Inclusão social e desenvolvimento, por Rodrigo Medeiros

Artigo de opinião recentemente publicado pelo economista Ricardo Hausmann, professor da Universidade de Harvard, traz um debate interessante, porém não novo, sobre o processo de desenvolvimento econômico (clique aqui para ler o artigo na íntegra). Segundo Hausmann, “uma estratégia para o crescimento inclusivo deve fortalecer as pessoas, incluindo-as nas redes que as tornam produtivas”. Mas o que seriam efetivamente essas redes?

Não é preciso muito esforço intelectual para se compreender que a produção moderna baseia-se em “redes de redes”. De acordo com Hausmann, “uma empresa moderna é uma rede de pessoas com diferentes competências: produção, logística, marketing, vendas, contabilidade, gestão de recursos humanos e por aí fora”. Para participarem da vida moderna, as empresas e as pessoas precisam estar conectadas a essas redes.

O problema detectado pelo autor é o dos custos fixos. Para Hausmann, “antes de qualquer pessoa poder consumir um quilowatt-hora, um litro de água ou uma viagem de carro, alguém tem de ligar um fio de cobre, um cano e uma estrada. Estes custos fixos precisam ser recuperados através de longos períodos de uso”. Os progressos técnicos, as inovações, podem influenciar a prioridade de expansão dessas redes. Telefones celulares são apresentados como exemplos dessa expansão de redes nos países subdesenvolvidos, mesmo quando se sabe que a infraestrutura básica desses países, saneamento, por exemplo, é ainda deficitária. Não estou entrando aqui na questão da neutralidade (ou não) do progresso técnico, outro debate interessante e importante para as sociedades democráticas.

A receita básica para uma política pública progressista é muito clara: “São os custos fixos que limitam a difusão das redes. Então, uma estratégia para o crescimento inclusivo deve focar-se nas formas de reduzir ou de pagar os custos fixos que ligam as pessoas às redes”.

Reorientar pragmaticamente a política econômica nacional, reduzindo (ou até eliminando) os subsídios para os mais ricos da sociedade, é um bom começo para o enfrentamento da complexa questão das redes. Não há motivos razoáveis para se dispensar a valiosa contribuição do investimento privado na expansão dessas redes. Afinal, as complementaridades entre os investimentos públicos e privados integram o processo histórico de desenvolvimento das sociedades.

Rodrigo Medeiros é professor do Ifes (Instituto Federal do Espírito Santo) 

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