As Apaes contra os direitos dos deficientes

Ainda é um tabu, no país, discutir a atuação das Apaes (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais). Mas sua atuação política ultrapassou os limites do razoável, tornando-se uma organização de duas caras.

O lado positivo é de estímulo à solidariedade dos pais, o atendimento a deficientes. Mas ajuda a blindar o lado deletério: uma politização absurda.

A campanha movida pela Federação das Apaes contra a educação inclusiva é um dos capítulos mais vergonhosos da longa caminhada civilizatória do país rumo à inclusão social.

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Há cerca de trinta anos, um grupo de pais de crianças com deficiência constatou que o melhor ambiente para seu desenvolvimento seria junto a não deficientes.

Seguiram uma tendência mundial. Em 2006, a própria Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência, da ONU (Organização das Nações Unidas), consagrou esse princípio.

Em depoimento histórico, a própria fundadora da Apae, dona Jô Clemente disse que, se fosse hoje em dia, seu filho estaria em uma escola inclusiva.

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Quando o MEC (Ministério da Educação) lançou a política de educação inclusiva, em 2009, destinou papel especial para as Apaes.

Poderiam ser as instituições a auxiliar no preparo da rede escolar, a fiscalizar a adaptação das escolas denunciando aquelas que relutassem em se preparar para a inclusão.

Para estimulá-las, criou a figura da segunda matrícula no âmbito do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação). Por cada aluno com deficiência na rede escolar, o Fundeb paga 1,3 matricula. Se houver atendimento especial, paga uma segunda matrícula, que poderia ser destinada à Apae.

A resposta das Apaes foi de dar engulhos no mais empedernido politiqueiro: se a rede escolar convencional fosse preparada para a inclusão, as Apaes perderiam a influência sobre os novos alunos com deficiência. Passaram a combater a inclusão e a disputar não apenas a segunda matrícula, mas as duas. Atrasaram em três anos a aprovação do PNE (Plano Nacional de Educação).

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Nos últimos anos, as políticas de educação inclusiva lograram preparar 39 mil instituições públicas para a inclusão, 800 mil matrículas, cerca de 5.000 municípios com salas multifuncionais, com toda espécie de equipamento para pessoas com deficiência, 88 mil professores que se declaram formados em educação especial.

No Paraná, o vice-governador e secretário da Educação Flávio Arns anunciou, em agosto, um programa de R$ 420 milhões para atendimentos aos deficientes. Não era para reforçar a rede estadual. Toda a verba destina-se às Apaes, para impedir que possam ficar inferiorizadas perante a rede escolar.

O jogo paroquial paranaense envolveu a ministra-chefe da Casa Civil Gleise Hoffmann, que valeu-se de seu cargo para pressionar parlamentares a atender às demandas da Apae. A ponto de provocar reação do próprio ministro da Educação Aloizio Mercadante.

Que tentem explorar politicamente uma causa nobre, é questão de pudor. Que coloquem seus interesses políticos acima dos interesses das pessoas com deficiência, é um crime contra a cidadania.

158 comentários

  1. As APAEs contra os direitos dos deficientes

    Caro Nassif,

    Sua crítica foi perfeita nesse artigo. Parabéns!

  2. Eu sou Obrigado a Matricular minha Filha na APAE

    Luiz eu tenho uma Sobrinha de 27 anos freguentou a APAE 9 anos e só piorou, cancelei a matricula dela, e tepois de 30 dias fui chamado na promotoria de minha cidade e fui obrigado a rematricular a minha sobrinha na APAE bena de desobediencia “Cana” o que devo fazer, sendo que a minha sobrina não responte a nenhum estimulo esterno, ela so far o que que na hora que quer, minha esposa tem que tar banho, trocar a flauda, colocar a roupa é como uma menina de 3 meses a unica coisa que ela faz sozinha e comer mas mesmo assim elar 1h e 30 m para almoçar e não fala só sabe dizel ” então ta então ” não interege com nata… só anda se for conduzida remedio tem que dar com um aplicador pois ela não toma comprimido. e muitas ouras coisas. se alguem tiver uma sujestão do que devo fazer vou ficar muito grato … estou realmente desisperado em resolver isso meu e-malo sergio_gilardi@hotmail.com 

