Indústria de São Paulo demite 128,5 mil funcionários em 2014

Tatiane Correia
Repórter do GGN desde 2019. Graduada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo.
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Jornal GGN – A indústria de São Paulo demitiu 128,5 mil funcionários em 2014, o equivalente a uma perda de 4,9% do emprego do setor no ano, segundo pesquisa divulgada pela Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp). Somente em dezembro de 2014, a indústria paulista demitiu 40 mil funcionários.

Contudo, o número é menor quando comparado aos de outras demissões ocorridas no mês de dezembro de outros anos – em dezembro de 2008, por exemplo, o saldo negativo chegou a 121 mil.

Vinte dos 22 setores avaliados pela pesquisa em 2014 apresentaram redução no emprego, um registrou alta e um ficou estável. Somente no mês de dezembro, todos os setores da indústria registram demissões. Na análise setorial, a indústria de veículos automotores, reboques e carrocerias foi a que mais demitiu em 2014, com 23.180 funcionários ao todo.

A análise regional mostra que o emprego caiu 5,4% na Grande São Paulo no ano e 4,4% no interior do estado. Das 36 regiões pesquisadas em 2014, apenas uma registrou contratações. Santa Bárbara D´Oeste registrou alta de 6,6% em sua indústria, impulsionada principalmente por contratações do setor de produtos têxteis (3,36%). No campo das perdas, destaque para a região de Piracicaba, com queda de 16,54% do emprego industrial no ano, influenciada por demissões nos segmentos de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (-36,%) e de máquinas e equipamentos (-14,23%).

A situação do emprego industrial no ano passado – considerada a mais delicada desde 2006, início da pesquisa – foi ainda pior que a de 2009, auge da crise financeira mundial, quando o setor manufatureiro registrou uma queda de 4,5% do índice naquele ano. O diferencial entre os cenários de 2009 e 2014 é a recuperação dos empregos ocorrida no ano da crise, um movimento que não deve se repetir em 2015, segundo Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisa e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp, que afirmou aind que a queda menos expressiva em dezembro do ano passado foi decorrente de uma antecipação das demissões ao longo de 2014 em meio ao cenário adverso.

“A partir da metade do ano [passado] já começávamos a ver esse panorama para 2014. Entramos em 2015 com a indústria muito fragilizada e não vemos a menor possibilidade de 2015 ser um ano de recuperação como 2010 foi para 2009”, projeta Francini, em nota. O executivo diz que parte da falta de perspectiva de recuperação para o ano é decorernte do aumento da taxa de juros, do já sabido ajuste fiscal do governo, da retirada de alguns subsídios como os concedidos à energia, e o seu impacto no consumo, e do aumento de impostos. Além disso, o salário real do trabalhador não deve apresentar crescimento significativo.

“Há uma pressão em cima do gasto público e já houve a redução dos gastos por parte dos ministérios. E isso significa menos dinheiro sendo colocado na economia, enquanto a taxa de juros deve crescer ainda. Portanto, este é um ano em que a atividade econômica vai ser negativamente afetada. Esse é o desenho para 2015 e o problema do desemprego será um grande tema”, avalia Francini. “Todo ajuste não é agradável, mas é preciso.”

Tatiane Correia

Repórter do GGN desde 2019. Graduada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo.

1 Comentário

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  1. H2O de tucano tem gosto de peixe

    Nassif,

    Com o caos que será criado em função da falta generalizada de água, e a pouca que for oferecida chegando nas torneiras com gosto de peixe, como ocorre em Itu, uma natural debandada das pessoas para fora da capital provocará um expresivo desemprego em SP capital e, de tabela, SP estado nos próximos semestres.

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