Em Londres, Julian Assange é condenado a 50 semanas de prisão e pode ser extraditado

Fundador do WikiLeaks está detido desde 11 de abril; pedido de extradição para os EUA ainda será julgado

Para sociólogo Sérgio Amadeu, prisão do ativista é uma farsa: "Está sendo preso porque dissemina documentos que comprovam atos criminosos" / Foto: Daniel Leal-Oivas / AFP

do Brasil de Fato 

Em Londres, Julian Assange é condenado a 50 semanas de prisão e pode ser extraditado

Julian Assange, preso há quase um mês em Londres, recebeu condenação da justiça inglesa. Na sentença de 50 semanas de prisão, a juíza Débora Taylor, da corte de Southwark Crown, destacou o elevado gasto público para manter a segurança de Assange (cerca de R$ 82 milhões) e classificou como desdém a atitude do réu ao deixar de comparecer às audiências judiciais após ter sido preso e pego fiança, em 2011. A expectativa pelo julgamento do pedido de extradição aos Estados Unidos, entretanto, permanece.

Com mandado internacional de prisão contra si por acusações pelos crimes estupro e abuso sexual, supostamente cometidos na Suécia em 2010, Assange refugiou-se na embaixada do Equador em Londres, onde recebeu asilo político do então presidente equatoriano Rafael Correa e permaneceu de 2012 até o dia 11 de abril deste ano.

O atual presidente do Equador, Lenin Moreno, revogou o asilo político, o que permitiu a prisão de Assange dentro da embaixada, considerada território equatoriano. O ex-presidente Correa afirmou tratar-se de um acordo entre o atual governo e os Estados Unidos e de uma vingança pessoal de Moreno contra Assange, que divulgou no WikiLeaks documentos que apontavam indícios de corrupção na família presidencial.

Após a troca de governos no Equador, Assange foi mantido na embaixada em isolamento há um ano, sem internet, comunicação e com acesso restrito de visitas.

O processo na Suécia que motivou a prisão inicial do ativista foi arquivado em 2017. Agora, além da pena de 50 semanas de prisão, Assange ainda poderá ter contra si um pedido de extradição dos Estados Unidos.

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Extradição aos EUA

O australiano Julian Assange ficou mundialmente conhecido em 2010, quando através da plataforma Wikileaks, divulgou para o mundo material secreto do exército estadunidense exibindo abusos cometidos pelas tropas do país nas invasões do Afeganistão e do Iraque. No total, 500 mil documentos confidenciais sobre o Iraque e o Afeganistão, assim como 250 mil comunicações diplomáticas.

Sérgio Amadeu, professor da Universidade Federal de São Paulo (UFABC) e estudioso das relações entre comunicação e tecnologia, sociedades de controle e privacidade, considera que Assange é vítima de uma farsa. “Ele está sendo preso porque dissemina documentos que comprovam atos – principalmente dos EUA – contra os direitos humanos, crimes de guerra, ingerências dos Estados Unidos em um conjunto de países, inclusive o Brasil”, argumenta em entrevista ao Brasil de Fato.

Os EUA têm até junho para enviar documentos ao Reino Unido formalizando o pedido de extradição. Na data da prisão de Assange, um processo que corria em sigilo no estado da Virgínia veio a público. Na ação, ele é acusado de conspirar para invadir computadores de instituições públicas estadunidenses.

Na imprensa internacional, se prevê que o debate legal sobre a extradição pode durar anos. Alguns casos juridicamente similares, como o do suspeito de terrorismo Babar Ahmad, demoraram quase cinco anos para serem encerrados. O muçulmano britânico de origem paquistanesa foi detido em 2008 no Reino Unido e extraditado para os EUA em 2012.

“O mundo inteiro sabe que isso é uma farsa, o que mais me preocupa é isso. Uma pessoa como ele está presa, enquanto temos criminosos dirigindo países”, completa Amadeu, que teme pela sobrevivência do WikiLeaks, o que considera ser uma tarefa da sociedade democrática. “No fundo, [o que o WikiLeaks faz], é democrático. É jogar luz sobre o poder oculto, as artimanhas, a tecnologia que os EUA utilizam, combinando hard power, soft power, smart power, derrubada de governos e ação de perseguição via poder judiciário, tudo para manter sua estrutura de poder”, explica o sociólogo.

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Edição: Rodrigo Chagas

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1 comentário

  1. Se tivesse denunciado o islã e não os EUA Assange estaria ganhando montes de dinheiro e teria o título de “sir”, como o Sir Salman Rushdie…

    Se bem que aí não teríamos tantas porvas sobre a barbárie anglo-estadunidense, né?

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