  3. Olha tenho uma filha down ela
    Olha tenho uma filha down ela tem 6 anos entrou na apae com 6 meses ela não fala nada mas vitoria sempre foi uma criança gorda então para mim ficava dificil leva-la sempre a fono* que a atendia colocava mimha filha em uma sala com brinquedos e ficava batendo papo com outra atendente isso me irritava depois tive que tira la pois me mudei para minas mas com a certeza de que voltaria para o es minha filha operou de tetralogia de fallot com 3 anos e ainda não andava os medicos me recomendaram a apae novamente blz ai fui e tal mas vitória começou a andar com 4 anos e eles falavam que ela não andava era mole ue eles não estavam nem vendo que minha filha andava depois disso vitoria saiu dos atendimentos todos fono fisio estimulação e ficou só na pedagogia cá pra nós se for p minha filha ficar so na escola da apae ela fica na regular poxa agora vieram cheios de conversinha e tal o conselho tutelar ate veio na minha casa quero ver no que vai dar eles acham que é facil ficar carregando uma criança de 25 kilos nos bracos pra la e pra cá .

    • Minha filha tem 8 para 9 anos

      Minha filha tem 8 para 9 anos de 5 para 6 anos eu a pus na APAE da minha cidade,até então sempre confiei nos profissionais de la quando me dei por conta minha filha estava na mesma, disseram que ela tinha deficiencia intelectual etc,etc…outras pessoas começaram a me alertar de que minha filha não tinha deficiencia nenhuma e isso que foi dito por eles é para eles terem crianças para atender lá ,para não ficarem sem emprego,etc,etc…começei a olhar os profissionais com um olhar mais crítico ,fiquei desolada, na classe os professores não ensinavam nada, entravam crianças novas voltavam a ensinar as mesmas coisas que minha filha já sabia não ponhavam em outra sala com crianças mais avançadas uma porque não tem e eles querem passar a impressão de pessoas super atenciosas e não são não é educação especial porque minha filha continua atrasada do mesmo jeito então,para mim dá na mesma,o fisioterapeuta mandava ela fazer todas as coisas enquanto ele ficava sentado só observando se voce fosse conversar com o psicologo ele meio que se irritava, a fono e a t.o. não falava o que ensinava para minha filha sempre com as portas fechadas voce nao sabe o que se passa então o que decidi vou por em outra escola e tirar ela de lá ,depois que disse isso, meu Deus como conversavam comigo alegando como sempre a deficiencia da minha filha ,eu falava em que voces estão a ajudando, em nada ,voces não mandam tarefa para ela fazer em casa, minha filha está sempre aprendendo o que já sabe, sinceramente, eles é que são deficientes e não nossos filhos!!!!!!!!!!!!!!!!

  4. É muito fácil falar de inclusão.

    Ouço falar muito de inclusão, sou professora leciono no ensino fundamental II e médio, trabalho com alunos com vários problemas sociais, finaceirose e familiares.

    Cada sala tem em média de 30 a 40 alunos ou até mais:

    Tenho que ser a professora que passa o conteúdo porque temos meta para cumprir no idesp. (Tenho que ensinar Matemática, estudei para isso)

    Tenho que entender o aluno e os seus problemas pessoais. ( Trabalho de um psicólogo, que a escola não tem)

    Se o aluno falta com educação tenho que ficar quieta  e não posso corrigi-lo ( Trabalho dos pais, educação vem da casa)

    Será que o professor está com a verdadeira função na escola de ensinar, ou ele está fazendo a função de família, de educar, e de prepara-ló para a vida, quem prepara os alunos para a vida são os país eu ensino Matemática.

    Além disso tudo no meio desses 30 a 40 alunos querem colocar alunos que necessitam de cuidados especiais para fazer a inclusão, se vcs soubessem o problema de bulling que ocorrem dentro da escola, a falta de educação que os alunos tem, vcs jamais iam pensar desse tipo.

    Inclusão é colocar um aluno com deficiência auditiva na sala normal, com uma professora interlocutura, para poder repassá-lo o conteúdo, isso é inclusão. 

    Há essas pessoas que defendem que as crianças especias tinham que estar nas escolas públicas, só pergunto uma coisa. 

    Os seus filhos estudam no estado ou no particular?

    Se respondeu que é no estado, pergunte quantos vezes ele já ouviu um aluno mandar o outro tomar no cú, xingou o outro de filha da puta. Será que as crianças especiais estão preparadas para ouvir isso?

     

     

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