Farmacêuticas nacionais correm risco com mudanças propostas por governo

Ministério da Saúde propõe mudanças que podem levar abaixo programa para desenvolver cadeia nacional de fármacos e que abastece SUS 

Ministério da Saúde propõe mudanças no que podem levar abaixo programa para desenvolver cadeia nacional de fármacos e que bastece SUS (Foto: Léo Ramos/Pesquisa FAPESP)
(Foto: Léo Ramos/Pesquisa FAPESP)

 
Jornal GGN – A indústria farmacêutica está entre os setores mais resistentes ao impacto de crises econômicas, em se tratando de um dos últimos componentes que as famílias sacrificam em tempos de vacas magras, pela sua óbvia prioridade. Não por acaso o setor é considerado um dos termômetros para saber quando crise econômica avança em níveis absurdamente negativos. E é isso que está acontecendo no Brasil, segundo o vice-presidente da Abifina (Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina, Biotecnologia e suas Especialidades), Reinaldo Guimarães.
 
Em entrevista para Luis Nassif, o executivo destacou que as vendas de medicamentos, como um todo, se matem em curva ascendente, ainda mais em tempos de desemprego, quando, por exemplo, a procura de medicamentos para contrapor o desgaste da saúde mental aumenta. Por outro lado, o setor vem registrando queda na venda de fármacos menos relevantes e redução do crescimento para novos investimentos em pesquisa e inovação. 
 
Outra questão que preocupa os produtores brasileiros é entrada em vigor da Proposta de Emenda Constitucional 55, a PEC que congela por 20 anos os gastos primários governo federal. 
 
“Mesmo que na área de saúde não tenha entrado plenamente em vigor, os contingenciamentos fazem com que falte dinheiro para tudo no Ministério da Saúde. Evidentemente que se estiver faltando dinheiro no Programa de Saúde da Família, que é básico e fundamental, e faltando dinheiro no Programa Nacional de Imunizações, o gestor público vai dar preferência para este último setor”, explica. E sem investimento na atenção básica a incidência de doenças deve aumentar, sobrecarregando ainda mais o sistema de saúde pública, exigindo o aumento de recursos do governo que, por sua vez, limitou os gastos primários.
 
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Guimarães destaca também que outra preocupação do setor é o desinteresse do governo no Programa de Desenvolvimento Produtivo (PDP). A política foi desenvolvida para garantir o abastecimento de medicamentos e fármacos para o Sistema Único de Saúde incentivando a cadeia produtiva e a inovação e pesquisa nacionais. Para ter esse efeito, os acordos na PDP costumam ser selados entre três partes: Ministério da Saúde, um laboratório oficial e um laboratório privado, “a maioria deles, laboratórios nacionais de produção local”, completa o executivo. 
 
Além do desinteresse do governo, o atual Ministro da Saúde, Ricardo Barros, afirmou recentemente que irá alterar os contratos de parceria com o setor produtivo, colocando em risco da indústria nacional em favor das empresas estrangeiras. 
 
“O ministro Barros está propondo o seguinte: primeiro só irá comprar 70% da demanda dos produtos das PPPs [Parcerias Público Privadas]. Os 30% restante vai fazer uma licitação internacional, e o preço que vai comprar dos 70% tem que ser associado a um preço da licitação internacional. Ora, a indústria farmacêutica brasileira, que desde 2000 só tem vivido uma espécie de renascimento, não tem condições de competir com produtos da China, da Índia e de grandes representantes internacionais que vão fazer dumping”. 
 
Acompanhe à seguir a entrevista na íntegra. 
https://www.youtube.com/watch?v=25afPpb5ryo width:700
 

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2 comentários

  1. Gostaria de ver uma

    Gostaria de ver uma entrevista com algum empresário ou dirigente de sindicato patronal que dissesse algo como:

    – “Estamos bem. Temos tido lucro suficiente mesmo com a tributação, a que nos submetemos sem sonegar. Na verdade não dependemos do estado e fazemos questão de mantermo-nos afastados de assuntos públicos já que somos do setor privado. Não corrompemos o estado, não compramos voto de legislador nem fazemos lobby.

    Mas voltando aos lucros, nossos preços se aproximam dos custos e é desse intervalo, suficiente, que apuramos nosso lucro. E da mesma forma que adotamos em relação ao estado, mantemo-nos afastados e independentes dos bancos. Assim como somos organização privada, também somos do ramo industrial, não financeiro. Nosso negócio é produzir (insira aqui o produto que quiser, por exemplo, medicamento, automóvel, brinquedo, chuveiro…) e buscamos, antes de qualquer outra coisa, excelência nos nossos produtos.”

    E para completar:

    “Sim, se vier a reforma trabalhista, repassaremos integralmente tudo o que deixarmos de destinar ao estado aos nossos funcionários. Apesar de conhecermos o limite da pessoa comum em administrar suas finanças, de saber que essa pessoa tem, por conta da educação a que tem acesso, pouco recurso para se defender dos ataques publicitários à sua auto-estima, que procura restabelecer através do consumo, cremos que isso é o mínimo que podemos fazer. Mas o certo seria o estado, ao mesmo tempo que protegê-lo, ensiná-lo a administrar melhor seus recursos e a fugir das armadilhas do apelo comercial. Por fim, não; não contratamos terceirizados, nosso objetivo é o bem da pessoa humana, concreta, física, não da abstrata jurídica. É para ela que fazemos (medicamento, automóvel, brinquedo, chuveiro…).

    Mas tinha que ser sincero porque discursos como esses usados apenas como propaganda e publicidade, ora… toda hora alguém os fazem. Propaganda e publicidade é o que não falta. Além, é claro, do eterno chororô, das famosas lágrimas de crocodilo, que chora ao se locupletar.

  2. Laboratorios como o Aché

    Laboratorios como o Aché estão há decadas explodindo em lucros, com os dividendos pagos as tres familias fundadoras são hoje grandes investidoras no mercado imobiliario, outros laboratorios nacionais são fabricas de bilionarios, a Hypermarcas

     cresceu triunfalmente com a compra de rotulos velhos e descartados por seus criadores, revigorou-os e ganhou com isso fabulas de lucros, é estrela da bolsa. O setor é dos mais prosperos da economia brasileira e não tem do que se queixar.

    Não vejo crise no setor, o Aché recusou uma oferta de compra por R$11 bilhões, seus donos acham que vale bem mais.

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