Viagens arquitetônicas: os antigos prédios mais altos do Brasil

Por Andre Casabella

E aí, gente, tudo bem? Como estudante de arquitetura, gosto de conhecer edifícios em todos os lugares para os quais eu viajo. Felizmente, vivemos na época da internet, onde dá para pesquisar o destino antes segundo as preferências dos viajantes, sem depender de guias de turismo impressos, e também com várias promoções de passagens aéreas nacionais  pipocando o tempo todo! Assim, acabei visitando São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, cidades onde estão concentrados os prédios mais altos do Brasil – que já foram ou não ultrapassados –, mas que continuam tendo seu lugar na história.

O Edifício Sampaio Moreira foi o prédio mais alto do país de 1924 a 1929, com 12 pisos e 50m. Parece pouco agora, mas imagina na época da construção! Ele fica na rua Libero Badaró, na região central da cidade de São Paulo, e tem esse nome em homenagem ao dono, José de Sampaio Moreira. Não preciso dizer que o cara tinha muita grana, já que construiu um “arranha-céu” na época, né? Mas, enfim, era um comerciante e banqueiro importante, que viveu entre 1866 e 1943. Em 2010, o edifício foi desapropriado pela Prefeitura Municipal de São Paulo, e em 2012 começaram os trabalhos de recuperação e restauração.

O reinado do Sampaio Moreira durou pouco, pois ele foi superado em 1929 pelo Edifício Martinelli, também em São Paulo. Fica no triângulo das ruas São Bento, avenida São João e rua Libero Badaró, no centro da capital paulista. Tem 105 m de altura e 30 pavimentos, sendo entre 1934 e 1947 o maior arranha-céu do país e, durante um tempo, o mais alto da América Latina! Foi projetado pelo arquiteto húngaro Vilmos (William) Fillinger (1888-1968), da Academia de Belas-Artes de Viena. Mesmo assim, quando vi não fiquei muito impressionada, pois achei o Sampaio Moreira mais bonito. Porém, esse edifício tem um valor histórico importante também, já que em 1932, durante a Revolução Constitucionalista, abrigou em seus terraços superiores, uma bateria de metralhadoras antiaéreas para defender São Paulo do ataque dos “vermelhinhos”, os aviões do Governo da República, que sobrevoavam a cidade ameaçando bombardeá-la.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

8 comentários

  1. Urbanização da Barra da

    Urbanização da Barra da Tijuca, anos 60, com Lúcio Costa. Uma utopia de igualdade social com construções de Niemayer cujos documentos foram achados por um holandês, Wouter Osterhokt, jogados fora, após dois anos de pesquisa no Brasil (2010/2012). Corrupção e especulação imobiliária transformaram o projeto inicial em ilhas de apartamentos para fraudadores, corruptores e sonegadores, os atuais habitantes dos tão desejados condomínios fechados. Desgraça!

    Aqui o programa, Camarote21 que foi ao ar em 20nov.

    http://www.dw.com/pt/not%C3%ADcias/camarote21/s-100734

  2. (Por um periodo curto da

    (Por um periodo curto da historia de BH o Helena Passig foi o edificio mais alto da cidade, se nao me engano -lindissimo, triangular, cheio de escritorios muito desconfortaveis por causa da geometria interna do edificio.

    O Acaiaca tambem foi.  E isso resume o que eu sei do assunto!)

  3. Escolha de palavras é atitude política!

    A retórica define o homem, pois ao classificarmos um evento histórico de determinada maneira e não de outra, estamos na verdade tomando uma posição política, ou ao menos sendo meros joguetes do senso comum, da verdade publicada, da ideologia ou das elites. Assim é que o autor da reportagem chama o “putsch” paulista de 1932 como “Revolução Constitucionalista”, que na verdade não foi jamais uma revolução, pois não teve a mínima participação popular, e muito menos “constitucionalista”, eis que pretendia na verdade a secessão do país, com as oligarquias paulistanas se pretendendo soberanos em São Paulo, mantendo o mesmo sistema semi-escravagista que vigorou de 1889 a 1930.

    Para avaliarmos o quanto a população mais humilde apoiava as reformas de Getúlio Vargas, que acabaram com os estratagemas oligárquicos de perpetuação o poder, basta lembrarmos que os operários das fábricas de munições paulistas simplesmente sabotavam o produto, substituindo a pólvora dos cartuchos por areia, o que foi considerado por historiadores um dos grandes motivos da derrocada do golpe de estado paulista.

    Não podemos admitir que se reescreva a história, perpetuando o ódio das elites paulistanas contra Getúlio Vargas, uma figura tão odiada pelas elites brasileiras, que em São Paulo não existe uma única ruazinha perdida na periferia, com seu nome.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome