Na contramão do governo, presidente do BNDES quer mudar nova taxa de juros do banco

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
 
Jornal GGN – Paulo Rabello de Castro, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), quer mudanças na nova taxa de juros do banco, indo no sentido contrário do que a área econômica do governo de Michel Temer defende.
 
Rabello sugeriu alterações na Medida Provisória (MP) que estabelece a Taxa de Longo Prazo (TLP) para o relator da proposta, o deputado Betinho Gomes (PSDB-PE). A TLP foi desenhada para substituir a Taxa de Juros de longo Prazo (TJLP), que é a atual taxa básica dos financiamento do banco.
 
“A opinião do governo, até agora, é de total a apoio à MP. Eles que alinhem o discurso deles. Até agora era uma questão única no governo. Mas agora o presidente do banco me procurou para fazer ajustes. Eu estou aguardando as considerações que ele vai enviar, e vou analisar com atenção”, disse o deputado para o jornal O Globo. 
 
Os ministros Henrique Meirelles (Fazenda), Dyogo Oliveira (Planejamento) e o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn defendem a nova taxa de juros e já deram sinais de que não querem mudanças na MP.

 
Por outro lado, o presidente do BNDES começou a dialogar com deputados e senadores para propor mudanças na medida, que já recebeu 40 emendas de parlamentares. O relatório da MP deverá ser apresentado somente em agosto, e a Comissão Especial que analisa a proposta ainda vai realizar diversas audiências antes de colocar a medida para votação. 
 
A MP, editada antes do presidente do banco assumir o cargo, propõe que TJLP, atualmente em 7% ao ano, seja extinta e mantida somente para os contratos que já estão em vigor. Os acordos firmados a partir de janeiro do ano que vem teriam a nova taxa como referência, crescendo por cinco anos até chegar à mesma remuneração do NTN-B, título emitido pelo governo.
 
A ideia da equipe econômica é reduzir a diferença entre os custos que o Tesouro tem para captar o dinheiro no mercado, que é calculado pela Selic, e a taxa dos empréstimos do BNDES. A diferença é chamada de subsídio implícito e custou R$ 5,9 bilhões aos cofres públicos até março deste ano, sendo que em 2016 atingiu R$ 29,1 bilhões. 
 
Em cerimônia com Temer e Meirelles, Paulo Rabello criticou indiretamente a TLP, afirmando que “a TJLP, junto com o spread, fazem o resultado do banco, que é revertido para a União através dos tributos que o banco paga”. “O banco é o maior recolhedor de dividendos para a União”, apontou. 
 
Hoje, a taxa de juros da NTN-B é composta pela inflação calculada pelo IPCA mais uma porcentagem que reflete as circunstâncias do momento, fazendo com que ela oscile de acordo com os mercados. De acordo com O Globo, Rabello de Castro defende a criação de um redutor na TLP que reduza a diferença entre o modelo atual e a nova taxa de juros proposta pelo governo. 
 
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