley foi informada que muitos hospitais se transformaram, de fato, em locais de tratamento de terroristas.

    “A culpa é dos terroristas que recebiam apoio dos países do Golfo Pérsico e da OTAN e que privaram essas pessoas de liberdade, usando-as como escudo humano, violando meninas e aprisionando crianças de oito anos”, reclama a jornalista. Beeley chamou atenção ao fato de que muitos soldados do exército sírio, especialmente aqueles no bairro de Hanano, conseguiram retornar às suas casas.

    A jornalista ressaltou que a tomada de Aleppo revelou as mentiras das principais fontes da mídia que deram informações erradas e enganaram muitos durante os últimos quatro anos, desde o início da guerra na Síria.

    Beeley aponta que a ONU começou a mudar de opinião em relação a várias questões. Segundo ela, publicar artigo e sem verificar a fonte de informação é uma prática inaceitável ao jornalismo, conclui. Em 15 de dezembro, o Estado-Maior das Forças Armadas russas comunicou que as forças do governo e a milícia estavam concluindo a libertação de Aleppo oriental dos terroristas.

    Mais de 6 mil pessoas, incluindo militantes, deixaram Aleppo oriental nas primeiras 24 horas da operação de evacuação. 

     

  3. “Primavera Árabe”,devia ser

    “Primavera Árabe”,devia ser mencionada no contexto de “guerra próxi”,que é  a estratégia  que prevalece no momento. Essa guerra por procuração,  não expõe os  verdadeiros patrocinadores bélicos,poupando desgaste politico”no concerto das nações”…

    Bashar,deve  ter  bem fresca  as  lembranças  da intervenção israelense,que culminaram na  destruição do Líbano.Beirute, jamais recuperou-se da sua  orgulhosa posição   de “Paris do Oriente”, e também uma Zurich.Ambas revelavam um status  repelidas por Israel,sua consolidação traria riscos  geopolíticos,que os judeus  não podiam aceitar. E assim , a desestabilização do  Oriente Médio, chegou a África do Norte.. Egito e Líbia.Aquele   aliado dos EUA este , um líder tribal que não representava  os riscos do passado.Pagara, pesadas  indenizações às vitimas  de atentado   perpetrado  por seus agentes. A ” Primavera Árabe”, atingiu em cheio o Egito.Apenas,  revelou  facetas, exumando a divisão de  sua sociedade e as contradições que desmistificavam  o suposto  modernismo  injetado  pela  assistência do governo  dos EUA A Líbia,vitima de armadilha   europeia,Kadafi contribui generosamente para campanha de  Sarkosy à presidência  e imediatamente,cai. O pais  volta a ser um imenso areal,  desmembrado, sem liderança sem projeto.Divido em facções, que se assemelham a antigos bucaneiros que se  satisfazem, assaltando e  vendendo o butim a qualquer preço. Justamente, nesse contexto, o baluarte é a Síria,sobrevivente    à experiência  da “Primavera Árabe”…

     

  4. O especialista

    Se esqueceu, omitiu ou não considerou relevante a influência externa na crise Síria. Os artigos colocados pelo colega Nilo Filho, acima, dão um melhor panorama da situação do que este declinado pelo Paulo Pinto.

    As menções à Arábia Saudita, aos Emirados Árabes.à Jordânia são tenues demais. Não há menção do papel importante de Isarel no financiamento dos terroristas e, pricipalmente, o papel de Obama é superfical em demasia. Logo ele que é o reponsável direto pelo estado caótico da Síria

    Como analisar a situação da Síria ignorando estes atores principais?

     

     

  5. Algo mais

    Dentre as 34 mil pessoas evacuadas de Alepo leste, pelos corredores humanitários Assad/Putin, foram contados muitos estadunidenses, israelenses, sauditas, jordanianos e outros países e reinos do OM.

    O que estariam khazarianos (judeus não semitas), jordanianos e estadunidenses da República Corporativa dos EU fazendo junto aos terroristas?

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